8 de fevereiro de 2010

Postando só por postar

 

Assim meio no espírito de alquimista lidando com elementos arcanos, resolvi desentranhar do esquerdismo seus três componentes fundamentais: 

1 – Redistribuir a renda, tirando dos ricos para dar para os pobres

2 – Estimular o ressentimento dos pobres contra os ricos

3 – Criar uma ditadura, para fazer o que se bem entender em nome do povo

De maneira bastante esquemática, poder-se-ia dizer que os três componentes correspondem respectivamente a (1) social-democracia, (2) populismo e (3) comunismo.

Haveria talvez um quarto componente, o de defender qualquer causa aparentemente legalzinha, dos direitos dos gays e das focas ao combate à energia nuclear e ao bullying – mas é lame demais para ser incluído na minha tríade inicial que, confesso, me pareceu adequadamente solene para a minha íntima grandiloqüência.

Resta saber o que eu faço com meus três componentes. Percebo, porém, que a minha teoria aproximou-se daquele perigoso limiar da chatice, a fronteira entre a fruição autista do brilhantismo e a necessidade de que, de alguma forma, isso conduza a qualquer outra coisa. Retiro-me, portanto, aos meus aposentos mentais, e delego aos meus seguidores a tarefa de levar adiante a teoria dos três componentes fundamentais do esquerdismo

6 de janeiro de 2010

Fim de um blog?

Ainda não. Mas tampouco um post. Mais para um teste desta plataforma do Wordpress, que, por enquanto, ainda xingo de maldita, como faço com todos os sistemas que tenho de dominar, antes de dominá-los

4 de novembro de 2009

Blame it on Hegel

Vocês conhecem alguém de esquerda que não seja nem um pouquinho pomposo? Que à medida que envelheça não desenvolva aquele leve (ou nem tanto) tremor nos lábios sempre que fala nas grandiosas forças da história em ação? Eu li um parágrafo de um artigo do José Luiz Fiori, como uma fotinho boquiaberta e dignamente emocionada, e pensei nisso

PS: O título do artigo em questão, América do Sul à beira do futuro, condiz com o post. Vou ler o resto agora. Não desgosto do Fiori não

22 de outubro de 2009

Zeitgeist legal e crime

Enquanto o pau come solto no Rio e a liberação antes do cumprimento da pena de um traficante provoca um conflito que já contabiliza mais de 30 mortos, eu leio hoje no Estadão que o governo prepara um projeto para envio ao Congresso com o objetivo de livrar pequenos traficantes da cadeia. A intenção é ótima e até faz sentido em teoria: traficando sem risco de prisão, o pequeno traficante não se envolveria com as facções e o crime organizado. O tráfico, é claro, vai aumentar. Mas pode não ser muito, e, de toda forma, teríamos um sistema mais humano e que evitaria novas adesões às facções. Ah, e tem muito garoto de classe média, às vezes até de boas famílias, traficando um pouquinho para complementar a mesada. Já pensou mandar um menino desses para aquele covil dos nossos presídios?

O problema desse tipo de medida é que escapa aos seus defensores a percepção de que o combate ao crime tem a ver com um climão geral na sociedade, que eu desajeitadamente chamei de zeitgeist legal lá no título. Esse climão permissivo, tolerante, sueco, que nossos legisladores vão crescentemente implementando no Brasil, funciona muito bem na Suécia, onde há pouco crime, e a pessoas vivem num ambiente permissivo, tolerante, sueco, sem se matarem umas às outras a taxas recorde entre os países do mundo.

No Brasil, infelizmente (pois eu prefiro o climão sueco), a solução é ter um outro ambiente sócio-legal (novamente, na falta de melhores palavras). Aqui o que funcionaria é o climão de Cingapura, dos países do Leste asiático, ou mesmo dos Estados Unidos: a sensação que todos teriam de que a lei é dura para caralho, e que, mijou fora do penico, a chance de se foder de verde e amarelo é altíssima. Valendo para pequeno, médio e grande traficante, valendo para policial e político corrupto, valendo pra todo mundo. Eu, embora seja favor da legalização das drogas em teoria (mas não acredito que daria certo num país só, e ainda por cima se este país-só é o Brasil; sem os Estados Unidos na parada, não vai funcionar), acho que, no Brasil, infelizmente, a melhor solução para reduzir drasticamente a violência ligada ao tráfico é cair de pau inclusive nos usuários (no estilo indonésio). Enfim, criar de fato um clima de terror legal (atenção: legal, tudo dentro da lei) em relação ao xixi-fora-do-penico. Não sei se sou a favor disso (de pegar pesado com o usuário), porque bate de frente com a minha simpatia pelo direito existencial da rapeize de experimentar o que bem entender. É claro que no Brasil é proibido tomar drogas, mas na Indonésia é muito mais proibido, num sentido prático. Enfim, os indonésios estão mais prejudicados nesse direito ao desbunde do que os brasileiros. E eu não sei se quero isso para nós. Mas acho que, excluindo o usuário, não é hora de ficar burilando o nosso edifício legal sueco com mais leis boazinhas, quando estas mesmas leis boazinhas estão produzindo um edifício mensal de cadáveres no Rio (e não apenas no Rio, é claro)

20 de outubro de 2009

O qi do meu povo

D’O Globo:

Apontado como o traficante que comandou a invasão do Morro dos Macacos, Fabiano Atanásio da Silva, o FB (…) é mais um que fugiu após deixar a prisão, beneficiado em 2002 com a progressão do regime fechado para o semiaberto. Desde a fuga (???!!! – dá para chamar isso de ‘fuga”? Eu preferia “soltura” – comentário do blogueiro), ele teria se abrigado no Complexo do Alemão.(…)Em todo o estado (do Rio), de quase 6.500 detentos que passaram a cumprir pena em regime semiaberto, 12% fugiram, segundo o Ministério da Justiça. E oito em cada dez voltaram a cometer crimes.

Essa invasão citada na matéria é a que resultou na derrubada do helicóptero, na morte de três policiais e mais não sei quantos bandidos (ou suspeitos)

19 de outubro de 2009

Mulherzinha mandando bem

Essa Lucy Kellaway do Financial Times é do peru. Recomendo aos nossos leitores acompanhar o seu mau-humorzinho bem temperado. Um exemplo abaixo:

Why ‘chillaxing’ isn’t cool

By Lucy Kellaway

The other night, I asked my youngest child what he thought about his new secondary school. He considered the matter and then said: “It’s not very chilled.â€

At first I thought it comic that he expected this expensive, traditional school to be chilled and judged it a failure for not being so. I pointed out that I wasn’t spending £15,000 a year in order for him to learn how to chill, as he appeared to have picked that up already. He looked at me with a puzzled smile.

But then I stopped thinking it funny. How could I have allowed him to reach nearly 12 years of age without knowing this most vital fact of life? That chilling – or “chillaxing†as he even more annoyingly calls it – should not be the first thing one does, but the last. Only when one has done everything else, like finding one’s shin pads and learning one’s Latin vocab, is it time to take it easy.

Yet chilling – or vegetating, as I prefer to call it – is now seen by children as the natural order of things. Many of them (boys in particular) still expect life to be chilled when they arrive in the workplace. This is much more of a risk to employers than the other things they berate school leavers for – like an inability to spell or add up.

Last week, I read that City bankers were being encouraged to go into local schools to teach young kids “employability†and “school leadershipâ€. I have no idea what either of these things are, but I hope that they amount to drilling pupils in anti-chillaxing measures. Bankers should be attempting what parents like me have manifestly failed to teach their children: that chillaxing is neither cool nor virtuous. The lesson is simple and catchy: to make money, forget chill and go for skill and will instead.

This staggeringly obvious lesson is considered pretty daring in management circles. When Robert Rosen recently published Just Enough Anxiety, which argued that pressure is vital to success, everyone gasped in amazement.

But it is clearly true: even though to be chilled might be very zen, it does not lead to success. To succeed in corporate life – or in any competitive field – one must be driven, obsessive and hardworking.

To see if there were any exceptions to this rule, I typed “chilled CEO†into Google. All I could find was the CEO of a company called Chill International, announcing the launch of a new menopausal cooling towel – which wasn’t really what I was looking for.

Given that chillaxing inexorably leads to failure it is important to establish where it comes from. I suspect it’s a mixture of nature and nurture: some babies are born more chilled than others, and unless subjected to anti-chill drill tend not to snap out of it.

If one divides the working population into the chilled and non-chilled, interesting patterns emerge. The young are more chilled than the old, and southern Europeans more chilled than northern.

Last week, I spent two days at a board meeting in Spain. Over one late dinner, the Spanish were still calling for more dishes at midnight and looking increasingly relaxed while the British were becoming increasingly agitated. It made me wonder if the chill factor was more of a barrier to different nationalities working well together than the language one.

Even more interestingly, whatever position people occupy on the chilled/unchilled spectrum, they are inclined to regard those on either side as deficient. I am deeply unchilled, both by disposition and by choice; I regard anyone more relaxed than I am as lazy, passive and sloppy, and those few who are (even) less relaxed as uptight and obsessive.

When I joined the FT many years ago, I sat next to a woman who was spectacularly un-chilled. Though I quite liked her as a person, as a colleague I found her neurotic, controlling and overly ambitious. One day we went out for a drink and she said that she envied me for being “so happy just to bumble alongâ€. In other words, she didn’t envy my chill in the slightest; she thought me a fool and a failure in the making.

The chill factor is one area where diversity simply does not work: it is best to work with people who have a similar appetite for chillaxing. In my time, I have had relatively chilled bosses, who left me feeling angsty and under-managed, and profoundly unchilled ones, who left me feeling harassed and persecuted.

Just as it is hard to work with people with a different chill factor, it is painful doing work that requires more or less chill than one is accustomed to. Indeed, in last week’s board meeting, there was a long discussion on the Walker report’s likely recommendations for corporate risk registers that made me suddenly feel a pang of sympathy for my son. I knew the discussion was important, and I knew I must pay attention. But inside, a little voice was complaining: this isn’t very chilled.

As I write, I’m aware of a towering counter example to the theory. Barack “no drama†Obama has the most powerful job in the world but also seems pretty chilled. Yet I am prepared to bet my own house that Obama didn’t get to the White House by chillaxing. He has pulled off the ultimate trick: to be driven and look relaxed. He is a dangerous example to the young. When they see Obama on the TV they should be told: don’t try this at home. Learn your Latin vocab instead.

lucy.kellaway@ft.com

16 de outubro de 2009

Contraponto

Esse artigo do jornalista Rolf Kuntz, do Estadão, é um bom contraponto ao post anterior do Matamoros. E, antes que vocês tenham miragens de rachaduras na Torre, devo alertar que subscrevo em grande parte (“nunca concorde 100%” – é o lema do meu eu implicante) o post do Matamoros, e parcialmente o artigo do Rolf Kuntz. A minha possível discordância com o Kuntz é que acho que trata-se de fato de “um jogo ideológico de reestatização” (o quê? Leia abaixo, pô!), ainda que um mau jogo em vários aspectos (mas talvez não todos).

Presidente de tudo

Rolf Kuntz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua manobrando para mandar na Vale. Se tiver sucesso, tentará mandar noutras empresas privadas, de acordo com seus interesses políticos. Grandes companhias privatizadas serão provavelmente alvos preferenciais. Mas a lista poderá incluir quitandas e carrinhos de pipoca, se isso for importante para os objetivos definidos no Palácio do Planalto. Por enquanto, a meta principal é interferir nas decisões da Vale. Conseguirá isso mais facilmente se houver mudança na diretoria da empresa, a começar pela demissão do presidente, Roger Agnelli.

Todo esse jogo deixou de ser segredo há meses. É cada vez mais aberto e só há um obstáculo importante. Os fundos de pensão estatais, obedientes ao governo central, não detêm o controle acionário da empresa. Mas o objetivo ficará mais próximo se o empresário Eike Batista conseguir comprar um número suficiente de ações. O resultado da manobra depende agora da resistência do Bradesco, detentor dos papéis necessários a uma alteração de controle.

Não se trata de um jogo ideológico de reestatização. Com a crise internacional, ganhou destaque o debate sobre as funções do mercado e do poder público na organização da economia capitalista. De modo geral, houve mais barulho do que ideias novas nessa discussão. Economistas ilustres perderam o senso do ridículo e falaram sobre as políticas de estímulo à demanda como se fossem grandes e revolucionárias novidades. Não são, e nenhum governante precisou fazer contorcionismo ideológico para recorrer a incentivos fiscais. No meio do falatório, alguns políticos chegaram a um passo de uma deslavada defesa do voluntarismo. “É hora da política”, disse várias vezes o presidente Lula, sem jamais explicar o alcance de sua noção de “política”.

Discurso estatizante? Certamente não no caso do presidente Lula. Se ele tivesse um efetivo interesse em fortalecer os mecanismos do Estado teria apoiado a consolidação das agências reguladoras. Mas todo o esforço de seu governo foi no sentido contrário. As agências foram enfraquecidas e aparelhadas e a ideia de autonomia operacional foi sempre rejeitada pela maioria de seus ministros. O objetivo dominante sempre foi submeter os órgãos de regulação ao controle do Executivo e, portanto, a interesses partidários e eleitorais de ministros, do presidente e de grupos governistas.

Toda a estratégia do presidente Lula foi sempre voltada não para o fortalecimento do Estado, como instituição, mas para a partidarização da máquina estatal e para a centralização das decisões mais importantes.

A impessoalidade é uma das características mais notáveis da organização estatal moderna. Órgãos de Estado têm normalmente padrões próprios de funcionamento, objetivos permanentes – ou mutáveis apenas a longo prazo ou em circunstâncias muito especiais – e considerável independência operacional. Nos países bem ordenados e politicamente mais desenvolvidos, essas características definem também as companhias estatais, tanto quanto a maior parte da burocracia.

O presidente Lula nunca entendeu a ordem estatal dessa maneira – ou, pelo menos, nunca agiu como se tivesse uma clara percepção da diferença entre Estado e partido ou mesmo entre Estado e grupo hegemônico. Sua relação com a Petrobrás é um reflexo dessa concepção peculiar de Estado.

O presidente Lula parece nunca haver entendido ou assimilado a história de sucesso da Petrobrás: um longo processo de acumulação de conhecimento técnico e de experiência empresarial, com erros graves e grandes acertos. A descoberta do pré-sal não resultou da iluminação repentina de um presidente da República, embora a propaganda oficial tenda a impingir essa mistificação às pessoas pouco informadas.

O desprezo do presidente Lula pelos critérios de administração e pelos objetivos empresariais da Petrobrás é indisfarçável. A maior estatal brasileira é tratada por ele como instrumento de um projeto de poder, assim como a Agência Nacional do Petróleo e a futura empresa coordenadora da exploração do pré-sal. Isso não é estatização, porque a Petrobrás nunca deixou de ser estatal, assim como as jazidas de petróleo e de outros minerais nunca deixaram de pertencer à União. O jogo é outro. Tem a ver não com a opção mais Estado ou mais mercado, mas com a escolha, muito mais grave, entre democracia e autoritarismo. É este o sentido real das tentativas de Lula de mandar na Vale e na Embraer. A questão é política, muito mais do que econômica.

10 de outubro de 2009

Mudança de divisão

Não é necessário ser muito perspicaz para perceber que o Brasil mudou de patamar nos últimos anos. O crescimento médio é mais alto e menos volátil, a desigualdade está em queda, o mercado de trabalho se fortalece e a inflação segue sob controle. O impacto da crise sobre o país deixa evidente a solidez maior da economia – não foi uma marolinha, claro, mas não houve uma tragédia em termos de atividade econômica e emprego, como se temia. Com reservas de US$ 230 bilhões e sem o risco de solvência fiscal no horizonte, o país atravessou a turbulência sem grandes sobressaltos.

Mesmo na crise, o país continuou a receber um volume considerável de capitais externos para atividades produtivas, interessados num mercado interno em forte expansão e nos setores ligados à produção de commodities. A descoberta do petróleo na camada pré-sal é um trunfo importante do ponto de vista econômico, por mais que o ufanismo de Lula seja exagerado. Vai garantir um fluxo expressivo de recursos para o país.

No cenário externo, o Brasil ganha importância. Você pode odiar a política externa brasileira, mas o país passou a ter de fato mais voz nos fóruns internacionais como fica claro no que ocorre nos encontros do G20. Não há como não ter importância global um país com quase 190 milhões de habitantes, que cresce de 4% a 5% ao ano, é um grande exportador de commodities e de alguns produtos manufaturados sofisticados e está com a economia razoavelmente organizada. Isso explica o prestígio de Lula lá fora, num mundo em que os emergentes realmente ganham peso.

A escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016 também não é gratuita, e confirma que a imagem do país no exterior realmente melhorou. Há alguns anos, o Brasil não tinha a menor possibilidade de ganhar. A percepção era de que não teria capacidade de organizar e bancar algo complexo e caro como os Jogos Olímpicos. Não estou defendendo a realização da Olimpíada por aqui; há um risco grande de que seja um festival de desperdício de dinheiro público, num país que tem uma educação péssima e sérios problemas de saneamento básico, por exemplo. Mas isso não quer dizer que a Olimpíada não possa ser positiva para o Brasil. Se a aplicação dos recursos for bem fiscalizada e houver um planejamento decente, a escolha do Rio poderá ser um bom negócio. A questão é que a simples decisão do COI deixa claro que o país é visto de outro modo no resto do mundo.

É claro que o país tem milhões de problemas. A educação continua péssima, a saúde pública é muito ruim, a Justiça é uma piada e a segurança nas grandes cidades é um problema grave. A trajetória recente das contas públicas preocupa não porque haja o risco de insolvência, mas porque o governo não para de aumentar os gastos correntes, dando reajustes elevadíssimos para os funcionários públicos e para as aposentadorias. Isso torna mais rígida a política fiscal no futuro, diminuindo a capacidade de investimento do setor público, que já é limitada. A forte valorização do câmbio pode prejudicar os setores que exportam produtos manufaturados, especialmente num cenário em que mercados como os EUA e a América Latina não devem crescer como no período anterior à crise.

Em muitos aspectos, o Brasil evoluiu pouco ou até andou para trás nos últimos anos. Isso não quer dizer, porém, que os avanços que eu mencionei acima não sejam significativos. A situação geral no país melhorou. Acreditar que o Brasil não mudou nada é cegueira. É claro que Lula fatura politicamente essa mudança, como faria quem quer que estivesse no governo. Parte do mérito pelas melhoras é dele, que manteve uma política econômica sensata e ousou na política social, combinação fundamental para as melhoras dos últimos anos. O cenário externo positivo entre 2003 e 2007 ajudou, claro, assim como a herança positiva do governo Fernando Henrique Cardoso em algumas áreas, como o fim da inflação e a privatização em setores como os de telecomunicações. O que mais preocupa atualmente é a expansão de gastos exagerada, que vai atrapalhar a vida do novo governo. As práticas políticas de Lula também não são nada elogiáveis, mas o sistema político brasileiro as explica em parte, embora não as justifique.

No balanço final, o Brasil realmente mudou de divisão. Quem não percebe isso fica horrorizado com a aprovação do governo Lula, querendo trocar de povo. É receita para perder a eleição e ficar magoadinho. E há outro ponto óbvio, mas não menos importante. Quem não compreende a mudança não se dá conta de que um país que cresce mais, com menos desigualdade e que atrai volumes maciços de capital externo tem muito mais facilidade para enfrentar os problemas graves que ainda persistem, como a educação e a saúde de péssima qualidade, qualquer que seja o presidente

9 de outubro de 2009

Se fosse branco ganhava?

Eu mencionei aqui anteriormente os “sempre insuspeitos suecosâ€* que conferem os prêmios Nobel, mas devo admitir que dar o da Paz para o Obama coloca em suspeita os agora já nem tão sempre insuspeitos suecos*. O cara mal iniciou o mandato, não fez ainda xongas concretamente do que possa ser considerado avanços concretos pela paz e já faturou o seu Nobel? Com toda aquele bafafá no Afeganistão? Pfuiii (na falta de melhor interjeição). Começo a considerar o da Paz como o prêmio Nobel café-com-leite

Bem, vou acrescentar alguns links:

1, 2, 3, 4 e 5

* e mais um link, atestando a minha proverbial ignorância, já que descubro agora que são os noruegueses, e não os suecos, que conferem o prêmio Nobel da Paz:

aqui

8 de outubro de 2009

Imagine se não estivessem em declínio

Para quem se delicia com a suposta decadência do Império Americano, na sequência da grande crise financeira global, eu recomendo (ou talvez não recomende – sou cada vez mais a favor do auto-engano) uma olhadinha na distribuição de prêmios Nobel. As comendas, outorgadas pelos sempre insuspeitos suecos para os tops da ciência mundial, vão sendo, como de hábito, tragadas em humilhante e esmagadora maioria pelos EUA. Quero essa decadência pra mim.

E confesso: tenho grande complexo pelo fato de o Brasil nunca ter faturado um Nobel. Deve ser por isso que torço compensatoriamente com tanta gana por qualquer brasileiro em certames internacionais de cuspe à distância ou lançamento de anões.

Bem, unzinho de Literatura ou da Paz já aplacava o recalque, mas aqui estou falando mesmo é de ciência

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