Falou, falou e não disse nada

Nunca o Brasil esteve tão bem na foto em termos de imagem econômica junto à comunidade financeira global. E talvez, na surdina (ao menos para a comunidade financeira global, que é bem surdinha), com sua super-ultra-hiper-mega-über vontade de gastar como se não houvesse amanhã, Lula e sua camarilha estejam minando as chances de perpetuação desse momento dourado. Ou talvez não. Eu sei que é muito irritante afirmar algo e colocar em dúvida logo em seguida. Mas é assim que me sinto no momento sobre what’s going on in Brazil. Não sei se estamos botando tudo a perder, botando só um pouquinho a perder ou se não estamos botando nada a perder com a fome de viver, de ser feliz e de gastar (o que é tudo mais ou menos a mesma coisa, sob certos pontos de vista) do atual governo. Talvez as receitas do pré-sal venham nos resgatar mais adiante, se houver qualquer problema. E apostar contra o Lula parece cada vez mais arriscado

15 comentários para “Falou, falou e não disse nada”

  1. nelson disse:

    não entendo p(*)orra nenhuma de economia, mas o brasil do lula me lembra o jorginho guinle.

    []’s

  2. Boa comparaçao, Nelson, mas os reacionários alegarão que o Jorginho Guinle gastava com muito mais classe :-)

    Abraç

  3. Gustavo Amigo disse:

    Veja este post do José Paulo Kupfer falando em números o que está ocorrendo. Não parece tão complicado assim como alguns apontam, era o que o Brasil precisava fazer para não cair na crise.
    http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/2009/09/23/calma-que-o-brasil-e-nosso-%E2%80%93-3/

  4. Ninguém mais está preocupado com solvência. As dúvidas agora são sobre como a demanda super-turbo puxada pela fome de ser feliz do governo vai se acomodar com todo o consumo e o investimento do setor privado, sem provocar inflação e/ou jogar o dólar para baixuras, e o déficit em conta corrente para alturas, nunca dantes navegadas (no caso do dólar/déficit em c/c, diga-se de passagem, os arrepios virão muito mais dos heterodoxos do que dos orto)

  5. Zamba disse:

    Gustavo Amigo,

    A política fiscal pode até ser expansionista em tempos de crise, mas a nossa é expansionista o tempo todo. Quando acabar a crise, continuaremos a gastar.

  6. paulo disse:

    Eh soh fazer uma daquelas analogias estupidas do Lula. O que acontece com um pai de familia que gasta hoje nao apenas o salario do mes, mas tambem o que ele acha que vai ganhar nos proximos 10+ anos?(*)

    A vigarice politica neste particular eh impar. E a irresponsabilidade com o futuro do pais tambem.

    Mas o Lula eh o cara nao eh? Assim como o Obama…

    (*) EH obvio que para o Lula tal analogia nao vale, uma vez que ele eh o “pai de familia” ateh o ano que vem. Que sifu quem vem depois… estadista eh isso!

  7. kitagawa disse:

    Saiu o IDH e continuamos aquela mediocridade. Fica a sensação de que parte do Brasil está avançando a passos largos enquanto outro continua no mesmo lugar, contente com as migalhas do bolsa familia. A educação é uma merda e me parece que vai avançar pouco nos proximos anos. Não confio nesses indices que indicam queda na desigualdade, não me parece uma tendencia forte o bastante. Tenho medo que a euforia em torno das Olimpiadas acabe por menosprezar os problemas das favelas. Temo que estejamos construindo um país que não seja mais do que um belo balcão de negocios para o mundo, enquanto a sujeira se acumula atrás dele. É isso que me preocupa.

  8. paulo araújo disse:

    Caro

    É a irresistível vontade de gastar do Lula, comentada em um dos posts mais brilhantes já escritos por V Mcê:

    É vontade de gastar, fundamentalmente. Esqueçamos por um momento que ele é de esquerda, e muito mais estas baboseiras de hegemonia, Gramsci, marxismo. Porque no fundo é vontade de abrir a carteira, jogar um monte de notas de cem reais para cima e gritar, eufórico: “Estou rico, estou rico”! [...]

    E o que mais irrita o Lula neste momento é que regulem a mixaria. Ele quer muita glória para si, muita festa, quer dar muita ajuda, muito apoio, muita esmola. Quer fazer muita coisa, usinas hidrelétricas, universidades, sei lá – o que importa é fazer, e que saibam que foi ele quem fez. Nada irrita mais o Lula do que o tecnocrata cinzento tentando impor limites ou racionalidade no gasto. Nada irrita mais alguém que quer gastar muito do que o pentelho que diz que é preciso gastar bem, porque para gastar bem talvez seja preciso não fazer certos gastos, talvez seja preciso ir mais devagar com outros, e no frigir dos ovos pinta um clima brochante, que inibe aquela louca vontade de gastar, que é o grande tesão do Lula no momento. Então ele diz para o tecnocrata: “Vamos, seja um homem, não um verme. O mundo está se abrindo para nós, estão comprando sem parar as nossas coisas, as burras do Tesouro estão transbordando, e você vem me falar em conter os gastos?”

    http://atorredemarfim.apostos.com/archives/2007/10/vontade_de_gast.html

    Sobre o pré-sal, correm notícias que os americanos, esses desmancha-prazer, estão tendo algum sucesso na prospecção de petróleo sob contrato de risco no pré-sal das costas africanas e em profundidades bem menores que as do Brasil.

  9. Caro Paulo, eu gosto desse post também. No final, eu faço duas previsões, uma acertada, de que o fim da CPMF não traria nenhum desastre, e outra totalmente errada, que a restrição ao gasto trazida pelo fim da CPMF afetaria a popularidade do Lula.

    Acho que me ferrei na segunda previsão em parte pelo acerto “over” na primeira – não só o fim da CPMF não trouxe nenhum problema como também não resultou em qualquer restrição fiscal e o governo continuou a gastar com o ímpeto sexual de sempre -, e em parte pelo velho erro da elite branca decadente de subestimar o carisma popular do Lula.

    Abração

  10. nelson disse:

    eu também gosto muito daquele post.

    []’s

  11. Dawran Numida disse:

    Depois dizem que os norte-americanos ficaram alavancados pelo fato de gastarem mais do que ganhavam por pura ganância e arrogância. Só que gananciosos e alavancados, compravam tudo de todos e até nós vivemos certo “boom” pela ganância deles. O engraçado é que nós, solidários e sem ganância, agora estamos gastando por antecipação o que poderá vir só daqui a uns 20 anos. E já decretamos que em 2016, todas as favelas, todo o transporte caro e ruim, toda a educação, a saúde etc., serão resolvidas pelas Olimpíadas e antes pela Copa e no meio a Copa das Confederações. Sei não, mas que parece que os alavancados e gananciosos somo nós, ah, isso parece. Só que melhores do que eles: gastamos antes de ganhar. E se acharem mais pré-sal nas costas da África e no Golfo do México?

  12. Adriano Alves Pinto disse:

    É engraçado como vcs vão na onda dos economistas de sempre. É importante manter uma relação saudável entre o que se gasta e o que se arrecada, mas esse medo irracional de “gastar” é que emperra a economia. Foi justamente esse “ímpeto gastador” do governo que manteve a economia aquecida durante a crise, enquanto nossos “desenvolvimentistas” acharam mais prudente cortar empregos e investir nas ilhas cayman.

  13. Paulo disse:

    Eh, o governo gasta gasta e depois
    rouba a sua restituicao do IR…

    que pujanca! Que potencia!
    Que pais…

    e tem gente que defende…

  14. nelson disse:

    também, com um sobrenome desses… deve ser parente do ziraldo.

    []’s

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