Essa noite eu tive um sonho que terminou com o seguinte diálogo:
Eu – Isso, então, é uma pedra filosofal?
Outro (não me lembro quem) – É, mas a cara não é muito inteligente.
Na sequência, crianças e bichos de histórias de criança (o sonho era meio infantil), no rasinho da praia, assistem à pedra filosofal afastar-se boiando (?!), com um estranho chapéu, olhos esbugalhados e um sorriso freak nos lábios
§§§§
Eu constatei essa manhã, indo trabalhar de carro, o quanto me irrita a profusão de SUVs (é isso?), ou, sei lá como é a forma mais correta de me referir a isso, hummers?, jipões?, mas vocês entenderam meu ponto. Num rápido exame dos meus próprios sentimentos, me parece que a razão primordial da minha irritação é que eu não tenho um carrão desses, mas, correndo logo atrás, nos cascos, vem a indignação cívica contra os monstrengos poluidores e exauridores das fontes energéticas do planeta, que ficam bloqueando a minha visão e a minha passagem nos engarrafamentos do Rio. Mais revoltante é pensar que 90% dos patetas ao volante, além da descortesia de me fazerem pensar que eu não teria dinheiro para comprar um carrão desses, nem que quisesse, jamais usaram suas jamantas para de fato encarar uma estrada de terra esburacada à altura do desafio proposto pelas ‘máquinas’, e ficam circulando de lá para cá no asfalto com os seus SUVs, pontuando a existência urbanóide com delírios masturbatórios sobre o rally Paris-Dakar. Se eu fosse prefeito cobraria um IPVA escorchante dos félasdaputa
§§§§
Eu não tenho pensado muito em política nem temo que a Dilma cubanize o Brasil, mas confesso que fiquei bastante preocupado com o episódio Paris Hilton. A proibição dos anúncios da cerveja Devassa com a moça me pareceu um claro sintoma do chavismo disseminando suas ovas de serpentes marinhas. Ok, não contribui para o meu caso o fato de que quem proibiu foi o Conar, o órgão auto-regulador de publicidade, que não tem nada a ver com o governo. Mas pensem bem. Primeiro nossos artistas e intelectuais começaram, em tons indisfarçavelmente gramscianos, a pichar a Paris Hilton, só porque ela é loura, americana, ricaça, fútil, gostosa e meio vagaba, e não dá bola para o Chico Buarque e o Paulinho da Viola (não tenho como comprovar que ela não dá bola para o Chico Buarque e o Paulinho da Viola, já que não me consta que esse tema jamais tenha sido levantado na sua presença, mas depois de muito matutar, examinando a questão pelos mais diversos ângulos, concluí ser muito provável que a Paris Hilton não dê bola para o Chico Buarque e o Paulinho da Viola). A estridência da campanha anti-Paris Hilton chegou ao clímax quando a Maria Paula declarou que a Paris Hilton “nem ao menos é gostosa”. Eu sou da firme opinião de que a Paris Hilton é mais gostosa do que a Maria Paula. A Mart’Nália, por sua vez, disse que a Paris Hilton não acrescenta nada (não sei se ela se referiu a não acrescentar nada ao Cosmos, ao Carnaval, à vida cultural brasileira ou ao camarote da Brahma; mas é indubitável que o camarote da Brahma está no centro dessa trama). Bem, a Paris Hilton é mais gostosa que a Mart’Nália, mas isso não vem ao caso. Meu ponto é que todo esse crescendo anti-Paris Hilton mostra que a intolerância atingiu níveis intoleravelmente intoleráveis. Um dia censuram a Paris Hilton, e você não diz nada. Pouco depois, censuram a loura do teu vizinho, e você também não diz nada. Até que um dia censuram a tua loura e te levam para um campo de reeducação (onde você será obrigado a aprender que a Maria Paula é mais gostosa que a Paris Hilton e que a Mart’Nália acrescenta alguma coisa à cultura brasileira ou ao camarote da Brahma), e já será tarde demais para reagir. E acrescente aí alguma coisa sobre ainda existirem juízes em Berlim, que talvez se aplique.
Mas a Paris é fueda: conseguir acrescentar ao currículo uma censura por excesso de sensualidade no país das bundas, do Carnaval e da putaria – tem que respeitar a gringa


Brilhante! Paris Hilton para presidente!
Analisei seu sonho.
A pedra filosofal com estranho chapéu é Zeitgeist, pois esterco cultural boia. Os olhos esbugalhados são uma alusão escancarada do seu inconsciente ao Angelus Novus do Klee, na interpretação de W. Benjamin. Sem dúvida, eles denotam a manifestação do sentimento de culpa, originado pelo seu atual descaso (estado de alienação) não resolvido pela política.
O “sorriso freak NOS LÁBIOS” (está evidente na pseudo-redundância o desejo reprimido) é, ao mesmo tempo, repressão da pulsão sexual pela devassa “meio vagaba”, e arqueologia inconsciente de Les Mots et les Choses, que na sua edição de 1990 você premonitoriamente sublinhou: “O marxismo está no pensamento do século XIX como peixe n’água: o que quer dizer que noutra parte qualquer deixa de respirar.[...] Seus debates podem agitar algumas ondas e desenhar sulcos na superfície: são tempestades num copo d’água”.
Parece-me, ainda, que o elemento aquático recorrente em seu sonho pode ser manifestação do desejo de voltar à segurança do útero materno, ou até mesmo a simples vontade de poder meter pinto na buceta da Paris Hilton.
Devido ao problema de censura, não dá para abrir o jogo. Mas, pelo andar da carruagem, a Paris Hilton tem duas coisas: Paris e Hilton. Paris, pode ser capital, nome de principe troiano ou sequestrador da Helena do Menelau. E ainda Hilton, pode lembrar cigarro king size e hotel de luxo. Será que explica alguma coisa ou deixa só flutuando? Melhor deixar flutuar, pois é quase certo que não se pode falar muito de gente loura de olhos azuis, sem falar antes de sertão, calango, pau-de-arara, sandalhão de couro, jegue, jumento, gibão e caatinga. Ou de sono profundo em apresentações de planos acelerados em Power Point.
Paris Hilton ganha de Maria Paula de longe…:)
Ó, o endereço do feed de vocês mudou de http://atorredemarfim.apostos.com/index.xml para http://atorredemarfim.apostos.com/feed
Portanto, quem assinava o blog antes não tem notícia dos novos posts. Só por acaso eu vim para aqui, através do NPTO, e vi as atualizações. Convém divulgar a notícia pra não perder eleitorado!
Leonardo, obrigado. Nós somos tão analfabetos em informática que não sabíamos nem qual era o endereço antigo do nosso feed
Um abraço,
Marcos
“a Paris é fueda: conseguir acrescentar ao currículo uma censura por excesso de sensualidade no país das bundas, do Carnaval e da putaria – tem que respeitar a gringa”
Boa.
Nessa zona toda acabei descobrindo que a Devassa foi vendida para a Schincariol. Em 2007…
Por algum motivo ainda me lembrava dela como uma singela cervejaria independente. Acho que porque assim a descreveram em uma das últimas vezes que estive no Rio.
Mas acho que isso explica tudo, porque nego sacaneia a Schincariol até não poder mais, mesmo.
Nesse fim de semana tomei uma devassa (fazia alguns anos), tb vagamente inspirado pelo caráter “artesanal” da coisa.
Muito fraquinha, um fiasco. (fecha com sua informação)
Voltamas (eu e a patroa) p/ a Stela Artois – q nos parece a melhor cerveja convencional / “não premium”.
Às armas. Na minha loura, que é morena, ninguém mexe.
Quando terno (de ternura) ocorre em vez de temo….
Paris Hilton, quem diria, acabou no Conar…
E sobre os “carrões”, você devia conhecer Fortaleza. Não tem cidade mais infestada por essa praga no país todo…
o importante é o progresso trazido pelo bolsa família aos pobres brasileiros. O NE agora é Dilma desde criancinha. Eita coisa boa para os pobrezinhos esse bolsa família…
Quando eu penso que de tudo eu vi nessa vida… surgem esses comentários para me mostrar que ainda me resta capacidade de ficar perplexo
perplexo vc ficará com a Dilma presidente… é só aguardar.
Paris Hilton? Gostosa? Well…suponho que haja gosto pra tudo! Enfim….
Ah sim! E quem diabos é Maria Paula?
Não tem uma Maria Paula?