O Fla x Flu eleitoral

O clima de Fla x Flu eleitoral que toma conta da internet ainda me deixa perplexo. Até gente de bom senso escreve coisas difíceis de acreditar. Há algumas semanas, o Hugo Albuquerque disse no Twitter: “Antes eu achava que um eventual governo de Serra seria como o de Collor, hoje, eu suspeito que seria pior”. Pode ser que tenha sido uma hipérbole, mas não me pareceu o caso. Não há a menor possibilidade de que um governo Serra seja igual ou pior que o de Collor.

Por menos que você goste de Serra, ele não é um escroque como Collor. Está longe disso. Além disso, a situação do país hoje é mil vezes mais tranquila do que em 1989. A economia está absurdamente melhor e o quadro político é muito mais estável. Esta é a sexta eleição presidencial desde a redemocratização, um fato que por si já mostra o avanço e o amadurecimento do país.

 A rivalidade entre tucanos e petistas, ou mesmo entre simpatizantes do candidato tucano e da candidata petista, produz caricaturas francamente constrangedoras. Para alguns dilmistas, Serra é um monstro direitista disposto a acabar com as conquistas sociais de Lula. Para muitos serristas, Dilma é uma esquerdista perigosa, pronta para limitar as liberdades individuais. Esses são os extremos, claro, mas mesmo muita gente moderada tem avaliações totalmente irrealistas sobre as duas candidaturas, como mostra essa frase do Hugo.

 Eu não vou votar nem Serra nem em Dilma. São mais intervencionistas em economia do que eu gostaria. Dilma pode continuar com a política de aumento acelerado dos gastos públicos, enquanto Serra pode querer mudar à força o nível do câmbio e dos juros. Mas nenhum dos dois será uma catástrofe – e nem a redenção. Eles não vão colocar em risco as melhoras obtidas a partir de 1994 com a estabilidade, e que, no caso do crescimento e da distribuição de renda, se acenturaram a partir de 2004. Pode ser que desperdicem a chance de o país avançar mais rápido, se não mudarem a política fiscal e não investirem mais e melhor na educação. Mas o ponto é que não vão colocar tudo a perder, como alguns dilmistas acreditam que ocorrerá com a vitória de Serra e como alguns serristas têm certeza de que ocorrerá se Dilma for eleita.

 Os dois me parecem ter entrado na política por ter espírito público, assim como Marina – que eventualmente pode levar o meu voto, já que é assessorada por bons economistas como Ricardo Paes de Barros e Eduardo Giannetti. Tudo isso é óbvio, mas o Fla x Flu impede que muita gente de bom senso veja o óbvio. Que gente como Paulo Henrique Amorim e Reinaldo Azevedo e seus leitores mais debiloides acreditem em caricaturas não é motivo de surpresa. O que me espanta é que a rivalidade desta eleição é tão grande que mesmo pessoas de bom senso vejam o adversário de seu candidato como um demônio.

Eu sei que a minha visão da eleição é aborrecida. Num momento em que petistas e tucanos se comportam como torcidas organizadas, esse tipo de análise deve ter tanto ibope quanto filme iraniano com legendas em húngaro.  Mas é o que eu queria dizer há muito tempo

24 comentários para “O Fla x Flu eleitoral”

  1. Tendo a concordar com você, Matamouros; não obstante, Serra como governador de São Paulo tomou algumas atitudes temerárias e num estilo collorido, sim.

    Cito o exemplo da OSESP. Com Neschling (e isso é uma herança bendita tucana), era a melhor sinfônica do mundo na atualidade. Tiraram Neschling a pulso, e colocaram um francês medíocre.

    Mediocre mesmo! Fui assistir a OSESP na sexta, a convite do Itaú Personalité, e fiquei com vergonha: até a impressão, formatação e design do programa é ruim.

    Por a perder uma das maiores conquistas de seu próprio partido em seu estado é, sim, algo a temer. Você não acha?

  2. Se insisto em orquestras como metáfora ou metonímia de um governo, não é atoa. Costumo dizer que não dá pra ter noção do quanto o Carlismo (aliado ao privatismo monopolista cultural do Axé-Sistem) colocou a perder na Bahia, sem assistir ao Neojibá (orquestra jovem do estado, criada em 2007 no Governo Jaques Wagner).

    Claro que isso não é tudo. Mas é uma boa eVIDEncia.

  3. Caro Lucas,
    A saída do Neschling foi mal conduzida, mas ele estava longe de ser uma pessoa fácil. E não acho que isso seja um sinal de que ele fez um mau governo, ou de que tenha rompantes de Collor. Como eu disse, temo mais que ele tente mudar à força o nível do câmbio e dos juros, embora provavelmente ele deva tentar primeiro apertar a política fiscal, o que sem dúvida ajuda na tarefa de ter um câmbio mais desvalorizado e juros mais baixos. Também me preocupa uma determinada falta de habilidade em negociar, num país em que é essencial fazer isso com o Congresso. Mas, se ele ganhar, o Brasil não vai se tornar um país fascista, como acredita parte da esquerda
    Um abraço,
    Marcos

  4. sem dúvida, meu direitista preferido (e de toda a esquerda brazuca. também, com a direita que temos…)

    se há uma coisa de boa no debate de semana passa é que mostra maturidade cívica: ninguém foi pra baixaria, a discussão foi de politicas publicas, com alguma ideologia.

    E nenhum dos 4 candidatos jamais apoiou o Golpe de 1964. Alias, todos lutaram contra o Regime Militar, de alguma forma.

    Só isso, pra mim, já é institucionalmente benéfico.

  5. nelson disse:

    ah… como é civilizada a esquerda que temos… também, ganhando o que ganham e trabalhando o que trabalham…

    []’s

  6. Matamoros,

    Agradeço a dileção e vamos ao ponto: Não creio que exista um FLA x FLU nessas eleições. Há quem reduza o debate, há quem erre na avaliação, mas mesmo que o antagonismo sim existente seja colocado em termos maniqueístas, ainda assim não temos nada parecido com futebol – que é um esporte coletivo, portanto, uma sublimação da guerra e, no meu entender, trata-se de uma versão reduzida e castrada do simétrico oposto da Política (sim, a guerra). Pode existir uma tentativa de fazê-lo, mas isso jamais viria a se concretizar – e não seria eu, com meus parcos talentos, que conseguiria chegar a tanto, criando um FLA X FLU político.

    Existe sim um antagonismo entre os projetos do PT e PSDB (sob Serra), embora pelo menos três setores setores, via de regra, neguem a relevância disso – ou, ao menos, reconheçam a existência de tal fenômeno: A extrema-direita, a extrema-esquerda e os liberais; os últimos são o grupo que, suponho, você faça parte. Os dois primeiros grupos partem de um antagonismo entre o Eu e o Mundo muito aguda, tanto que os faz acreditar que existem pessoas inerentemente boas ou más – as primeiras, naturalmente, estão do seu lado. Os liberais, por sua vez, naturalizam, por meio de um véu ideológico negado, o nivelamento dos antagonismos ação como necessária manifestação de maniqueísmo em relação ao qual se colocam como elementos neutros, equidistantes e mediadores. É o mesmo das extremas, só que ao contrário. Em suma, o que eu proponho é que discutamos os antagonismos existentes e separemos isso do joio – isto é, do maniqueísmo de verdade.

    A minha afirmação sobre Serra parte, menos do meu irremediável ceticismo em relação ao seu partido e mais pela sua atuação no governo do estado de São Paulo – deixe-me ver, tivemos uma guerra entre polícias, a invasão da USP pela Tropa de Choque, as cacetadas em professores mal pagos que reivindicavam melhores condições de trabalho e a intervenção na TV Cultura – com cortes de cabeça de jornalistas. Durante esse tempo, tivemos Serra usando como muletas o discurso barato de ultra-direita, ainda que não faça parte dela. Durante a campanha, Serra acusou o PT de estar envolvido com o terrorismo – reduzindo de maneira violenta a questão colombiana, complexa por natureza – e a Bolívia de ser um narco-Estado, sem ter apresentado, até agora, nem uma única prova para tanto. Sim, isso é mais temerário do que o Collor.

    Tudo isso é muito grave. O Brasil é um país complexo que só é governável distensionando e negociando o tempo todo. Serra não faz isso, não admite críticas – se ele disse algo, a resposta à réplica é sempre que se trata de “trololó petista” ou que “todo mundo sabe” – e fez coisas absurdas como pedir a cabeça de jornalistas. Ele está lá na centro-direita – talvez mais à direita do que Dilma está à esquerda -, mas o cerne da questão não é mesmo material, mas sim formal; não é no que ele entende como correto, mas sim como ele pretende chegar a tais fins, em suma, falo de sua postura, o que na Presidência da República trataria-se de um verdadeiro desastre.

    abraços

  7. paulo araújo disse:

    Caro

    Só não concordo com a medição dessa balança que confere pesos iguais a Paulo Henrique Amorim e Reinaldo Azevedo. Como dizia o Dunga em “um dia de fúria”, nem fodendo!

    Meu comentário sobre “o clima de Fla x Flu eleitoral que toma conta da internet”, eu expresso pelas considerações de um bom amigo:

    Diz-se dos tagarelas que eles costumam se queixar de terem recebido da natureza apenas uma língua e dois ouvidos. Impossível dialogar com o gárrulo, pois ele não ouve. O boquirroto é como um vaso furado onde as palavras sensatas entram e saem imediatamente.

    Brincando com termos da medicina, Plutarco diz que o nome da doença do falador é asingesia, ou seja, impossibilidade de manter silêncio. O outro lado da mesma doença seria a anekoía, inabilidade para escutar. Resulta numa doença, também nomeada por Plutarco, a diarréousi, diarreia da língua

    Para quem se interessar:

    A Tagarelice e Outros Textos. Plutarco. Tradução Mariana Echalar, Ed. Landy.

    E sobre os dois candidatos citados no post, penso concordamos com o professor Dionísio Dias Carneiro:

    “O candidato do PSDB declara-se contra a independência do Banco Central e a candidata do PT mostra que não sabe o que é restrição fiscal. Para ambos, algo a pensar. Quem
    leva a sério a responsabilidade fiscal não precisa tirar a independência do Banco Central. Quem não leva não merece mandar no Banco Central.”

  8. Drex disse:

    Com licença para o clichê: assino embaixo.

  9. adroaldo disse:

    Não há dúvida de que o Serra costuma pedir a cabeça de jornalistas que o desagradam. Tive a confirmação de um sócio-proprietário de um grande jornal. “E há quem atenda”, segundo ele, o que torna a coisa muito pior.

    Isso diz muito sobre as convicções democráticas de um indivíduo, e mais ainda sobre o caráter da nossa imprensa.

    Um presidente autoritário aliado a uma imprensa subserviente é uma receita de tragédia.

  10. João Paulo Rodrigues disse:

    Eu acho que a disputa está mais para Fla x Fogo.

    A maior rivalidade do futebol carioca na década. Quiçá do Brasil. Talvez do Mundo.

  11. Dawran disse:

    Muito longe Serra e Collor. Nunca uma comparação foi tão insustentável. Do lado econômico, ainda não dá para ter uma ideia do que pretenderia Serra na presidência. Mas não sairia congelando ativos monetários amplos, no intuito de sufocar a inflação. O que ele falou sobre o BC, ficou claro que achava o melhor manter a autonomia operacional da autoridade monetária. Deixou claro que não defendia a independência do BC nos moldes do FED. Mas não falou em intervir nas decisões sobre juros e câmbio, no sentido de revertê-las. Ainda no lado econômico, algo radical no câmbio ou nos juros, parece difícil. O câmbio flutuante parece estar cumprindo a função. Nos juros Selic, ao que parece hoje, estão mais relacionados às necessidades de rolagem da dívida pública do que com a inflação. Haveria necessidade de saber algo sobre a estruturação da dívida. E isso, ninguém conseguirá perscrutar antes do candidato assumir a presidência. O caso da USP está viesado. Há muito tempo há paralisações e depredação de um bem público de tal nível. Por aspectos que fogem, em muito, de reivindicações por melhorias no ensino. Não é possível tentar colar no Serra algo como truculência no trato de manifestações e reivindicações pacíficas. No caso da Bolívia, Serra não acusou o povo boliviano. Atacou os traficantes de droga, de cocaína. Disse que o tráfico é um problema que deveria ser discutido juntamente com o país vizinho. Depois, o próprio presidente da Bolívia afirmou estar preocupado com a influência do tráfico em várias áreas da administração boliviana. Como último, o caso Fla x Flu. Fala-se de torcidas pró e contra, mas apenas quando as oposições reagem às provocações. Quando são loas ao governo, ai não fala-se em Fla x Flu.

  12. Marcos, em primeiro lugar, fico muito feliz com o retorno do blog. Depois, acho que discordo de alguns aspectos da sua interpretação. A primeira discordância é sobre a qualidade do Gianetti como economista. Fora a insistência em poupar, nunca vi ele falar nada a respeito de política nacional minimamente aproveitável. O livro dele sobre os juros chega a ser um manual de economia doméstica e auto-engano poderia facilmente ter o u trocado por ele. O Ricardo Paes de Barros é outra história.

    Também acho que a discussão está muito despolitizada e voltada para a catástrofe, mas não acho que a Dilma proponha esse intervencionismo todo. Acredito que quem mandará na economia será a turma do Palocci e do Pimentel (que pensam muito parecido) e a Dilma vai se ocupar do seu tema favorito: Gestão.
    Aliás, o que se comenta em Brasília não é o alardeado aparelhamento do estado, mas o poder que os gestores de carreira ganharam no mandato da Dilma na casa civil. Alguns com cargos políticos chamam o governo de gestocracia.
    bem, é isso. O texto está ótimo

  13. Dawran,

    As declarações desastrosas de Serra sobre política externa e sua habitual imprudência ao lidar com manifestações reivindicatórias – uma inerência das coletividades humanas – é mais temerário do que tudo que Collor – apesar da canastrice toda – fez no pré-89. No caso uspiano, a tropa de choque – sim, uma força militar ostensiva – baixou o caceteda em professores, estudantes e funcionários desarmados, isso não existe numa democracia – dizer que isso está “viesado” é chover no molhado, todo ponto de vista é visto de um ponto dentro do plano de ação, esse olhar divino que parte do eterno para o mundano é uma peça puramente retórica. Ademais, Serra acusou o governo boliviano de cúmplice do tráfico – não, não existe essa história de que “até o governo boliviano se queixa”, Serra acusou o governo como um todo, não setores do Estado, portanto, se você usa supostas declarações desse mesmo governo estaria apenas ecoando o que traficantes disseram, o ponto é que até agora estamos esperando as devidas provas, onde estão? A tese do FLA x FLU ainda me parece difícil de sustentar.

    abraços

  14. Dawran disse:

    Hugo Albuquerque,
    Continuo afirmando que o tal Fla x Flu, só ocorre quando as oposições reagem. E a comparação com Collor é descabida, tanto quanto a alegação de truculência. Também concordo que estudantes, funcionários e professores não devam andar armados. E desarmados, não devem invadir e depredar próprios públicos. Bem como concordo que deve existir disposições de sempre negociar e saber a hora de recuar. Notadamente no caso da USP, onde as rivindicaç~eos estavam longe da melhoria do ensino. Quanto à política externa, a operacionalidade da mesma pode ser criticada sim. As opiniões emitidas por Serra foram sobre aspectos técnicos do Mercosul, relações com o Irã, o caso do tráfico de cocaína na fronteira com a Bolívia. Aliás, aspectos que os candidatos deveriam abordar e apresentar em seus programas itens sobre política externa. Não sei se as declarações de Evo Morales sobre o assunto influência do tráfico, podem ser tomadas como “supostas”, pois, vindos de uma autoridade. Por fim, as áreas de fronteira e tráfico de drogas são afeitos à área federal e provas ficam afeitas às investigações e apreensões que realizam. Porventura, em relatórios das autoridades responsáveis, tanto daqui como no país vizinho, devem constar avaliações sobre o tema.

  15. paulo araújo disse:

    Comentando uma notícia do O Globo, no blog It’s About Nothing,

    O comentário Collorido está correto

    O comentário de Collor está correto, realmente o governo Lula melhorou muito a corrupção e a tolerância com roubo. Collor e Lula estão juntos, Collor e Dilma estão juntos, logo ouvirei petistas dizendo que Collor foi vítima de um golpe e etc.

    Collor: ‘Lula melhorou o que fiz’

    Odilon Rios
    O Globo

    MACEIÓ – O senador Fernando Collor (PTB), candidato ao governo de Alagoas, disse nesta quarta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua opinião, é o melhor presidente da História do país. Em entrevista a uma rádio alagoana – durante a qual ostentava dois adesivos, um dele e outro da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff -, Collor elogiou Lula por ter seguido uma agenda que, segundo o senador, foi implantada por ele quando ocupou a Presidência, “e melhorando o que eu fiz”:

    - O presidente Lula, a meu modo de ver, é o melhor presidente que o Brasil já teve.

    http://aboutnotthing.blogspot.com/2010/08/o-comentario-collorido-esta-correto.html

  16. Dawran

    Até agora não parece me fazer muito sentido essa sua explicação para a tese do FLA x FLU – o ponto é que as oposições na Política não funciona da mesma maneira que no Futebol, mas sim como na Guerra, o que é outra coisa totalmente diferente. O ponto da questão uspiana é simples: Incapacidade de negociação e uso de força desproporcional por falta de inteligência – se um governador é incapaz de resolver problemas de uma universidade e negociar com acadêmicos, procure outro ramo, um presidente lida com coisas muito mais complicadas. Não existem questões “técnicas” em política externa – porque ela mesma consiste em uma técnica específica; no que toca ao Mercosul, existe, desde 2002 uma cegueira abissal de Serra em relação às potencialidade de negociação do Brasil com a América do Sul, Lula prometeu o contrário, cumpriu e o país teve resultados excepcionais. Quanto a questão boliviana, não tergiverse: Serra acusou todo o Estado boliviano sem provas, daí você apresenta como “prova” declarações de autoridades denunciando o fato – o que contradiz Serra, afinal, se ele afirma que o Estado boliviano trata-se de um narco-Estado não faria sentido o seu mais alto mandatário denunciar isso (?!).

    abraço

  17. Dawran disse:

    As declarações das autoridades sobre o tráfico de cocaina não desmentem. Confirmam que é um problema sério e direcionado às autoridades federais de ambos os países. Não apresentei provas disso mas apenas remeti a quem deve tê-las por dever de ofício. Ao que consta, o caso com certeza está, como sempre esteve, repito, no âmbito das autoridades de ambos os países. No caso USP, não trata-se de incapacidade de um governador. A incapacidade é de quem deflagra greves periódicas e apresenta reivindicações além do âmbito dos interesses da universidade e da melhoria na qualidade do ensino. “Os resultados excepcionais do Mercosul”, são as restrições argentinas a produtos brasileiros? A pendência das papeleiras entre Uruguai e Argentina? Ou as exigências paraguaias sobre o Tratado de Itaipu? Ou os parcos acordos comerciais com países e blocos econômicos de outras regiões? Não trata-se de ser contra o Mercosul, mas, sim, de dar-lhe a dimensão e operacionalidade corretas. O Tratado está mais no âmbito do Executivo. Deveria estar também mais disseminado e com atenção permanente no âmbito do Legislativo. E como toda a política externa ser objeto de abordagens e programas de candidatos à presidência. “Coisas mais complicadas” que um presidente lida, por exemplo, é a questão nuclear, no geral e a brasileira e a iraniana em particular. Podem-se citar, também, Honduras, OMC, Unesco, COP15 e outras situações.

  18. Rodrigo Saraceno disse:

    Dawran: “A incapacidade é de quem deflagra greves periódicas e apresenta reivindicações além do âmbito dos interesses da universidade e da melhoria na qualidade do ensino”.

    Aí entramos naquela visão de que professor só pode entrar em greve para melhorar a universidade, a polícia para melhorar a polícia, o empregado para melhorar a empresa.

    E que se parar por demandar melhores salários, são um bando de arruaceiros reclamando de barriga cheia. Afinal, estão empregados, que dêem-se por satisfeitos.

    O fato é que nas duas crises mais graves do funcionalismo paulista Serra deixou a situação rolar até o ponto em que teve que resolver na porrada. Foi assim com USP, foi assim com a polícia civil.

    Serra tem um problema seríssimo com o contraditório.

  19. Paulo disse:

    salvei este post. Daqui a dois anos a gente vê…

    PS- Seria mais razoável acreditar em chapeuzinho vermelho, papai noel e coelhinho da páscoa do que achar que Marina seria menos “intervencionista” do que Serra ou Dilma. Justificar o voto em Marina com base em seu “pensamento” econômico (existe algum?) é uma saída meio pela tangente…

    PS2 – comparar Paulo Henrique Amorim a Reinaldo Azevedo é é uma “for&caçãozinha” de barra.

    PS3 – É sempre bom lembrar que há vários “debiloides” de centro também, mesmo que eles se achem todos donos da razão, assim como dilmistas, serristas e leitores de blogs por ai….

  20. William disse:

    olha, pro leigo, que começa a visitar esses blogs….. como entender alguma coisa????? fico mais que perdido… é tanta coisa…..

    mas concordo nesse flaxflu a que vc se referiu, aliás, não gosto do campeonato brasileiro.

    eu, se estivesse no Brasil, iria votar na Marina. Nem Serra, nem Dilma.

    Quero ver daki a dois anos (2).

  21. Ázdãf disse:

    Caramba, e bota forçação de barra colocar Reinaldo Azevedo e PHA lado a lado.

    Goste-se ou não do Reinaldo Azevedo, há de se admitir que ele está a quilômetros a frente daquela pagação de pau para o PT que é o blog do PHA. É isso mesmo. Uma coisa é você apoiar um candidato civilizadamente, até evitando dizer isso, outra é babar ovo. No blog do PHA se vê até vídeo com título “Dilma emociona no horário eleitoral”.

    Mas o xiitismo meiotermista impede alguns de ver diferenças óbvias entre o militante petista médio e o oposicionista médio.

    A propósito, acho o blog do Reinaldo Azevedo útil apenas no sentido de desmascarar as podridões do PT. Até onde me recordo, sempre o fez com argumentação correta e com base em evidências, mas se tem algo que me desagrada muito nele é justamente não fazer o mesmo com os podres da “oposição”. Mas pelo menos não paga pau para ela.

  22. Marcos Nowosad disse:

    Uma eleicao presidencial no Brasil sem a presenca do Hermenauta na blogosfera e polarizada entre o discurso “petralha” do Reinaldo Azevedo e a choramingueira do “PIG” do PHA nem merece ser chamada de Fla-Flu.

    Ta’ mais pra Ituano contra Barueri mesmo…

  23. Lourival Pessanha disse:

    O problema do Serra na questão da USP é que ele não expulsou os alunos grevistas.

    Em qualquer universidade pública que se queira séria e gratuita, se João não deixa Mário assistir sua aula, João deve ser expulso sumariamente e conduzido para fora do campus com toda gentileza que ele merecer.

  24. Dawran disse:

    Rodrigo Saraceno, 15 de agosto de 2010 às 21:19

    O contraditório existe para todos os lados em questão, governo do Estado, Universidade, estudantes e funcionários. O problema é que há a tentativa de forçar o entendimento de que não deve valer para alguns, no caso o goveno do Estado, da mesma forma que é alardeado ter de valer para os outros.

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