A história ocorreu com um amigo meu há alguns anos, num táxi em Belo Horizonte. Quando o motorista percebeu que ele era de São Paulo, não se conteve:
- Mas São Paulo é muito cara, como é que vocês conseguem viver lá?
Antes que o meu amigo dissesse alguma coisa, ele continuou:
- Estive lá no fim de semana. Uma chupetinha custa R$ 50. Aqui, eu pago R$ 15!
Sempre que me lembro dessa história edificante sobre as diferenças do custo de vida nas grandes metrópoles brasileiras, eu penso em como seria importante incluir nos índices de preços a cotação do boquete. Imagine as manchetes: Preço do boquete dispara e IPCA de julho é o mais alto desde 2005. Os telejornais poderiam explorar a diferença de preços nas grandes metrópoles, entrevistando clientes e fornecedoras – e fornecedores - do serviço.
Carlos Alberto Sardenberg, na CBN, não teria nenhuma dúvida: “O BC tem que aumentar os juros. O preço da chupetinha não para de subir. É a inflação de serviços em alta, o que mostra como a demanda está forte, sancionando o aumento de preços.” Fica a sugestão para IBGE, FGV e Fipe. Seria um ganho de qualidade para as medidas de inflação incorporar um serviço tão importante para os brasileiros.
Uma pena que o boquete é non tradable – se tradable fosse, eu gostaria muito de ver um Blow Job Index, uma versão do que a The Economist faz com o Big Mac Index, um modo informal de medir a paridade do poder de compra entre várias moedas*. Ou não seria instrutivo para o viajante saber quanto custa a chupetinha em São Paulo, Nova York, Tóquio, Oslo, Xangai e Bangcoc?
* O próprio Big Mac reflete o custo de itens non tradables, como mão de obra e aluguel. O problema é que o boquete não tem nada tradable. Mas às favas com esses escrúpulos. Que alguém tenha coragem de criar o Blow Job Index


Pergunta de leigo: não seria um problema o boquete também ser parte de uma grande economia da dádiva?
Proposta importante, porque pode dar a este povo tão sofrido uma oportunidade de saber como seu serviço seria muito mais valorizado em uma grande metrópole. Vamos transformar o bolagato num bem comercializável!
Se há algo “tradable” é o boquete. Mercado livre, sem intervencao federal (exceto o tradicional boquete para os “homens da lei” pra evitar a cana…)
Ali´s o “prostitution index” existe:
http://www.economist.com/blogs/freeexchange/2007/03/prostitution_index
E o Brasil-sil-sil é um global trader, exportando prostitutas e travestis mundo afora.
Acho que Dilma deveria criar o bolsa-boquete. Afinal é um direito de todos. E nem todo mundo pode frequentar a casa da Jane Mary Corner…
Cara, imagino os locais que esse taxista frequenta. E olha, aqui em Minas nem precisa de censo, eu conheço putanheiros com know how o suficiente para tabelar os valores praticados de BH a poços de caldas. Poderia ser feita a média aritimética dos estados, por que não?
[...] 25, 2010 Humor porno-econômico Posted by claudio under Uncategorized Leave a Comment Uma das melhores que já li… [...]
Gostei do post, mas discordo quanto ao fato do boquete ser non-tradable. Pelo contrário: a tremenda imigração de prostitutas do leste europeu para a Europa (ou de Goiania para Brasilia), mostra que esse serviço pode se enquadrar como um bem tradable (tal como uma commodity).
Adolfo
Adolfo,
Pelo seu raciocínio, há motivos de sobra para a criação do blow job index. Eu vou escrever já para a The Economist
Abraços a todos,
Marcos