A parábola do sr B

Versão preliminar sujeita a revisões estilísticas, gramaticais e de conteúdo (que provavelmente nunca serão feitas)

 

Parte I

Era uma vez um sujeito, o sr B, que vivia em um ambiente altamente insalubre, e que tinha hábitos desregrados e prejudiciais a saúde. Essa combinação de fatores acabou por minar sua saúde aos poucos, deixando-o frágil e presa fácil de qualquer doença. Um dia, ele adoeceu para valer, de uma moléstia muito grave. Foi piorando, piorando, definhando, passou pelas mãos de um monte de médicos e chegou finalmente à UTI, quase desenganado.

Foi quando surgiu um médico, o dr T, com um tratamento revolucionário. Como não havia nada a perder, a família consentiu, e o sr B foi submetido àquela nova terapia, que envolvia não só alguns remédios potentes mas também uma série de mudança de hábitos de vida. Os resultados positivos da medicação apareceram logo e o quadro se estabilizou.

Quanto às mudanças nos hábitos de vida, houve grande dificuldade em implementá-las. O sr B resistia, sabotava. Mas, ao fim e ao cabo, uma parte razoável do novo regime de vida acabou se firmando.

A trajetória da cura, porém, foi muito acidentada. Em primeiro lugar, as medicações tinham graves efeitos colaterais, que não foram bem administrados pelo dr T. Em segundo, a demora do sr B em adotar o novo estilo de vida, num momento em que, apesar de superado o risco de vida, sua saúde ainda era muito frágil, expunha-o a crises e recaídas. Aliás, o próprio dr T foi um pouco leniente no início quanto à mudança de estilo de vida, confiando demais na medicação. Foi apenas depois de uma recaída particularmente dramática que ele impôs de forma mais inflexível a mudança disciplinar. Essas crises eram, na sua maior parte, causadas por agentes externos, ataques especulativos contra um organismo ainda frágil em seu sistema imune.

A família acabou trocando de médico, em meio a uma daquelas graves crises. Mas o fato é que, pouco a pouco, o organismo do paciente foi se fortalecendo, o novo regime de vida foi ficando raízes, e as crises rarearam, até que um dia o sr B ficou inteiramente curado.

Por coincidência, pouco depois da troca de médicos, houve uma grande transformação no ambiente da cidade na qual nosso herói habitava, que deixou de ser insalubre e tornou-se, na verdade, extremamente saudável e revigorante. No mundo em que ele habitava, a influência do meio-ambiente sobre a saúde era particularmente decisiva. Além disso, o novo médico, o dr P, reforçou a disciplina dos novos hábitos de vida do sr B. Essa combinação de fatores ( desculpem repetir a expressão) deu um fabuloso impulso às condições do sr B, que iniciou uma fase de saúde de vaca premiada.

Alguns anos depois, no entanto, uma catástrofe se abateu sobre a região onde o sr B morava, e o ambiente ficou totalmente insalubre de novo. Aliás, durante algum tempo, ficou bem mais insalubre do que em qualquer momento anterior da história. Na antiga fase de vida do sr B, quando ele era um sujeito doentio e frágil, o seu médico de então, o dr T, recomendava repouso absoluto quando havia alguma ameaça ambiental à sua saúde.

O novo médico, porém, observando que o seu paciente agora estava extremamente saudável, e com uma notável capacidade de resistir à insalubridade do ambiente (anos de vida disciplinada haviam surtido efeito), não só não recomendou repouso absoluto, como disse para o sr B intensificar o regime de exercícios físicos (a essa altura, o sr B já era um triatleta razoavelmente bem-sucedido). Aliás, outros médicos, com outros pacientes parecidos, em situação similar, também recomendaram exercícios em vez de repouso absoluto.

E o fato é que o sr B tirou de letra aquela crise de insalubridade ambiental, ficando ainda mais saudável com o regime extra de exercícios físicos. O sr B entrava agora na fase mais esplendorosamente saudável da sua vida.

Parte II

Um dia, os dois médicos que trataram do sr B se encontraram, e começaram a discutir quem tinha tido um desempenho profissional melhor.

A discussão foi vencida pelo dr P, com uma esmagadora e impressionante coleção de informações e números. Basicamente, o dr P dividiu a vida pós-doença grave do sr B em duas fases. O período 1 foi aquele em que ele foi tratado pelo dr T, e o período 2 foi aquele em que ele foi tratado pelo próprio dr P. Vamos, então, à surra argumentativa que o dr P aplicou no dr T:

 1) No início do período 1, o sr B estava prostrado numa cama. No fim do período 1, o sr B ainda estava prostrado numa cama. É verdade que, no ínicio, era um leito de UTI, e, no fim, em casa. De qualquer forma, começou a gestão do dr T prostrado, e terminou prostrado.

     Já no período 2, o sr B começou prostrado numa cama e terminou como campeão de triatletismo da cidade onde morava. Dá para comparar?

 2) Nos exames de sangue no início do período 1, todos os parâmetros estavam muito abaixo, ou muito acima, dos níveis mínimos e máximos. Ao fim do período 1, os parâmetros, embora tivessem revertido o movimento de piora, ainda estavam aquém ou além dos níveis saudáveis.                                                 

      No início do período 2, os parâmetros estavam aquém ou além dos níveis aceitáveis. Ao fim do período 2, os parâmetros estavam espetacularmente saudáveis. Dá para comparar?

 3) No período 1, qualquer pequena piora do ambiente externo levava o sr B a crises e recaídas.

     No período 2, o sr B enfrentou uma verdadeira catástrofe ambiental, e sua saúde saiu fortalecida. Dá para comparar?

 4) A doença fez o sr B perder muito peso. Assim, no início do período 1, quando ele passava pela fase mais grave, seu peso caiu para 56 kg (quando o normal era 75). Ao final do período 1, ele já estava ganhando algum peso, e tinha atingido 60. O ganho, portanto, foi de 4 kg, ou 7%.

     Já no período 2, o sr B saiu de 60 kg para 80 kg de puro músculo, num ganho espetacular de 33%. E, se for tomado o índice de massa muscular, enquanto no período 1 não houve nenhum ganho (da UTI para a cama em casa não foi possível ao sr. B desenvolver nenhuma musculatura), no período 2 houve um aumento de 1.372% nesse índice. Dá para comparar?

  5) Bem, o sr B não tinha condições de correr no período 1, mas, para efeitos de acompanhamento médico, os enfermeiros, assim que ele pôde sair da UTI, marcavam o tempo de deslocamento entre o seu leito e o banheiro do hospital, a dez metros de distância. Logo no início, ele demorava 30 segundos. Portanto, 10 metros por 30 segundos, o que dá uma velocidade de 0,25 km por hora. De volta para casa, nos seus pequenos deslocamentos do quarto ao banheiro, ou da sala para o quarto, o sr B atingiu a velocidade de 0,5 km por hora ao final do período 1. O ganho, portanto, foi de 50% no período.

     No início do período 2, o sr B deslocava-se a 0,5 km por hora. No final, na fase de triatleta, corria 10 quilômetros em meia hora, a uma velocidade, portanto, de 20 km por hora. O ganho no período foi de 3.900%. Em termos de percurso máximo, o sr B saiu de 20 metros no período 1 para 40 km (maratona, é claro) no período 2, uma evolução, portanto, de 1.999.900%. Dá para comparar?

 6) No início do período 1, o sr B tinha apenas uma namorada gorda e feia, que o abandonou na pior fase de tratamento. No final do período 1, em casa, convalescendo, o sr B não tinha nenhuma vida sexual. Piora, portanto.

      No início do período 2, o sr B não tinha nenhuma vida sexual. No final, já na sua fase de campeão de maratona da sua cidade, ele tinha cinco namoradas, sendo três delas top-model. Dá para comparar?

  7)  No início do período 1, o sr. B não tinha nenhuma popularidade na sua cidade, sendo conhecido apenas pelos seus familiares e amigoss, ou aproximadamente 40 pessoas. Uma pesquisa conduzida na ocasião revelou que o seu prestígio junto a esses poucos conhecidos era de mediano a ruim. No final da fase 1, a sua reputação continuava na mesma.

        No início da fase 2, o sr B só era conhecido por cerca de 40 pessoas, familiares e amigos, para os quais o seu prestígio era de mediano a ruim. Ao final da fase 2, maratonista campeão, com cinco namoradas, e participando ativamente da vida social da sua cidade, o sr B tornou-se conhecido de todos os 100 mil habitantes, para os quais seu prestígio situava-se entre alto e muito alto. Dá para comparar?

Bem, esses eram apenas os principais entre os 20 itens da lista com a qual o dr P arrasou o dr T na discussão sobre qual havia sido melhor médico. Havia um grupo de pessoas assistindo ao debate, e a maioria esmagadora delas concluiu que, de fato, o dr P era muito melhor médico. Muitos tentaram agendar ali mesmo consultas para si e seus familiares com o dr P.

O dr T tentou, inutilmente, argumentar que ele pegara um paciente à beira da morte, e conseguira salvá-lo com sua terapia revolucionário. Que fora ele quem conseguira mudar completamente o estilo de vida do sr B, que fez com que os seus hábitos se tornassem muito mais saudáveis.

Lembrou também que o sr B resistiu muito aos novos hábitos de vida, que só adotou muito lentamente, o que foi uma das razões para o prolongado e difícil processo de cura, cheio de recaídas. Foi isso também que fez, em última instância, que, ao final da sua gestão como médico, o sr B ainda estivesse com a saúde fragilizada, e passando por um forte recaída. Ainda assim, reiterou o dr T, ele já estava estruturalmente curado, tanto que, passada aquela última crise, e com o reforço ainda maior do novo regime de vida, longo no início da gestão do dr P, o sr B curou-se definitivamente e iniciou a sua atual fase super-saudável.

Aliás, lembrou o dr T, na época em que ele tratava do sr B, o dr P ainda não era médico, e, na verdade, era amigo e companheiro do paciente. Naquele tempo, fora o dr P quem, com mais veemência, combatia o novo regime de vida saudável receitado pelo dr T. O dr P foi, inclusive, bem sucedido (emb0ra não tenha sido o único a atuar nesse sentido) em fazer com que o paciente adotasse apenas muito lentamente, e com muitas falhas, a disciplina recomendada. Nesse sentido, argumentou o dr. T, o dr P, na verdade, contribuiu para que a cura fosse mais prolongada, e que, ao final da sua gestão (do dr T), o paciente ainda estivesse de cama em casa.

O dr T observou ainda que, quando souberam que aquele amigo louco que combateu o regime de vida saudável seria o novo médico, todas as pessoas em torno do sr B se desesperaram, pois sabiam que, se ele abandonasse a nova disciplina, as chances de uma crise mortal seriam enormes. Como, nesse mundo em que eles viviam, as percepções negativas das pessoas eram transmitidas ao meio-ambiente, isso fez com que houvesse uma terrível piora ambiental bem na época da troca de médicos, responsável, em boa parte, pela aguda crise que caracterizou o final da gestão do dr T. Logo, no entanto, revelou-se que o dr P tinha de fato virado um bom médico e que tinha renegado totalmente as suas idéias anti-disciplina defendidas anteriormente. Aliás, no início do seu tratamento, o dr P tornou ainda mais duro o regime de vida do sr B, como já mencionado.

Tudo isso o dr T argumentou, inutilmente. Ele reconheceu, inclusive, que tinha administrado muito mal os efeitos colaterais do tratamento revolucionário, e que isso também tinha sido uma das razões (e das mais importantes) para a demora na cura e para as muitas recaídas. Ele notou, porém, que, enquanto ele tinha administrado mal os efeitos colaterais – algo que também havia ocorrido à época com quase todos os médicos que tiveram pacientes com o mesmo quadro, e que haviam aplicado aquele tratamento, ou tratamentos parecidos –, o dr P simplesmente combateu o tratamento que salvou a vida do sr B, fez tudo para que o sr B não seguisse o regime de vida prescrito para acompanhar o tratamento, e garantiu a todos que aquilo não iria dar certo.

Um momento particularmente candente da dicusssão foi quando o dr P provocou o dr T: “Quando havia pioras na salubridade ambiental, você mandava o sr. B fazer repouso absoluto, e, sem se exercitar, ele piorava ainda mais. Veja que, comigo, é muito diferente: enfrentando a pior crise de insalubridade da história, eu mandei o sr. B se exercitar, e sua saúde ainda melhorou.”

O dr T ficou perplexo. Como médico, era óbvio que o dr P sabia que, dada as condições de saúde do sr B quando houve piores ambientais na época de tratamento pelo dr T, seria uma tentativa de homicídio recomendar que o paciente se exercitasse, em vez de fazer repouso absoluto. Mas o público que assistia ao debate não quis nem saber: na crise ambiental, o dr P mandou o paciente se exercitar, e ele explodia em saúde algum tempo depois; já, na crise ambiental do passado, o dr T mandou o paciente ficar em repouso absoluto, e, mesmo assim, ele continuou muito mal e demorou a melhorar. Mais pontos, muitos mais, para o dr P.

O dr T foi ficando cada vez mais na defensiva. Ele partiu então para reconhecer vários méritos na gestão do dr P, para ver se, em troca, o dr P concordaria que também houve méritos na sua. O dr T admitiu que, como na sua gestão a saúde do sr B ainda era muito precária e a todo momento havia crises e recaídas, ele preocupou-se excessivamente com a estabilidade do paciente, deixando em segundo plano uma visão de futuro sobre o paciente já curado. Assim, ele reconheceu que toda a ação do dr P em termos de estímulos à carreira atlética e à vida social e sexual do sr B foi extremamente válida e eficaz. O dr T acrescentou que, mesmo que os resultados jamais pudessem ter sido os mesmos na sua gestão, dada a ainda muito debilitada saúde do sr B, ainda assim teria sido sábio, em retrospectiva, já ter começado naquela época a incentivar um pouco essas atividades de uma vida propriamente saudável. Na verdade, ele até fez isso em algumas áreas, mas bem menos do que poderia ou deveria ter feito, pensando retrospectivamente.  O dr T penitenciou-se pela sua omissão.

Feito isso, o drT tentou receber em troca alguma reciprocidade na auto-crítica e no reconhecimento do mérito alheio, por parte do dr P. Basicamente, o dr T pediu ao dr P que reconhecesse o seguinte:

 1) Quando o dr T era o médico do sr B, o dr P, ainda antes de se tornar médico, foi uma péssima influência para o paciente. O dr P combateu veementemente a medicação revolucionária e fez tudo para que o sr B não mudasse o seu regime de vida. O dr T queria agora que o dr P reconhecesse que o tratamento fora fundamental para salvar a vida do paciente, que ele fora contra o tratamento, e que havia errado.

 2) O dr T pediu para o dr P reconhecer também que as suas (do dr P) pressões contra o tratamento foram uma das causas, não a única nem a principal, para o lento e sofrido processo de cura, com tantas crises e recaídas. Aliás, nesse ponto o dr T fez mais uma autocrítica. Talvez ele mesmo tenha sido um pouco leniente na imposição do novo regime de vida, na fase inicial do tratamento. Mas ele lembrou que, se o dr P na época fez uma oposição violenta ao novo regime de vida no nível de disciplina em que fora proposto, imagine quão mais violenta não teria sido a sua oposição se a proposta fosse ainda mais rigorosa.

3) O dr T pediu também para o dr P que admitisse que, ao começar a tratar o paciente, ele seguiu rigorosamente o regime de disciplina que havia sido proposto e imposto nos tempos de tratamento dele, dr T. E que havia (o dr P), inclusive, reforçado o regime. O dr T reconheceu, por sua vez, que, mais recentemente, o dr P tinha relaxado muito o regime, com bons resultados (até agora), porque a saúde incrível atingida pelo sr B já permitia alguns excessos e farras. Ainda assim, frisava o dr T, isso em nada desmentia o fato de que fora fundamental o rigor do regime na fase de cura que se prolongou desde o início da medicação até o reforço da disciplina no início da gestão do dr P. O dr T queria que o dr P reconhecesse isso.

4)  Finalmente, o dr T pedia para que o dr P voltasse atrás na grotesca comparação entre as recomendações médicas nas crises ambientais dos períodos 1 e 2. O dr T pediu que o dr P reconhecesse que uma terapia à base de exercícios físicos naquelas crises em que a saúde do sr B era extremamente vulnerável seria uma receita mortal.

O dr P ignorou todos os apelos do dr T. Ele olhou para a multidão (sim, agora já era uma multidão) que acompanhava os debates, e repetiu, num tom crescentemente inflamado:

“Vejam, vejam aqui! Leiam a minha lista de 20 comparações entre o período 1 e o período 2. Aliás, já estou aumentando a lista, em breve teremos 30 itens comparativos. Vamos comparar as gestões. Você ( o dr T) pegou um paciente numa cama e o deixou numa cama (o dr P omitiu que a primeira era da UTI e a segunda da própria casa do sr B), você acabou com vida sexual do sr B, não conseguiu nenhum avanço na vida social, teve progressos absolutamente medíocres em qualquer medida – peso, velocidade, bem-estar, conquistas pessoais, pode escolher.”

“E compare comigo! Peguei aquele ser doentio, em meio a uma crise horrível, e, com meu incrível tratamento, muito diferente do seu, o transformei num triatleta campeão, cheio de medalhas e taças, com uma vida sexual incrível, popularíssimo na sua própria cidade. Prestem bem atenção a tudo isso, vocês que escutam essa nossa discussão, antes de escolherem quem será o seu médico.”

Em meio aos aplausos delirantes da multidão, o sr P saiu carregado nos braços do povo. Já o sr T saiu cabisbaixo pela porta lateral, mas foi consolado por um velhinho que assistira, com uma expressão de ironia resignada, a todo o debate: “Não esquenta não, campanha eleitoral é assim mesmo”

25 comentários para “A parábola do sr B”

  1. Ótimo, ótimo! Eu não gosto nem do Dr. P nem do Dr. T. Queria ver o Dr. SL tratando o Sr. B por um tempinho.

  2. Rodrigo disse:

    Tentativa de parábola à la Martin Wolff? Ficou cansativa, mas extremamente didática.

  3. nelson disse:

    tá muito bom. não precisa de revisão não.

    []’s

  4. F.Arranhaponte disse:

    Rodrigo, é que a história é longa…

  5. João Marcos Salles disse:

    Muito boa…. muito boa mesmo!!!

  6. Frank disse:

    rapaz, excelente !!

    eu me lembro de vc dizer algo parecdo em um embate lá no Hermenauta.

    essa idéia germinal vc já devia ter há algum tempo.

    o sr. P seria bem mais palátavel e compreendido pelos 4% q negam suas maravilhas se reconhecesse publicamente com clareza os pontos enumerados pelo sr. T.

    mas, mais uma vez…é campanha eleitoral q começou…em 2003.

    abs

  7. F. Arranhaponte disse:

    Obrigado, meus caros.

    Frank, de fato eu já tenho essa ideia ‘germinal’ há um bom tempo. Acho até que poderia ter lapidado mais um pouco, mas aí ia ficar lapidando, lapidando, e quando saísse nem aos historiadores interessaria mais.

    Abraços gerais

  8. paulo araújo disse:

    É. Mas o que a gente ainda não sabe é o tanto de anfetamina que atualmente o Dr P continua injetando no Sr B. Alguns dizem que exatamente aí estaria a explicação para o acréscimo dos novos dez itens comparativos na antiga lista de vinte.

    Alguns médicos residentes na clínica do Dr P dizem que embora o Dr P agora diga que não, ele já teria decidido prescrever a suspensão da injeção de anfetaminas assim que a campanha acabar, dados alguns graves efeitos colaterais já observados e que ameaçam a saúde do Sr B. No entanto, não sei se boas ou más línguas dizem também que o Dr P é viciadão em anfetaminas NK. E também ninguém sabe como o Sr B reagiria à crise de abstinência.

  9. romulo disse:

    excelente texto!

  10. Frank disse:

    NK ? New Kenesianism ?

  11. Bruno disse:

    Muito bom seu acompanhamento da história clínica do sr.B.
    Há um ponto que vale enfatizar é que quando o sr B estava ‘desenganado’ todos os familiares (e todos os médicos da clínica do dr(risos) P) berravam que ele estava morrendo mas ficavam indignados quando algum médico dizia que ele tinha chances se tomasse remédios amargos:’isso é absurdo e desumano, o coitado já tá morrendo e ainda vai ter que passar por mais esse sofrimento!’.
    Será que se o médico da clínica do dr T (doravante denomindado dr S) que pleiteia a voltar a cuidar do sr B seria mais aceito se insistisse numa argumentação do tipo:’ok,se vocês querem fazer comparações então eu vou comparar a situação do sr B que eu deixei com a situação do sr B quando eu comecei o tratamento, na UTI. E não se esqueçam que mesmo estando na UTI o dr P insistia em que ele devia recusar os remédios que eu prescrevi’?
    Provávelmente dr S não seguiu essa estratégia porque:
    a) os médicos que cuidaram do dr B antes são ‘cachorro morto’, i.e., a responsabilização deles seria uma coisa difusa, difícil e mesmo inútil agora;
    b) a clínica do dr P não usa nem refuta argumentos lógicos e racionais, basta ver que a principal acusação que conseguiram ‘colar’ no dr T é que ele ‘deu’ uma série de equipamentos tipo cadeiras de rodas e máquinas de fabricar comprimidos que o sr B tinha adquirido ao longo da doença consideradas como auxiliares e facilitadoras do tratamento, mas que na verdade não auxiliavam nem facilitavam e ainda oneravam o sr B.,sobretudo com a manutenção dos próprios equipamentos.
    Em suma, argumentar honestamente com o sr P é dose pra leão.

  12. F.Arranhaponte disse:

    Eu demorei um pouquinho a sacar o item (b), mas agora caiu a ficha: são os equipamentos que foram privatizados, não? Para o dr P, é verdade, qualquer venda da ‘era dr T’ é, por princípio, uma “doação na bacia das almas”.

    abs

  13. Bruno disse:

    Exato.
    Não havia visto até hoje ninguém fazer uma avaliação abrangente (e na minha opinião corretíssima) como a sua, embora aparentemente (só aparentemente) despretensiosa.
    Inclusive pretendo convencer minha filha vestibulanda, que me dá algum trabalho de convencimento por ter os ouvidos cheios por você sabe quem, a ler.
    O NPTO tenta algumas vezes mas não consegue forças pra ter mais que um mínimo de isenção (afinal a carne é fraca e há muitas bandeiras que ele não pode deixar cair.rs).
    abs.

  14. Frank disse:

    pô Bruno, excelente o seu coplemento #11.

    tem uma questão central q melhoraria em muito a posição moral do sr T q é justamente o q vc aponta:

    a comparação justa e correta, qdo se trata de eventos em série do tipo “path dependence”, é entre o q cada um recebeu e entregou.

    mas admito q p/ o povão, a comparação inteligível é a q se assemlha a um campeonato de futebol, em q se compara quem fez mais gols, quem obteve mais vitórias, etc.

  15. F. Arranhaponte disse:

    Olha o que eu pesquei de um petista engraçado aí, que sugeriu que a Marina deveria pedir desculpas à Dilma por ter sido muito votada:

    (..)campanha tem que frizar, “ad nauseam”, as diferenças entre o governo Lula e o governo FHC. Lembrar ao Serra no primeiro debate, quantos automóveis foram produzidos em 2002 (1 milhão) e quantos são agora (+ de 3 milhões). Lembrar também a ele que um salário mínimo em 2002 comprava 100 litros de combustível (gasolina) e rodava cerca de 1000 kms. Hoje compra cerca de 365 litros de combustível (álcool) e anda mais de 2500 kms. Lembrar os 15 milhões de empregos com carteira assinada. Falar da auto-suficiência em petróleo e do pré-sal, da Petrobrás, e de quando eles doaram 33% dela por Us$ 5 bi, e que já estavam doando o resto, já tinham mudado o nome para Petrobrax. Hoje não tem preço, é a quarta empresa do mundo. E de centenas de outros indicadores, econômicos sociais e humanos, ficaria aqui a noite inteira listando-os.

    O Dr P não é ficção!

  16. Frank disse:

    boa parte das comparações são uma variante de:

    “…durante o governo do presidente Lula, o número de brasileiros chegou a X. Com FHC, esse número não passou de Y”

  17. nono disse:

    Pena que o Sr.B vai continuar com o Sr. P e vai adoecer severamente eu poucos anos…vc esquece de dizer que a “doenca” do Sr.B chamava-se “credibilidade” e que parte da cura dependia de doses cavalares de remedios que vinham de fora da cidade dele…e que muito em breve deixarao de vir tambem. A vida nao e tao simples como vc pinta. Estude um pouco mais de economia. Nao se esqueca que muita grana da bolha dot.com nao tinha pra onde ir e foi pra China, que comecou a comprar do Brasil…muito comodo administrar um Pais com barril de petroleo a 140 e minerio de ferro a 40, tendo a credibilidade restaurada. Desde 2007 que o pais nao aumenta um centavo em volume de venda nas exportacoes, o superavit decorre exclusivamente da valorizacao das commodities. O pais ta se desindustrializando, virou uma argentina tardia, que desmontou seu parque industrial e virou 1 republica sindicalista. Ta financiando consumo com despesa corrente, pagando juros de 14,5% pra emprestar q ta sendo remunerado por 6% ao ano. Isso nao se sustenta. Ou o governo adota medidas serias (e quando digo seria num eh dobrar IOF e sim atrelar entrada de capitais a contratos de investimentos reais, que efetivamente vao gerar riqueza no pais, bem como restituir o controle de saida de capitais para equilibrar as contas externas), ou a vaca vai pro brejo.

    A arrecadacao nao subiu, estancou, a china e todos os paises do mundo vao comecar a desvalorizar suas moedas pra proteger mercado internos, so o brasil que nao, ele vai comecar a perder mercado e por conseguinte receita de exportacao, ai quero ver conseguir manter essa expansao do mercado interno que ta sendo financiada com divida do BNDES que NAO VAI SER PAGA.

    e pra piorar tem o Bacen pra subir juros e aumentar ainda mais a relacao divida/pib.!

  18. Cosme Rondó disse:

    Cara, nenhum petista vai argumentar aqui? :P

    Então vamos lá: o relato fala muitas verdades sobre o comportamento do dr. P. Mas esqueceu de esclarecer melhor que a troca do dr. T. pelo dr. P se deu por quebra de confiança no dr. T.

    Pq, primeiro, o dr. T, ao ver que o tratamento do sr. B era muito penoso, e achando que poderia perder a renovação de contrato se realmente tratasse uma infecção aguda que acometia o sr. B, resolveu não tratar a infecção e ficar enrolando com uns analgésicos, até conseguir a renovação de contrato. Com o contrato renovado, fez um tratamento de choque terrível, que quase matou o sr. B, que percebeu que sofreu bem mais por causa do medo do dr. T de perder o cargo de médico da casa.

    Mas teve outro vacilo do dr. T, que foi a gota d’água no relacionamento médico-paciente. Apesar de já ter criado as bases para a melhora do sr. B, o dr. T acabou deixando faltar alguns remédios essenciais na despensa, o que acabou levando o sr. B para UTI.

    Aí o sr. B se enfezou. Ele até aturou o caso da infecção, pq sabia que o momento de começar o tratamento era delicado, e que renovações de contrato são épocas complicadas mesmo… Mas ir pra UTI por negligência do médico? Aí foi demais.

    O dr. P, que não é bobo, percebeu a oportunidade e, de última hora, mandou uma carta para o sr. B, dizendo que aceitava prosseguir no tratamento do dr. T, sem muito arrependimento do que tinha feito antes, mas demonstrando que estava disposto a fazer tudo com seriedade e que ia tornar o sr. B o triatleta que ele, o sr. B, sempre sonhou.

    O sr. B sabe bem das besteiras que o dr. P tinha dito, mas aceitou o novo médico. O tratamento teve resultados tão bons que as besteiras anteriores do dr. P pareciam ter ocorrido há séculos atrás. O próprio dr. P., aliás, começou a ter a mesma impressão.

    OK, falta falar como o Dr. P quase foi mandado embora por cobrar comissão e superfaturar os remédios, de como o sr. B até hj não sabe lidar com o problema de superfaturamento dos remédios da despensa e de como o sr. B está decidindo quem vai ser o seu médico enquanto ele treina pra chegar às Olimpíadas (o que exige cuidados físicos sofisticados, mas os médicos só discutem qual é comprimento adequado da saia da filha do sr. B…). Mas aí nem sei se a metáfora serve mais.

    Abração, torreões.

  19. F. Arranhaponte disse:

    Bem-vindo, Cosme. Tava faltando mesmo alguém para ver o lado do dr. P.

    Abração

  20. [...] de que não exatamente. As comparações tendem a mostrar mais resultados que, como tentei indicar neste post aqui, não dizem grandes coisas por si só (o que não quer dizer que necessariamente não digam grandes [...]

  21. Jonas Bertucci disse:

    Muito interessante e didática! Mas está a analogia está errada! ;)

    É bem legal a explicação sobre como os dados podem ser utilizados de forma enganosa. No entanto, a analogia é tendenciosa ao apresentar o dr. T como o verdadeiro salvador do sr. B. Na parábola, o dr. T é idealisado, apresentado como um ser humilde, honesto, dedicado e altruísta, sem interesses pessoais. Uma outra interpretação, igualmente errada, diria que o dr. P teria aprendido muito ao observar e estudar as tecnicas do dr. T e então, ao assumir os cuidados do paciente, teria aplicado as técnicas inovadoras de forma ainda mais eficiente, melhorando o tratamento. Por isso, teria atingido resultados nunca imaginados pelo dr T. Exageros e hipocrisias à parte, é mta ingenuidade acreditar que os resultados do governo Lula se devem somente à política do governo FHC…

  22. F. Arranhaponte disse:

    Caro Jonas, não me parece que eu tenha sido assim tão injusto. O dr T, em vários pontos da parábola, admitiu que o dr P não só melhorou o tratamento, mas também inovou, e com sucesso.

    Obrigado pelo comentário, grande abraço

  23. claudio disse:

    Meus caros,
    Faltam alguns elementos nesta historinha. É importante frisar que o Dr.P está largando o paciente e indicou sua assistente para continuar cuidando deste. O que o paciente não sabe (apesar de sair em milhões de jornais) é que o tratamento que deu certo já foi abandonado há muito tempo. Agora, ele está em uma bomba relógio prestes a explodir (são as contas públicas). Se a assistente se mostrar uma grande médica, ela resolve a situação (não sem forte custo social) e provavelmente se torna uma das piores médicas que já existiu (na cabeça do paciente).
    Outra questão se refere ao tratamento implementado pelo Dr.T. Este efetivamente buscava melhorar a situação físicva do paciente (universalização da educação básica e reformas estruturais distribuidoras de renda). Como o Dr.P não gosta de trabalhar e não quer confusão, este só deu comprimidos para dor de cabeça ao paciente, que continuou com graves problemas físicos (taxa de cobertura do segundo grau de 50% e péssima qualidade do primeiro grau).
    É isto.

  24. clovis disse:

    everybody lies

  25. clauber disse:

    Histórinha bacana, se nao fosse carregada de palavras e frases complexas ao entendimento de “pobres mortais”, até contaría e indicaría … mas absolutamente nao convém acender luz pra cegos.
    Nessa sua paródia (não-músical), você penssou na possibilidade da morte do Sr B ?
    seria um tanto interessante (sem quer ser apocalíptico)ver e saber que nem um dos dois “doutores” teriam capacidade alguma de mudança no quadro clínico apresentado, se nao houvesse a auto-cura do Sr B ou a vontade e necessidade de mudanças.
    Resumidamente… não foi nem T nem P nem qualquer “partido alfabético”, mas sim (na minha humilde concepção) B o grande causador das mudanças em sua própria vida.

    Num mundo de captalismo selvagem, os resultados são o que realmente importam não as causas;Capitalismo esse que deveria ser conhecido por todos os T´s.

    Mais sorte da próxima vez Dr T, esteja na hora certa e no local certo.

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