Mais baboseira político-eleitoral

O PT conseguiu de fato virar o partido dos pobres, e fazer do PSDB o partido dos ricos. Há uma imensidão de coisas para comentar sobre essa frase inicial, mas vou resistir com todas minhas forças às digressões para evitar fazer um post estupidamente longo como o anterior.

Agora surge a questão dos evangélicos e do aborto. No Brasil, o evangélico é um pobre que tende politicamente ao conservadorismo em questões comportamentais.

O lado pobre do evangélico responde ao apelo petista, o que lideranças hábeis – eu diria até sofisticadas – como o Crivella entendem. Daí a aliança.

Mas o PT, como partido de esquerda, tem de lidar com a turma do come-pelas-bordas-do-plano-nacional-de-direitos-humanos. É um pessoal cujo sentido de vida é fazer a “causa” avançar. A causa é um guarda-chuva que abriga desde aquilo que a maioria dos riquinhos alienados que se pensam de centro-esquerda do eixo Morumbi-Leblon (Matamoros me informa que o Morumbi está mal empregado na expressão – e já digressiono de novo) apoiam, como o direito ao aborto e o casamento de homossexuais, até coisas típicas da esquerda cuecona (tive uma namorada que usava a expressão “comunista cuecão” – ela era comunista, e a alcunha, que não tenho a menor ideia de como surgiu, visava sobretudo o ex-marido – e digressiono mais ainda), como controle da mídia, política externa de apoio a ditadores ou caudilhos antiamericanos, etc.

O típico intelequitual tucano também é a favor do aborto e do casamento de homossexuais, mas não tem o impulso atávico de fazer a causa avançar rumo a uma grande causa finalística. Um político tucano não precisa lidar com intelequituais e bases que empurram essas bandeiras como parte do grande projeto rumo à utopia socialista.

Meu ponto é que a questão do aborto pode ser a ponta de um iceberg – o lado conservador do eleitorado evangélico pobre que vota no PT em conflito crescente com a turma do come-pelas-bordas-do-plano-nacional-de-direitos-humanos que vota no PT (a típica turma da grande causa finalística).

O PT pode manejar habilmente esse conflito por um bom tempo. É só ceder ao conservadorismo em bandeiras evangelicamente sensíveis, como aborto e homossexuais, e continuar “avançando”, e satisfazendo a turma do come-pelas-bordas-etc., em tudo o mais – da estatização máxima (que não é grandes coisas) que não atrapalhe os fundamentos ortodoxos da economia ao apoio a ditadores de esquerda e à defesa de um tópico e tênue chega-pra-lá no PIG, que não assuste a classe média e agrade à parte mais feroz da blogosfera progressista.

Mas o ponto é que os pobres evangélicos não serão tão pobres para sempre. O protestantismo sempre foi, em geral, mais pró-capitalista e pró-individualista do que o catolicismo. Esses caras podem se tornar um dia, de fato, uma parcela de classe média popular, que, à medida que se sinta capaz de desmamar dos benefícios do Estado, desenvolva instintos conservadores para além da esfera comportamental. Pode ser uma turma que um dia se irrite de fato com impostos escorchantes, privilégios estatais (e no Estado, com a política de altos salários e concursos dificílimos, hoje só entra a elite econômica e intelectual – certamente não os evangélicos), ineficiência, cidades imundas e disfuncionais (esse pessoal gosta das coisas “certinhas”), etc. Pode ser uma turma que um dia se indisponha, de alto a baixo, com a agenda da turma do “come-pelas-bordas” etc.

Enfim, pode ser que os problemas da esquerda com os evangélicos estejam apenas começando (mas esse é um processo longo, nada demais deve acontecer tão cedo – vocês acham que sou otário a ponto de fazer previsões cujo desfecho ocorra antes que vocês delas tenham se esquecido?).

É possível que se chegue a um ponto em que a esquerda se questione se vale a pena, para manter os evangélicos, fazer tantas concessões que já nem se seja de fato de esquerda, e em que os evangélicos se perguntem se vale a pena, para votar no partido dos pobres, apoiar indiretamente tantas coisas a que se opõem os seus instintos conservadores

24 comentários para “Mais baboseira político-eleitoral”

  1. Belvedere disse:

    Realmente, direitos básicos como o direito ao aborto e o casamento de homossexuais não podem sair da pauta de forma alguma. Tanto que o candidato da direita normatizou a realização de aborto nos casos permitidos por lei no Sistema Único de Saúde.

    Acho que nesses pontos básicos (até porque a direita do Brasil não é radical e religiosa como a americana, é isso que você quer que ela vire?) deveria haver um pacto das duas partes, ambos declarando apoio ao aborto abertamente e focando em outros temas mais relevantes.

  2. Belvedere disse:

    Pergunta retórica: por que nos blogs de esquerda quase sempre a caixa de comentários é livre e nos de direita quase sempre moderada? E por que essa mesma direita gosta tanto de gritar censura?

  3. [...] Last Update: Por fim, F. Arranhaponte, do ótimo A Torre de Marfim, segue mais ou menos o mesmo caminho que eu segui neste post, mas de modo bem mais direto e divertido. [...]

  4. paulo araújo disse:

    Alon hoje chamou de cagões os valentões das hordas progressistas. Claro que à maneira dele, que alguns idiotas classificam como “limpinha”.

    “Como a turma não tem coragem de bater de frente com o pessoal do Papa, preferem investir contra os evangélicos.”

    http://www.blogdoalon.com.br/2010/10/ofender-se-para-nao-debater-0610.html

  5. João Paulo Rodrigues disse:

    Boa reflexão. É algo que há algum tempo me deixa apreensivo, embora ache nossos evangélicos menos conservadores – e nada paranóicos – como os americanos. Me parecem, no geral, bem menos sectários e propensos a divergir das doutrinas mais moralmente rígidas. Se nem um catolicismo com Inquisição e Estado do lado nos fez uma naçã fanática, não creio que milhares de igrejas competindo num mercado volátil o farão.
    Só achei curioso isso aqui: “privilégios estatais (e no Estado, com a política de altos salários e concursos dificílimos, hoje só entra a elite econômica e intelectual – certamente não os evangélicos”. Então passar em concurso é privilégio? O que é mais equânime e impessoal? O processo de seleção de tainees? Uso de carta de recomendação do patrão anterior? Indicação por um amigo ou parente? Teste do sofá?

  6. Teste do sofá, sem dúvida :-)

    O que quis dizer é que é um privilégio da elite econômico-educacional ter um Estado que seleciona funcionários pelos critérios que deveriam ser usados mesmo, os de concurso público, mas, uma fez feito isso, paga a essas pessoas muito mais do que a média dos cargos equivalentes no setor privado. Porque o resultado é dinheiro público fluindo para a elite econômico-educacional – isto é, toda a diferença entre o que um cargo daquele pagaria no setor privado, ou o suficiente para atrair alguém do setor privado para aquele cargo, e o “plus” corporativo obtido por categorias poderosas de Estado.

    Porque, veja bem, se os cargos não fossem tão excepcionalmente remunerados, a elite econômico-educacional não iria se interessar por eles, e haveria mais chances nos concursos para o brasileiro mediano.

    Concordamos que é preciso pagar o suficiente para ter funcionários competentes exercendo as funções públicas. Em alguns casos, é preciso pagar muito mesmo. Agora, quando há uma política de massificar altos salários em determinadas categorias sindicalmente poderosas, o resultado é que se paga mais do que o suficiente para ter funcionários competentes. E aí se atrai pessoas altamente qualificadas que acabam trabalhando, no setor público, em funções de produtividade inferiores ao que elas poderiam ocupar no setor privado (o que é prejudicial para a produtividade da economia), além de se exercer um crowding-out das pessoas que teriam qualificação compatível com a produtividade do cargo público em questão, mas que não conseguem entrar, por causa da competição com pessoas mais qualificadas.

    Abraço

  7. Frank disse:

    há uma mentalidade, em algumas carreiras públicas fortemente amparadas por lobbies parlamentares, de q o sujeito pode ficar “rico” via serviço público.

    aí vc tem distorções absurdas, com carreiras remunerando na ENTRADA jovens a 20K mensais (carreiras exclusivas de “adevogados”).

    e fica o resto da turma não “adevogada” correndo atrás do prejuízo e tentando puxar o patamar de entrada de algumas carreiras não exclusivas do Direito o mais próximo possível ao dos adevogados.

    mas enfim, é uma digressão colateral q nada tem a ver com o centro do post.

    p/ esse tema, sugiro esse interessante artigo do Pierre Luceno, do blog Acerto de Contas:
    http://acertodecontas.blog.br/atualidades/brasil-virou-a-repblica-dos-concursos/

  8. notinha 2 « disse:

    [...] .Mais baboseira político-eleitoral. [...]

  9. F. Arranhaponte disse:

    Aliás, João Paulo, concordo também com a maior moderação dos nossos evangélicos comparados aos americanos. Não existe tanto pecado assim do lado debaixo do Equador. Se houver uma pauta light de esquerda, essa aliança pode durar por muito, muito tempo. O problema é que, para boa parte da esquerda, a graça do jogo está em ser radical.

    E concordo também com o Belvedere em que uma união entre as correntes de centro e centro-esquerda, grosso modo PSDB e PT, numa agenda mais moderna sobre aborto, homossexuais, etc seria o ideal para tirar essas questões da Idade Média do atual debate no Brasil.

    Mas unir tucanos e petistas em torno de qualquer coisa está muito difícil hoje em dia.

    Acho que meu post anterior trata disso, o reconhecimento mínimo de mérito do oponente que deveria preceder qualquer negociação civilizada, de um ponto de vista tucano (não estou me declarando tucano, mas, de fato, votei no FHC, acho que os governos dele estão amplamente no saldo positivo, embora com grandes erros – como o de Lula também).

    E tem o outro lado, o reconhecimento dos méritos petistas pelas hordas reinaldinas, que também precisaria ser feito.

    Mas não vai rolar. É bonitinho, edificante, etc, mas não rola

  10. F.Arranhaponte disse:

    Mas se não houver diálogo PT-PSDB, nossa próxima presidente sempre poderá contar com um arco bastante amplo de matizes ideológicas, indo de Sarney a Tiririca, para tocar sua agenda progressista e modernizante

  11. Marcus disse:

    Duvido que os movimentos sociais ligados ao PT ainda creiam em “utopia socialista”. Se fosse assim, não ficariam no partido, que já abjurou esse troço há mais de uma década.

    E, na boa, sua visão de que os evangélicos possam um dia se tornar algo pró-individualista, anti-impostos, etc, é puro wishful thinking. Você está tentando enfiar Tocqueville a fórceps na atualidade brasileira.

  12. F. Arranhaponte disse:

    Marcus, quanto ao segundo ponto, não sugeri nada tipo Tea Party (mas você talvez tampouco tenha chegado a tanto na sua réplica). Eu acho apenas que pode vir a ser progressivamente complicado juntar no mesmo barco político uma classe média popular de perfil moderadamente conservador e uma militância de causas progressistas nos moldes da que existe no Brasil vinculada aos “movimentos sociais”.

    Quanto ao primeiro ponto, eu ainda vejo porraí gente de bom nível e moderada discutindo qual é esse “socialismo a que queremos chegar”. Eu não acho, de fato, que essas pessoas pensem mais seriamente em chegar a lugar algum, mas a energia de “fazer avançar a luta entre as forças progressistas e reacionárias”, assim em termos bem totalizantes, e bem demonizantes de seja quem for o “reacionário de plantão” (isto é, aquele sujeito que, naquele momento, representa um obstáculo a esse ou aquele “avanço”), ainda brilha nos olhinhos de muito militante petista – IMHO, claro

  13. F. Arranhaponte disse:

    E, Marcus, quanto ao wishful thinking, eu sabia que um post desse tipo atrairia inevitavelmente uma aleivosia :-) (tô de gozação, tá?) dessa magnitude.

    Na verdade, eu gostaria sim de um eleitorado mais pró economia de mercado, mas, ao custo de bandeiras medievais em termos de comportamento, não sei não.

    Bem, e quem votou e recomendou voto no Crivella não foi a minha turma :-)

  14. O Brasil é tão maluco que hoje o PT aponta que a não defesa da discriminalização do aborto de Marina é casuismo político. Enquanto grande parte das pessoas que votaram em Lul… quer dizer em Dilma partilham da mesma visão da Marina.

    Se eu fosse o PT tentava de todas as formas esvaziar o debate e sumir com esse assunto. Se a Dilma ficar falando que é “a favor da vida” (e quem é contra) outros podem ficar mostrando os vídeos em que ela apoia o aborto.

    Mas, sinceramente, estão usando erros de amostragem nas pesquisas como parâmetro da votação passada.

    Desde a Campanha do Desarmamento que tenho dois pés atrás desses institutos de pesquisa, a eleição passada (2006) erros parecidos já haviam acontecido.

    O que eu quero dizer é que não acredito que houve migração de votos de última hora. O que houve foi erro nas pesquisas. O que já vem acontecendo há bastante tempo.

  15. Dawran disse:

    Belvedere,
    O fato de um ministro da Saúde ter regulamentado o atendimento de aborto em situações previstas em Lei, pelo sistema público não tem nada de direita ou de esquerda. Como questão de saúde, objeto da Lei, pode ser atendido sem qualquer tipo de trauma político. Da mesma forma há várias proposições em discussão no Congresso visando a ampliação de clínicas públicas atendimento de viciados em drogas, tabagismo etc. Se bem que, no caso do tabagismo, empresas privadas têm realizado, também, forte trabalho no sentido de ajudar colaboradores a abandonar o vício do cigarro. Isso antes da atual Lei do Fumo que ampliou as restrição ao uso do cigarro.

    F. Arranhaponte,
    Concordo que existem distorções na questão dos concursos públicos. Mas também considero que a burocracia do Estado deve ter, sempre, os melhores quadros. O concurso visa algo nesse sentido, além de democratizar o acesso. Por isso, devem ser rigorosos, tanto quanto o combate às fraudes e vazamentos. Também, acho que é por isso que votamos: para poder pegar no pé dos políticos a resolverem esse e outros nós. É melhor assim do que indicações por partidarismos, nepotismo e outras formas de compadrio e patrimonialismo.

  16. F.Arranhaponte disse:

    Dawran, é claro – sou completamente a favor dos concursos. Só que uma boa política de preenchimento de vagas nos setor público não se limita a isso. Quer dizer, o concurso é uma condição necessária, mas não suficiente, para uma boa política na área de funcionalismo. É o que procurei explicar no meu comentário anterior sobre o tema.

    Abraço

  17. Chesterton disse:

    Belvedere, vai ver é porque o pessoal da esquerda é muito mal educado nas caixas de comentários.

  18. Dawran disse:

    OK. F. Arranhaponte. Por isso podemos descer ma guasca nos políticos para que resolvam tais enroscos.

  19. Dawran disse:

    Belvedere,
    Apenas como complemento, num blog, “PHA”, foi colocada uma cópia da regulamentação do assunto referido em seu comentário. Nem precisava tal esforço. A regulamentação é pública e não estava escondida. A publicação dela no referido blog só comprova que o ministro da Saúde da época trabalhava. A não ser que queiram criminalizar o trabalho, está tudo dentro da mais perfeita ordem.

  20. Mas unir tucanos e petistas em torno de qualquer coisa está muito difícil hoje em dia.

    Isso, para alguns intelectuais, é que era verdadeira união civil de pessoas do mesmo sexo…

  21. NRA disse:

    Belvedere

    “Pergunta retórica: por que nos blogs de esquerda quase sempre a caixa de comentários é livre e nos de direita quase sempre moderada?”

    Qual blog de esquerda cujo caixa de comentários é livre? Só conheço dois, o do Alon e o do Idelber. O do Nassif não é. O do Eduardo Guimarães também não. E por aí vai. E estes só publicam o seu comentário se ele for “contornável”, se não for, eles não publicam.

  22. @fscosta disse:

    Pq só os evangélico e não os católicos conservadores?

    Eu dividi o problema entre cristãos progressistas (sejam eles evangélicos, sejam eles católicos) e cristãos conservadores.

    No caso da igreja católica essa divisão é clara. Se a Dilma/PT perder, os progressistas perdem poder para os conservadores.

    Agora no caso dos evangélicos, acho que perde todo mundo, mesmo o Silas Malafaia e meia duzia de outras congregações.

    Mas tenho pouco conhecimento sobre essa divisão de poder.

  23. Ricardo disse:

    Para quem tem alguma dúvida de que a Dilma Roussef é a favor do aborto, por favor, peço encarecidamente que você acessem o link da entrevista de nossa candidata a presidência dada a revista Marie Claire, em que declarou-se textualmente a favor do aborto.

    Introdução da própria revista Marie Claire:
    A Dilma Rousseff que todos conhecem lutou contra a ditadura, foi presa e torturada. Virou ministra, enfrentou várias crises no governo e é candidata não oficial à presidência nas próximas eleições. A Dilma que quase ninguém conhece sentia culpa de ir trabalhar e deixar a filha em casa, ri de si própria e se diverte com os programas de sátira a seu respeito. Diz que se sentiu nua quando a imprensa começou a vasculhar sua vida pessoal. Em entrevista exclusiva à Marie Claire, ela fala que preferia os tempos em que os homens cortejavam as mulheres, acha que esse negócio de ficar não funciona bem para nós e diz que é a favor da legalização do aborto.
    Trecho retirado da 3ª página da entrevista:


    Marie Claire: Uma das bandeiras da Marie Claire é defender a legalização do aborto. Fizemos uma pesquisa com leitoras e 60% delas se posicionaram favoravelmente, mesmo o aborto não sendo uma escolha fácil. O que a senhora pensa sobre isso?

    Dilma Roussef: Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos.

    http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML1697826-1739,00.html

    A posição da candidata Dilma é favorável ao aborto e vem mentido para os brasileiros a respeito de seus reais objetivos.

  24. Belvedere “Pergunta retórica: por que nos blogs de esquerda quase sempre a caixa de comentários é livre e nos de direita quase sempre moderada?” Qual blog de esquerda cujo caixa de comentários é livre? Só conheço dois, o do Alon e o do Idelber. O do Nassif não é. O do Eduardo Guimarães também não. E por aí vai. E estes só publicam o seu comentário se ele for “contornável”, se não for, eles não publicam.

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