Nunca antes o do meu pai foi tão maior que o do teu

Eu devo ser um eleitor precioso para os marqueteiros. Segundo minhas estimativas, cada vez que um candidato perde o meu voto, ele provavelmente ganha o voto de algo entre 86,3 e 103,5 brasileiros. Sendo assim, perder o voto arranhapôntico deveria ser um dos objetivos principais de todo marqueteiro.

Neste momento, num segundo turno em que o tucanismo já perdeu, perdendo a razão de ser ao fazer promessas de campanha de uma irresponsabilidade populista de que nem o Garotinho seria capaz, só resta a eleitores como eu votar na Dilma ou anular.

Quando penso nas boas coisas que o Lula fez, e que são muitas, fico inclinado a votar na Dilma. Mas quando vejo essas comparações entre o governo FHC e o governo Lula, perco a vontade. Porque as comparações me fazem mover o foco das boas coisas que o Lula fez no seu governo para as merdas que o PT fazia no passado, antes de chegar ao poder.

Perguntar-me-ão: mas as comparações não mostram justamente as coisas boas que o Lula fez? A minha resposta é de que não exatamente. As comparações tendem a mostrar mais resultados que, como tentei indicar neste post aqui, não dizem grandes coisas por si só (o que não quer dizer que necessariamente não digam grandes coisas jamais).

O problema é que as ações que levaram aos bons resultados do governo Lula são parcialmente escamoteadas, pois muitas delas derivam da era Palocci, na qual preponderou um salto evolutivo em relação a FH. Em certos aspectos, o paloccismo foi superior ao que prevaleceu no segundo mandato do FH. Mas o problema do paloccismo é que não dá para fingir que não houve continuidade, ainda que melhorada. Elogiar Palocci é, inevitavelmente, homenagear FH.

Então, por razões de marquetagem política, o espírito das comparações está centrado na era pós-Palocci, na qual se colheram muito mais frutos, mas cujas políticas são sementes recém-plantadas, cuja medida de sucesso (ou de fracasso) só se revelará alguns anos à frente.

Resumindo, as comparações, na parte do governo Lula, contam uma história de sucesso que é muito diferente da minha história de sucesso do governo Lula, que faria (ou talvez fará) com que eu vote na Dilma.

Bem, e aí, na parte das comparações referentes ao governo FH, é sempre aquele velho ódio destilado contra um presidente que pegou um país que era um cacareco inviável (ok, isso foi ainda no governo Itamar, com FH como ministro da Fazenda), e, em meio a tremendas atribulações (das quais o PT foi, nem de longe a maior, mas uma não-desprezível parte), muitos erros e alguns acertos históricos e fundamentais, lançou algumas das mais profundas bases do que estamos vivendo hoje.

E, naquela época, o papel do PT era horrível. Não dá para deixar de pensar no que o PT fazia e representava no governo FH quando o PT fala mal do governo FH.

As comparações, portanto, me atrapalham a votar na Dilma e sim, podem dizer, sou um velho tucano enrustido e ressentido (se colocarem um ex antes de tucano eu quase assino).

E, certamente, vale a pena perder meu voto para conquistar outros 86,3 a 103,5

34 comentários para “Nunca antes o do meu pai foi tão maior que o do teu”

  1. F. Arranhaponte disse:

    Digo eu antes que digam meus detratores:

    Para de choramingar, Arranhaponte!

  2. Marcus disse:

    Se você decidir votar na Dilma, avise. O Foro de São Paulo estará de braços abertos para mais um militante. A estratégia das tesouras nunca terá se revelado tão poderosa.

    Prepararei um jantar de criancinhas ao molho madeira apenas para recebê-lo.

    (hehehe, espero que você não se incomode com a brincadeira)

  3. F. Arranhaponte disse:

    Bem, por criancinhas ao molho madeira eu sou capaz até de fotografar meu possível voto na Dilma com o celular :-)

  4. [...] This post was mentioned on Twitter by Lucas Jerzy Portela and Torre de Marfim, Torre de Marfim. Torre de Marfim said: Considerações de um tucano ressentido no Torre: http://tinyurl.com/29zzjno (FA) [...]

  5. Anão disse:

    Uma segunda chance para o PSDB. Serra está subindo nas pesquisas.

    http://bit.ly/c2FloF

    Sim, a campanha no primeiro turno foi decepcionante, a proposta de aumento do salário mínimo é populista. Uma coisa é certa: do Serra conhecemos seus defeitos (suas propostas para economia por exemplo), mas Dilma é imprevisível com a ala esquerdista maluca do PT e com o apoio do partidão PMDB pode fazer qualquer coisa.

    Imagine Dilma e depois Lula de novo. Serão 16 anos ou mais para o PT aparelhar o Estado como quiser com maioria folgada. Sejamos pragmáticos e correremos o risco menor, por favor. O desempenho do governo Lula foi muito bom, mas temos que nos lembrar das condições favoráveis internacionais. A despeito disso, a política fiscal segue deteriorando (os gastos com custeio aumentam mais do que o PIB), o esquema Tesouro-BNDES é uma indecência, as idéias de calar a mídia, a loucura do apoio ao Irã e o envolvimento em Honduras e os escândalo de corrupção só não engolfaram o governo porque Lula tem cara de pobre, aclamação imediata e se faz de sonso.

    Como liberal, sei que não tenho opção que me caiba e sei que Serra tem na mente o desenvolvimentismo latinoamericano. Mas entregar de mão beijada o país para uma representante que não representa nada senão um capricho de um presidente peronista, representante que não tem prestígio em seu próprio partido, de jeito nenhum!

    Não se engane. Num governo petista, os liberais ainda são vistos como os inimigos. Num governo psdbista, os liberais são sócios minoritários, mas não queimam na fogueira. Lembre-se Dilma não apóia Palocci, justamente porque ele segue as boas políticas ponderadas.

    Acho que é a hora de levar coesão e equilíbrio ao lado do psdb, em vez de contar com a boa vontade de um governo PT.

  6. Frank disse:

    pô, meu comentário saiu todo truncado.

    se puder remover o anterior, agradeço.

    o q eu queria dizer era isso aqui:

    >>>>>>>>>>>>
    grande Arranhaponte, eu concordo com vc: o pallocismo foi o malanismo + aprendizado com erros anteriores.

    aliás, taí 1 cara de 1a linha (em todos os aspectos) q merecerá um tratamento mais digno nos livros de história: Pedro Malan.

    mas, retomando o ponto, parece q virou uma atitude quase blasé-descolada dizer-se “tucano inclinado a votar Dilma”.

    e vejo vc embarcando nessa.

    eu penso diferente: está na cara q o Serra está soltando umas bravatas com claro intuito eleitoreiro (e acho q é pra jogar assim mesmo, o PT usa e abusa desse instrumento e não se pode dizer q tenham sido mal-sucedidos).

    ninguém realmente imagina q Serra fará uma política irresponsável: o mercado não precifica assim, o “prêmio” Dilma é igual ou ligeiramente maior do q o prêmio de risco Serra.

    eu penso q entregarão governos semelhantes em muita coisa (política macro, programas sociais, política micro), com uma menor propensão à “estadolatria” (eu sei, eu sei, o Serra não teria esse perfil, mas o bloco q o apóia, o Centro-Sul do país, limitaria o espaço p/ expansão do modelo neo-intervencionista q o PT parece ter abraçado) e uma Pol Ext mais razoável, pragmática e sem esse ranço terceiro-mundista / pobrista.

  7. F. Arranhaponte disse:

    Frank, já prestei minha homenagem ao Malan nesse post:

    http://atorredemarfim.apostos.com/2008/04/15/o-xaveco-suicida/

  8. Dawran disse:

    Arranhaponte,

    Continuo defendendo que tudo aquilo que os candidatos prometem, devem arrumar um jeito de realizar. Que arrumem a casa, descolem recursos (PPA, LOA, LDO, OGU), tenham responsabilidade (LRF) e cumpram o que foi prometido. Ou, então, que vão fazer algo melhor do que disputar eleições. Para todo o resto, tem a Constituição Federal (CF).

    Quanto inclinar-se a votar na Dilma, com o sentimento de enrustido e ressentido é meio complicado. Sem ser ressentido o pessoal já rotula de demônio neoliberal e raivoso, do Consenso de Washington e tinhoso, privatista da Petrobras. E de outros que talvez deveriam ser, mesmo, é estatizados. Se tal opção não fosse péssimo conselho. Ou seja, siga o chefe ou persigne-se. E não veja que o chefe fez exatamente o que condenam ou inventam que os outros fizeram ou façam. Imagine se for descoberto ser tucano enrustido. Melhor não arriscar.

    Na economia, como em outras coisas, não dá para saber o que pensa Dilma, por mais que ela explique. Continuidade, ela diz. Mas, exatamente em quê? Está tudo assim tão bom? Nas contas correntes, no câmbio, nas metas de inflação, na infraestrutura? E como?

    O que se sabe de Dilma, em termos administrativos, é que dizem ser mentira tudo o que os adversários dizem dela. Ai complica, pois, fica parecendo que foi a Norma Bengell quem passou-se por Dilma. E não a foto da passeata. Só que Norma Bengell nunca foi gerente, embora tenha realizado um filme e tenha gravado “Fever”. Então, não dá para acreditar nem no que os amigos dizem.

  9. Dawran disse:

    Aliás, Frank, a política externa brasileira foi denominada “terceiro mundista” nos tempos de Azeredo da Silveira, no Itamaraty. Na época, o Brasil foi o primeiro a reconhecer a independência de Angola, Moçambique e Guiné Bissau, contra o colonialismo português. Houve, ainda, o “pragmatismo responsável”, da época Geisel. Ou seja, o Brasil tinha relações diplomáticas e comercializava com todos, do Ocidente e do Oriente. Chegou a ter a maior frota mercante do mundo. O ufanismo de hoje tem raízes de antes de 2003.

  10. paulo araújo disse:

    Vi o debate na Bandeirantes.

    Vão repetir a tática de acusar “privatismo entreguista” no adversário? Quem aqui acredita que esta será uma tática eficiente, levanta a mão. Quem interpreta que a atuação tática “2006 reloaded” é indício de falta de ideia a respeito do que fazer no segundo turno, permaneça como está.

  11. Paulo, acho que talvez eu devesse levantar a mão. Se, como disse no post, perder meu voto é o que todo marqueteiro deve desejar – para ganhar outros 86,3 a 103,5 -, a Dilma foi muito eficiente com os ataques trogloditas à privatização

  12. paulo araújo disse:

    Arranhaponte

    Você, claro, não é Deus. Mas costuma partilhar com Ele uma das Suas mais interessantes características: escrever em linha certa o que para muitos só é visto como linha torta.

    Abs.

  13. Opss, obrigado. A Deus, tudo bem, só não me compara ao Lula porque aí pode me subir à cabeça :-)

    Abração

  14. Dawran disse:

    Arranhaponte,
    Realmente. No debate, a resposta ao “o Brasil seria o País do orelhão”, com aquela de que “hoje o Brasil é o País da banda larga”, está sendo tomado como a maior sacada. Só que sem a privatização da telefonia, teriam de arrumar uma forma de colocar banda larga em orelhão. Daria uma boa campanha publicitária:

    “Tecnologia 3G, com orelhão digital grátis. Cinco fichas coloridas de brinde”.
    “Compre seu mainframe portátil à vista. Leve seu orelhão colorido. Sem poste e sem custos”.
    “Já é hora de dormir, não espere a mamãe mandar. E leve seu orelhão digital para cama”.
    “Crianças, parem de jogar com o orelhão digital. Amanhã tem aula”.
    “Professora, o guindaste pode colocar meu orelhão digital e meu novo mainframe portátil pela janela da classe? Meu trabalho sobre eleições está todo nele”.

    Nada como o futuro na terra de Brucutu.

  15. Marcos Nowosad disse:

    Arranhaponte: voce esta’ de gozacao dizendo que vai votar na Dilma, ou voce tambem esta’ decepcionado com o recente tom sacrossanto-carola (beijando santinho!) do Serra?

  16. Não me incomodo tanto com o tom sacrossanto-carola, mas bastante com promessas eleitoreiras inviáveis do ponto de vista fiscal. Os tucanos me dizem ‘mas ele vai dar um jeito de não fazer’, e eu acho isso o fim da picada. Fora a mentirada explícita, há o risco inclusive de desmoralizar definitivamente o tucanismo que, bem ou mal, é uma das duas forças polares da política brasileira, e eu acredito que é preciso que haja dois polos em condições mínimas de competir. Mas fora isso, não gosto do Serra politicamente, por ‘n’ razões que não é o caso de desfiar agora.

    Agora, a Dilma está cada vez mais longe de conseguir meu voto, atacando FH e as privatizações. Mas entendo o marqueteiro dela: mais vale 86,3 a 103,5 votos que o voto arranhapôntico

  17. Marcos Nowosad disse:

    Bem, acho que os dois lados mentem pra caramba.

    Talvez eu seja mais cinico, o que nao me leva mais a me decepcionar quando o discurso politico fica recheado de promessas vazias que sei que nao serao implementadas.

    Mas me incomoda sim quando a campanha politica sai do tom politico (mesmo que demagogico) para um tom religioso-comportamental.

    Acho muito mais perigoso e emburrecedor para uma nacao quando as discussoes passam a ser que candidato e’ o enviado de Satanas.

  18. Pô, o meu cinismo é das poucas coisas de que eu me orgulho. Não venha me dizer que você é mais cínico do que eu! :-)

    A sério, eu acho que a demagogia eleitoral do Serra é pior do que uma simples falsa promessa habitual – acho que pode ser componente de cagadas econômico-políticas mais à frente. Tanto se ele cumprir quanto se não cumprir (e, nesse caso, com o PT e os movimentos sociais tendo, finalmente, razões legítimas para desmoralizar os tucanos para todo o sempre), é perigoso. E é também deprimente e vergonhoso.

  19. F. Arranhaponte disse:

    Quanto à pauta comportamental – e eu acho que isso vai chocar muitos de vocês -, penso que, se o PT tem direito de dizer que os tucanos vão privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil e entregar o pré-sal aos estrangeiros – mentiras e distorções totais, e que efetivamente tiram votos -, acho que os tucanos têm direito de dizer que, se a Dilma for eleita, o aborto será legalizado no Brasil.

    É mentira também, mas baseada no mesmo tipo de argumentação usada pelos petistas para a mentira da privatização, e até com mais fundamentação – de que alguém do grupo já defendeu, que já esteve em algum documento do partido (caso, me parece, do aborto no caso do PT, mas não da privatização de Petrobrás e BB no caso tucano, nem muito menos do pré-sal), etc.

  20. F. Arranhaponte disse:

    Bem, eu, pessoalmente, sou a favor da legalização do aborto, de forma estrita, com prazo máximo de tempo de gravidez relativamente pequeno, e com todo o tipo de desincentivo institucional que você puder ter. Mas, ainda assim, legalização.

    É uma posição meio frouxa – não fiz grandes reflexões sobre o tema.

    E acho grotesca a forma como o tema vem sendo abordado na campanha

  21. paulo araújo disse:

    Nowosad

    O catolicismo está na origem do PT e do PSDB.

    Serra é católico. Era da Juventude Universitária Católica (JUC) quando cursava engenharia civil na Escola Politécnica de São Paulo. É considerado um dos quadros católicos que está na origem da criação da Ação Popular (AP), organização política fundada entre 1962 e 1963 e sob influência do humanismo social católico francês e do Concílio Vaticano II.

    Após 1964, setores da AP refugiados na França entraram em contato com o estruturalismo de Althusser e com o maoismo. Essa aproximação repercutiu no Brasil sob a consigna que preconizava para a AP “marxismo, leninismo, maoismo, ateísmo”. O que restava da AP no Brasil rachou. Católicos afastaram-se da AP, inclusive a turma dos dominicanos. Uma outra declarou-se AP-ML (marxista-leninista). Daí, nova diáspora para o foquismo, na versão “criar um, dois, três, muitos Vietnãs” e na versão maoista (PCdoB).

    Na década de 70, as vertentes do “marxismo, leninismo, maoismo, ateísmo” tinham, sobretudo, forte representação no movimento estudantil. As de maior representação eram Refazendo (AP-ML) e Caminhando (AP-ML que entrou no PCdoB). A Liberdade e Luta (Libelu) e Convergência Socialista (trotskistas) eram minoritárias, embora politicamente influentes no ME. Haviam outras, mas eram inexpressivas na condução do movimento estudantil.

    Essa salada ideológica marxista-leninista mais os católicos da teologia da libertação estão na origem do PT em 1980. O antigo racha situado nas questões de táticas e de estratégias (reforma ou revolução) permanece ativo. Então, no fundamental, sobrevive e milita no PT a concepção da qualidade burguesa do Estado, o qual, portanto, seria ilegítimo, tirânico, deveria desaparecer. Representantes dessa visão estiveram e continuam no PT.

    Os grupos trotskistas, críticos da burocracia partidária e da forma que tomou o Estado na URSS, eram internacionalistas e não aderiram de imediato ao PT em 1980. A suspeita inicial contra a ideia do PT e do sindicalismo que o inspirou, alimentada por trotskistas e estalinistas do PCB e do PCdoB, era de que Lula e o seu sindicalismo eram produto do engenho de Golbery. O treinamento de Lula, diziam na época, teria recebido patrocínio do governo americano e teria ocorrido na Universidade John Hopkins. Isso, é claro, precisaria ser investigado em base documental.

    Essa desconfiança explica a ausência dos grupos trotskistas e estalinistas na fundação do PT. Portanto, não por acaso o PSTU e o PSOL posteriormente resultaram de expulsões ou de saídas voluntárias de trotskistas do PT. Os que permaneceram foram assumindo alianças e estratégias com os grupos remanescentes dos Partidos Comunistas dos anos 60 e das organizações armadas. Esta fusão heteróclita originou o Campo Majoritário.

    A Pastoral Católica é fundamental na origem do PT. Os católicos socialistas (hegelianos) têm as convicções de que o socialismo integra a evolução cósmica e que os cristãos são a garantia para que a face humana da utopia não degenere em totalitarismo ateu. Desde a sua fundação a AP surgiu como alternativa ao comunismo. Serra, eleito presidente da UNE, era também a expressão da nova hegemonia católica que se constituiu em detrimento do Partido Comunista. A AP que rompeu com o cristianismo encontrou refúgio nas fórmulas guerrilheiras de inspiração cubana ou maoista.

    Portanto, o que estamos assistindo nesse momento é a manifestação de desilusão de parte da Igreja Católica com o PT. Reunir comunistas estalinistas, trotskistas, católicos da libertação, nessa caçarola ideológica que é o “partido do Lula” resulta em culinária política indigesta. Os comunistas são realistas. Trostskistas e católicos da libertação se imaginam anjos puros. Com os “recursos não contabilizados” e “Erenices”, os “simples caseiro”, os Confencon e PNDH III etc, o PT revelou-se ao mesmo tempo corrupto e autoritário.

    PS: A imprensa alternativa não se dizia anti-PIG e expressava a divisão.

    Jornal Movimento (até 1979): desde Sérgio Motta e Suplicy, PCdoB e AP-ML (Refazendo) e socialistas moderados e radicias. Curiosidade: Perseu Abramo fez a cobertura jornalística da fundação do PT para o Jornal Movimento. Pouco tempo depois, saiu do jornal e aderiu ao PT.

    Jornal O Trabalho (Libelu), também era conhecido como “balho”, isso porque quando era dobrado ao meio apenas se conseguia ler “O Tra” ou “balho”.

  22. Marcos Nowosad disse:

    “E acho grotesca a forma como o tema vem sendo abordado na campanha”.

    Pois e’, ai’ chegamos ao denominador comum.

    Colocar gravidas na propaganda eleitoral e mostrar fotos/videos do netinho no horario eleitoral e’ demais para o meu estomago…

  23. João Paulo Rodrigues disse:

    Tá deprimente para um ateu que já trabalha numa universidade que tem igreja dentro de campus ver esta espiral de hipocrisia religiosa dos candidatos.

    Mas acho que isso é mais projeção vinda de gente enfurnada demais nos detalhes de campanhas, marqueteiros, jornalistas e blogs do que algo que está lá no eleitorado.

    Essa é uma questão que não vai resolver a eleição a não ser que a Dilma se esforce muito para o tema não sair da propaganda e dos debates.

  24. paulo araújo disse:

    “Colocar gravidas na propaganda eleitoral e mostrar fotos/videos do netinho no horario eleitoral e’ demais para o meu estomago…”

    Você vive no Brasil? Parece que não.

    Aqui, nada mais me surpreende. Há alguns anos seria impensável que um netinho da turma da Dilma, o comunista que espancou a mulher e é morador em Alphaville, por muito pouco não foi eleito o primeiro senador pelo PCdoB. Haja estomago.

    Eu aguardo, apreensivo, para o próximo governo o milagre da multiplicação dos pães prometido por Dilam e Serra. Aí, meu caro, e como vem insistindo Arranhaponte, os que cá estão precisarão bem mais do que um estomago forte. Já reforcei o meu estoque de Biotônico Fontoura, que é bom para “sangue, músculos e nervos”. A campanha passará. Depois, a dura realidade fiscal que vem sendo oculta pelos ilusionistas especializados em truques contábeis, a velha questão da reforma e carga tributárias, as deficiências de infraestrutura etc.

  25. Marcos Nowosad disse:

    Paulo, eu nao vivo mesmo no Brasil (moro nos Estados Unidos).

    No entanto, nao me esqueci do baixo nivel das campanhas politicas brasileiras da epoca que morava no Brasil (Lurian?).

    Quando digo que nao tenho estomago nao e’ porque estou surpreso com o tom deprimente da atual campanha, mas porque nao ainda nao aprendi a digerir mesmo alguns tipos de conteudo (principalmente quando as campanhas resvalam para
    a questa religiosa, como agora).

    Mas um consolo (mesmo que triste) e’ que posso comprovar que o nivel de emburrecimento das campanhas politicas e’ um fenomeno global, e nao somente brasileiro. Haja vista a atual campanha eleitoral americana, onde varios candidatos clamam estar numa missao “divina” para derrotar o pro-islamico, anti-cristao e anti-americano Obama Barrack.

  26. Marcos Nowosad disse:

    Ah, e apesar de votar na chapa da Dilma, eu vibrei com a derrota do Netinho.

    Lugar de espancador de mulher (e de humorista, por mais alguem nao ache graca no Panico da TV) e’ mesmo na prisao.

  27. Marcos Nowosad disse:

    Fora de topico (mas dentro do topico “haja estomago para aguentar os politicos)…

    Sou somente eu, ou mais alguem achou patetica a patriotada feita pelo Presidente do Chile de receber os mineiros com bandeirinhas, com as cores do Chile pintadas em tudo que e’ lugar (ate’ na capsula de resgate!) e torcida organizada com canticos…

    Nota: nada aqui contra o comportamento dos mineiros resgatados (alguns sairam aos gritos de “Chile” e comemorando como o Val Baiano depois de fazer um gol). Depois de 69 dias de tortura fisica e psicologica, soterrados a 700 metros debaixo da terra, eles tem direito a extravasar a sua alegria e emocao da maneira que quiserem.

    Mas o “mise-en-scène” criado pelas autoridades para o momento do resgate foi deploravel.

    O que era para ser um momento sublime e emotivo de celebracao da uniao e perseveranca do espirito humano, foi reduzido a uma recepcao de torcida organizada do Flamengo no aeroporto depois de uma vitoria contra o Atletico Goiano.

  28. paulo araújo disse:

    Nota de esclarecimento

    Collor e Lula nunca tiveram o meu voto. Consequentemente, Dilma também nunca o terá. E como não pretendo anular ou votar em branco, é certo que votarei em José Serra.

    Se Serra ganhar, uma coisa boa pode ser o JPR vir pegar no meu pé. E eu responderei ao JPR, na esperança de tornar mais suportável a passagem dele pela provação sul-mineira.

    JPR

    Tenho um grande amigo que foi meu ex-professor. Ele contava que no início da carreira sofreu semelhantes constrangimentos. Apesar de viajar centenas de quilômetros para trabalhar, nunca sequer pensou em mudar-se de São Paulo. Viajava de ônibus para o trabalho e criou a seguinte simpatia: durante os anos de provação jamais jogara fora o bilhete de ida comprado em SP na cidade de destino. Ele o guardava. Somente jogava fora os bilhetes da ida e da volta quando descia na rodoviária de SP. Deu certo. Fica a dica.

  29. João Paulo Rodrigues disse:

    Paulo,

    Se o Serra ganhar, o que eu ainda acho improvável, apesar do esforço da Dilma para tanto (o que essa cara está esperando para ir para a rua?), meu primeiro prazer será ver o Serra escolher todos os candidatos menos votados nas consultas feitas pelas universidades, uma vez que um bando deles, assinou um manifesto pró-Dilma. Esse lado vingativo do Serra vai valer a pena ver.

  30. Belo post, Arranhaponte.

    Estamos vivendo um belo debate eleitoral. Falamos de moralismo cristão, comunistas que comem criancinhas e, no primeiro turno, da importância em abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas para mostrar nosso (como sociedade) apreço pela vida das árvores e do ambiente.

    Alto nível. Dá gosto pensar que estamos em 2010 e já passamos pela fase dos debates paranoicos ;-)

    Abração

  31. F. Arranhaponte disse:

    Abraço!

  32. Jo disse:

    Se vc acha que o “governu Lulla” fez algo de bom é porque vc nem sabe do que está falando, ou não conhece a “trajetória” do seu Lulla…sou mertalúrgico, comecei minha vida como peão, igual ao Lulla, continuo pobre, mas honesto. Nunca me afilieia ao sindicato por conhecer os “métodos” de arrecadamento e intimidação desses verdadeiros “PCCs legalizados”. Acorde, não voto em Serra, VOTO CONTRA O PT, MESMO QUE O ADVERSÁRIO SEJA O TINHOSO…

  33. hello there, this is megha, Iam a property wife iam intrested throughout ad submitting job generously let me know the small print

Deixe um comentário

Site Meter