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A direita no Brasil é de esquerda. Para o Lambo, a esquerda está certa, e ele só não aderiu porque, quando era jovem, considerava os caras de esquerda muito afoitos, enquanto ele era mais bundão e achava que "as mudanças" deveriam ser feitas muito devagar para não assustar as velhinhas.
Mesmo concordando com a esquerda, Lambo defendeu ao longo da vida a preservação de alguns privilégios. Fez isto não porque seja mau, mas apenas para tentar manter um ambiente no qual velhinhas e brochinhas das boas famílias sintam-se à vontade - em nome de um vago sentimento que associa à decência.
Lambo pensa que lhe faltou ousadia para ser de esquerda, mas também nutre um secreto auto-contentamento com seu próprio recato - ele acha digno ter adotado, para agradar mamã, a postura daquele sujeito que, com um ar de reprovadora admiração, coloca limites à ação ousada e romântica dos esquerdistas.
Existem formas bem mais canalhas de políticos de direita no Brasil serem de esquerda, gênero Maluf e ACM. Isto fica claro no brilho desse olhar que acusa a esquerda de "também" roubar, de "também" ser corrupta, de "defender os pobres, mas também se locupletar".
Nós brasileiros somos estatistas. Ninguém consegue imaginar que exista vida, seja de rico ou de pobre, fora das tetas. O político de direita de esquerda, estilo canalha, pensa: "Vou pegar a teta para mim, aquele filho da puta hipócrita de esquerda diz que vai dar a teta pro pobre mas acaba pegando pra ele também". A linha light do político de direita de esquerda, tipo Lambo, pensa: "Devemos dividir as tetas gradualmente, sem movimentos abruptos, para não provocar disrupções que aflijam as almas mais sensíveis".
Talvez o único político verdadeiramente de direita até hoje no Brasil tenha sido o Roberto Campos. E ele era um político que não era político


