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Vejo daqui o bocejo dos nossos pingados leitores – lá vem ele com este lero-lero sobre criminalidade de novo. Mas não resisto. Já sei que a minha mensagem tem muito menos impacto do que imaginei um dia. Ainda assim, é com pompa e circunstância que proclamo aos quatro ventos: o Brasil não vive nenhuma crise moral.
O que vivemos é o que chamei em um comentário, se não me engano no blog do Filthy Mcnasty, de o “grande experimento”. Acho que vou colocar com maiúsculas iniciais – o Grande Experimento. Fica mais adequadamente pretensioso.
O GE consiste em um país com altas taxas de criminalidade punir o crime de forma extremamente branda. Mais do que isto, consiste em colocar no index das idéias proibidas aos bens pensantes a ancestral crença humana de que a punição é um mecanismo de redução de comportamentos indesejados - e tanto mais reduz quanto mais intensa e disseminada for.
Até agora, o GE tem produzido as conseqüências que qualquer criança de seis anos teria previsto (mas que juristas da USP são incapazes de compreender): mais e mais crime, nas mais variadas e criativas formas, e praticado por todos os extratos de renda e educação.
Se a gente pegasse a Suécia, criasse diferenciais de renda semelhantes aos brasileiros, desse um jeito de apagar do inconsciente coletivo os laços de confiança e solidariedade criados no interior de uma população relativamente homogênea que ocupa durante dezenas de séculos um mesmo território, aplicasse duas décadas de turbulência econômica ao estilo cucaracho, e implantasse o GE, tenho certeza de que os lourinhos estariam mergulhados em uma onda de crime muito semelhante à nossa – e haveria uns idiotas falando em “crise moral”.
Eu acho até uma certa sacanagem, uma difamação do caráter nacional. É como se a gente pegasse uma criança, nunca lhe desse o menor limite, e depois que ela se transformasse num(a) sociopata, disséssemos que o seu problema é ser imoral.
Tenho dito (e vou me esforçar para mudar o disco)


