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A onda de violência dos últimos dias me fez lembrar de duas figuras míticas de minha infância e adolescência: o maloqueiro e o função. Pode parecer ridículo em tempos de PCC, mas eles eram duas grandes preocupações de pais e crianças no começo dos anos 80.
O maloqueiro era o terror das mães, mas é bom que fique claro: o maloqueiro não se confundia com um marginal, pelo menos no meu bairro. Em geral era um adolescente de classe média que gostava de quebrar janelas, furar pneus de carros e bater em moleques menores. Os maloqueiros mais temidos de minha infância faziam parte da turma do Baraba. Eram uns oito, com idades entre 12 e 17 anos. Não roubavam, mas ficavam o dia inteiro na rua, o suficiente para que minha mãe considerasse a turma o caminho mais curto para a vagabundagem, as drogas e o crime. Temores vãos. O Baraba, por exemplo, se tornou um tranqüilo gerente do Bradesco. Há algo mais inofensivo do que um gerente do Bradesco de uma agência de subúrbio?
O função já era diferente. Adolescente marginal, praticava pequenos furtos e roubos. Eu mesmo fui vítima de um deles, aos 12 anos. Ganhei um tênis novo e, todo feliz, decidi dar uma volta no bairro. O problema é que o função também gostou. O sujeito chegou perto de mim disse: Esse tênis aí, tem jeito? Como ele era bem maior do que eu, o jeito foi abrir mão do tênis. Um roubo sem violência, quase um pedido.
Não ouço falar do maloqueiro e do função há muito tempo. Alguém tem notícia deles? Ao que tudo indica, essas figuras românticas entraram em extinção


