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Na banheira do meu quarto preferido no Ritz, ligo para a recepçao e peço as folhas do dia. Em pouco tempo, tenho nas minhas maos o Financial Times, New Yok Times, El Pais, Le Monde e Le Figaro. Quando vejo um jornal frances, alias, eu me sinto proximo do Lula. Como nao entendo quase nada da lingua de Proust, leio apenas os titulos e olho as fotografias e ilustraçoes, o que permite uma compreensao muito parcial das noticias. Imagino que e mais ou menos o que ocorre com o Guia Genial quando ele ve jornais brasileiros. Mas estou divagando.
Ao trazer os periodicos, o camareiro mostra uma solicitude e uma boa vontade que raramente vi em funcionarios de hotel em qualquer parte do mundo, embora eu reconheça que os 50 euros de gorjeta possam ter conquistado sua simpatia. De qualquer modo, ele e mais um parisiense educado e prestativo. Pode ser dificil acreditar, mas em todas as vezes em que estive em Paris fui bem tratado. A imagem do frances grosseiro nunca se concretizou para mim, e olha que meu dominio da lingua se limita a Parlez vous anglais, C'est combien e Merci beaucoup. A mulher no metro e simpatica e nao poupa um sorriso; o garçom nao se incomoda com meus pedidos em ingles; a velhinha me mostra o melhor caminho ate o Museu D'Orsay.
Dizem que Paris e a cidade mais bonita do mundo, mas que o parisiense e o ser mais grosseiro do planeta. A primeira parte da frase e uma verdade que se confirma a cada caminhada pela Champs Elysees ou pelas margens do Sena. A segunda, pelo menos de acordo com minha experiencia, e apenas um mito que nao encontra respaldo na realidade.
E isso, senhores. Tenho de parar por aqui. Pierre, o camareiro, me avisa que o taxi esta la embaixo. O diabo e que ainda nao decidi se vou jantar no Les Ambassadeurs ou no Le Grand Vefour. Como voces podem ver, a vida tambem pode ser dura em Paris


