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junho 28, 2006
A chatice que vem do Irã
junho 23, 2006
O dragão da chatice

Glauber Rocha, o gênio da raça
Brasileiro superestimado por brasileiro é o que não falta, mas ninguém merece menos a veneração que recebe por aqui do que Glauber Rocha. Boa parte dos críticos e cinéfilos brazucas não hesita em colocá-lo no panteão do cinema mundial, ao lado de Bergman, Kubrick ou Fellini. No blog Balaio Vermelho, por exemplo, os participantes estão fazendo listas com os melhores filmes de todos os tempos, e não são poucos os que incluem entre os top 20 Terra em transe e Deus e o diabo na terra do sol. Haja ufanismo. Nem Galvão Bueno faria igual.
Eu vi três filmes do gênio da raça – Terra em transe, Deus e o diabo na terra do sol e O pátio (um curta de 11 minutos, que aparece numa das listas de melhores filmes de um dos participantes do Balaio Vermelho). O primeiro foi Deus e o diabo, aos 20 anos. Eu era vagamente de esquerda, estudava na ECA e fui para gostar. A expectativa era de que veria algo não menos que genial. O que vi, na verdade, foi um dos filmes mais chatos de todos os tempos, com um nível kiarostâmico de chatice. A história do vaqueiro que se junta aos seguidores de um beato, depois a um bando de cangaceiros e depois parte na direção do mar é muito chata. E, como eu não sou masoquista, acho que não existe filme chato que seja bom.
De todo modo, ainda restava uma esperança. Boa parte dos fãs de Glauber me garantia que Terra em transe era melhor. Eles estavam certos, mas convenhamos: ser melhor do que Deus e o diabo não é tarefas das mais difíceis. Poucas vezes vi algo tão datado quanto Terra em transe. Há uma cena constrangedora em que Paulo Autran e Jardel Filho (se não estou enganado) brigam e rolam pelo chão. As alegorias do filme me pareceram bastante óbvias e o filme, bastante chato, ainda que não tanto quanto Deus e o Diabo – afinal, tem 10 minutos a menos.
O pátio também é duro de se ver. A descrição do filme no site Tempo Glauber diz tudo: “Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça. Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham”. E, pelo que eu me lembro, há um momento em que, sem nenhum motivo aparente, o ator dá uma mijada numa planta. Mas o filme tem uma qualidade indiscutível: tem apenas 11 minutos.
Enfim, se Glauber é o melhor cineasta que apareceu no Brasil, a gente tem mais é que desistir desse negócio de fazer filme

Glauber Rocha, o gênio da raça
Brasileiro superestimado por brasileiro é o que não falta, mas ninguém merece menos a veneração que recebe por aqui do que Glauber Rocha. Boa parte dos críticos e cinéfilos brazucas não hesita em colocá-lo no panteão do cinema mundial, ao lado de Bergman, Kubrick ou Fellini. No blog Balaio Vermelho, por exemplo, os participantes estão fazendo listas com os melhores filmes de todos os tempos, e não são poucos os que incluem entre os top 20 Terra em transe e Deus e o diabo na terra do sol. Haja ufanismo. Nem Galvão Bueno faria igual.
Eu vi três filmes do gênio da raça – Terra em transe, Deus e o diabo na terra do sol e O pátio (um curta de 11 minutos, que aparece numa das listas de melhores filmes de um dos participantes do Balaio Vermelho). O primeiro foi Deus e o diabo, aos 20 anos. Eu era vagamente de esquerda, estudava na ECA e fui para gostar. A expectativa era de que veria algo não menos que genial. O que vi, na verdade, foi um dos filmes mais chatos de todos os tempos, com um nível kiarostâmico de chatice. A história do vaqueiro que se junta aos seguidores de um beato, depois a um bando de cangaceiros e depois parte na direção do mar é muito chata. E, como eu não sou masoquista, acho que não existe filme chato que seja bom.
De todo modo, ainda restava uma esperança. Boa parte dos fãs de Glauber me garantia que Terra em transe era melhor. Eles estavam certos, mas convenhamos: ser melhor do que Deus e o diabo não é tarefas das mais difíceis. Poucas vezes vi algo tão datado quanto Terra em transe. Há uma cena constrangedora em que Paulo Autran e Jardel Filho (se não estou enganado) brigam e rolam pelo chão. As alegorias do filme me pareceram bastante óbvias e o filme, bastante chato, ainda que não tanto quanto Deus e o Diabo – afinal, tem 10 minutos a menos.
O pátio também é duro de se ver. A descrição do filme no site Tempo Glauber diz tudo: “Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça. Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham”. E, pelo que eu me lembro, há um momento em que, sem nenhum motivo aparente, o ator dá uma mijada numa planta. Mas o filme tem uma qualidade indiscutível: tem apenas 11 minutos.
Enfim, se Glauber é o melhor cineasta que apareceu no Brasil, a gente tem mais é que desistir desse negócio de fazer filme
junho 20, 2006
Jamais confie
Em alguém que, ao desenvolver um raciocínio, usa a expressão "não estou dizendo que...", ou variantes com o mesmo sentido. Como exemplo, a coluna de hoje do Clóvis Rossi, na Folha. Primeiro ele diz que os governos europeus vão ajudar o Airbus, e que ninguém está chiando, ninguém está acusando-os de intervencionismo, populismo, etc. E depois vem a frase fatídica:
"Não, caro leitor, não vou, a esta altura, defender uma mão do governo para a Varig".
Ora porras, se não vai, então por que trazer o exemplo do Airbus à baila? É que no fundo ele está se coçando para defender a ajuda para a Varig, e, principalmente, tem urticária quando ouve neoliberais do meu tipo gritando alto e bom som "foda-se a Varig, não coloquem um centavo dos impostos que eu pago nesta merda falida e corporativa".
Mas os Rossis da vida não têm culhão para dizer "ponha dinheiro na Varig, governo, não deixe que um orgulho da Nação brasileira morra desse jeito, só por causa da histeria de meia dúzia de neoliberais". E aí fica esta punhetagem do "não estou dizendo que...".
Se não está dizendo, cala a boca, e deixa eu curtir em paz os estertores da Varig, enquanto pisoteio velhinha, como criancinha e furo olho de passarinho
Em alguém que, ao desenvolver um raciocínio, usa a expressão "não estou dizendo que...", ou variantes com o mesmo sentido. Como exemplo, a coluna de hoje do Clóvis Rossi, na Folha. Primeiro ele diz que os governos europeus vão ajudar o Airbus, e que ninguém está chiando, ninguém está acusando-os de intervencionismo, populismo, etc. E depois vem a frase fatídica:
"Não, caro leitor, não vou, a esta altura, defender uma mão do governo para a Varig".
Ora porras, se não vai, então por que trazer o exemplo do Airbus à baila? É que no fundo ele está se coçando para defender a ajuda para a Varig, e, principalmente, tem urticária quando ouve neoliberais do meu tipo gritando alto e bom som "foda-se a Varig, não coloquem um centavo dos impostos que eu pago nesta merda falida e corporativa".
Mas os Rossis da vida não têm culhão para dizer "ponha dinheiro na Varig, governo, não deixe que um orgulho da Nação brasileira morra desse jeito, só por causa da histeria de meia dúzia de neoliberais". E aí fica esta punhetagem do "não estou dizendo que...".
Se não está dizendo, cala a boca, e deixa eu curtir em paz os estertores da Varig, enquanto pisoteio velhinha, como criancinha e furo olho de passarinho
junho 18, 2006
Haja quentão

Uma imagem vale mais do que mil palavras
Uma imagem vale mais do que mil palavras
junho 16, 2006
Dizonestidade é um pobrema céril

O crime num compença
A precariedade da educação é mesmo o grande problema do país. Atrapalha todo mundo, até mesmo quem ganha a vida desonestamente. Veja caso do elemento que foi preso hoje em São Paulo. Ele dirigia um Toyota com uma placa de “Frorianópolis”, o que chamou a atenção de um guarda da Polícia Federal. O erro de grafia não estava presente apenas nas placas (ou pracas?), mas também nos documentos do carro. O sujeito foi preso por uso de documento falso e receptação de veículo roubado, segundo a Folha Online. Devia ir em cana por atentado contra a inculta e bela

O crime num compença
A precariedade da educação é mesmo o grande problema do país. Atrapalha todo mundo, até mesmo quem ganha a vida desonestamente. Veja caso do elemento que foi preso hoje em São Paulo. Ele dirigia um Toyota com uma placa de “Frorianópolis”, o que chamou a atenção de um guarda da Polícia Federal. O erro de grafia não estava presente apenas nas placas (ou pracas?), mas também nos documentos do carro. O sujeito foi preso por uso de documento falso e receptação de veículo roubado, segundo a Folha Online. Devia ir em cana por atentado contra a inculta e bela
O reino dos céus

Um evento para quem não tem medo de cara feia
A Marcha para Jesus conseguiu ontem um feito raro: causou congestionamentos em São Paulo às 9 horas da noite de um feriado, emporcalhou a região da Paulista e promoveu a maior reunião de gente feia que eu já vi na cidade. Eu já desconfiava, mas ontem tive certeza de que, para ser evangélico, é indispensável ser medonho. Se 20% dos participantes da marcha forem para o céu, eu vou correndo reservar o meu lugar no inferno

Um evento para quem não tem medo de cara feia
A Marcha para Jesus conseguiu ontem um feito raro: causou congestionamentos em São Paulo às 9 horas da noite de um feriado, emporcalhou a região da Paulista e promoveu a maior reunião de gente feia que eu já vi na cidade. Eu já desconfiava, mas ontem tive certeza de que, para ser evangélico, é indispensável ser medonho. Se 20% dos participantes da marcha forem para o céu, eu vou correndo reservar o meu lugar no inferno
junho 14, 2006
Acre nunca mais

Bandeira do Acre, futuro estado boliviano
A devolução do Acre para a Bolívia se torna cada vez mais premente. O Estado da ministra Marina malária Silva faz mal à nação. Veja a idéia do deputado acreano Nilson Mourão, do PT: tornar obrigatória a dublagem dos filmes estrangeiros exibidos no país. O projeto do debilóide prevê “multa de 5% sobre a renda diária média da bilheteria, multiplicada pelo número de dias da ocorrência da infração”, de acordo com a Agência Câmara. O brilhante parlamentar acreano justifica seu projeto: “As deficiências de leitura dos estudantes brasileiros e os índices altíssimos de analfabetismo funcional constituem um dos motivos que impedem a democratização do cinema como alternativa de entretenimento e cultura para a maioria da população brasileira.”
Com a devolução do Acre à Bolívia, Mourão perderia seu mandato, e se tornaria imediatamente boliviano. Não é pouco, eu sei, mas, se colocada em prática, minha idéia também tornaria estrangeiro o ex-deputado Hildebrando Paschoal, que tinha o hábito de serrar os inimigos. E, se você ainda não se convenceu, tenho o argumento irrefutável: Armando Nogueira também deixaria de ser brasileiro.
Evo Morales disse que o Brasil comprou o Acre pelo preço de um cavalo. Se tiver bom senso, Lula devolve o Acre à Bolívia, e ainda manda uns quatro pangarés para o amigo de Chávez. A situação é grave. Ou o Brasil acaba com o Acre, ou o Acre acaba com o Brasil

Bandeira do Acre, futuro estado boliviano
A devolução do Acre para a Bolívia se torna cada vez mais premente. O Estado da ministra Marina malária Silva faz mal à nação. Veja a idéia do deputado acreano Nilson Mourão, do PT: tornar obrigatória a dublagem dos filmes estrangeiros exibidos no país. O projeto do debilóide prevê “multa de 5% sobre a renda diária média da bilheteria, multiplicada pelo número de dias da ocorrência da infração”, de acordo com a Agência Câmara. O brilhante parlamentar acreano justifica seu projeto: “As deficiências de leitura dos estudantes brasileiros e os índices altíssimos de analfabetismo funcional constituem um dos motivos que impedem a democratização do cinema como alternativa de entretenimento e cultura para a maioria da população brasileira.”
Com a devolução do Acre à Bolívia, Mourão perderia seu mandato, e se tornaria imediatamente boliviano. Não é pouco, eu sei, mas, se colocada em prática, minha idéia também tornaria estrangeiro o ex-deputado Hildebrando Paschoal, que tinha o hábito de serrar os inimigos. E, se você ainda não se convenceu, tenho o argumento irrefutável: Armando Nogueira também deixaria de ser brasileiro.
Evo Morales disse que o Brasil comprou o Acre pelo preço de um cavalo. Se tiver bom senso, Lula devolve o Acre à Bolívia, e ainda manda uns quatro pangarés para o amigo de Chávez. A situação é grave. Ou o Brasil acaba com o Acre, ou o Acre acaba com o Brasil
O meu idiota preferido II
João Sayad é bastante idiota, mas acho que três outros nomes lideram a corrida da cretinice no Grande Paraguai. O primeiro é o senador Eduardo Suplicy, que faz o tipo idiota simpático. Uma de suas últimas idéias é dar total transparência às reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), com transmissão ao vivo pela televisão. Genial, não? Por que será que o Fed não pensou nisso antes? Mas Suplicy tem seus bons momentos. Que outro político cantaria Blowin’ in the Wind na tribuna do Senado com tanta empolgação e sem nenhum senso de ridículo?
O outro idiota é menos simpático, mas é mais patético. Ou você acha que alguém que é fã de Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales não é patético? Se você ainda não descobriu, eu falo de Emir Sader. Eu gosto muito de seus artigos sobre Cuba, com argumentos que fazem corar até mesmo aqueles esquerdinhas ensebados que conheci na USP. Leia este trecho de um deles e veja se estou exagerando: “Uma população que possui, toda ela, não somente a alfabetização, mas pelo menos 9 anos de escolaridade, tudo obtido mediante um sistema único para todos os setores da população, de qualidade, que pode contar com um sistema universitário que gradua a dezenas de milhares de cubanos por todo o país – é uma fortuna incalculável. Uma população que possui o melhor sistema de saúde pública do mundo, uma população em que ninguém está abandonado – provavelmente a única população que tem essa situação – é uma verdadeira fortuna. Um país em que nenhuma criança dorme nas ruas. Em que todas estão nas escolas, praticam esporte, realizam atividades culturais - são bens incalculáveis.”
Se Sader é o ponta-esquerda da seleção dos idiotas, o Brasil também tem um bom nome na ponta-direita: Olavo de Carvalho. Sempre que leio um de seus artigos, confesso que fico na dúvida se ele não está de gozação. Às vezes os releio, em busca de alguma ironia escondida, mas até hoje não encontrei. Eu espero ansioso o dia em que Olavão vai mostrar a todos os inequívocos traços esquerdistas da Opus Dei – é questão de tempo. Anteontem, me deleitei com este artigo, do qual reproduzo um dos trechos mais saborosos. É meio longo, mas vale a pena: “Some a militância do PT, do MST e MLST, da CUT, do PCC e das demais facções da esquerda revolucionária (assim denomino as que estão afinadas com a estratégia continental do Foro de São Paulo). São uns quarenta milhões de pessoas. Não incluo aí simpatizantes, burros de presépio e meros eleitores. Conto apenas os militantes, gente doutrinada, adestrada, disciplinada, disposta a tudo. São a quarta parte da população brasileira. Nem me pergunto quantos deles estão armados, prontos para matar. Mesmo que tivessem apenas estilingues, restaria este dado brutal: nunca houve, na história do mundo, uma organização revolucionária dessas dimensões. Muito menos pergunto quanto custou: não consigo somar os lucros do narcotráfico e dos seqüestros, a hemorragia crônica de verbas federais, os dízimos da militância e as contribuições de fundações estrangeiras bilionárias. O total é impensável. Você acha realmente que alguém constrói uma monstruosidade dessas para não fazer nada com ela além de cumprir as leis e ser bom menino? O futuro do Brasil está decidido, de maneira praticamente irreversível, por um fato aritmético de envergadura majestosa e potência avassaladora. Esses números, aliás, não são uma quantidade informe, distribuída a esmo no espaço. Há entre eles toda uma rede de conexões. Eles formam uma equação bem definida, um mapa, um organograma completo. Sempre que uma das entidades que mencionei acima entra em ação, é em parceria com as outras. O PCC espalha o terror por meio de técnicas que aprendeu com o MST, que as absorveu das Farc, cujos líderes são íntimos da cúpula petista e do sr. presidente da República. O Comando Vermelho, para produzir efeito idêntico no Rio, usou o que aprendeu direto da elite esquerdista que hoje governa o país.”
Perto desse trio, a idiotice de Sayad me parece banal
João Sayad é bastante idiota, mas acho que três outros nomes lideram a corrida da cretinice no Grande Paraguai. O primeiro é o senador Eduardo Suplicy, que faz o tipo idiota simpático. Uma de suas últimas idéias é dar total transparência às reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), com transmissão ao vivo pela televisão. Genial, não? Por que será que o Fed não pensou nisso antes? Mas Suplicy tem seus bons momentos. Que outro político cantaria Blowin’ in the Wind na tribuna do Senado com tanta empolgação e sem nenhum senso de ridículo?
O outro idiota é menos simpático, mas é mais patético. Ou você acha que alguém que é fã de Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales não é patético? Se você ainda não descobriu, eu falo de Emir Sader. Eu gosto muito de seus artigos sobre Cuba, com argumentos que fazem corar até mesmo aqueles esquerdinhas ensebados que conheci na USP. Leia este trecho de um deles e veja se estou exagerando: “Uma população que possui, toda ela, não somente a alfabetização, mas pelo menos 9 anos de escolaridade, tudo obtido mediante um sistema único para todos os setores da população, de qualidade, que pode contar com um sistema universitário que gradua a dezenas de milhares de cubanos por todo o país – é uma fortuna incalculável. Uma população que possui o melhor sistema de saúde pública do mundo, uma população em que ninguém está abandonado – provavelmente a única população que tem essa situação – é uma verdadeira fortuna. Um país em que nenhuma criança dorme nas ruas. Em que todas estão nas escolas, praticam esporte, realizam atividades culturais - são bens incalculáveis.”
Se Sader é o ponta-esquerda da seleção dos idiotas, o Brasil também tem um bom nome na ponta-direita: Olavo de Carvalho. Sempre que leio um de seus artigos, confesso que fico na dúvida se ele não está de gozação. Às vezes os releio, em busca de alguma ironia escondida, mas até hoje não encontrei. Eu espero ansioso o dia em que Olavão vai mostrar a todos os inequívocos traços esquerdistas da Opus Dei – é questão de tempo. Anteontem, me deleitei com este artigo, do qual reproduzo um dos trechos mais saborosos. É meio longo, mas vale a pena: “Some a militância do PT, do MST e MLST, da CUT, do PCC e das demais facções da esquerda revolucionária (assim denomino as que estão afinadas com a estratégia continental do Foro de São Paulo). São uns quarenta milhões de pessoas. Não incluo aí simpatizantes, burros de presépio e meros eleitores. Conto apenas os militantes, gente doutrinada, adestrada, disciplinada, disposta a tudo. São a quarta parte da população brasileira. Nem me pergunto quantos deles estão armados, prontos para matar. Mesmo que tivessem apenas estilingues, restaria este dado brutal: nunca houve, na história do mundo, uma organização revolucionária dessas dimensões. Muito menos pergunto quanto custou: não consigo somar os lucros do narcotráfico e dos seqüestros, a hemorragia crônica de verbas federais, os dízimos da militância e as contribuições de fundações estrangeiras bilionárias. O total é impensável. Você acha realmente que alguém constrói uma monstruosidade dessas para não fazer nada com ela além de cumprir as leis e ser bom menino? O futuro do Brasil está decidido, de maneira praticamente irreversível, por um fato aritmético de envergadura majestosa e potência avassaladora. Esses números, aliás, não são uma quantidade informe, distribuída a esmo no espaço. Há entre eles toda uma rede de conexões. Eles formam uma equação bem definida, um mapa, um organograma completo. Sempre que uma das entidades que mencionei acima entra em ação, é em parceria com as outras. O PCC espalha o terror por meio de técnicas que aprendeu com o MST, que as absorveu das Farc, cujos líderes são íntimos da cúpula petista e do sr. presidente da República. O Comando Vermelho, para produzir efeito idêntico no Rio, usou o que aprendeu direto da elite esquerdista que hoje governa o país.”
Perto desse trio, a idiotice de Sayad me parece banal
junho 12, 2006
O meu idiota preferido
É o João Sayad, ex-ministro do Planejamento (nem me lembro se foi também da Fazenda) no plano Cruzado, na era Sarney. Acompanho fascinado seus artigos na Folha e em outras publicações, e acho que ele é absolutamente incomparável em vapidez (fica criada a palavra), coleção de absurdos, irrelevância e mau texto. E o Sayad sempre se supera, o que só reforça minha admiração. Vejam esta frase do artigo de hoje:
Na Copa de 70, éramos 80 milhões de brasileiros.
Puta que o pariu, quem quer que tenha vivido a Copa de 70 em idade consciente jamais se esquecerá da cançãozinha "90 milhões em ação", martelada impiedosamente na nossa memória futura enquanto o Brasil passeava no México e jantava os adversários. Agora imaginem o que é ter um cara no Ministério da Fazenda que nem consegue lembrar o número na marchinha símbolo da conquista do tri.
P.S.: Quebrei neste post uma regra pessoal minha, que é a de nunca falar mal de alguém que seja 50 vezes mais rico do que eu (ou mais)
É o João Sayad, ex-ministro do Planejamento (nem me lembro se foi também da Fazenda) no plano Cruzado, na era Sarney. Acompanho fascinado seus artigos na Folha e em outras publicações, e acho que ele é absolutamente incomparável em vapidez (fica criada a palavra), coleção de absurdos, irrelevância e mau texto. E o Sayad sempre se supera, o que só reforça minha admiração. Vejam esta frase do artigo de hoje:
Na Copa de 70, éramos 80 milhões de brasileiros.
Puta que o pariu, quem quer que tenha vivido a Copa de 70 em idade consciente jamais se esquecerá da cançãozinha "90 milhões em ação", martelada impiedosamente na nossa memória futura enquanto o Brasil passeava no México e jantava os adversários. Agora imaginem o que é ter um cara no Ministério da Fazenda que nem consegue lembrar o número na marchinha símbolo da conquista do tri.
P.S.: Quebrei neste post uma regra pessoal minha, que é a de nunca falar mal de alguém que seja 50 vezes mais rico do que eu (ou mais)
junho 10, 2006
O mal menor II
Nada é tão ruim que não possa piorar me parece uma daquelas verdades abismalmente filosóficas, metafísicas, enunciadas por profetas, anjos e arcanjos no nascimento glorioso das grandes religiões - tudo isto misturado, sim, e da forma mais confusa possível, faça o favor. É algo para ser dito de cima para baixo, com vibrações sonoras graves e desumanamente bem escandidas descendo dos céus até os trêmulos tímpanos dos homens, ou talvez fosse mais adequado dizer até os tímpanos da trêmula humanidade, já que tímpanos são trêmulos por definição. Enfin, eu tremo e me emociono diante da qualidade gigantescamente verdadeira, quase fundante, que já devia habitar as ações metabólicas nojentinhas dos primeiros organismos vivos, e que se exprime nesta seqüência pura, límpida, sublime de palavras: nada - é - tão- ruim - que - não - possa - piorar. Alguém talvez pudesse objetar que a morte é tão ruim que não pode piorar. Mas eu responderia "quem garante?", e continuaria a louvar aquela frase-tótem, única certeza cósmica que norteia minha existência. Lula é um enviado de Deus para nos relembrar, nestes tempos de dissipação, que nada é tão ruim que não possa piorar. Louvado seja o Senhor!
Nada é tão ruim que não possa piorar me parece uma daquelas verdades abismalmente filosóficas, metafísicas, enunciadas por profetas, anjos e arcanjos no nascimento glorioso das grandes religiões - tudo isto misturado, sim, e da forma mais confusa possível, faça o favor. É algo para ser dito de cima para baixo, com vibrações sonoras graves e desumanamente bem escandidas descendo dos céus até os trêmulos tímpanos dos homens, ou talvez fosse mais adequado dizer até os tímpanos da trêmula humanidade, já que tímpanos são trêmulos por definição. Enfin, eu tremo e me emociono diante da qualidade gigantescamente verdadeira, quase fundante, que já devia habitar as ações metabólicas nojentinhas dos primeiros organismos vivos, e que se exprime nesta seqüência pura, límpida, sublime de palavras: nada - é - tão- ruim - que - não - possa - piorar. Alguém talvez pudesse objetar que a morte é tão ruim que não pode piorar. Mas eu responderia "quem garante?", e continuaria a louvar aquela frase-tótem, única certeza cósmica que norteia minha existência. Lula é um enviado de Deus para nos relembrar, nestes tempos de dissipação, que nada é tão ruim que não possa piorar. Louvado seja o Senhor!
junho 09, 2006
O mal menor
Nada é tão ruim que não possa piorar, como diz a máxima pessimista. Eu achava que ninguém conseguiria superar o MST em termos de primarismo ideológico e ação política truculenta. Que nada. Perto do MLST, o movimento liderado pelo Stédile parece moderado e inteligente (além disso, o Stédile não pinta o cabelo, ao contrário do Bruno Maranhão - alguém pode me dizer se socialista pode pintar o cabelo, aliás?)
Outro exemplo é a eleição do Peru. Depois do desastre de sua primeira administração, eu achava impossível que Alan García fosse eleito novamente, e muito menos que seu nome seria a melhor opção. Mas, perto de Ollanta Humala, García se transformou no Churchill peruano.
Lula é outro bom exemplo disso. Quando você acha que ele falou todas as besteiras possíveis sobre um assunto, ele se esforça para mostrar que é possível ir ainda mais longe. Depois de dizer que o Brasil vai ser campeão se fizer mais gols do que os adversários (é um gênio, não?), o Guia Genial conseguiu ser ainda mais ridículo, ao perguntar ao Parreira se Ronaldo está realmente gordo. Para deixar de ser besta, tomou uma invertida do gordo, que mostrou não ter sangue de barata, ao declarar que "todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo como deve ser mentira que ele bebe pra caramba."
Mas Lula não vai parar por aí. Como provavelmente vai mandar no Grande Paraguai por mais quatro anos, o Guia Genial terá muitas oportunidades para confirmar a máxima de que nada é tão ruim que não possa piorar. Aliás, tenham certeza de que, até o fim da Copa, ele falará alguma bobagem ainda maior relacionada ao futebol, um dos poucos assuntos que ele supostamente domina - o outro, como lembrou Ronaldo, é cachaça. Mas, sobre esse segundo tema, acho que ele não vai se pronunciar em público - ou vai?
Nada é tão ruim que não possa piorar, como diz a máxima pessimista. Eu achava que ninguém conseguiria superar o MST em termos de primarismo ideológico e ação política truculenta. Que nada. Perto do MLST, o movimento liderado pelo Stédile parece moderado e inteligente (além disso, o Stédile não pinta o cabelo, ao contrário do Bruno Maranhão - alguém pode me dizer se socialista pode pintar o cabelo, aliás?)
Outro exemplo é a eleição do Peru. Depois do desastre de sua primeira administração, eu achava impossível que Alan García fosse eleito novamente, e muito menos que seu nome seria a melhor opção. Mas, perto de Ollanta Humala, García se transformou no Churchill peruano.
Lula é outro bom exemplo disso. Quando você acha que ele falou todas as besteiras possíveis sobre um assunto, ele se esforça para mostrar que é possível ir ainda mais longe. Depois de dizer que o Brasil vai ser campeão se fizer mais gols do que os adversários (é um gênio, não?), o Guia Genial conseguiu ser ainda mais ridículo, ao perguntar ao Parreira se Ronaldo está realmente gordo. Para deixar de ser besta, tomou uma invertida do gordo, que mostrou não ter sangue de barata, ao declarar que "todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo como deve ser mentira que ele bebe pra caramba."
Mas Lula não vai parar por aí. Como provavelmente vai mandar no Grande Paraguai por mais quatro anos, o Guia Genial terá muitas oportunidades para confirmar a máxima de que nada é tão ruim que não possa piorar. Aliás, tenham certeza de que, até o fim da Copa, ele falará alguma bobagem ainda maior relacionada ao futebol, um dos poucos assuntos que ele supostamente domina - o outro, como lembrou Ronaldo, é cachaça. Mas, sobre esse segundo tema, acho que ele não vai se pronunciar em público - ou vai?
junho 08, 2006
Timinho enjoado
O Mauro, do Diacrônico, estranhou que o Matamoros não tenha me incluído num meme (même?) da escalação dos melhores escritores de todos os tempos. Sob tortura (e já pensando na minha indenização pela Lei de Anistia), vou confessar: pedi ao meu co-blogueiro para ser poupado, por falta de tempo (para cometer algo à altura de um desafio desta magnitude) e de bagagem literária e futebolística. Talvez o Matamoros não devesse ter atendido meus apelos, mas ele é um sujeito muito magnânimo.
De qualquer forma, como tentativa esfarrapada de compensar meu pedido pusilânime, vai aí uma escalaçãozinha sem nenhuma pretensão universal, com um filistino excesso de escritores modernos, gigantescas lacunas, e mais ou menos derivada dos prazeres muito breves, porém intensos, proporcionados recentemente pelo pouquíssimo tempo de leitura de um típico provedor de leitinho das crianças como eu. Começa do goleiro, e vai mais ou menos da defesa pro ataque:
John Updike
Eça de Queirós
Charles Dickens
Joseph Conrad
Herman Melville
F. Scott Fitzgerald
J. M. Coetzee
Philip Roth
Jim Crace
J.D.Salinger
Martin Amis
O Mauro, do Diacrônico, estranhou que o Matamoros não tenha me incluído num meme (même?) da escalação dos melhores escritores de todos os tempos. Sob tortura (e já pensando na minha indenização pela Lei de Anistia), vou confessar: pedi ao meu co-blogueiro para ser poupado, por falta de tempo (para cometer algo à altura de um desafio desta magnitude) e de bagagem literária e futebolística. Talvez o Matamoros não devesse ter atendido meus apelos, mas ele é um sujeito muito magnânimo.
De qualquer forma, como tentativa esfarrapada de compensar meu pedido pusilânime, vai aí uma escalaçãozinha sem nenhuma pretensão universal, com um filistino excesso de escritores modernos, gigantescas lacunas, e mais ou menos derivada dos prazeres muito breves, porém intensos, proporcionados recentemente pelo pouquíssimo tempo de leitura de um típico provedor de leitinho das crianças como eu. Começa do goleiro, e vai mais ou menos da defesa pro ataque:
John Updike
Eça de Queirós
Charles Dickens
Joseph Conrad
Herman Melville
F. Scott Fitzgerald
J. M. Coetzee
Philip Roth
Jim Crace
J.D.Salinger
Martin Amis
junho 07, 2006
Esquadrão de ouro

Albert Camus, goleiro e escritor
O Mauro teve a idéia: escalou a seleção dos melhores escritores lusófonos e, depois, a do resto do mundo. Em conluio com o Jorge Nobre, criou o même (meme?) que pede a alguns blogueiros que divulguem seu(s) escrete(s). Eu fui um deles. Aceitei o desafio, mas decidi escalar uma seleção só, misturando autores de todas as línguas.
No gol, Camus. O argelino com cara de galã foi goleiro, gostava de futebol e tinha uma sobriedade indispensável para quem fica debaixo das traves. Na lateral-direita, vou de Kafka, que prefere ficar plantado na defesa a correr que nem barata tonta, até porque sua saúde não permite (foi horrível, eu sei, mas não resisti). O zagueiro-central é Shakespeare, beque clássico, técnico e versátil, o Domingos da Guia do meu time. Ao seu lado, Thomas Mann, porque um pouco de seriedade germânica combina com o estilo mais técnico de seu companheiro de zaga. Fernando Pessoa fica com a lateral-esquerda. Polivalente, o portuga tem a vantagem de jogar em várias posições, e em cada uma com um estilo diferente.
No meio-campo, o volante é Philip Roth, porque é indispensável ter um jogador macho nessa posição, mas também é fundamental que saiba jogar – Hemingway só atende ao primeiro quesito. Na meia-direita, Vargas Llosa me parece a melhor opção – um jogador imaginativo, mas ao mesmo tempo com os pés no chão. Na meia-esquerda, Rimbaud. Apesar de indisciplinado e imprevisível, é capaz de jogadas geniais. O único problema é que, no vestiário, na hora do banho, todo mundo gruda a bunda na parede quando ele passa por perto. O time joga com dois pontas – dois argentinos. Na direita, Borges, claro, que acerta todos os cruzamentos mesmo sem olhar, com dribles curtos e objetivos. Na esquerda, o nome é óbvio: Cortázar, também um jogador delicado, apesar dos quase dois metros. O centroavante é Machado, brasileiro bom de bola, que só começou a jogar bem quando já estava mais maduro.
Na minha escalação original, Dostoiésvski era o camisa 10. Decidi substituí-lo pelo Rimbaud porque o russo é muito prolixo. Pode ser que a tradução dos Irmãos Karamazov que eu li seja muito ruim, mas como o livro melhoraria se tivesse umas 200 páginas a menos. Não é preciso ser um Dalton Trevisan, mas o velho Fiódor exagerava.
Passo este meme (même?) para o David, o Márcio Guilherme, o Sesti e o Rodrigo de Lemos. É claro que não é obrigatório, mas eu gostaria de ver os escretes deles
PS: O même (meme?) não pede isso, mas cito dois escritores que não entram na minha seleção nem como gandulas: Bukowski e Paul Auster

Albert Camus, goleiro e escritor
O Mauro teve a idéia: escalou a seleção dos melhores escritores lusófonos e, depois, a do resto do mundo. Em conluio com o Jorge Nobre, criou o même (meme?) que pede a alguns blogueiros que divulguem seu(s) escrete(s). Eu fui um deles. Aceitei o desafio, mas decidi escalar uma seleção só, misturando autores de todas as línguas.
No gol, Camus. O argelino com cara de galã foi goleiro, gostava de futebol e tinha uma sobriedade indispensável para quem fica debaixo das traves. Na lateral-direita, vou de Kafka, que prefere ficar plantado na defesa a correr que nem barata tonta, até porque sua saúde não permite (foi horrível, eu sei, mas não resisti). O zagueiro-central é Shakespeare, beque clássico, técnico e versátil, o Domingos da Guia do meu time. Ao seu lado, Thomas Mann, porque um pouco de seriedade germânica combina com o estilo mais técnico de seu companheiro de zaga. Fernando Pessoa fica com a lateral-esquerda. Polivalente, o portuga tem a vantagem de jogar em várias posições, e em cada uma com um estilo diferente.
No meio-campo, o volante é Philip Roth, porque é indispensável ter um jogador macho nessa posição, mas também é fundamental que saiba jogar – Hemingway só atende ao primeiro quesito. Na meia-direita, Vargas Llosa me parece a melhor opção – um jogador imaginativo, mas ao mesmo tempo com os pés no chão. Na meia-esquerda, Rimbaud. Apesar de indisciplinado e imprevisível, é capaz de jogadas geniais. O único problema é que, no vestiário, na hora do banho, todo mundo gruda a bunda na parede quando ele passa por perto. O time joga com dois pontas – dois argentinos. Na direita, Borges, claro, que acerta todos os cruzamentos mesmo sem olhar, com dribles curtos e objetivos. Na esquerda, o nome é óbvio: Cortázar, também um jogador delicado, apesar dos quase dois metros. O centroavante é Machado, brasileiro bom de bola, que só começou a jogar bem quando já estava mais maduro.
Na minha escalação original, Dostoiésvski era o camisa 10. Decidi substituí-lo pelo Rimbaud porque o russo é muito prolixo. Pode ser que a tradução dos Irmãos Karamazov que eu li seja muito ruim, mas como o livro melhoraria se tivesse umas 200 páginas a menos. Não é preciso ser um Dalton Trevisan, mas o velho Fiódor exagerava.
Passo este meme (même?) para o David, o Márcio Guilherme, o Sesti e o Rodrigo de Lemos. É claro que não é obrigatório, mas eu gostaria de ver os escretes deles
PS: O même (meme?) não pede isso, mas cito dois escritores que não entram na minha seleção nem como gandulas: Bukowski e Paul Auster
junho 04, 2006
180 milhões em ação III
Pelé e Maradona só se equivalem no número de besteiras que cada um diz. Nesse ponto, há um empate total. Mas, em relação ao que fizeram dentro do campo, não há comparação. Eu não quero transformar este blog numa mesa redonda de futebol, mas sou obrigado a usar argumentos avallônicos para deixar clara a superioridade do filho de Dondinho. Eles podem ser surrados, mas só não convencem argentinos:
- Pelé chutava bem com os dois pés e cabeceava como poucos, apesar de ter apenas 1,73m
- Pelé fez 1.281 gols. Maradona, 345
- Pelé ganhou três copas. Maradona, apenas uma. Mesmo se for desconsiderada a de 1962, em que jogou pouco por causa de uma contusão, Pelé tem uma copa a mais do que o amigo de Fidel Castro
- Pelé era mais veloz e polivalente. Sabia armar e concluir as jogadas com a mesma eficiência
Você também disse que gosta da Argentina por ser uma representante do futebol arte. Não é bem assim. É verdade que toda seleção argentina tem jogadores muito habilidosos, mas também não faltam jogadores desleais. Aliás, eu só vou levar o Tribunal Penal Internacional quando o Simeone for julgado em Haia. Não há jogador mais desleal do que ele. Paro por aqui, antes que os nossos 3,5 leitores achem que virei o Avallone ou, pior, o Galvão Bueno
PS: E eis que o Guia Genial também resolve falar sobre futebol. O Globo de hoje traz uma entrevista de duas páginas em que Lula conversa apenas sobre o ludopédio. Além de mostrar que administra muito bem seu tempo, dedicando quase uma hora do seu dia para a conversa, o Guia Genial conhece o esporte como poucos: "Nós temos que saber o seguinte: não podemos deixar o adversário marcar gol, e temos que tentar marcar gol. (...) E só vamos ganhar se marcarmos mais do que eles. Essa é a regra que acho que o Parreira conhece como ninguém". Eu juro que não estou sacaneando. A citação é literal
Pelé e Maradona só se equivalem no número de besteiras que cada um diz. Nesse ponto, há um empate total. Mas, em relação ao que fizeram dentro do campo, não há comparação. Eu não quero transformar este blog numa mesa redonda de futebol, mas sou obrigado a usar argumentos avallônicos para deixar clara a superioridade do filho de Dondinho. Eles podem ser surrados, mas só não convencem argentinos:
- Pelé chutava bem com os dois pés e cabeceava como poucos, apesar de ter apenas 1,73m
- Pelé fez 1.281 gols. Maradona, 345
- Pelé ganhou três copas. Maradona, apenas uma. Mesmo se for desconsiderada a de 1962, em que jogou pouco por causa de uma contusão, Pelé tem uma copa a mais do que o amigo de Fidel Castro
- Pelé era mais veloz e polivalente. Sabia armar e concluir as jogadas com a mesma eficiência
Você também disse que gosta da Argentina por ser uma representante do futebol arte. Não é bem assim. É verdade que toda seleção argentina tem jogadores muito habilidosos, mas também não faltam jogadores desleais. Aliás, eu só vou levar o Tribunal Penal Internacional quando o Simeone for julgado em Haia. Não há jogador mais desleal do que ele. Paro por aqui, antes que os nossos 3,5 leitores achem que virei o Avallone ou, pior, o Galvão Bueno
PS: E eis que o Guia Genial também resolve falar sobre futebol. O Globo de hoje traz uma entrevista de duas páginas em que Lula conversa apenas sobre o ludopédio. Além de mostrar que administra muito bem seu tempo, dedicando quase uma hora do seu dia para a conversa, o Guia Genial conhece o esporte como poucos: "Nós temos que saber o seguinte: não podemos deixar o adversário marcar gol, e temos que tentar marcar gol. (...) E só vamos ganhar se marcarmos mais do que eles. Essa é a regra que acho que o Parreira conhece como ninguém". Eu juro que não estou sacaneando. A citação é literal
junho 01, 2006
180 milhões em ação II
Pois eu confesso que, torcendo obviamente pelo Brasil, tenho a Argentina como um segundo favorito. E não possuo nem remotamente qualquer raiz argentina. É que eu tendo a torcer pelo futebol arte contra o futebol força, e por cucarachos e subdesenvolvidos contra brancos europeus ricos, ou nem tão ricos assim.
Aliás, eu identifico claramente em mim o sujeito com complexo de inferioridade que torce pelo Brasil em qualquer modalidade apenas para que nós mostremos aos gringos o nosso valor. Vale de cuspe a distância a arremesso de anões - se tiver brasileiro com chances, me interesso e torço.
Depois que o Senna morreu, nunca mais vi uma corrida de Fórmula 1. E notei, inclusive, o quão horrendamente chatas elas são (você me perguntará "como notou, se nunca mais viu?"; na verdade vi pedacinhos, pasmo com a imensidão da saquice que eu nem percebia quando torcia para o Senna, símbolo-mor do potencial da civilização brasileira).
Bem, feita esta confissão, prometo torcer pelo Brasil com grande entusiasmo: vamos mostrar para esta cambada de brancos azedos o valor da nossa criatividade mestiça! Brasil-il-il-il-il-il!
P.S.: Acho o Maradona equivalente ao Pelé
Pois eu confesso que, torcendo obviamente pelo Brasil, tenho a Argentina como um segundo favorito. E não possuo nem remotamente qualquer raiz argentina. É que eu tendo a torcer pelo futebol arte contra o futebol força, e por cucarachos e subdesenvolvidos contra brancos europeus ricos, ou nem tão ricos assim.
Aliás, eu identifico claramente em mim o sujeito com complexo de inferioridade que torce pelo Brasil em qualquer modalidade apenas para que nós mostremos aos gringos o nosso valor. Vale de cuspe a distância a arremesso de anões - se tiver brasileiro com chances, me interesso e torço.
Depois que o Senna morreu, nunca mais vi uma corrida de Fórmula 1. E notei, inclusive, o quão horrendamente chatas elas são (você me perguntará "como notou, se nunca mais viu?"; na verdade vi pedacinhos, pasmo com a imensidão da saquice que eu nem percebia quando torcia para o Senna, símbolo-mor do potencial da civilização brasileira).
Bem, feita esta confissão, prometo torcer pelo Brasil com grande entusiasmo: vamos mostrar para esta cambada de brancos azedos o valor da nossa criatividade mestiça! Brasil-il-il-il-il-il!
P.S.: Acho o Maradona equivalente ao Pelé



Abbas Kiarostami, o profeta do enfado
Eu desci o sarrafo nos filmes de Glauber Rocha no post abaixo, mas reconheço que há coisa bem pior no cinema. Em termos de chatice, ninguém supera Abbas Kiarostami. Perto de Através das oliveiras, Terra em transe tem a leveza de um Quanto mais quente melhor. Eu nunca durmo no cinema, mas não resisti ao ver a obra-prima de Kiarostami. Sucumbi no momento em que, no filme dentro do filme, a filmagem de uma cena se repete muitas, muitas, mas muitas vezes. Na quinta ou sexta, cochilei. Quando acordei, uns 10 minutos depois, sabem o que estava na tela? A repetição da cena do filme dentro do filme. Eu fiquei apavorado, com medo de ter caído numa armadilha temporal à Feitiço do tempo. Imagine ter que ver interminavelmente a mesma cena de um filme iraniano? Mas, felizmente, depois de mais alguns takes, Kiarostami prosseguiu com a história. Há rumores não confirmados pelo Espaço Unibanco de que alguns espectadores morreram de tédio com a repetição. Ah, e tudo isso é temperado por atores não profissionais iranianos.
O que me espanta é o número de fãs que o cinema iraniano tem no Brasil. Pode ser impressão minha, mas acho mais fácil ver retrospectiva do Abbas Kiarostami no Brasil do que do Bergman. No momento, por exemplo, está em cartaz em São Paulo um filme da Samira Makhmalbaf, Às cinco da tarde. É o imperialismo cultural iraniano em ação, e ninguém fala nada!
E eu não exagero quando acho que a tara dos brasileiros pelo cinema do Irã não tem limites. Há algum tempo, houve em São Paulo uma mostra de documentários iranianos independentes. Será que era o Sundance do Irã? Como disse um amigo meu, filme iraniano independente deve ser feito por gente que acha o Abbas Kiarostami comercial. Eu não pude deixar de perder