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Glauber Rocha, o gênio da raça
Brasileiro superestimado por brasileiro é o que não falta, mas ninguém merece menos a veneração que recebe por aqui do que Glauber Rocha. Boa parte dos críticos e cinéfilos brazucas não hesita em colocá-lo no panteão do cinema mundial, ao lado de Bergman, Kubrick ou Fellini. No blog Balaio Vermelho, por exemplo, os participantes estão fazendo listas com os melhores filmes de todos os tempos, e não são poucos os que incluem entre os top 20 Terra em transe e Deus e o diabo na terra do sol. Haja ufanismo. Nem Galvão Bueno faria igual.
Eu vi três filmes do gênio da raça – Terra em transe, Deus e o diabo na terra do sol e O pátio (um curta de 11 minutos, que aparece numa das listas de melhores filmes de um dos participantes do Balaio Vermelho). O primeiro foi Deus e o diabo, aos 20 anos. Eu era vagamente de esquerda, estudava na ECA e fui para gostar. A expectativa era de que veria algo não menos que genial. O que vi, na verdade, foi um dos filmes mais chatos de todos os tempos, com um nível kiarostâmico de chatice. A história do vaqueiro que se junta aos seguidores de um beato, depois a um bando de cangaceiros e depois parte na direção do mar é muito chata. E, como eu não sou masoquista, acho que não existe filme chato que seja bom.
De todo modo, ainda restava uma esperança. Boa parte dos fãs de Glauber me garantia que Terra em transe era melhor. Eles estavam certos, mas convenhamos: ser melhor do que Deus e o diabo não é tarefas das mais difíceis. Poucas vezes vi algo tão datado quanto Terra em transe. Há uma cena constrangedora em que Paulo Autran e Jardel Filho (se não estou enganado) brigam e rolam pelo chão. As alegorias do filme me pareceram bastante óbvias e o filme, bastante chato, ainda que não tanto quanto Deus e o Diabo – afinal, tem 10 minutos a menos.
O pátio também é duro de se ver. A descrição do filme no site Tempo Glauber diz tudo: “Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça. Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham”. E, pelo que eu me lembro, há um momento em que, sem nenhum motivo aparente, o ator dá uma mijada numa planta. Mas o filme tem uma qualidade indiscutível: tem apenas 11 minutos.
Enfim, se Glauber é o melhor cineasta que apareceu no Brasil, a gente tem mais é que desistir desse negócio de fazer filme


