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Abbas Kiarostami, o profeta do enfado
Eu desci o sarrafo nos filmes de Glauber Rocha no post abaixo, mas reconheço que há coisa bem pior no cinema. Em termos de chatice, ninguém supera Abbas Kiarostami. Perto de Através das oliveiras, Terra em transe tem a leveza de um Quanto mais quente melhor. Eu nunca durmo no cinema, mas não resisti ao ver a obra-prima de Kiarostami. Sucumbi no momento em que, no filme dentro do filme, a filmagem de uma cena se repete muitas, muitas, mas muitas vezes. Na quinta ou sexta, cochilei. Quando acordei, uns 10 minutos depois, sabem o que estava na tela? A repetição da cena do filme dentro do filme. Eu fiquei apavorado, com medo de ter caído numa armadilha temporal à Feitiço do tempo. Imagine ter que ver interminavelmente a mesma cena de um filme iraniano? Mas, felizmente, depois de mais alguns takes, Kiarostami prosseguiu com a história. Há rumores não confirmados pelo Espaço Unibanco de que alguns espectadores morreram de tédio com a repetição. Ah, e tudo isso é temperado por atores não profissionais iranianos.
O que me espanta é o número de fãs que o cinema iraniano tem no Brasil. Pode ser impressão minha, mas acho mais fácil ver retrospectiva do Abbas Kiarostami no Brasil do que do Bergman. No momento, por exemplo, está em cartaz em São Paulo um filme da Samira Makhmalbaf, Às cinco da tarde. É o imperialismo cultural iraniano em ação, e ninguém fala nada!
E eu não exagero quando acho que a tara dos brasileiros pelo cinema do Irã não tem limites. Há algum tempo, houve em São Paulo uma mostra de documentários iranianos independentes. Será que era o Sundance do Irã? Como disse um amigo meu, filme iraniano independente deve ser feito por gente que acha o Abbas Kiarostami comercial. Eu não pude deixar de perder


