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Albert Camus, goleiro e escritor
O Mauro teve a idéia: escalou a seleção dos melhores escritores lusófonos e, depois, a do resto do mundo. Em conluio com o Jorge Nobre, criou o même (meme?) que pede a alguns blogueiros que divulguem seu(s) escrete(s). Eu fui um deles. Aceitei o desafio, mas decidi escalar uma seleção só, misturando autores de todas as línguas.
No gol, Camus. O argelino com cara de galã foi goleiro, gostava de futebol e tinha uma sobriedade indispensável para quem fica debaixo das traves. Na lateral-direita, vou de Kafka, que prefere ficar plantado na defesa a correr que nem barata tonta, até porque sua saúde não permite (foi horrível, eu sei, mas não resisti). O zagueiro-central é Shakespeare, beque clássico, técnico e versátil, o Domingos da Guia do meu time. Ao seu lado, Thomas Mann, porque um pouco de seriedade germânica combina com o estilo mais técnico de seu companheiro de zaga. Fernando Pessoa fica com a lateral-esquerda. Polivalente, o portuga tem a vantagem de jogar em várias posições, e em cada uma com um estilo diferente.
No meio-campo, o volante é Philip Roth, porque é indispensável ter um jogador macho nessa posição, mas também é fundamental que saiba jogar – Hemingway só atende ao primeiro quesito. Na meia-direita, Vargas Llosa me parece a melhor opção – um jogador imaginativo, mas ao mesmo tempo com os pés no chão. Na meia-esquerda, Rimbaud. Apesar de indisciplinado e imprevisível, é capaz de jogadas geniais. O único problema é que, no vestiário, na hora do banho, todo mundo gruda a bunda na parede quando ele passa por perto. O time joga com dois pontas – dois argentinos. Na direita, Borges, claro, que acerta todos os cruzamentos mesmo sem olhar, com dribles curtos e objetivos. Na esquerda, o nome é óbvio: Cortázar, também um jogador delicado, apesar dos quase dois metros. O centroavante é Machado, brasileiro bom de bola, que só começou a jogar bem quando já estava mais maduro.
Na minha escalação original, Dostoiésvski era o camisa 10. Decidi substituí-lo pelo Rimbaud porque o russo é muito prolixo. Pode ser que a tradução dos Irmãos Karamazov que eu li seja muito ruim, mas como o livro melhoraria se tivesse umas 200 páginas a menos. Não é preciso ser um Dalton Trevisan, mas o velho Fiódor exagerava.
Passo este meme (même?) para o David, o Márcio Guilherme, o Sesti e o Rodrigo de Lemos. É claro que não é obrigatório, mas eu gostaria de ver os escretes deles
PS: O même (meme?) não pede isso, mas cito dois escritores que não entram na minha seleção nem como gandulas: Bukowski e Paul Auster


