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julho 30, 2006

Quanto mais burro, melhor

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Outro dia eu vi um garoto com cara inteligente na rua, e um piercing na sobrancelha. Pensei: por que ele quer que a gente pense que é burro? É um mistério para mim o cool atribuído a adereços, no sentido amplo do termo, que fazem todo o sentido e ficam até bem em boçais na zona limítrofe inferior da normalidade. Quer dizer, o mistério é que pessoas de alta capacidade cognitiva se deixem seduzir por estas modas. Tem um caso de um conhecido meu, boa-pinta, viajado, divertidamente intelectualizado, com um humor mundano e mordaz. Não sei por que cargas d’água, o cara tatuou inteiramente os dois braços, com grossas e horrorosas faixas em espiral que podem ser o corpo de uma serpente, um dragão ou coisa que o valha. Agora, ele só anda de camisa de mangas compridas no calor do Rio, na maior parte das ocasiões. É evidente que o QI do sujeito teria que baixar uns 30 a 40 pontos para que ele conseguisse se sentir à vontade com aquela presepada corporal vulgar, que só poderia ser curtida despreocupadamente por um motoqueiro troglodita ou algum marginaleco do sub-mundo japonês. Mas talvez seja este, afinal, o grande truque da cultura pop: convencer-nos de que a ralé é mais cool do que a gente



julho 24, 2006

Blowin' in the wind

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Suplicy, o touro indomável

O Forrest Gump brasileiro ataca de novo. Em sabatina na Folha, Eduardo Suplicy mostrou mais uma vez que é idiota, ou que gosta de se fazer passar por idiota. Ao comentar a candidatura de Heloísa Helena, o senador disse, com sua candura habitual: "Eu voto no presidente Lula e espero que ele vença no primeiro turno, mas seria oportuno um segundo turno entre ele e Heloísa Helena. Ela teve origem no PT e o debate seria interessante." Como assim? Ele espera que o Guia Genial ganhe no primeiro turno mas ao mesmo tempo acha que seria “oportuno” a realização de um segundo turno? Não são coisas excludentes?
Ao comentar a crise do PCC, mais uma frase brilhante. “Todos são responsáveis pela crise de segurança pública”. Segundo a Folha Online, Suplicy diz que “o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), tem o direito de não querer a ajuda do governo federal para combater as ações do crime organizado em São Paulo. ‘Mas o governador tem que mostrar que o problema será solucionado.’” Que análise percuciente.
Mas o eleitor não está interessado nesses detalhes. Suplicy age há anos como bobo e isso só aumenta sua popularidade. Ele deve se reeleger com uma pata nas costas. É verdade que o senador conta com uma ajuda inestimável dos adversários, que escolheram Afif para concorrer ao cargo.
Ah, claro: ele não resistiu aos pedidos para cantar a sua música preferida na sabatina da Folha. Podem se preparar para mais oito anos de Blowin' in the wind na tribuna do Senado



julho 19, 2006

A burguesia fede

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Ela grita e se veste mal, mas tem 10% das intenções de voto

E eis que Heloísa Helena aparece com 10% das intenções de voto em pesquisa do Datafolha. São quase 13 milhões de pessoas que se dispõem a votar na musa da esquerda raiz. É um feito e tanto da senadora. Acho apenas que a maior parte desses eleitores não tem uma idéia muito clara do que defende o Psol. Há muita coisa divertida no programa do partido. Eu adorei as propostas para a economia. São perfeitas para fazer o Brasil regredir uns 50 anos. O interessante é que o candidato a vice, César Benjamin, é economista. Alguns pontos altos:
- Calote na dívida externa. Qualquer pessoa que acompanha economia, ainda que de longe, sabe que a dívida externa deixou de ser problema há muito tempo. Na verdade, ela tem diminuído com força desde o fim de 2004
- Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, “rumo à jornada de 36 horas”, sem corte de salários. Se algum empresário malvado reclamar, o Psol já tem a solução: “Denunciamos também toda e qualquer tentativa de demissões e redução dos salários com o pretexto da falta de trabalho. Diante das reclamações da patronal acerca das suas dificuldades, defendemos que suas contas sejam abertas e o controle da produção se estabeleça”
- Reposição mensal da inflação para os salários. Brilhante, não? Depois de anos de luta para desindexar a economia, os gênios do Psol pregam a volta da indexação
Há um trecho do programa que vale a pena ser citado, ainda que longo, por dar uma idéia do mundo em que vivem os integrantes do partido: “Como via de acesso a um incremento produtivo mantendo o mercado interno comprimido, os juros elevados e o ajuste fiscal garantido, o governo federal aposta todas as fichas nas exportações. Este tem sido o plano fundamental dos capitalistas no Brasil. Mas para que os capitalistas brasileiros exportem, competindo com outros burgueses, devem manter seus produtos baratos. Para isso, continuarão pagando salários de fome aos trabalhadores da cidade e do campo. É o que os grandes empresários consideram uma vantagem comparativa brasileira. Sem recomposição dos salários, não há distribuição de renda efetiva. Defendemos a reposição mensal da inflação e aumentos reais para os salários. Defendemos que os salários sejam capazes de garantir o mínimo necessário para o trabalhador e sua família, tal como diz a Constituição. O controle sobre a produção das grandes empresas mostrará os lucros capitalistas e as possibilidades de aumentos.” Eu gosto do trecho por mostrar que os gênios do Psol não torturam apenas o bom senso; eles também agridem a língua sem nenhum pudor.
É essa visão de mundo que 10% dos eleitores brasileiros compram ao afirmar que pretendem votar em Heloísa Helena. Se bem que não dá para esperar muita coisa de gente que cogita dar o voto a uma mulher que grita o tempo todo e se veste mal daquele jeito



julho 14, 2006

Zidane, o mané II

Vejam esta:

Zizou pode estar triste agora, é natural, mas tenho certeza que está tranqüilo. Materazzi pode estar eufórico com o tetracampeonato da Itália, mas garanto: tranqüilo ele não está. Não, eu não acredito no papo da revista alemã Der Spiegel de que a FIFA pode até tirar o título da Itália. Seria como acreditar na democratização da CBF. Mas quanto mais essa história venha à tona, e quanto mais o tempo passe, mais o revide de Zizou será lido na sua humanidade, e mais a agressão racista de Materazzi será colocada onde deve.

Isto foi escrito no blog do Idelber (leiam todo o comovidinho post, 12/07, "Quem é Zinedine Zidane"). A esquerda jumping to conclusions ("agressão racista de Materazzi"), as usual. A direita também faz isto, reconheçamos - é a praga dos super-ideológicos. De qualquer forma, o Idelber nem esperou a entrevista do Zidane para denunciar o racismo. Knee-jerk reaction, dizem os americanos. Como ficou claro agora, pelo testemunho do próprio jogador francês, Materazzi apenas xingou a sua mãe e a sua irmã. Não sabia que os 3 trilhões de 'filhos da puta' disparados em todas as direções nas minhas peladas da infância eram agressões racistas. Acho que se o Materazzi tivesse chamado o Zizou (de quem sou grande admirador) de feio, mau e bobo, a reação do super-craque teria sido mais justificada

PS: Pqp, alguém ainda agüenta falar de Zidane e Copa do Mundo!



julho 13, 2006

Zidane, o mané

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O francês é craque, mas é mané

Eu sou fã do futebol de Zidane. Torci pela França na final da Copa por causa dele, deixando em segundo plano minhas origens carcamanas. Em resumo, concordo que ele é um gênio do futebol, mas convenhamos: o sujeito foi muito mané. A moda do momento é analisar a cabeçada de Zidane em Materazzi como uma “manifestação da besta que existe em cada homem” ou como um sinal de que são insondáveis os “desvãos da alma humana”. Muita gente boa que tem escrito sobre o caso vê dimensões shakespeareanas em algo muito mais simples: Zidane apenas caiu na provocação que adolescentes um pouco mais equilibrados conseguem evitar. Xingar a mãe, a irmã e a namorada do craque do time adversário é a estratégia de zagueiro botinudo e catimbeiro mais velha que existe.
Eu cansei de ver essa história em campeonatos que disputei na escola e na faculdade. Zidane foi infantil. Fez exatamente o que Materazzi queria. Não há nada muito mais complexo do que isso no episódio. Como Zidane era conhecido por ser nervosinho em campo, o italiano resolveu testar a paciência do filho de dona Malika – uma mulher fina, aliás, que teria pedido os ovos de Materazzi numa bandeja, ao menos segundo o Bild.
Zidane foi duplamente mané. Foi expulso, não levou Materazzi junto e nem o machucou seriamente. Se é para analisar o episódio dentro da ótica de quem aprova a violência, sua agressão foi pífia. Dar uma cabeçada no peito de um sujeito com mais de um e noventa? Não fez nem cócegas. Uma entrada mais dura no tornozelo no último minuto ou um soco no queixo depois do jogo seriam mais eficientes



julho 12, 2006

Ler e não ler II

Bem, o meu problema não é tanto o que não ler, mas sim dar um jeito de viver de renda e ter tempo para ler. Ou arrumar um ganha-pão que não seja o 'dreary work' ao qual me dedico atualmente, e que envolva leitura. Mas também vejo valor em ler o que não é para ler. Por exemplo, nunca li Paul Auster, e agora, depois do teu post, me deu vontade de ler, para detestar, e escrever um post irado demolindo a 'anta do Brooklin' (ele é do Brooklin mesmo?). Mas acho que não vou ler Paul Auster. O meu temor é que eu goste um pouquinho, que não seja tão ruim assim - não tem nada a ver perder tempo com algo que seja apenas um pouco ruim, ou, digamos, que não seja emblematicamente horrível. Detestar um autor, especialmente se for uma vaca sacrada qualquer, é bom, dá contorno à nossa personalidade literária, valoriza por contraste o ato de gostar (de outros). Veja o caso do Rubem Fonseca. Li uns dois livros deles, vagamente não achei grande coisa, e ficou por isto mesmo. Recentemente, quando uma autoridade literária como Lord Ass decidiu dedicar-se a demolir o mito do 'gênio carioca recluso' (ver "Mãos de Cavalo", 03/05, lá embaixo), senti uma imediata glamourização do meu não-gostar do Fonseca. O negócio cresceu, subiu à minha cabeça, tive até vontade de reler os livros sublinhando as minhas não-gostadas mais espertas. Cheguei a compor frases para exprimir o meu desprazer. Por exemplo, "a escrita do Rubem Fonseca é meio como uma máquina mal lubrificada, que range e estala, e com peças que não encaixam direito e sacodem de forma desagradável quando o maquinista insiste, levado por um machismo algo primitivo, em fazer a geringonça rodar energicamente, a despeito de tudo que ela tem de errado". Talvez até, num último raciocínio sob o tema, em se tendo muito pouco tempo para ler, ler o que não presta ajude mais a formatar uma persona literária do que enfrentar Ulysses, Os Sertões e Guerra e Paz para apenas concluir no final que "eu também gostei destas obras-primas"





julho 10, 2006

Ler e não ler

Que livros não ler. Essa é a sabedoria do verdadeiro leitor. Driblar os livros ruins exige tempo e dedicação. Quando deixo de ler algo ruim, eu me sinto mais inteligente. A tarefa não é tão fácil quanto parece. Os maus livros são muitos – e traiçoeiros. Quer um exemplo? Os de Paul Auster, por exemplo. Por algum motivo misterioso, a maior parte da crítica o adora. Hoje, se alguém quer parecer inteligente, coloca um livro do sujeito debaixo do sovaco. Eu li dois, A música do acaso e Leviatã.
Auster é ardiloso. A narrativa de seus livros flui razoavelmente bem, não soando como um best seller vulgar, pelo menos à primeira vista. Mas leia com atenção. Os livros são bobos. Ele constrói mal seus personagens. E escreve coisas francamente ruins. Veja este trecho de Leviatã: “Tornei-me homo erectus, um falo pagão em um transe frenético. Em pouco tempo, me vi enredado em vários casos simultâneos, fazia malabarismos com minhas namoradas feito um acrobata enlouquecido, saltava de uma cama para a outra com a presteza com que a lua muda de feitio. (...) Mas era a vida de um louco e na certa acabaria por me matar, se tivesse durado mais tempo do que durou”. Estou errado?
Eu li o livro por teimosia. Eu não tinha gostado de A música do acaso, mas, como muita gente colocava o Leviatã nas alturas, decidi encará-lo. Perdi tempo. Mas paciência. Não vou repetir o erro.
Felizmente, há livros ruins que são bem mais transparentes, em que a "qualidade" fica evidente já no título. É o caso de Etnopoesia do milênio, de Jerome Rothenberg, que recebeu tratamento cinco estrelas na Folha. Se o título não é suficiente para assustá-lo, saiba que o escritor é um ex-beatnik amigo de Haroldo de Campos. No livro, ele usou técnicas de poesia concreta em “traduções experimentais da poesia indígena americana”. Eu não leio nem que me batam.
O bom e velho Schopenhauer já tinha dito tudo: “para ler o bom, uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia são escassos”. Decidir o que não ler também é uma arte



Vou criar caso!

A última da turminha gramsciana é introduzir filosofia e sociologia no ensino médio. Os alunos brasileiros, como mostram amplamente testes nacionais e internacionais, não sabem fazer conta nem ler, mas a preocupação do establishment educacional é enfiar novos assuntos nas cabecinhas ignorantes. Eu não tenho a menor dúvida, convivendo com com a nossa classe média pseudo-intelectualizada - de onde sairão os professores das ditas matérias - que o negócio, provavelmente com o incentivo do governo e dos caciques do sistema educacional, vai descambar para doutrinação anti-capitalista de baixo nível, com a habitual mescla de marxismo primitivo e anti-americanismo. Já estou pensando em ir na escola das minhas filhas e avisar que me dou o direito de invadir a sala de aula de sociologia (aliás, não dá para levar sociologia a sério, cá entre nós) e filosofia, sentar no meio dos alunos, e contestar o professor-militante até o pobre coitado pedir as contas ou partir para as vias de fato. Já estava conformado com a perspectiva da cabeça das minhas filhas virar depósito de baboseira esquerdista na Universidade ­- caso entrem em qualquer curso com qualquer matéria de ciências sociais -, mas acho inadmissível que a doutrinação comece já na tenra e crédula pré-adolescência. Meu ânimo está extremamente beligerante



julho 08, 2006

A coerência da esquerda II

O Lessa, que pode ser divertido em mesa de bar (desde que o interlocutor se posicione a uma distância estratégica dos perdigotos lançados pela beiçola atrevida), sempre se proclamou um nacionalista. Talvez o maior favor que ele esteja fazendo à Pátria seja este mesmo, o de desmoralizar sua plataforma quixotesca, mercadejando-a de barraca em barraca na feira política, até que a xepa seja vendida com 95% de desconto quem sabe para um Maluf ou um Collor, recauchutados como inimigos do neoliberalismo

PS: O Lessa tem um trabalho interessante de recuperação do Rio Antigo (liberou uma boa grana do BNDES para isto enquanto lá esteve - palmas para ele!), e já andou comprando e restaurando sobrados no Centro. Como seria bom se a esquerda limitasse suas ambições reformistas a um raio não superior a 500 metros do botequim predileto...



julho 07, 2006

A coerência da esquerda

A esquerda brasileira tem figuras incríveis. Uma das mais surpreendentes é Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES. Lessa tem nojo do que ele chama de neoliberalismo. Odeia gente como Joaquim Levy, que foi secretário do Tesouro e hoje é vice-presidente do BID. Para Lessa, burocratas como Levy, que tentam evitar o estouro das contas públicas, são demônios sádicos. Hitler talvez recebesse um tratamento mais condescendente do ex-presidente do BNDES.
O curioso é que Lessa mostra uma indignação seletiva. Nos últimos cinco meses, ele trabalhou num programa de governo para o PMDB, tendo elogiado várias vezes Anthony Garotinho, ainda que, justiça seja feita, tenha dito que fazia o projeto para o partido, e não para o marido de Rosinha. De qualquer modo, agiu como se Garotinho merecesse respeito.
Como o PMDB não vai ter candidato à presidência, Lessa ficou “desiludido” com o partido, de acordo com o Valor. Mas quem não tem Garotinho vai de Marcelo Crivella. Isso mesmo. Lessa vai ajudar Crivella, o senador do PRB, bispo da igreja de Edir Macedo e candidato ao governo do Rio. “O senador Crivella me chamou para conversar. Estou às ordens para ajudar no programa de governo do senador. Gosto do Crivella, acho um candidato sério. Tem boas qualidades e vamos conversar, por que não?”, disse ele. No estranho mundo de Lessa, Joaquim Levy é um dos responsáveis por tudo que há de ruim no Brasil, ao passo que Garotinho e Crivella são a esperança de um mundo melhor, menos neoliberal e mais justo. Ah, sim: as propostas econômicas de Lessa, como a de reduzir os juros drasticamente do dia para a noite, quebrariam o país



Sujeira IV

Então o Obregón é o grande patrono da política brasileira. O "eu roubo menos" me parece ser a única linha consistente de defesa dos nossos políticos envolvidos em corrupção. E eles nem têm a desculpa de um braço a menos (se bem que o Lula, com seu dedo cotó, talvez tenha problemas no manejo tempestivo de maços de notas)



julho 06, 2006

Sujeira III

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Álvaro Obregón, um homem sincero

A tradição política do México é bonita. Pela história de corrupção do país, eu não duvido que Calderón e Obrador estejam trapaceando ao mesmo tempo. Um dos meus políticos preferidos de todos os tempos, aliás, é justamente um mexicano: Álvaro Obregón, que comandou o país de 1920 a 1924. Obregón era um ladrão romântico.
Ao ser descoberto assaltando os cofres públicos, Obregón agiu com uma candidez e uma honestidade comoventes, usando um argumento poderoso em sua defesa: “Eu roubo menos”, disse ele, que não tinha um braço. É mais digno do que a atitude de um João Paulo Cunha no caso do mensalão, por exemplo. Mas, pensando bem, ser mais digno do que o João Paulo não é tarefa das mais difíceis



Sujeira II

Com 98,55% das urnas reapuradas, o direitista Calderón ultrapassou de novo o populista Obrador no México.
Agora, estou me colocando na posição de cucaracho de esquerda (na vida real sou cucaracho neoliberal): caceta, depois da certeza da vitória, na onda do caminhando e cantando indígeno-socialista que já arrebatou a Venezuela e a Bolívia, o nazista sai na frente milimetricamente. Aí vamos às ruas, choramos, gritamos, mostramos as nossas veias abertas, e quando conquistamos a recontagem de votos, eis que o nosso candidato, herói das massas oprimidas, pula na frente, e lá fica até mais de 70% da apuração. É um momento emocionante. Damo-nos as mãos e marchamos juntos para horizonte, onde já raia o sol da libertação... e tudo isto apenas para o carrasco do financeirismo internacional virar o jogo novamente, e reassumir a liderança. Como é sofrido combater o neoliberalismo na América Latina!

P.S: Esta hístória pode ter novas reviravoltas



julho 05, 2006

Sujeira...

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Longe de Deus, perto dos EUA

Eu não estava nem aí para a eleição no México. Mas num momento de ócio internético, notei que o candidato da direita tinha batido o populista de plantão por uma margem ínfima, depois de mais de 97% dos votos contados. Fiquei animado. Foi então que, sem mais nem menos, recomeçam a contar os votos do zero, e o populista de plantão agora está à frente, com uma margem não tão ínfima. Como sofre o neoliberal latino-americano!



La garantia soy yo II

Parece que um corretor tentou vender bonos del Sur numa pracinha de Milão, freqüentada por aposentados, e foi linchado. Morreu a bengaladas, o coitado



La garantia soy yo

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Kirchner e Chávez, los libertadores del pueblo

Kirchner e Chávez decidiram lançar o "bono del sur", um título público binacional. Segundo o argentino, o título é o primeiro passo para a criação de um "banco do sul". Agora vai



julho 02, 2006

O morto satisfeito

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Lula, o verborrágico

A capacidade de Lula de falar merda é mais do que conhecida, mas o grande público é brindado apenas com uma parte delas. Para ter uma idéia da quantidade de bobagens que passa pela cabeça do Guia Genial, é necessário acompanhar de perto alguns de seus milhares de discursos. Por motivos profissionais, eu já tive a honra de presenciar os pronunciamentos do presidente ao vivo e em cores algumas vezes, e garanto a vocês: quem tem acesso apenas às reportagens sobre o que ele diz perde o melhor de suas intervenções.
Segundo levantamento do instituto Datatorre, Lula fala 8,9 merdas a cada discurso, mas a imprensa publica no máximo 4,8 delas. Eu não acho, porém, que a mídia tente protegê-lo de si mesmo. A questão é que fica difícil fazer uma reportagem de um tamanho razoável que resuma o que há de mais importante em cada discurso do Guia Genial e, ao mesmo tempo, descreva cada merda que ele diz.
Na quinta-feira, houve um exemplo claro disso. Lula falou em três eventos diferentes, e a imprensa, até onde eu vi, não mencionou o "elogio" que ele fez a Adib Jatene, na solenidade de inauguração do Centro de Oncologia do Hospital das Clínicas. Vejam que sutil: "Aqui nós temos o nosso companheiro Jatene, que já foi ministro da Saúde, um dos médicos mais conceituados do Brasil. Eu dizia sempre o seguinte: quando as pessoas vêm para o hospital e morrem na mão do Jatene, mesmo que ele tenha feito um erro, todo mundo morre satisfeito, morreu na mão do melhor." Não é brilhante? Se você quiser conhecer mais de perto o pensamento de Lula, clique aqui e veja a íntegra de todos os pronunciamentos do Guia Genial. É diversão garantida

Atualização em 7/7/2006:: A declaração sobre o Jatene saiu em alguns lugares, pelo que eu notei. O Nelson Motta a cita na coluna de hoje, publicada na Folha É uma boa notícia, porque assim mais pessoas tomam conhecimento das merdas que o Lula diz. Mas garanto a vocês que algumas passam despercebidas



Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


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* JP Coutinho
* Manobra, 1979
* Número 12
* puragoiaba
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