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Ela grita e se veste mal, mas tem 10% das intenções de voto
E eis que Heloísa Helena aparece com 10% das intenções de voto em pesquisa do Datafolha. São quase 13 milhões de pessoas que se dispõem a votar na musa da esquerda raiz. É um feito e tanto da senadora. Acho apenas que a maior parte desses eleitores não tem uma idéia muito clara do que defende o Psol. Há muita coisa divertida no programa do partido. Eu adorei as propostas para a economia. São perfeitas para fazer o Brasil regredir uns 50 anos. O interessante é que o candidato a vice, César Benjamin, é economista. Alguns pontos altos:
- Calote na dívida externa. Qualquer pessoa que acompanha economia, ainda que de longe, sabe que a dívida externa deixou de ser problema há muito tempo. Na verdade, ela tem diminuído com força desde o fim de 2004
- Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, “rumo à jornada de 36 horas”, sem corte de salários. Se algum empresário malvado reclamar, o Psol já tem a solução: “Denunciamos também toda e qualquer tentativa de demissões e redução dos salários com o pretexto da falta de trabalho. Diante das reclamações da patronal acerca das suas dificuldades, defendemos que suas contas sejam abertas e o controle da produção se estabeleça”
- Reposição mensal da inflação para os salários. Brilhante, não? Depois de anos de luta para desindexar a economia, os gênios do Psol pregam a volta da indexação
Há um trecho do programa que vale a pena ser citado, ainda que longo, por dar uma idéia do mundo em que vivem os integrantes do partido: “Como via de acesso a um incremento produtivo mantendo o mercado interno comprimido, os juros elevados e o ajuste fiscal garantido, o governo federal aposta todas as fichas nas exportações. Este tem sido o plano fundamental dos capitalistas no Brasil. Mas para que os capitalistas brasileiros exportem, competindo com outros burgueses, devem manter seus produtos baratos. Para isso, continuarão pagando salários de fome aos trabalhadores da cidade e do campo. É o que os grandes empresários consideram uma vantagem comparativa brasileira. Sem recomposição dos salários, não há distribuição de renda efetiva. Defendemos a reposição mensal da inflação e aumentos reais para os salários. Defendemos que os salários sejam capazes de garantir o mínimo necessário para o trabalhador e sua família, tal como diz a Constituição. O controle sobre a produção das grandes empresas mostrará os lucros capitalistas e as possibilidades de aumentos.” Eu gosto do trecho por mostrar que os gênios do Psol não torturam apenas o bom senso; eles também agridem a língua sem nenhum pudor.
É essa visão de mundo que 10% dos eleitores brasileiros compram ao afirmar que pretendem votar em Heloísa Helena. Se bem que não dá para esperar muita coisa de gente que cogita dar o voto a uma mulher que grita o tempo todo e se veste mal daquele jeito


