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A esquerda brasileira tem figuras incríveis. Uma das mais surpreendentes é Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES. Lessa tem nojo do que ele chama de neoliberalismo. Odeia gente como Joaquim Levy, que foi secretário do Tesouro e hoje é vice-presidente do BID. Para Lessa, burocratas como Levy, que tentam evitar o estouro das contas públicas, são demônios sádicos. Hitler talvez recebesse um tratamento mais condescendente do ex-presidente do BNDES.
O curioso é que Lessa mostra uma indignação seletiva. Nos últimos cinco meses, ele trabalhou num programa de governo para o PMDB, tendo elogiado várias vezes Anthony Garotinho, ainda que, justiça seja feita, tenha dito que fazia o projeto para o partido, e não para o marido de Rosinha. De qualquer modo, agiu como se Garotinho merecesse respeito.
Como o PMDB não vai ter candidato à presidência, Lessa ficou “desiludido” com o partido, de acordo com o Valor. Mas quem não tem Garotinho vai de Marcelo Crivella. Isso mesmo. Lessa vai ajudar Crivella, o senador do PRB, bispo da igreja de Edir Macedo e candidato ao governo do Rio. “O senador Crivella me chamou para conversar. Estou às ordens para ajudar no programa de governo do senador. Gosto do Crivella, acho um candidato sério. Tem boas qualidades e vamos conversar, por que não?”, disse ele. No estranho mundo de Lessa, Joaquim Levy é um dos responsáveis por tudo que há de ruim no Brasil, ao passo que Garotinho e Crivella são a esperança de um mundo melhor, menos neoliberal e mais justo. Ah, sim: as propostas econômicas de Lessa, como a de reduzir os juros drasticamente do dia para a noite, quebrariam o país


