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Outro dia eu vi um garoto com cara inteligente na rua, e um piercing na sobrancelha. Pensei: por que ele quer que a gente pense que é burro? É um mistério para mim o cool atribuído a adereços, no sentido amplo do termo, que fazem todo o sentido e ficam até bem em boçais na zona limítrofe inferior da normalidade. Quer dizer, o mistério é que pessoas de alta capacidade cognitiva se deixem seduzir por estas modas. Tem um caso de um conhecido meu, boa-pinta, viajado, divertidamente intelectualizado, com um humor mundano e mordaz. Não sei por que cargas d’água, o cara tatuou inteiramente os dois braços, com grossas e horrorosas faixas em espiral que podem ser o corpo de uma serpente, um dragão ou coisa que o valha. Agora, ele só anda de camisa de mangas compridas no calor do Rio, na maior parte das ocasiões. É evidente que o QI do sujeito teria que baixar uns 30 a 40 pontos para que ele conseguisse se sentir à vontade com aquela presepada corporal vulgar, que só poderia ser curtida despreocupadamente por um motoqueiro troglodita ou algum marginaleco do sub-mundo japonês. Mas talvez seja este, afinal, o grande truque da cultura pop: convencer-nos de que a ralé é mais cool do que a gente


