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O francês é craque, mas é mané
Eu sou fã do futebol de Zidane. Torci pela França na final da Copa por causa dele, deixando em segundo plano minhas origens carcamanas. Em resumo, concordo que ele é um gênio do futebol, mas convenhamos: o sujeito foi muito mané. A moda do momento é analisar a cabeçada de Zidane em Materazzi como uma “manifestação da besta que existe em cada homem” ou como um sinal de que são insondáveis os “desvãos da alma humana”. Muita gente boa que tem escrito sobre o caso vê dimensões shakespeareanas em algo muito mais simples: Zidane apenas caiu na provocação que adolescentes um pouco mais equilibrados conseguem evitar. Xingar a mãe, a irmã e a namorada do craque do time adversário é a estratégia de zagueiro botinudo e catimbeiro mais velha que existe.
Eu cansei de ver essa história em campeonatos que disputei na escola e na faculdade. Zidane foi infantil. Fez exatamente o que Materazzi queria. Não há nada muito mais complexo do que isso no episódio. Como Zidane era conhecido por ser nervosinho em campo, o italiano resolveu testar a paciência do filho de dona Malika – uma mulher fina, aliás, que teria pedido os ovos de Materazzi numa bandeja, ao menos segundo o Bild.
Zidane foi duplamente mané. Foi expulso, não levou Materazzi junto e nem o machucou seriamente. Se é para analisar o episódio dentro da ótica de quem aprova a violência, sua agressão foi pífia. Dar uma cabeçada no peito de um sujeito com mais de um e noventa? Não fez nem cócegas. Uma entrada mais dura no tornozelo no último minuto ou um soco no queixo depois do jogo seriam mais eficientes


