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Um estranho fenômeno ocorre comigo. Durante meses, saboreei a perspectiva de, na campanha eleitoral, desancar a Heloísa Helena, que reúne praticamente tudo o que de mais estúpido existe no – na falta de outra palavra – pensamento brasileiro. E eis que chega a campanha, a gralha alagoana empina vôo e eu... nada. Nada me ocorre para falar da Heloísa Helena. A senadora do jeans fedido e da camiseta com CC simplesmente me remete ao vazio, ao não-sentido, à depressão no sentido químico. É o nada e a náusea, a repetição infinita de roteiros apodrecidos e esfarrapados que teimosa e enjoativamente se recusam a sair de cena. É o feitiço do tempo, um passeata de 1968 com uma virago histérica gritando slogans anti-capitalistas particularmente toscos, como se nada tivesse acontecido de lá até hoje. É a velha defesa do funcionalismo corporativo, e o que se foda para todo o resto, incluindo os pobres (mas as bestas acham que ela gosta de pobre, só porque é brega). Que o Guilherme Arantes apóie a Heloísa Helena é, de fato, justiça poética. Política e estética de mãos dadas. 20% dos universitários querem votar nela. Eu me contento em vomitar
PS: Bem, acabei falando um pouco


