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Astrologia, eu quero uma para viver

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E de repente ficou chique falar de astrologia. Ninguém mais tem vergonha de dizer que acredita no assunto, pelo contrário. No boteco, na televisão, na entrevista no jornal, virou moda se definir em função do signo. No meio de qualquer conversa, é cada vez mais freqüente alguém soltar uma frase do tipo: “Eu sou teimoso mesmo. Coisa de aquariano, você sabe.” Não, eu não sei. Não tenho a mínima idéia do que significa ser aquariano, taurino ou pisciano. Sempre achei que acreditar em astrologia é o mesmo que acreditar no Papai Noel ou no coelhinho da Páscoa, mas tenho a impressão de que meu ceticismo é compartilhado cada vez por menos gente. Até as pessoas mais insuspeitas parecem crer em horóscopo (pode dizer horóscopo, aliás? Acho que não. Se eu não me engano, quem gosta do assunto fica bravo se você usa horóscopo como sinônimo de astrologia). Nesta entrevista à Folha, o Angeli diz que, como é um “virginiano meticuloso”, fica completamente obcecado pelos detalhes. Que coisa, Angeli. Eu conheço diretor de empresa que só contrata alguém depois de fazer o mapa astral do candidato a funcionário. Juro que não estou brincando.
Quando eu era mais novo, gostava de provocar quem acredita em astrologia. O pré-requisito era a pessoa não saber o meu signo. Quando se falava no assunto, eu mentia e dizia que era de aquário, por exemplo. Era muito divertido. O rosto do interlocutor – em geral da interlocutora – se iluminava. “De aquário? Mas eu sabia. Não podia ser de outro signo.” E listava todas as características de um aquariano que, para ela, eram a minha mais perfeita tradução. Algumas ficavam tão empolgadas que eu ficava sem jeito de contar a verdade. Teve gente que deixou de falar comigo quando revelei o meu signo, mas a brincadeira valeu a pena.
Nas poucas vezes em que tentei discutir o assunto seriamente, usei o exemplo do meu pai e de um amigo, porque os dois nasceram no mesmo dia. Não há, eu posso lhes garantir, duas pessoas mais diferentes. Eu dizia isso e logo recebia aquele olhar de superioridade de quem sabe muito mais do que você: “Mas e os ascendentes deles? É claro que são diferentes.” O argumento do ascendente é considerado irrefutável por quem acredita em astrologia.
Ah, antes que alguém pergunte: eu sou de leão. “Leão? Mas eu sabia. Não podia ser outra coisa”.



Marcos Matamoros at 09:01 PM | Comentários (7)

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