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Uma das minhas técnicas para votar de forma consciente é jamais ver/ouvir a propaganda eleitoral, incluindo os debates. Nada é mais desorientador do que um discurso montado para a comunicação com um público 40 a 50 pontos de QI abaixo do seu. Não há cabeça organizada que consiga manter a capacidade de refletir coerentemente sobre os fatos do mundo diante do bombardeio dos dudas e nizanes. Isole-se, cidadão, e sufrague com discernimento.
Um exemplo: tanto o Lula como o Alckmin sabem que terão que fazer uma reforma da Previdência no próximo mandato, para reduzir o rombo de gigantescamente grande para apenas muitíssimo grande. Todas as informações e o body language dos assessores de ambos que sabem somar dois e dois indicam que Lula e Alckmin fariam a tal reforma no início do mandato. É uma boa medida, do tipo que me faria votar num candidato a presidente do Brasil: é exatamente aquilo de que precisamos para continuarmos um país medíocre, evitando virar um país desastroso.
Pois bem, os marqueteiros já avisaram que reforma da Previdência é anátema para o eleitorado (é claro que eles não empregaram esta palavra). Então tanto o Alckmin quanto o Lula empenham-se em convencer o populacho de que não farão a reforma da Previdência. Se eu vir os programas, e todas as juras contra a reforma, vou começar a duvidar do que me diz o meu instinto e experiência, ou seja, de que farão a reforma. A propaganda eleitoral, portanto, só confunde e atrapalha o eleitor consciente


