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Um dos paradoxos da existência é que o cachorro entende melhor o dono do que o dono entende o cachorro. Estou cada vez mais convencido disto (como costuma dizer o Guia Genial). É possível que um brasileiro mediano tenha insights razoáveis sobre a forma de agir e pensar de um brasileiro intelectualmente sofisticado. Mas é absolutamente impossível que um brasileiro do segunto tipo entenda a forma de agir e pensar de um brasileiro mediano. É por isto que é inútil discutir sobre as tendências eleitorais, sobre porque o Lula está disparado na frente, a Heloísa Helena capturou 10% do eleitorado e o Alckmin patina nos 25%. É tão improvável que eu e a maioria das pessoas com quem eventualmente discuto este tipo de assunto saibamos do que estamos falando quanto o Lula saiba qual é o seu projeto para o Brasil. Alguém pode alegar que há pessoas intelectualmente equipadas entre marqueteiros ou autores de novela, que entendem a alma do povo. É possível. Se encontrar um destes, vou perguntar o que ele ou ela acha das tendências eleitorais. Mas a minha explicação para este fenômeno (uma mente sofisticada entender a mente mediana) é que publicitários ou autores de novela intelectualmente evoluídos (supondo que de fato existam) são, na verdade, seres esquizofrênicos: convivem neles, simultaneamente, o sujeito culto e o brasileiro médio. Para entender o povão é preciso ser, ainda que temporariamente, povão
PS: Post traiçoeiro este. O Matamoros está justamente preparando um post sobre o porquê do sucesso do Lula. He he he


