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Plutão, planeta de contrastes
Plutão deve ou não deve manter o status de planeta? Se você não é astrônomo, provavelmente não tem opinião sobre o assunto. A Folha, porém, já decidiu: Plutão deve, sim, continuar a ser considerado um planeta. Em editorial publicado no domingo, o jornal diz que “a sabedoria recomenda que se reconheçam os ‘direitos adquiridos’ de Plutão”. Eu fiquei contente em saber a opinião do jornal que assino sobre um tema tão relevante.
O editorial foi motivado pela reunião da União Astronômica Internacional (UAI), que ocorre em Praga. Uma das coisas que se discutem por lá é a definição de planeta. Se aprovada a proposta de um dos comitês da instituição, serão considerados planetas, como informa o próprio texto da Folha, “todos os corpos celestes que descrevam órbita ao redor de uma estrela, mas que não sejam uma estrela, e que tenham massa suficiente para que a sua própria gravidade os torne esféricos”. Com isso, estariam assegurados o que o editorial da Folha chama de “direitos planetários” de Plutão – estou falando sério. Alguns astrônomos acham que Plutão não deveria ter o status de planeta, por ser “pequeno e exótico demais”, sempre segundo a Folha.
Eu gostei da ênfase do editorialista em defender Plutão, usando argumentos de peso a favor do planeta: “Descoberto em 1930, Plutão já se consolidou culturalmente como o ‘mais distante dos planetas’. É nessa condição que ele figura em todos os modelos do Sistema Solar. É como planeta que ele aparece em referências científicas e literárias. É de planeta que as crianças aprendem desde cedo a chamá-lo na escola.”
Acho que o último argumento é o que tem mais chance de sensibilizar os cientistas. Imagine o que acontecerá com as esperanças de milhões – bilhões? – de crianças se Plutão perder o status de planeta? Antes de fazer uma besteira, os astrônomos deveriam pensar nessa questão.
Como jornal combativo que é, a Folha não se furta a analisar a questão em profundidade. Se a proposta vingar, outros objetos “ganhariam estatuto de planeta”, como Ceres, Caronte e Xena. “Além disso, ficam na fila para tornar-se planetas mais uma dúzia de grandes asteróides, a maioria no cinturão de Kuiper, nos confins do Sistema Solar”, diz o texto.A Folha garante que não há motivos para se opor a essa “proliferação” de planetas: “Se é em princípio infinito o número de estrelas e de planetas no Universo, não há razão para temer contabilizar mais algumas dezenas destes astros em nosso sistema”.
O texto da Folha me emocionou. Eu me tornei um homem pró-Plutão. Aliás, vou ver se encontro alguma ONG que defenda os interesses de um planeta tão discriminado


