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Ary Toledo, gênio da raça
A efervescência cultural brasileira é surpreendente. Depois que Paulo Betti disse que não é possível fazer política sem colocar as mãos na merda e Wagner Tiso afirmou que não está preocupado com a ética do PT ou qualquer outro tipo de ética, intelectuais e artistas do país não param de refletir e criar a partir dessas declarações tão ricas quanto polêmicas. Num esforço de reportagem, o Torre de Marfim descobriu o que a intelligentsia brasileira está produzindo, estimulada pela visão eticamente revolucionária da dupla Betti e Tiso:
- Marilena Chauí acaba de escrever Exame do excremento em Espinosa – uma exegese estética do estrume. No ensaio, a intelectual tenta mostrar as pontes – "inesperadas mas inequívocas", como ela mesmo diz no prefácio – entre o modo petista de governar e o papel do excremento na visão panteísta de mundo do filósofo, que aparece em alguns textos de Espinosa tidos como apócrifos por alguns estudiosos, mas não por Marilena. A musa da esquerda, aliás, nega a interlocutores próximos ter dito que "quando Lula fala, o mundo se ilumina". Sua frase original era um pouco diferente: "quando Lula caga, o mundo se ilumina". Marilena pensou em escrever um artigo para a Folha para corrigir o erro, mas desistiu depois de perceber que o sentido da frase é o mesmo nas duas versões. A Caros Amigos deve publicar o ensaio em sua edição de setembro
- José Celso Martinez Corrêa também decidiu pegar carona no tema. Ele vai montar Merda!, texto pouco conhecido de Antonin Artaud. "O espetáculo mostra a importância do excremento como meio eficaz de contestar a ordem da sociedade conservadora e machista, por meio de uma desconstrução dionisíaca", diz Zé Celso no texto sobre a peça, que tem cinco horas de duração. Mantendo o caráter interativo do Teatro do Oficina, quem levar um quilo de merda não perecível não precisa pagar o ingresso
- Ary Toledo é outro que entrou na onda. O humorista está fazendo shows pelo interior do país contando piadas sobre o quadro político brasileiro. Segundo Toledo, a piada que faz mais sucesso é a seguinte: "O que acontece quando um petista escorrega na merda? Aumenta o monte."
- O próprio Paulo Betti decidiu aproveitar o momento de popularidade para encenar o monólogo Metendo as mãos na merda – memórias da militância, um texto de sua autoria. Ele mesmo não nega que se trata de uma autobiografia mal disfarçada. "Quem fez filmes como Lamarca ou Mauá pode falar de merda com autoridade", disse ele ao Torre de Marfim. A trilha sonora, como não poderia deixar de ser, é de Wagner Tiso. O patrocínio é da Manah
Não é bonita a criatividade dos intelectuais e artistas brasileiros?


