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Sei não. Acho que fomos injustos* com o Paulo Betti. Ele escreveu um artigo na Folha dizendo que é vítima de linchamento moral. Eis aí um primeiro desdobramento positivo do “affaire Betti/Tiso/Barretão/alguém mais?” Se físico, não resta dúvida, o linchamento seria mais completo como tendência alvissareira. É possível até pensar na abolição da novela das oito ao fim de uma longa caminhada. Mas moral também serve. E Betti trouxe-nos a síntese genial de uma época (não vou falar em zeitgeist para não parecer pedante). É simples. O Brasil de Lula é uma merda. E, pensando bem, não há quem, nem o quê, tenha sofrido mais duramente a maldição do preconceito do que a merda. Suja, mal cheirosa, portadora de doenças, nojenta – a lista de ofensas é longa. Mas Lula é um cara do povo, veio do Nordeste, sua mãe nasceu analfabeta. Ele encara com simplicidade as coisas da vida. Enquanto os tucanos empinam os narizinhos e fazem cara de nojo, o Guia Genial abraçou a merda pátria. Deu-lhe dignidade. Alçou-a à visibilidade internacional. Coprolálico, como mostra o livro dos repórteres de Brasília, ele fundou nossa coprocracia. Merda procês!
* Pra quem leu a versão anterior, desisti de enriquecer a língua com o neologismo "injustiçamos", embora (teimoso que sou) continue achando que tem lá sua eufonia
PS: Leiam o que já li no Reinaldo Azevedo nesta manhãzinha fria. A coprocracia avança!


