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Nome aos bois

Li por aí que o presidente Lula está ameaçado de sofrer um golpe antes do fim dos seus oito anos de mandato. Já se organizam manifestações maciças dos movimentos sociais para defender a permanência do Guia Genial no posto de Grande Timoneiro. Eu imagino as cenas da titânica batalha final na Praça dos Três Poderes: de um lado, os movimentos sociais, de outros as leis. No final, o terreno coberto de cadáveres e livros de Direito ensangüentados.
Falando sério, eu não entendo esta história de golpe. O país tem procedimentos legais diversos. Um deles chama-se impeachment. Outro, impugnação de candidatura. Deve haver influência política em ambos, mas é assim que o jogo institucional foi montado (e vale para todo mundo). Pessoalmente, não creio que o presidente Lula venha a sofrer nem um nem outro.
Tem uma certa direita excitada com aquela possibilidade, e é mais do que natural que seja assim. Numa democracia, os políticos torcem para que seus adversários sejam massacrados, pulverizados, esfarinhados, etc. A diferença em relação às ditaduras é que os políticos têm que se conformar em torcer para que a dizimação, trituração e esmigalhação dos seus adversários se dê por meios legais. Há vários deles. Um são as urnas. Outros são impeachment, cassação, impugnação, etc.
Se as regras do país e a forma como elas são aplicadas (ou não aplicadas) não levarem à impugnação nem ao impeachment do Lula - e não vão - o PT vai poder gozar da cara da direita que torceu pelo impeachment ou impugnação: "Ha ha ha, seus manés, perderam de novo. Eu eu eu, a direita se fodeu!". Tudo isto faz parte da festa da democracia, que é de um mau gosto atroz, mas, como disse mais ou menos o Churchill, "é o pior regime fora todos os outros" (arghhh, doeu este lugar-comum).
Golpe é derrubar um presidente descumprindo as regras do jogo. Chamar uma tentativa de impeachment ou de impugnação (patética, porque fadada ao fracasso) de "golpismo" é apenas a velha má-fé intelectual duma certa esquerda

PS: É claro que moer e estraçalhar o adversário político por meio de impeachment ou impugnação é algo que só ocorre raramente, quando o adversário dá razões para tanto. Para usar um exemplo futebolístico, ao modo do Guia Genial, jogadores de futebol normalmente tentam vencer a partida fazendo gols e evitando levá-los. Porém, quando o Zidane dá uma cabeçada no Materazzi, não há nada de golpista em o capitão da Itália cagüetar o francês para o juiz e ficar pedindo expulsão



F. Arranhaponte at 03:11 PM | Comentários (3)

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* F. Arranhaponte


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