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Philip Roth, herói intelectual do blog
O homem parece um relógio. A cada um ou dois anos, Philip Roth lança um livro que oscila entre o muito bom, como The dying animal e Everyman, e a obra-prima, como Operation Shylock, Sabbath's theater, American Pastoral e The human stain. Eu li Everyman (o mais recente) nas férias. É um romance curto, sobre a aproximação da morte e o peso da velhice.
Eu já estava com vontade de ler o livro, mas o que me fez correr para comprar foi um debate que eu vi na televisão quando estava em Amsterdã. Era um programa da BBC em que três jornalistas - duas mulheres e um homem - discutiam literatura. A primeira a comentar Everyman foi uma loira bonita. Disse que tinha adorado o livro e que Philip Roth é o maior escritor americano vivo. Os dois outros jornalistas discordaram. O repórter, fazendo cara de nojo, anunciou que “odiava Philip Roth”, e disse que tinha “odiado” Everyman por ser um livro misógino, citando uma passagem em que o personagem principal se refere a uma certa parte da anatomia – adivinhe qual - de uma de suas mulheres. “O livro é misógino”, definiu ele, com um ar de repulsa. A outra repórter, muito feia, concordou e foi mais longe: “Todos os romances dele são misóginos”. Eu já tinha lido vários livros de Philip Roth, e nenhum deles me pareceu misógino. Comprei o livro e li em três dias. Maravilhoso, como de costume, e sem nenhum traço de misoginia. Uma frase que resume, de algum modo, o espírito de Everyman: “Old age is not a battle; old age is a massacre”. Como disse um amigo meu, comentando o livro e a seqüência de romances de Philip Roth nos últimos anos: “Tenho a impressão de que não é possível ir muito além disso”.
Depois que eu li o livro, ficou claro por que o repórter com cara de nojo e a jornalista feia tinham dito que o romance é misógino. A questão é que ninguém escreve sobre sexo e sobre a importância do sexo como ele. Tem gente que se assusta com isso, principalmente porque ele pode tratar do assunto com crueza e ironia ao mesmo tempo. “No matter how much you know, no matter how much you think, no matter how much you plot and you connive and you plan, you're not superior to sex”, diz ele em The dying animal. Outra passagem deliciosa: “The decades since the sixties have done a remarkable job of completing the sexual revolution. This is a generation of astonishing fellators”. E o trecho de Everyman que causou repulsa ao repórter da BBC: “For the first two days he was always diddling around her ass with his fingers while she went down on him, until finally she looked up and said, 'If you like that little hole, why don't you use it?'”
E sexo é apenas um dos assuntos dos quais ele trata em Everyman. O foco do livro, como eu já disse, é o peso da velhice e a proximidade da morte. Nada que é humano é estranho a Philip Roth – o maior escritor vivo, na minha opinião. Por tudo isso, largue aquele romance metido a inteligente do Paul Auster e saia correndo para comprar o primeiro livro do Philip Roth que encontrar. Qualquer um. Você não vai se arrepender


