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outubro 30, 2006
Índio quer apito?
outubro 24, 2006
Velha, velha, velha ...

Tirem essas mãos esquerdistas daí, bloody petistas!
... mas talvez alguém não conheça. E possivelmente é real
Banheiro da Câmara dos Comuns, Parlamento Britânico - anos do pós-Guerra
Clement Attlee, primeiro-ministro trabalhista, que estatizou as principais indústrias britânicas, está quieto fazendo seu xixizinho quando percebe Churchill passar por ele e dirigir-se ao último mictório, no ponto mais afastado possível. Attlee se irrita. Afinal, apesar de toda a confrontação ideológica, o trato entre ele e o ex-primeiro ministro conservador costuma ser civilizado. Quando Churchill passa de volta, é chamado às falas. "C'mon Winston, o que é isso? Sempre tivemos um bom relacionamento, independentemente das disputas políticas. Você passa por mim e vai mijar lá no último mictório da fila? Que desfeita!"
Churchill olha para Attlee, e apressa-se a desfazer o mal entendido. "Não, meu caro, não é nada do que você está pensando. Continuo prezando-o tanto quanto sempre o fiz. É só uma medida de precaução, entende? É que vocês, trabalhistas, quando vêem alguma coisa grande, e que funciona bem, querem logo estatizar"
PS: Este post eu devo ao meu pai

Tirem essas mãos esquerdistas daí, bloody petistas!
... mas talvez alguém não conheça. E possivelmente é real
Banheiro da Câmara dos Comuns, Parlamento Britânico - anos do pós-Guerra
Clement Attlee, primeiro-ministro trabalhista, que estatizou as principais indústrias britânicas, está quieto fazendo seu xixizinho quando percebe Churchill passar por ele e dirigir-se ao último mictório, no ponto mais afastado possível. Attlee se irrita. Afinal, apesar de toda a confrontação ideológica, o trato entre ele e o ex-primeiro ministro conservador costuma ser civilizado. Quando Churchill passa de volta, é chamado às falas. "C'mon Winston, o que é isso? Sempre tivemos um bom relacionamento, independentemente das disputas políticas. Você passa por mim e vai mijar lá no último mictório da fila? Que desfeita!"
Churchill olha para Attlee, e apressa-se a desfazer o mal entendido. "Não, meu caro, não é nada do que você está pensando. Continuo prezando-o tanto quanto sempre o fiz. É só uma medida de precaução, entende? É que vocês, trabalhistas, quando vêem alguma coisa grande, e que funciona bem, querem logo estatizar"
PS: Este post eu devo ao meu pai
outubro 23, 2006
Guia do moderno político brasileiro

Subestimamos o hômi
Regras para ganhar eleições e se manter no poder:
1) Seja carismático (tem que cuspir, coçar o saco, ter chulé e bafo)
2) Pratique uma política econômica ortodoxa (basta chamar os caras mais chatos e pernósticos da Nação, que eles cuidam disso)
3) Seja escroto sem culpa (sugiro começar esganando pintinhos e subir os degraus da escala biológica até os humanos)
4) Jamais admita erros ou pecados (“não é nada disso que vocês estão pensando”)
5) Extermine a auto-crítica (cercar-se de puxa-sacos é um bom começo)
E lembre-se sempre do que disse o Nelson Rodrigues:
Você pode não saber por que está mentindo; mas o eleitor sabe por que está acreditando

Subestimamos o hômi
Regras para ganhar eleições e se manter no poder:
1) Seja carismático (tem que cuspir, coçar o saco, ter chulé e bafo)
2) Pratique uma política econômica ortodoxa (basta chamar os caras mais chatos e pernósticos da Nação, que eles cuidam disso)
3) Seja escroto sem culpa (sugiro começar esganando pintinhos e subir os degraus da escala biológica até os humanos)
4) Jamais admita erros ou pecados (“não é nada disso que vocês estão pensando”)
5) Extermine a auto-crítica (cercar-se de puxa-sacos é um bom começo)
E lembre-se sempre do que disse o Nelson Rodrigues:
Você pode não saber por que está mentindo; mas o eleitor sabe por que está acreditando
outubro 20, 2006
Nos bastidores do Torre

Duelo de titãs - Non-stop brainstorming Tower
Para saciar a curiosidade de nossos leitores, resolvemos publicar uma pequena amostra da intensa troca de idéias que ocorre nos bastidores do Torre de Marfim. O diálogo abaixo é um exemplo do que se passa diariamente nas modestas instalações do blog. Quem se lembrar dos embates intelectuais entre Settembrini e Naphta n’ A montanha mágica não cometerá nenhum exagero
Matamoros: Eu sempre achei que toda Isadora, Natália ou Camila fosse gostosa, até que trabalhei com uma Camila que era tão feia que derrubou minha tese preferida de mesa de bar
Arranhaponte: E quais são os nomes de mocréia?
Matamoros: Gislaine, Rosicleide, Judith, Janete
Arranhaponte: Já comi uma Judith, eu acho. Húngara. E baranga. Mas estou na dúvida se o nome era este mesmo
Matamoros: Minha série "confesso que comi" é bem mais limitada que a sua. Todo mundo diz que as húngaras são lindas. Você foi logo comer uma feia?
Arranhaponte: Pelo menos ela fazia um goulash maravilhoso
Matamoros: Por falar em húngaros, estou lendo As brasas, um livro do Sándor Márai
Arranhaponte: É bom?
Matamoros: É bem interessante. Mas talvez seja o efeito do contraste com O Ateneu. Li metade, esbarrei em algumas partes insuportáveis e larguei no meio
Arranhaponte: Eu conheço um cara, gay com pretensões a cineasta, que dizia há 25 anos que queria fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu. Encontrei-o por acaso 25 anos depois e, meio de gozação, perguntei como ia o projeto d 'O Ateneu. Ele me respondeu seriamente, dizendo que queria fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu. Concluí que O Ateneu é coisa de gay (não é um raciocínio de lógica retilínea, admito)
Matamoros: Você não errou, não. Na parte que eu li, o protagonista resiste ao assédio de um colega de internato mais velho, mas há um clima gay bastante óbvio. E eu também sempre achei que o Raul Pompéia fosse gay. No colegial, o livro de literatura falava que o Raul Pompéia era hipersensível. Um amigo meu vaticinou: “Hipersensível? Era viado”. E largar o livro no meio, não é uma coisa de viado?
Arranhaponte: Viado não largaria no meio. Antigamente viado era chamado de hipersensível. Tchaikowksy, por exemplo, era hipersensível
Matamoros: Esse seu amigo, aliás, seria ótimo para ser personagem coadjuvante de um filme. O protagonista o encontra em dois momentos, aos 20 e aos 45, depois de 25 anos morando fora do Brasil, e o sujeito continua com o mesmo projeto. Mas o cara faz alguma coisa além de ser o seu amigo gay que quer fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu?
Arranhaponte: Acho que não. Deus reservou a ele apenas uma ponta

Duelo de titãs - Non-stop brainstorming Tower
Para saciar a curiosidade de nossos leitores, resolvemos publicar uma pequena amostra da intensa troca de idéias que ocorre nos bastidores do Torre de Marfim. O diálogo abaixo é um exemplo do que se passa diariamente nas modestas instalações do blog. Quem se lembrar dos embates intelectuais entre Settembrini e Naphta n’ A montanha mágica não cometerá nenhum exagero
Matamoros: Eu sempre achei que toda Isadora, Natália ou Camila fosse gostosa, até que trabalhei com uma Camila que era tão feia que derrubou minha tese preferida de mesa de bar
Arranhaponte: E quais são os nomes de mocréia?
Matamoros: Gislaine, Rosicleide, Judith, Janete
Arranhaponte: Já comi uma Judith, eu acho. Húngara. E baranga. Mas estou na dúvida se o nome era este mesmo
Matamoros: Minha série "confesso que comi" é bem mais limitada que a sua. Todo mundo diz que as húngaras são lindas. Você foi logo comer uma feia?
Arranhaponte: Pelo menos ela fazia um goulash maravilhoso
Matamoros: Por falar em húngaros, estou lendo As brasas, um livro do Sándor Márai
Arranhaponte: É bom?
Matamoros: É bem interessante. Mas talvez seja o efeito do contraste com O Ateneu. Li metade, esbarrei em algumas partes insuportáveis e larguei no meio
Arranhaponte: Eu conheço um cara, gay com pretensões a cineasta, que dizia há 25 anos que queria fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu. Encontrei-o por acaso 25 anos depois e, meio de gozação, perguntei como ia o projeto d 'O Ateneu. Ele me respondeu seriamente, dizendo que queria fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu. Concluí que O Ateneu é coisa de gay (não é um raciocínio de lógica retilínea, admito)
Matamoros: Você não errou, não. Na parte que eu li, o protagonista resiste ao assédio de um colega de internato mais velho, mas há um clima gay bastante óbvio. E eu também sempre achei que o Raul Pompéia fosse gay. No colegial, o livro de literatura falava que o Raul Pompéia era hipersensível. Um amigo meu vaticinou: “Hipersensível? Era viado”. E largar o livro no meio, não é uma coisa de viado?
Arranhaponte: Viado não largaria no meio. Antigamente viado era chamado de hipersensível. Tchaikowksy, por exemplo, era hipersensível
Matamoros: Esse seu amigo, aliás, seria ótimo para ser personagem coadjuvante de um filme. O protagonista o encontra em dois momentos, aos 20 e aos 45, depois de 25 anos morando fora do Brasil, e o sujeito continua com o mesmo projeto. Mas o cara faz alguma coisa além de ser o seu amigo gay que quer fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu?
Arranhaponte: Acho que não. Deus reservou a ele apenas uma ponta
Tower Consulting Partners

O mundo em suas mãos. Procure um de nossos consultores
E o TCP acrescenta mais três cenários para o Brasil no relatório 'Projeções 2007/2010'
- Algo entre as previsões matamôricas e as arranhapônticas
- Desastre total
- Euforia, boom e maná jorrando
Estamos confiantes no nosso taco
PS: Matamoros, não seria o caso de fechar o blog e cobrar pelo acesso? Nossos leitores podem fazer fortunas no mercado financeiro com estas dicas futurológicas

O mundo em suas mãos. Procure um de nossos consultores
E o TCP acrescenta mais três cenários para o Brasil no relatório 'Projeções 2007/2010'
- Algo entre as previsões matamôricas e as arranhapônticas
- Desastre total
- Euforia, boom e maná jorrando
Estamos confiantes no nosso taco
PS: Matamoros, não seria o caso de fechar o blog e cobrar pelo acesso? Nossos leitores podem fazer fortunas no mercado financeiro com estas dicas futurológicas
outubro 19, 2006
Previsões matamôricas

Um futuro medíocre para um país medíocre
1) Lula vai ganhar com as quatro patas nas costas
2) Nos próximos anos, o Brasil vai crescer em média cerca de 3%. Num ano em que o cenário externo estiver bem, o crescimento pode ser um pouco mais alto do que esse. Quando a situação internacional estiver mal, a expansão do PIB será menor, ficando mais próxima da média de 2,5% dos últimos 15 anos
3) Como o Estado já está inchado demais, o governo fará algum corte de gastos no ano que vem para manter algum controle sobre a questão fiscal. Como sempre, a solução será uma meia sola que não vai atacar os problemas mais graves, como a Previdência – Fábio Giambiagi, aliás, vai atear fogo em si mesmo na Praça dos Três Poderes, em protesto contra a não definição de uma idade mínima para a aposentadoria. O grande colapso final será evitado, mas nenhuma medida que realmente resolva o problema será adotada. O país vai continuar gastando muito, a carga tributária vai se manter elevadíssima e o investimento público vai permanecer em níveis irrisórios
4) O PT fará cagadas que complicarão a governabilidade de Lula. O Guia Genial dirá que não sabia de nada. Como de costume, vários ministros serão afastados. Guido Mantega terá de deixar a Fazenda, o que fará o risco-Brasil despencar. O ministro será substituído por um aluno do terceiro ano de Economia da Unicamp. Ninguém notará a diferença
5) A política externa também manterá sua orientação terceiro-mundista, privilegiando relações com países da América Latina, da África e da Ásia. Suriname, as Guianas e Trinidad Tobago vão ingressar no Mercosul. Enquanto isso, países como o Chile vão assinar o maior número de acordos bilaterais de comércio que puderem, principalmente para obter acesso aos mercados desenvolvidos
6) A disputa eleitoral em 2010 será acirrada. O desempenho da economia não será tão bom para Lula fazer seu sucessor com folga nem tão ruim para a oposição eleger seu candidato com facilidade. Como de costume, todos os candidatos adotarão um discurso de esquerda. O candidato do PSDB fará uma tatuagem no braço com o símbolo de todas as estatais, para evitar qualquer acusação de privatista. Mesmo assim, o candidato apoiado por Lula continuará a dizer que a oposição pretende privatizar tudo, da Petrobras ao Palácio do Planalto, passando pela Granja do Torto e o Banco Central
Enfim, aposto que teremos mais quatro anos de mediocridade. O crescimento será um pouco melhor do que nos últimos anos porque as contas externas estão bem mais sólidas e a inflação vai se estabilizar num nível bem mais baixo, combinação que abre espaço para quedas mais fortes dos juros. As grandes restrições ao crescimento, porém, não vão ser atacadas. A incapacidade de o país discutir e resolver seus problemas mais graves, como o tamanho do Estado, vai impedir que o Grande Paraguai cresça a um ritmo mais forte. Medidas que melhorem o ambiente de negócios, como a redução da burocracia para se abrir uma empresa, não serão adotadas. As incertezas em setores como o de energia elétrica vão continuar, inibindo o investimento privado. Esse cenário de mediocridade benigna - se é que isso existe - pode nem mesmo ser concretizado se houver alguma piora significativa no quadro internacional. Lula pegou quatro anos de calmaria na economia global. Se houver alguma turbulência, o Guia Genial não vai ter a mínima idéia do que fazer

Um futuro medíocre para um país medíocre
1) Lula vai ganhar com as quatro patas nas costas
2) Nos próximos anos, o Brasil vai crescer em média cerca de 3%. Num ano em que o cenário externo estiver bem, o crescimento pode ser um pouco mais alto do que esse. Quando a situação internacional estiver mal, a expansão do PIB será menor, ficando mais próxima da média de 2,5% dos últimos 15 anos
3) Como o Estado já está inchado demais, o governo fará algum corte de gastos no ano que vem para manter algum controle sobre a questão fiscal. Como sempre, a solução será uma meia sola que não vai atacar os problemas mais graves, como a Previdência – Fábio Giambiagi, aliás, vai atear fogo em si mesmo na Praça dos Três Poderes, em protesto contra a não definição de uma idade mínima para a aposentadoria. O grande colapso final será evitado, mas nenhuma medida que realmente resolva o problema será adotada. O país vai continuar gastando muito, a carga tributária vai se manter elevadíssima e o investimento público vai permanecer em níveis irrisórios
4) O PT fará cagadas que complicarão a governabilidade de Lula. O Guia Genial dirá que não sabia de nada. Como de costume, vários ministros serão afastados. Guido Mantega terá de deixar a Fazenda, o que fará o risco-Brasil despencar. O ministro será substituído por um aluno do terceiro ano de Economia da Unicamp. Ninguém notará a diferença
5) A política externa também manterá sua orientação terceiro-mundista, privilegiando relações com países da América Latina, da África e da Ásia. Suriname, as Guianas e Trinidad Tobago vão ingressar no Mercosul. Enquanto isso, países como o Chile vão assinar o maior número de acordos bilaterais de comércio que puderem, principalmente para obter acesso aos mercados desenvolvidos
6) A disputa eleitoral em 2010 será acirrada. O desempenho da economia não será tão bom para Lula fazer seu sucessor com folga nem tão ruim para a oposição eleger seu candidato com facilidade. Como de costume, todos os candidatos adotarão um discurso de esquerda. O candidato do PSDB fará uma tatuagem no braço com o símbolo de todas as estatais, para evitar qualquer acusação de privatista. Mesmo assim, o candidato apoiado por Lula continuará a dizer que a oposição pretende privatizar tudo, da Petrobras ao Palácio do Planalto, passando pela Granja do Torto e o Banco Central
Enfim, aposto que teremos mais quatro anos de mediocridade. O crescimento será um pouco melhor do que nos últimos anos porque as contas externas estão bem mais sólidas e a inflação vai se estabilizar num nível bem mais baixo, combinação que abre espaço para quedas mais fortes dos juros. As grandes restrições ao crescimento, porém, não vão ser atacadas. A incapacidade de o país discutir e resolver seus problemas mais graves, como o tamanho do Estado, vai impedir que o Grande Paraguai cresça a um ritmo mais forte. Medidas que melhorem o ambiente de negócios, como a redução da burocracia para se abrir uma empresa, não serão adotadas. As incertezas em setores como o de energia elétrica vão continuar, inibindo o investimento privado. Esse cenário de mediocridade benigna - se é que isso existe - pode nem mesmo ser concretizado se houver alguma piora significativa no quadro internacional. Lula pegou quatro anos de calmaria na economia global. Se houver alguma turbulência, o Guia Genial não vai ter a mínima idéia do que fazer
outubro 18, 2006
Previsões arranhapônticas

Também posso ler seu futuro nas entranhas de animais
(Blog é bom porque a gente não precisa registrar em cartório)
1) Lula vai ganhar de forma acachapante (esta é fácil)
2) O governo Lula II vai ser um sucesso. A economia vai crescer bem mais do que a média das últimas décadas, e haverá avanços lentos, mas marqueteáveis, na área social, educacional, etc
3) O Estado vai ficar inchado. Isto só será percebido como um estorvo daqui a vários anos, quando o entusiasmo associado ao ciclo de crescimento que está sendo iniciado se arrefecer. Neste momento, será talvez possível surgir uma força de centro-direita eficaz no país
4) Lula será um puta eleitor ao final de seu mandato. Se pegar um Jacques Wagner da vida ou qualquer outro petista de destaque, vai dar um trabalhão para o Aécio ou para o Serra
5) Os que odeiam Lula ficarão ressentidos e amargos (mais ainda do que já estão)
Uma breve explicação para este conjunto de previsões. O governo FH, principalmento o segundo, e a gestão Palocci fizeram o trabalho sujo que lançou as bases para o bom desempenho da economia que está começando neste momento. Ajuste fiscal, arrocho monetário, contenção de salários na máquina pública, reformas da Previdência, privatização, etc. O PT demonizou tudo isto, e, chegando ao Poder, manteve de forma ardilosa, ou por sorte, ou por uma combinação das duas coisas, aquilo que era necessário para estabilizar a economia.
Agora, grande parte do que já foi feito e não é mais necessário pode ser demonizado novamente, exatamente porque não é mais necessário. É o caso das privatizações. O PSDB será sempre acusado de ter feito o trabalho sujo, que prejudicou o Brasil, já que, quando saiu do poder, os bônus do trabalho sujo ainda não estavam sendo colhidos. E o Lula, cuja colheita dos bônus começa agora, e vai aumentar muito mais, sempre poderá dizer que ele lançou as bases para tudo de bom que está acontecendo.
É como um paciente que é tratado por dois médicos sucessivamente. O primeiro salva a vida do paciente, mas o deixa ainda em condições precárias. O segundo pega o paciente convalescente e o traz de volta à saúde plena. O segundo acusa o primeiro de ter entregado um paciente em péssimo estado, e se vangloria de tê-lo curado. Todo mundo acredita. Mas o que curou efetivamente foi o tratamento iniciado pelo primeiro, e mantido pelo segundo.
Enfim, o Brasil vai dar certo por uns cinco a dez anos, mas com uma visão completamente equivocada sobre as razões de ter dado certo. Será que isto tem alguma implicação negativa para o futuro? Talvez não. Talvez seja assim mesmo que a humanidade caminhe

Também posso ler seu futuro nas entranhas de animais
(Blog é bom porque a gente não precisa registrar em cartório)
1) Lula vai ganhar de forma acachapante (esta é fácil)
2) O governo Lula II vai ser um sucesso. A economia vai crescer bem mais do que a média das últimas décadas, e haverá avanços lentos, mas marqueteáveis, na área social, educacional, etc
3) O Estado vai ficar inchado. Isto só será percebido como um estorvo daqui a vários anos, quando o entusiasmo associado ao ciclo de crescimento que está sendo iniciado se arrefecer. Neste momento, será talvez possível surgir uma força de centro-direita eficaz no país
4) Lula será um puta eleitor ao final de seu mandato. Se pegar um Jacques Wagner da vida ou qualquer outro petista de destaque, vai dar um trabalhão para o Aécio ou para o Serra
5) Os que odeiam Lula ficarão ressentidos e amargos (mais ainda do que já estão)
Uma breve explicação para este conjunto de previsões. O governo FH, principalmento o segundo, e a gestão Palocci fizeram o trabalho sujo que lançou as bases para o bom desempenho da economia que está começando neste momento. Ajuste fiscal, arrocho monetário, contenção de salários na máquina pública, reformas da Previdência, privatização, etc. O PT demonizou tudo isto, e, chegando ao Poder, manteve de forma ardilosa, ou por sorte, ou por uma combinação das duas coisas, aquilo que era necessário para estabilizar a economia.
Agora, grande parte do que já foi feito e não é mais necessário pode ser demonizado novamente, exatamente porque não é mais necessário. É o caso das privatizações. O PSDB será sempre acusado de ter feito o trabalho sujo, que prejudicou o Brasil, já que, quando saiu do poder, os bônus do trabalho sujo ainda não estavam sendo colhidos. E o Lula, cuja colheita dos bônus começa agora, e vai aumentar muito mais, sempre poderá dizer que ele lançou as bases para tudo de bom que está acontecendo.
É como um paciente que é tratado por dois médicos sucessivamente. O primeiro salva a vida do paciente, mas o deixa ainda em condições precárias. O segundo pega o paciente convalescente e o traz de volta à saúde plena. O segundo acusa o primeiro de ter entregado um paciente em péssimo estado, e se vangloria de tê-lo curado. Todo mundo acredita. Mas o que curou efetivamente foi o tratamento iniciado pelo primeiro, e mantido pelo segundo.
Enfim, o Brasil vai dar certo por uns cinco a dez anos, mas com uma visão completamente equivocada sobre as razões de ter dado certo. Será que isto tem alguma implicação negativa para o futuro? Talvez não. Talvez seja assim mesmo que a humanidade caminhe
outubro 17, 2006
Carta a Neville D'Almeida

O Fellini brasileiro
Caro Neville,
É com emoção que escrevo esta carta. Assisti no domingo a sua versão de Matou a família e foi ao cinema. Coisa fina. Eu tinha visto o original do Júlio Bressane. Você conseguiu o que eu achava impossível: superou o original. O seu é muito pior, e saiba que eu considerava o do Bressane imbatível. Eu já disse em muita mesa de bar que ele tinha feito o pior filme brasileiro de todos os tempos. Que nada. Você foi muito mais longe.
O seu filme tem momentos antológicos, dificilmente igualáveis:
- As seqüências em que o mendigo (?) rouba calcinhas são de um lirismo tocante, principalmente quando ele ameaça a vítima com uma garrafa quebrada
- O bêbado que mata a família depois de ser humilhado pela mulher dá um show de interpretação. É de uma sutileza incrível. Eu gostei especialmente do momento em que ele, depois de assassinar a mulher e a filha, dança ao som de uma marchinha
- Uma das minhas cenas preferidas é um diálogo entre a Cláudia Raia e a Louise Cardoso. O ponto alto é quando a Cláudia Raia diz: “Eu quero um delírio infinito. Eu quero ter uma relação cósmica com alguém”. Vai escrever bem assim no inferno
- O filme tem Alexandre Frota como o sujeito que mata a família e vai ao cinema. Não preciso dizer mais nada sobre a qualidade do elenco
- A cena do delírio (ou sonho?) da Cláudia Raia com o cavalo branco é linda. Vestida como uma pomba gira, ela acaricia lubricamente o animal e morde o dedo com uma expressão de prazer. Depois tira a saia, mostrando os pêlos pubianos. É o seu famoso bom gosto em ação, que eu já conhecia de filmes como A dama do lotação, Os sete gatinhos e Rio Babilônia (aliás, acabei de ler uma entrevista em que você, questionado sobre quais seriam as referências cinematográficas de Rio Babilônia, diz que gosta muito de A doce vida, e que sua admiração pelo filme talvez o tenha inspirado. Sabe que eu sempre achei que você fosse o Fellini brasileiro?)
- Também é delicada a cena em que a Cláudia Raia e a Louise Cardoso transam na sala, jogando leite, vinho e frutas uma na outra. Que sensualidade
- O duelo em que as duas trocam tiros é inesquecível. O sangue feito com mercurocromo é genial. Mostra que você não tem medo do ridículo, pelo contrário
- A cena em que duas adolescentes transam e são descobertas pela mãe de uma delas também é única. “Sua bruaca enrustida. Você está fodida na minha mão”, grita uma delas, que aparece com o sovaco peludo. Depois da briga, a filha mata a mãe com uma paulada na cabeça, enquanto a outra, para mostrar sua indiferença, lixa as unhas
- O grand finale é bom: você, de costas para o mar, lê um jornal cuja manchete é O povo está fudido – a inflação dispara. Que sutileza
Você escolheu um caminho difícil. Num país de cinematografia indigente, nada mais raro do que fazer um filme ruim que realmente se destaque. Com Matou a família e foi ao cinema, você superou os limites do mau gosto e da cafonice. Mas acho que você - e apenas você - pode ir além. Só Neville D'Almeida é capaz de fazer um filme pior do que os de Neville D'Almeida
Por tudo isso, aceite um cordial abraço do
Matamoros

O Fellini brasileiro
Caro Neville,
É com emoção que escrevo esta carta. Assisti no domingo a sua versão de Matou a família e foi ao cinema. Coisa fina. Eu tinha visto o original do Júlio Bressane. Você conseguiu o que eu achava impossível: superou o original. O seu é muito pior, e saiba que eu considerava o do Bressane imbatível. Eu já disse em muita mesa de bar que ele tinha feito o pior filme brasileiro de todos os tempos. Que nada. Você foi muito mais longe.
O seu filme tem momentos antológicos, dificilmente igualáveis:
- As seqüências em que o mendigo (?) rouba calcinhas são de um lirismo tocante, principalmente quando ele ameaça a vítima com uma garrafa quebrada
- O bêbado que mata a família depois de ser humilhado pela mulher dá um show de interpretação. É de uma sutileza incrível. Eu gostei especialmente do momento em que ele, depois de assassinar a mulher e a filha, dança ao som de uma marchinha
- Uma das minhas cenas preferidas é um diálogo entre a Cláudia Raia e a Louise Cardoso. O ponto alto é quando a Cláudia Raia diz: “Eu quero um delírio infinito. Eu quero ter uma relação cósmica com alguém”. Vai escrever bem assim no inferno
- O filme tem Alexandre Frota como o sujeito que mata a família e vai ao cinema. Não preciso dizer mais nada sobre a qualidade do elenco
- A cena do delírio (ou sonho?) da Cláudia Raia com o cavalo branco é linda. Vestida como uma pomba gira, ela acaricia lubricamente o animal e morde o dedo com uma expressão de prazer. Depois tira a saia, mostrando os pêlos pubianos. É o seu famoso bom gosto em ação, que eu já conhecia de filmes como A dama do lotação, Os sete gatinhos e Rio Babilônia (aliás, acabei de ler uma entrevista em que você, questionado sobre quais seriam as referências cinematográficas de Rio Babilônia, diz que gosta muito de A doce vida, e que sua admiração pelo filme talvez o tenha inspirado. Sabe que eu sempre achei que você fosse o Fellini brasileiro?)
- Também é delicada a cena em que a Cláudia Raia e a Louise Cardoso transam na sala, jogando leite, vinho e frutas uma na outra. Que sensualidade
- O duelo em que as duas trocam tiros é inesquecível. O sangue feito com mercurocromo é genial. Mostra que você não tem medo do ridículo, pelo contrário
- A cena em que duas adolescentes transam e são descobertas pela mãe de uma delas também é única. “Sua bruaca enrustida. Você está fodida na minha mão”, grita uma delas, que aparece com o sovaco peludo. Depois da briga, a filha mata a mãe com uma paulada na cabeça, enquanto a outra, para mostrar sua indiferença, lixa as unhas
- O grand finale é bom: você, de costas para o mar, lê um jornal cuja manchete é O povo está fudido – a inflação dispara. Que sutileza
Você escolheu um caminho difícil. Num país de cinematografia indigente, nada mais raro do que fazer um filme ruim que realmente se destaque. Com Matou a família e foi ao cinema, você superou os limites do mau gosto e da cafonice. Mas acho que você - e apenas você - pode ir além. Só Neville D'Almeida é capaz de fazer um filme pior do que os de Neville D'Almeida
Por tudo isso, aceite um cordial abraço do
Matamoros
Nasci no país errado

Estou plagiando o Matamoros
Está no Noblat, e não tenho razões para duvidar de que seja a dura verdade:
"A maioria dos brasileiros tem horror à privatização. Isso está em todas as pesquisas de opinião pública disponíveis. Ama o Estado. E espera que ele resolva seus problemas."
PS: Aquele cara empalado em cima à esquerda é um petista que gosta de Estado grande

Estou plagiando o Matamoros
Está no Noblat, e não tenho razões para duvidar de que seja a dura verdade:
"A maioria dos brasileiros tem horror à privatização. Isso está em todas as pesquisas de opinião pública disponíveis. Ama o Estado. E espera que ele resolva seus problemas."
PS: Aquele cara empalado em cima à esquerda é um petista que gosta de Estado grande
outubro 13, 2006
Nossa nudez foi premiada

"E possuí então a morena de pernas bem torneadas"
Nos meus pouco mais de 35 anos, eu não tive nenhuma profissão esdrúxula. Não fui caixeiro viajante, cafetão ou camelô. A narrativa de minha vida profissional só não é totalmente monótona porque, durante alguns meses de 1995, fiz a revisão dos relatos de experiências sexuais verídicas dos leitores da Big Man Internacional (era internacional mesmo, e não international, mas não me pergunte o motivo).
Sim, meus amigos, há gente que envia histórias de suas aventuras sexuais para o fórum de leitores de revistas pornográficas como a respeitada e extinta Big Man Internacional. Como a maior parte das pessoas, eu acreditava que elas eram criadas por algum funcionário da revista. "Quem é que vai ter o trabalho de escrever e enviar essas bobagens?", pensava então um ingênuo Matamoros.
Mas eu estava enganado, como descobri no dia em que um colega de trabalho perguntou se eu não queria ganhar um dinheirinho extra, copidescando uns “textos diferentes”. Eu fiquei interessado e perguntei o que eram os “textos diferentes”. Ele tirou da mala um exemplar da Big Man Internacional, abriu na página de um relato e disse: "É revisar as cartas que os leitores mandam", explicou. Achei que ele estava me sacaneando, mas logo percebi que o meu amigo falava sério. Atrasado com o fechamento, ele me passou umas cinco cartas e um exemplar, para ter uma idéia de que "tom" eu deveria dar aos relatos.

"E possuí então a morena de pernas bem torneadas"
Nos meus pouco mais de 35 anos, eu não tive nenhuma profissão esdrúxula. Não fui caixeiro viajante, cafetão ou camelô. A narrativa de minha vida profissional só não é totalmente monótona porque, durante alguns meses de 1995, fiz a revisão dos relatos de experiências sexuais verídicas dos leitores da Big Man Internacional (era internacional mesmo, e não international, mas não me pergunte o motivo).
Sim, meus amigos, há gente que envia histórias de suas aventuras sexuais para o fórum de leitores de revistas pornográficas como a respeitada e extinta Big Man Internacional. Como a maior parte das pessoas, eu acreditava que elas eram criadas por algum funcionário da revista. "Quem é que vai ter o trabalho de escrever e enviar essas bobagens?", pensava então um ingênuo Matamoros.
Mas eu estava enganado, como descobri no dia em que um colega de trabalho perguntou se eu não queria ganhar um dinheirinho extra, copidescando uns “textos diferentes”. Eu fiquei interessado e perguntei o que eram os “textos diferentes”. Ele tirou da mala um exemplar da Big Man Internacional, abriu na página de um relato e disse: "É revisar as cartas que os leitores mandam", explicou. Achei que ele estava me sacaneando, mas logo percebi que o meu amigo falava sério. Atrasado com o fechamento, ele me passou umas cinco cartas e um exemplar, para ter uma idéia de que "tom" eu deveria dar aos relatos.
A maior parte das cartas era escrita à mão, em português péssimo. Além de mal escritas, algumas não conseguiam nem ao menos ter uma história razoavelmente coerente. Como a Big Man Internacional não era espaço para experimentos lingüísticos e narrativos, eu tinha de colocar alguma ordem nos relatos. "Mas respeite o espírito do original, se não os caras reclamam que a gente deturpa", recomendava o meu amigo.
Havia algumas exceções. Lembro até hoje de um relato muito bem escrito, intitulado Nossa nudez foi premiada. O sujeito, que gostava de ver sua mulher transando com outros, podia ser corno, mas sabia escrever.
É claro que alguns leitores mentiam bastante. Acho que uns 40% inventavam a história inteira. Nesses casos, a estrutura da carta era quase sempre a mesma. O sujeito estava em sua oficina mecânica, por exemplo, à espera de algum cliente. De repente, uma mulher com rosto lindo e corpo escultural chegava, reclamava dos problemas do seu carro e, sem mais nem menos, pedia para ser possuída em cima do capô. Também era muito comum o leitor que se via constrangido a transar com a cunhada ou com a sogra, ou a leitora que era seduzida pelo cunhado ou pelo sogro – em uma das histórias, uma leitora cedia ao assédio do avô do marido, que preferia pescar com os amigos de infância a cumprir suas obrigações conjugais – como ela escreveu.
Mas muitos relatos pareciam verdadeiros, ou pelo menos eram bastante verossímeis, ainda que nunca aparecesse mulher feia nas histórias. Aliás, em 99% dos relatos, as mulheres tinham pernas bem torneadas, e os homens eram sempre bem dotados.
Apesar das freqüentes menções a pernas bem torneadas, a linguagem era a mais chula possível. Algumas histórias fariam enrubescer até o mais desbocado dos borracheiros.
O código de ética da Big Man Internacional era rígido para uma revista pornográfica. Era proibido aparecer menor de idade. Se a carta citava alguém com 14, 15 ou 16 anos, nós mudávamos para 18. Incesto também não podia de jeito nenhum. Um veto curioso era à menção de marcas comerciais. Ninguém transava num Gol ou num Palio, por exemplo; o sexo ocorria "em um carro". “É melhor tomar cuidado. Uma vez um shopping center quase processou a revista porque apareceu numa história”, explicava o meu amigo.
Muitos leitores usavam os relatos para conhecer parceiras, enviando o número de uma caixa postal para receber cartas. Para evitar fraudes, era obrigatório mandar a cópia do recibo de pagamento da caixa postal e um xerox da carteira de identidade. Era bastante divertido ver que sujeitos feios como o diabo conquistavam mulheres lindas, com corpos esculturais e, claro, pernas bem torneadas.
Depois de uns seis meses, o meu salário aumentou, passei a trabalhar mais e tive de abrir mão da revisão das cartas. O meu amigo insistiu por algum tempo para que eu continuasse, mas tive de desistir. A grana não era muita, mas era um trabalho divertido. Bons tempos!
outubro 12, 2006
De volta à resplandecente Torre II

E pensar que pensamos em política

E pensar que pensamos em política
outubro 11, 2006
Conspirações

Foi o PSDB, foi o PSDB!
Teorias conspiratórias não são comigo. Eu reconheço, porém, que algumas delas até têm um certo charme, por serem pretensamente sofisticadas. É atraente acreditar que John Kennedy morreu assassinado por uma conspiração que reunia Lyndon Johnson, cubanos anticastristas, a máfia americana, Darth Vader, Jorge Bornhausen e o negrinho do pastoreio, se eu entendi bem o filme do Oliver Stone. A verdade, porém, costuma ser mais simples e monótona. Acho que Lee Harvey Oswald matou Kennedy sozinho.
Há outras teorias conspiratórias que, de tão ridículas, são divertidas. Eu já vi mais de um sujeito dizer, com aquele ar de inteligente, que foi George W. Bush que arquitetou os atentados de 11 de setembro. “Ou você acha que foi o Bin Laden?”, me dizia um amigo, acreditando piamente que os ataques visavam beneficiar a indústria bélica americana. Ah, e o Mossad deu uma ajudazinha, é óbvio.
A teoria conspiratória da moda é que o dossiê contra Serra foi armado pelo PSDB, como garante gente séria como Marco Aurélio Garcia, Tarso Genro e Ciro Gomes. A versão, claro, é estapafúrdia e safada. Não é nem pretensamente sofisticada para ter algum charme e nem suficientemente ridícula para ser divertida.
Todos os fãs de teorias conspiratórias que eu conheci eram um pouco paranóicos ou se achavam mais inteligentes do que realmente eram. Para acreditar na tese petista, porém, é necessário ser paranóico num nível clínico ou ser muito burro. Como a versão parece convencer muita gente por aqui, a conclusão inescapável é de que o Brasil é um país de Ubaldos e de estúpidos - e também de safados. Para acreditar nela, é indispensável uma boa dose de má fé

Foi o PSDB, foi o PSDB!
Teorias conspiratórias não são comigo. Eu reconheço, porém, que algumas delas até têm um certo charme, por serem pretensamente sofisticadas. É atraente acreditar que John Kennedy morreu assassinado por uma conspiração que reunia Lyndon Johnson, cubanos anticastristas, a máfia americana, Darth Vader, Jorge Bornhausen e o negrinho do pastoreio, se eu entendi bem o filme do Oliver Stone. A verdade, porém, costuma ser mais simples e monótona. Acho que Lee Harvey Oswald matou Kennedy sozinho.
Há outras teorias conspiratórias que, de tão ridículas, são divertidas. Eu já vi mais de um sujeito dizer, com aquele ar de inteligente, que foi George W. Bush que arquitetou os atentados de 11 de setembro. “Ou você acha que foi o Bin Laden?”, me dizia um amigo, acreditando piamente que os ataques visavam beneficiar a indústria bélica americana. Ah, e o Mossad deu uma ajudazinha, é óbvio.
A teoria conspiratória da moda é que o dossiê contra Serra foi armado pelo PSDB, como garante gente séria como Marco Aurélio Garcia, Tarso Genro e Ciro Gomes. A versão, claro, é estapafúrdia e safada. Não é nem pretensamente sofisticada para ter algum charme e nem suficientemente ridícula para ser divertida.
Todos os fãs de teorias conspiratórias que eu conheci eram um pouco paranóicos ou se achavam mais inteligentes do que realmente eram. Para acreditar na tese petista, porém, é necessário ser paranóico num nível clínico ou ser muito burro. Como a versão parece convencer muita gente por aqui, a conclusão inescapável é de que o Brasil é um país de Ubaldos e de estúpidos - e também de safados. Para acreditar nela, é indispensável uma boa dose de má fé
outubro 10, 2006
De volta à resplandecente Torre

This is indeed a very auburn tempest, and I am leaving you guys
Eu não acredito em tucano (sou muito mais de direita)
Eu não acredito em Alckmin
Eu não acredito no povo brasileiro
Senhor, apiedai-vos deste humílimo servo, e concedei-lhe a suprema graça da ALIENAÇÃO

This is indeed a very auburn tempest, and I am leaving you guys
Eu não acredito em tucano (sou muito mais de direita)
Eu não acredito em Alckmin
Eu não acredito no povo brasileiro
Senhor, apiedai-vos deste humílimo servo, e concedei-lhe a suprema graça da ALIENAÇÃO
Pérolas da lógica petista

E o traíra ainda jogou a culpa no Silvério
Tiradentes agia a serviço da Coroa Portuguesa, vocês sabiam? É claro, minha gente, pensem como um bom petista. Quem foi beneficiado com o desbaratamento da Inconfidência? Hein, quem? Quem, tucanada nojenta???!!! Evidentemente, não foram os brasileiros favoráveis à independência. Portugal saiu ganhando, é claro, e fica provado que a Inconfidência foi armação da Coroa. Da mesma forma, o desbaratamento da conspiração do dossiê beneficiou o Alckmin. E, portanto, o PSDB é o culpado

E o traíra ainda jogou a culpa no Silvério
Tiradentes agia a serviço da Coroa Portuguesa, vocês sabiam? É claro, minha gente, pensem como um bom petista. Quem foi beneficiado com o desbaratamento da Inconfidência? Hein, quem? Quem, tucanada nojenta???!!! Evidentemente, não foram os brasileiros favoráveis à independência. Portugal saiu ganhando, é claro, e fica provado que a Inconfidência foi armação da Coroa. Da mesma forma, o desbaratamento da conspiração do dossiê beneficiou o Alckmin. E, portanto, o PSDB é o culpado
Cry baby, cry

Alckmin foi mau feito pica-pau
Tadinho do Lula. E isso lá é jeito de tratar gente humilde?

Alckmin foi mau feito pica-pau
Tadinho do Lula. E isso lá é jeito de tratar gente humilde?
outubro 09, 2006
A Pobreza das Nações

Celso Furtado não ganhou o Nobel por pura injustiça
O De Gustibus traz um post (é o segundo, 'por que o Brasil não cresce?) que confirma uma cara tese arranhapôntica (só interessam as três primeiras frases deste post antigo)

Celso Furtado não ganhou o Nobel por pura injustiça
O De Gustibus traz um post (é o segundo, 'por que o Brasil não cresce?) que confirma uma cara tese arranhapôntica (só interessam as três primeiras frases deste post antigo)
Toda animação será castigada

Matamoros observa o cenário político
Meu caro co-blogueiro, é impressionante a sua capacidade de resistir ao arrastão do me engana que eu gosto. E você tem razão. Eu, por exemplo, sucumbi. E torci pelo Alckmin como o mais vil dos flamenguistas. Life is only sham and deception

Matamoros observa o cenário político
Meu caro co-blogueiro, é impressionante a sua capacidade de resistir ao arrastão do me engana que eu gosto. E você tem razão. Eu, por exemplo, sucumbi. E torci pelo Alckmin como o mais vil dos flamenguistas. Life is only sham and deception
outubro 08, 2006
O Leviatã

Saturno devorando um filho, ou o Estado brasileiro em ação
A tática do PT de dizer que Geraldo Alckmin vai demitir funcionários públicos e privatizar estatais mostra o nível do debate público no Grande Paraguai. Duas medidas que ajudariam bastante o Brasil a ser um país menos medíocre são usadas pelos petistas como uma “ameaça ao povo brasileiro”. Acuado, Alckmin rapidamente desmentiu os petistas, e disse que não passa pela sua cabeça cortar funcionários ou vender estatais. É claro que é complicado para um candidato dizer que vai demitir servidores a alguns dias das eleições. Não dava para esperar outra reação de Alckmin. A questão é que o tucano também negou que pretenda fazer privatizações, sem nem sequer dizer que a idéia pode ser interessante em determinados setores. Ficou claro mais uma vez o temor dos políticos em defender medidas que signifiquem uma redução do tamanho do Estado. O brasileiro parece gostar mesmo é de um governo grande, gordo, paternalista e gastador.
Eu sei que não há condições políticas atualmente de se tentar vender empresas como a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, ainda que pelo menos a privatização dos dois bancos seria mais do que bem vinda. O que me deixa surpreso é que Alckmin não tem peito de defender uma medida importante para melhorar a eficiência da economia e que foi bem sucedida quando adotada pelo governo Fernando Henrique. Não me parece difícil convencer a população de que a privatização das telecomunicações é um exemplo claro de que vender estatais pode melhorar significativamente a vida das pessoas. Em vez de uma espera de anos por um telefone fixo, hoje a instalação demora poucos dias. É um argumento bastante simples e nada ideológico - que pelo menos o tucano citou de passagem no debate.
Mesmo assim, os petistas têm demonizado a privatização, aparentemente com sucesso, como indica a reação de Alckmin. Defender a venda de estatais ineficientes e sem capacidade de investimento virou motivo de vergonha. Como se vê, a discussão de idéias proporcionada pelo segundo turno é de uma riqueza impressionante. Por tudo isso, quando disserem que o Brasil é uma merda, não acredite. Para se tornar uma merda, o país tem que melhorar muito

Saturno devorando um filho, ou o Estado brasileiro em ação
A tática do PT de dizer que Geraldo Alckmin vai demitir funcionários públicos e privatizar estatais mostra o nível do debate público no Grande Paraguai. Duas medidas que ajudariam bastante o Brasil a ser um país menos medíocre são usadas pelos petistas como uma “ameaça ao povo brasileiro”. Acuado, Alckmin rapidamente desmentiu os petistas, e disse que não passa pela sua cabeça cortar funcionários ou vender estatais. É claro que é complicado para um candidato dizer que vai demitir servidores a alguns dias das eleições. Não dava para esperar outra reação de Alckmin. A questão é que o tucano também negou que pretenda fazer privatizações, sem nem sequer dizer que a idéia pode ser interessante em determinados setores. Ficou claro mais uma vez o temor dos políticos em defender medidas que signifiquem uma redução do tamanho do Estado. O brasileiro parece gostar mesmo é de um governo grande, gordo, paternalista e gastador.
Eu sei que não há condições políticas atualmente de se tentar vender empresas como a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, ainda que pelo menos a privatização dos dois bancos seria mais do que bem vinda. O que me deixa surpreso é que Alckmin não tem peito de defender uma medida importante para melhorar a eficiência da economia e que foi bem sucedida quando adotada pelo governo Fernando Henrique. Não me parece difícil convencer a população de que a privatização das telecomunicações é um exemplo claro de que vender estatais pode melhorar significativamente a vida das pessoas. Em vez de uma espera de anos por um telefone fixo, hoje a instalação demora poucos dias. É um argumento bastante simples e nada ideológico - que pelo menos o tucano citou de passagem no debate.
Mesmo assim, os petistas têm demonizado a privatização, aparentemente com sucesso, como indica a reação de Alckmin. Defender a venda de estatais ineficientes e sem capacidade de investimento virou motivo de vergonha. Como se vê, a discussão de idéias proporcionada pelo segundo turno é de uma riqueza impressionante. Por tudo isso, quando disserem que o Brasil é uma merda, não acredite. Para se tornar uma merda, o país tem que melhorar muito
outubro 07, 2006
Assanhadamente sub-kantianos

Deliberações da Executiva Nacional do PT
Aqui (o que está em cima, mas o de baixo também vale) e acolá

Deliberações da Executiva Nacional do PT
Aqui (o que está em cima, mas o de baixo também vale) e acolá
Eu e o Islã

Bem feito! Bem feito!
Tem coisas que nunca se apagam da nossa memória. Êta frase banal para começar um post. Mas é mais sutil (embora nem tanto quanto eu gostaria). Tem coisas que nunca se apagam e nunca entendemos por que não se apagam. São absolutamente sem importância, mas curiosamente provocam sempre o mesmo prazer, inexplicável, indelével. Não são tórridas noites de amor, emoções inesquecíveis, nada disso. Os grandes momentos arrefecem com o tempo. O que fica mesmo são as bogabens divertidas que, por alguma razão misteriosa, ganham uma posição privilegiada, quase imperial, na nossa psique.
Então aí vai uma delas. Jamais vou me esquecer dos xingamentos do Emir Ben Kalish Ezab de Khemed, dirigidos ao sheik Bal el Ehr, que tinha raptado o seu filho Abdallah, uma das mais divertidas pestes supermimadas da história da ficção. Está no "Ouro Negro" do Tintin.
Na bela tradução portuguesa de Portugal:
"Bal el Ehr, Bal el Ehr! Filho de um cão sarnento! Neto de um chacal pelado! Bisneto de um abutre depenado! Eu te farei empalar! Te queimarei a fogo lento! Arrancarei um a um os fios da tua barba e tos farei engolir com pimenta malagueta!"
PS: Os árabes já foram mais divertidos
PS2: Caraca! (o Matamoros se amarra nesta expressão; e deve se amarrar também em 'se amarra'). Dois posts seguidos (e um terceiro um pouco abaixo) iniciados com 'tem' no sentido de haver. Que baixaria. Entrei no Google e vi que há/tem grandes debates sobre o tema

Bem feito! Bem feito!
Tem coisas que nunca se apagam da nossa memória. Êta frase banal para começar um post. Mas é mais sutil (embora nem tanto quanto eu gostaria). Tem coisas que nunca se apagam e nunca entendemos por que não se apagam. São absolutamente sem importância, mas curiosamente provocam sempre o mesmo prazer, inexplicável, indelével. Não são tórridas noites de amor, emoções inesquecíveis, nada disso. Os grandes momentos arrefecem com o tempo. O que fica mesmo são as bogabens divertidas que, por alguma razão misteriosa, ganham uma posição privilegiada, quase imperial, na nossa psique.
Então aí vai uma delas. Jamais vou me esquecer dos xingamentos do Emir Ben Kalish Ezab de Khemed, dirigidos ao sheik Bal el Ehr, que tinha raptado o seu filho Abdallah, uma das mais divertidas pestes supermimadas da história da ficção. Está no "Ouro Negro" do Tintin.
Na bela tradução portuguesa de Portugal:
"Bal el Ehr, Bal el Ehr! Filho de um cão sarnento! Neto de um chacal pelado! Bisneto de um abutre depenado! Eu te farei empalar! Te queimarei a fogo lento! Arrancarei um a um os fios da tua barba e tos farei engolir com pimenta malagueta!"
PS: Os árabes já foram mais divertidos
PS2: Caraca! (o Matamoros se amarra nesta expressão; e deve se amarrar também em 'se amarra'). Dois posts seguidos (e um terceiro um pouco abaixo) iniciados com 'tem' no sentido de haver. Que baixaria. Entrei no Google e vi que há/tem grandes debates sobre o tema
outubro 06, 2006
Das desonestidades II

É pior que Asmodeu, mas votou pelas diretas
Tem assuntos que eu acompanho muito bem. É bizarro, mas me interesso por temas tenebrosos como gestão pública e gastos sociais. Lula disse que Alckmin vai demitir funcionários públicos. Marta Suplicy disse que Alckmin vai cortar o Bolsa-Família. Eu jamais li qualquer declaração do Alckmin defendendo uma ou outra coisa.
A forma como o PT espalha mentiras comprometedoras e ataca reputações, sem qualquer fiapo de prova, sempre me impressionou. Por exemplo, a campanha contra Eduardo Jorge, que não tem nada de santo, mas que, apesar de problemas no quesito lombrosiano, jamais cometeu aqueles crimes de que o PT o acusava – tanto que foi totalmente absolvido.
Me lembro da campanha de 1989, quando um petista conhecido meu panfletava contra o Collor. Era um folhetinho com a já substancial folha corrida política do ex-presidente. Um dos itens era o de que ele havia votado contra as diretas. Eu observei que isto não era verdade. O resto do panfleto, aliás, era mais do que suficiente para que um eleitor de bom-senso pensasse duas vezes antes de votar no Collor. O petista me respondeu que não fazia mal colocar a informação errada sobre o voto de Collor nas diretas. O importante era derrotá-lo.
Agora, nesta história do dossiê, o Marcos Aurélio Garcia, o Tarso Genro e até o Ciro Gomes afirmaram que o PSDB está por trás. Eles não têm a menor prova, nem indício. Se tivessem, apresentavam, é claro. É, de novo, difamação clara, indefensável, com total consciência da venalidade do ato.
Aí eu volto a um post anterior. Nele, eu me perguntava se a desonestidade intelectual do PT estaria ligada à desonestidade material. E neste aqui eu me pergunto se a licença auto-conferida pelos petistas para difamar estaria ligada à licença auto-conferida pelos petistas para agir fora da lei em nome do objetivo maior de se manter no poder
PS: Como eu não sou onisciente, se alguém souber de alguma declaração do Alckmin sobre demitir funcionários públicos ou reduzir o Bolsa-Família, por favor mande, e eu me submeterei a um processo de auto-crítica ao estilo maoísta

É pior que Asmodeu, mas votou pelas diretas
Tem assuntos que eu acompanho muito bem. É bizarro, mas me interesso por temas tenebrosos como gestão pública e gastos sociais. Lula disse que Alckmin vai demitir funcionários públicos. Marta Suplicy disse que Alckmin vai cortar o Bolsa-Família. Eu jamais li qualquer declaração do Alckmin defendendo uma ou outra coisa.
A forma como o PT espalha mentiras comprometedoras e ataca reputações, sem qualquer fiapo de prova, sempre me impressionou. Por exemplo, a campanha contra Eduardo Jorge, que não tem nada de santo, mas que, apesar de problemas no quesito lombrosiano, jamais cometeu aqueles crimes de que o PT o acusava – tanto que foi totalmente absolvido.
Me lembro da campanha de 1989, quando um petista conhecido meu panfletava contra o Collor. Era um folhetinho com a já substancial folha corrida política do ex-presidente. Um dos itens era o de que ele havia votado contra as diretas. Eu observei que isto não era verdade. O resto do panfleto, aliás, era mais do que suficiente para que um eleitor de bom-senso pensasse duas vezes antes de votar no Collor. O petista me respondeu que não fazia mal colocar a informação errada sobre o voto de Collor nas diretas. O importante era derrotá-lo.
Agora, nesta história do dossiê, o Marcos Aurélio Garcia, o Tarso Genro e até o Ciro Gomes afirmaram que o PSDB está por trás. Eles não têm a menor prova, nem indício. Se tivessem, apresentavam, é claro. É, de novo, difamação clara, indefensável, com total consciência da venalidade do ato.
Aí eu volto a um post anterior. Nele, eu me perguntava se a desonestidade intelectual do PT estaria ligada à desonestidade material. E neste aqui eu me pergunto se a licença auto-conferida pelos petistas para difamar estaria ligada à licença auto-conferida pelos petistas para agir fora da lei em nome do objetivo maior de se manter no poder
PS: Como eu não sou onisciente, se alguém souber de alguma declaração do Alckmin sobre demitir funcionários públicos ou reduzir o Bolsa-Família, por favor mande, e eu me submeterei a um processo de auto-crítica ao estilo maoísta
outubro 04, 2006
O país sem direita II

Proposta tucana para o símbolo do comunismo democrático
Olha que legal. Um programa do PSDB de 2001 descobriu um comunismo democrático. Infelizmente, o espécime não foi fotografado e já pereceu
Com seu núcleo original oriundo do antigo PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro, então trincheira de luta contra o regime militar, o PSDB – Partido da Social-Democracia Brasileira, nasceu da confluência de diferentes vertentes do pensamento político contemporâneo. Do trabalhismo o PSDB recolheu o princípio da prioridade do trabalho sobre o capital. Da democracia cristã trouxe a ética da solidariedade e da participação comunitária, assimilada dos pensadores católicos personalistas e da ação política de líderes que comandaram a reconstrução democrática da Europa no pós-guerra. Do socialismo e da vertente democrática do comunismo herdou o patrimônio das lutas dos trabalhadores pela ampliação do direito do voto e pela construção de uma sociedade igualitária, bem como o combate aos totalitarismos de direita e de esquerda que infelicitaram o século XX. Os socialistas democráticos continuaram fiéis à tese da superação das formas mais perversas de capitalismo, considerando no entanto que esta deveria ser perseguida não só com a manutenção e ampliação das liberdades civis e políticas, como também preservando a economia de mercado, que deveria ser socialmente regulada. Dos liberais progressistas o PSDB aprendeu que não há bem maior do que a liberdade e que o principal legado da civilização ocidental está num conjunto de liberdades civis e políticas sem as quais não há avanço social possível.

Proposta tucana para o símbolo do comunismo democrático
Olha que legal. Um programa do PSDB de 2001 descobriu um comunismo democrático. Infelizmente, o espécime não foi fotografado e já pereceu
Com seu núcleo original oriundo do antigo PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro, então trincheira de luta contra o regime militar, o PSDB – Partido da Social-Democracia Brasileira, nasceu da confluência de diferentes vertentes do pensamento político contemporâneo. Do trabalhismo o PSDB recolheu o princípio da prioridade do trabalho sobre o capital. Da democracia cristã trouxe a ética da solidariedade e da participação comunitária, assimilada dos pensadores católicos personalistas e da ação política de líderes que comandaram a reconstrução democrática da Europa no pós-guerra. Do socialismo e da vertente democrática do comunismo herdou o patrimônio das lutas dos trabalhadores pela ampliação do direito do voto e pela construção de uma sociedade igualitária, bem como o combate aos totalitarismos de direita e de esquerda que infelicitaram o século XX. Os socialistas democráticos continuaram fiéis à tese da superação das formas mais perversas de capitalismo, considerando no entanto que esta deveria ser perseguida não só com a manutenção e ampliação das liberdades civis e políticas, como também preservando a economia de mercado, que deveria ser socialmente regulada. Dos liberais progressistas o PSDB aprendeu que não há bem maior do que a liberdade e que o principal legado da civilização ocidental está num conjunto de liberdades civis e políticas sem as quais não há avanço social possível.
O país sem direita

Genghis Khan, homem de esquerda
No Brasil, como se sabe, há no máximo uns três políticos que se consideram de direita. Todo mundo que se preza é de centro-esquerda ou de esquerda. Até Geraldo Alckmin, conhecido bolchevique, fez questão de dizer, em entrevista à Folha, que Lula está à sua direita no “apreço pela democracia” e na “questão econômica”. Eu não tenho dúvida: se Genghis Khan fosse brasileiro, se apresentaria como um conquistador de esquerda

Genghis Khan, homem de esquerda
No Brasil, como se sabe, há no máximo uns três políticos que se consideram de direita. Todo mundo que se preza é de centro-esquerda ou de esquerda. Até Geraldo Alckmin, conhecido bolchevique, fez questão de dizer, em entrevista à Folha, que Lula está à sua direita no “apreço pela democracia” e na “questão econômica”. Eu não tenho dúvida: se Genghis Khan fosse brasileiro, se apresentaria como um conquistador de esquerda
O horror! O horror!

O candidato da decência com seus cães de aluguel
Esqueçam tudo o que eu escrevi

O candidato da decência com seus cães de aluguel
Esqueçam tudo o que eu escrevi
outubro 03, 2006
Declaração de voto II

Mediocridade, teu nome é Geraldo Alckmin
O grande problema de Alckmin é sua mediocridade, e não sua “caretice”. Um país complexo como o Brasil não pode ter como presidente alguém medíocre. Alckmin é um homem sem idéias. Não se sabe o que ele pensa sobre questões fundamentais, talvez porque não pense nada.
Qual é a visão de Alckmin sobre a política externa? O que ele pensa sobre a situação fiscal, além de que é necessário um choque de gestão? Sua política econômica seguirá a linha de qual dos economistas com quem costuma conversar: a de Armínio Fraga ou a de Yoshiaki Nakano? Enfim, não consigo me empolgar com um candidato que não tem idéias ou, se tem, as esconde.
Quando anunciou a sua disposição de ser candidato, Alckmin justificou sua decisão com frases vazias como “quero ser presidente porque acredito no Brasil”. Também teve a versão malufista: "quero ser presidente porque acredito no trabalho”. Alckmin é anódino demais. Suceder Lula e concentrar o foco na redução do Estado que o país tanto necessita é uma tarefa para um estadista, não para alguém que parece o tio chato que trabalha como contador e de quem todo mundo foge nas festas de família.
Ah, sim, também há outro ponto importante. Seu governo esteve longe de ser uma maravilha. Além de não ter conseguido resolver o problema da Febem - e o PSDB teve apenas 12 anos para fazê-lo -, o picolé de chuchu deixou o PCC nascer, crescer e se multiplicar.
É verdade que Alckmin é uma opção menos pior do que Lula. Estou até me preparando para votar nele no segundo turno, mas é alguém que me inspira pouca confiança e nenhuma admiração

Mediocridade, teu nome é Geraldo Alckmin
O grande problema de Alckmin é sua mediocridade, e não sua “caretice”. Um país complexo como o Brasil não pode ter como presidente alguém medíocre. Alckmin é um homem sem idéias. Não se sabe o que ele pensa sobre questões fundamentais, talvez porque não pense nada.
Qual é a visão de Alckmin sobre a política externa? O que ele pensa sobre a situação fiscal, além de que é necessário um choque de gestão? Sua política econômica seguirá a linha de qual dos economistas com quem costuma conversar: a de Armínio Fraga ou a de Yoshiaki Nakano? Enfim, não consigo me empolgar com um candidato que não tem idéias ou, se tem, as esconde.
Quando anunciou a sua disposição de ser candidato, Alckmin justificou sua decisão com frases vazias como “quero ser presidente porque acredito no Brasil”. Também teve a versão malufista: "quero ser presidente porque acredito no trabalho”. Alckmin é anódino demais. Suceder Lula e concentrar o foco na redução do Estado que o país tanto necessita é uma tarefa para um estadista, não para alguém que parece o tio chato que trabalha como contador e de quem todo mundo foge nas festas de família.
Ah, sim, também há outro ponto importante. Seu governo esteve longe de ser uma maravilha. Além de não ter conseguido resolver o problema da Febem - e o PSDB teve apenas 12 anos para fazê-lo -, o picolé de chuchu deixou o PCC nascer, crescer e se multiplicar.
É verdade que Alckmin é uma opção menos pior do que Lula. Estou até me preparando para votar nele no segundo turno, mas é alguém que me inspira pouca confiança e nenhuma admiração
Declaração de voto

Can't stand the 60's anymore
Tem aquela cena emblemática no Hair, o filme, dos doidões chegando na festa careta e detonando os bundões acuados na introversão dos seus terninhos cinzas (bem, minha memória reconstruiu assim). O Alckmin é o careta do Hair. E conheço muita gente que não vai votar nele por causa disso. A questão do Opus Dei é mero detalhe. O que incomoda é aquele jeitinho de bom moço, o tímido deslumbramento provinciano de Mme e Mlle Alckmin, o ar de família convencional. Só que não estamos votando no representante do Brasil na Bienal de Veneza, nem no parceiro do Seu Jorge na próxima tournée pela Europa. A função do presidente não é aparecer de forma cool num filme do Almodóvar. Quando vamos ao dentista, ou consultamos um advogado, não há nenhuma expectativa de que o cara seja muderno e vista umas rôpitchas bacanas. Por que o presidente tem que ser? O Lula é um esculacho, mas por isto mesmo valorizado. Ele é a “força selvagem” cultuada pela esquerda boêmia. O Alckmin é apenas careta. Apenas sem graça. O último dos brasileiros na hierarquia de pontuação do Big Brother. Um cara do qual vamos nos esquecer enquanto ele exerce a presidência. Um tédio.
Brasileiro(a), get a life! Vote Alckmin
PS: Os exemplos foram pinçados a dedo para irritar o Matamoros
PS2: Eu não resisto à imparcialidade, a mais brochante das virtudes. Quem quiser munição contra a recomendação acima, clique no sinistro Ratapulgo

Can't stand the 60's anymore
Tem aquela cena emblemática no Hair, o filme, dos doidões chegando na festa careta e detonando os bundões acuados na introversão dos seus terninhos cinzas (bem, minha memória reconstruiu assim). O Alckmin é o careta do Hair. E conheço muita gente que não vai votar nele por causa disso. A questão do Opus Dei é mero detalhe. O que incomoda é aquele jeitinho de bom moço, o tímido deslumbramento provinciano de Mme e Mlle Alckmin, o ar de família convencional. Só que não estamos votando no representante do Brasil na Bienal de Veneza, nem no parceiro do Seu Jorge na próxima tournée pela Europa. A função do presidente não é aparecer de forma cool num filme do Almodóvar. Quando vamos ao dentista, ou consultamos um advogado, não há nenhuma expectativa de que o cara seja muderno e vista umas rôpitchas bacanas. Por que o presidente tem que ser? O Lula é um esculacho, mas por isto mesmo valorizado. Ele é a “força selvagem” cultuada pela esquerda boêmia. O Alckmin é apenas careta. Apenas sem graça. O último dos brasileiros na hierarquia de pontuação do Big Brother. Um cara do qual vamos nos esquecer enquanto ele exerce a presidência. Um tédio.
Brasileiro(a), get a life! Vote Alckmin
PS: Os exemplos foram pinçados a dedo para irritar o Matamoros
PS2: Eu não resisto à imparcialidade, a mais brochante das virtudes. Quem quiser munição contra a recomendação acima, clique no sinistro Ratapulgo
outubro 02, 2006
A peculiar moral petista II

É R$ 20 mil, aceita passe
O eleitor petista tem critérios claros para definir seu voto. Ângela Guadagnin não teve moleza e não ganhou. Quem mandou ser gorda e dançar mal?
Mas o resultado das eleições mostrou que o petista sabe dar uma segunda chance para quem merece. João Paulo Cunha, que recebeu o mensalão, mentiu e contratou a agência de Marcos Valério a peso de ouro para fazer a publicidade da Câmara, foi o deputado mais votado do PT. Antônio Palocci também vai para Brasília. Afinal, qual é o problema de mandar quebrar o sigilo bancário de um caseiro? José Genoíno é outro que também ganhou a eleição. O eleitor petista é sábio: não há nada de fundamentalmente errado em o sujeito alegar que não tinha nenhuma relação com as traquinagens financeiras cometidas pelo tesoureiro do partido que ele comandava.
Outra característica do eleitorado do partido é diferenciar os mensaleiros. O professor Luizinho, que só recebeu R$ 20 mil, não foi reeleito. Merreca não adianta. Para merecer o voto do eleitor, o sujeito tem que ter conseguido pelo menos R$ 50 mil, o valor de um João Paulo. Petista que é petista sabe o seu preço

É R$ 20 mil, aceita passe
O eleitor petista tem critérios claros para definir seu voto. Ângela Guadagnin não teve moleza e não ganhou. Quem mandou ser gorda e dançar mal?
Mas o resultado das eleições mostrou que o petista sabe dar uma segunda chance para quem merece. João Paulo Cunha, que recebeu o mensalão, mentiu e contratou a agência de Marcos Valério a peso de ouro para fazer a publicidade da Câmara, foi o deputado mais votado do PT. Antônio Palocci também vai para Brasília. Afinal, qual é o problema de mandar quebrar o sigilo bancário de um caseiro? José Genoíno é outro que também ganhou a eleição. O eleitor petista é sábio: não há nada de fundamentalmente errado em o sujeito alegar que não tinha nenhuma relação com as traquinagens financeiras cometidas pelo tesoureiro do partido que ele comandava.
Outra característica do eleitorado do partido é diferenciar os mensaleiros. O professor Luizinho, que só recebeu R$ 20 mil, não foi reeleito. Merreca não adianta. Para merecer o voto do eleitor, o sujeito tem que ter conseguido pelo menos R$ 50 mil, o valor de um João Paulo. Petista que é petista sabe o seu preço



Índio de calça jeans continua a ser índio?
Nunca antes na história deste país houve uma campanha eleitoral tão pobre. Privatizações foram demonizadas, cortes drásticos de gastos públicos foram descartados e ninguém falou em mais abertura da economia. Mas isso não é novidade. O que pouca gente percebe é que um dos grandes entraves ao desenvolvimento ficou mais uma vez fora da campanha: o índio e sua influência perversa sobre os rumos do Brasil. Dirão que exagero, mas cito quatro fatos mais ou menos recentes que mostram de modo irrefutável que o índio é o verdadeiro inimigo do progresso e uma das principais explicações para o baixo crescimento do país:
- Há algumas semanas, os índios xikrins invadiram as instalações da mina da Vale do Rio Doce em Carajás, exigindo aumento dos recursos pagos mensalmente pela empresa, a construção de 60 casas e a reforma e manutenção de estradas. Numa tacada, eles afetaram as exportações da empresa, colocando em risco a solidez das contas externas brasileiras, e prejudicaram a imagem da Vale, uma das poucas companhias do país verdadeiramente globais. E para que casa? Índio não mora na oca?
- A Copel vai pagar R$ 14 milhões para os índios caingangues, da reserva Apucaraninha, onde uma hidrelétrica foi construída há 60 anos. Segundo o Valor, a empresa e os caingangues chegaram a um acordo depois de os índios terem acampado em frente à usina e terem ameaçado colocar fogo nas instalações. Pobre Copel. Como fica a capacidade de investimento da empresa?
- No primeiro turno, os índios Kulinas atrapalharam as eleições em Juruá, no Amazonas. Cerca de 500 Kulinas fizeram protestos contra a Funai, impedindo o trabalho de funcionários do TRE. É um sinal óbvio de que os índios são inimigos da democracia e não têm apreço pelas instituições
- Em São Paulo, a existência de uma aldeia de índios guaranis próxima do pico do Jaraguá dificultou por um bom tempo a construção de mais um trecho do rodoanel. A conspiração indígena prejudica uma importante obra de infra-estrutura e obriga os habitantes de São Paulo a conviver com um trânsito pesado nas marginais
O que mais me irrita são os índios com nome e sobrenome, totalmente aculturados, que usam calça jeans e dão entrevistas em português fluente. O cacique dos caingangues, por exemplo, se chama Juscelino Vergílio. Eu concordo inteiramente com as palavras do meu pai, um homem sábio cujas idéias às vezes aparecem neste blog: “Índio tem que ter nome de índio, como Uekerê ou coisa parecida. Eu só levo a sério índio que fica pelado, no meio do mato, caçando, pescando e fazendo dança da chuva”