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Nos bastidores do Torre

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Duelo de titãs - Non-stop brainstorming Tower

Para saciar a curiosidade de nossos leitores, resolvemos publicar uma pequena amostra da intensa troca de idéias que ocorre nos bastidores do Torre de Marfim. O diálogo abaixo é um exemplo do que se passa diariamente nas modestas instalações do blog. Quem se lembrar dos embates intelectuais entre Settembrini e Naphta n’ A montanha mágica não cometerá nenhum exagero

Matamoros: Eu sempre achei que toda Isadora, Natália ou Camila fosse gostosa, até que trabalhei com uma Camila que era tão feia que derrubou minha tese preferida de mesa de bar

Arranhaponte: E quais são os nomes de mocréia?

Matamoros: Gislaine, Rosicleide, Judith, Janete

Arranhaponte: Já comi uma Judith, eu acho. Húngara. E baranga. Mas estou na dúvida se o nome era este mesmo

Matamoros: Minha série "confesso que comi" é bem mais limitada que a sua. Todo mundo diz que as húngaras são lindas. Você foi logo comer uma feia?

Arranhaponte: Pelo menos ela fazia um goulash maravilhoso

Matamoros: Por falar em húngaros, estou lendo As brasas, um livro do Sándor Márai

Arranhaponte: É bom?

Matamoros: É bem interessante. Mas talvez seja o efeito do contraste com O Ateneu. Li metade, esbarrei em algumas partes insuportáveis e larguei no meio

Arranhaponte: Eu conheço um cara, gay com pretensões a cineasta, que dizia há 25 anos que queria fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu. Encontrei-o por acaso 25 anos depois e, meio de gozação, perguntei como ia o projeto d 'O Ateneu. Ele me respondeu seriamente, dizendo que queria fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu. Concluí que O Ateneu é coisa de gay (não é um raciocínio de lógica retilínea, admito)

Matamoros: Você não errou, não. Na parte que eu li, o protagonista resiste ao assédio de um colega de internato mais velho, mas há um clima gay bastante óbvio. E eu também sempre achei que o Raul Pompéia fosse gay. No colegial, o livro de literatura falava que o Raul Pompéia era hipersensível. Um amigo meu vaticinou: “Hipersensível? Era viado”. E largar o livro no meio, não é uma coisa de viado?

Arranhaponte: Viado não largaria no meio. Antigamente viado era chamado de hipersensível. Tchaikowksy, por exemplo, era hipersensível

Matamoros: Esse seu amigo, aliás, seria ótimo para ser personagem coadjuvante de um filme. O protagonista o encontra em dois momentos, aos 20 e aos 45, depois de 25 anos morando fora do Brasil, e o sujeito continua com o mesmo projeto. Mas o cara faz alguma coisa além de ser o seu amigo gay que quer fazer o seu primeiro filme, baseado n' O Ateneu?

Arranhaponte: Acho que não. Deus reservou a ele apenas uma ponta



Marcos Matamoros at 07:39 PM | Comentários (6)

Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


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