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Saturno devorando um filho, ou o Estado brasileiro em ação
A tática do PT de dizer que Geraldo Alckmin vai demitir funcionários públicos e privatizar estatais mostra o nível do debate público no Grande Paraguai. Duas medidas que ajudariam bastante o Brasil a ser um país menos medíocre são usadas pelos petistas como uma “ameaça ao povo brasileiro”. Acuado, Alckmin rapidamente desmentiu os petistas, e disse que não passa pela sua cabeça cortar funcionários ou vender estatais. É claro que é complicado para um candidato dizer que vai demitir servidores a alguns dias das eleições. Não dava para esperar outra reação de Alckmin. A questão é que o tucano também negou que pretenda fazer privatizações, sem nem sequer dizer que a idéia pode ser interessante em determinados setores. Ficou claro mais uma vez o temor dos políticos em defender medidas que signifiquem uma redução do tamanho do Estado. O brasileiro parece gostar mesmo é de um governo grande, gordo, paternalista e gastador.
Eu sei que não há condições políticas atualmente de se tentar vender empresas como a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, ainda que pelo menos a privatização dos dois bancos seria mais do que bem vinda. O que me deixa surpreso é que Alckmin não tem peito de defender uma medida importante para melhorar a eficiência da economia e que foi bem sucedida quando adotada pelo governo Fernando Henrique. Não me parece difícil convencer a população de que a privatização das telecomunicações é um exemplo claro de que vender estatais pode melhorar significativamente a vida das pessoas. Em vez de uma espera de anos por um telefone fixo, hoje a instalação demora poucos dias. É um argumento bastante simples e nada ideológico - que pelo menos o tucano citou de passagem no debate.
Mesmo assim, os petistas têm demonizado a privatização, aparentemente com sucesso, como indica a reação de Alckmin. Defender a venda de estatais ineficientes e sem capacidade de investimento virou motivo de vergonha. Como se vê, a discussão de idéias proporcionada pelo segundo turno é de uma riqueza impressionante. Por tudo isso, quando disserem que o Brasil é uma merda, não acredite. Para se tornar uma merda, o país tem que melhorar muito


