« Previsões arranhapônticas | Main | Tower Consulting Partners »

Um futuro medíocre para um país medíocre
1) Lula vai ganhar com as quatro patas nas costas
2) Nos próximos anos, o Brasil vai crescer em média cerca de 3%. Num ano em que o cenário externo estiver bem, o crescimento pode ser um pouco mais alto do que esse. Quando a situação internacional estiver mal, a expansão do PIB será menor, ficando mais próxima da média de 2,5% dos últimos 15 anos
3) Como o Estado já está inchado demais, o governo fará algum corte de gastos no ano que vem para manter algum controle sobre a questão fiscal. Como sempre, a solução será uma meia sola que não vai atacar os problemas mais graves, como a Previdência – Fábio Giambiagi, aliás, vai atear fogo em si mesmo na Praça dos Três Poderes, em protesto contra a não definição de uma idade mínima para a aposentadoria. O grande colapso final será evitado, mas nenhuma medida que realmente resolva o problema será adotada. O país vai continuar gastando muito, a carga tributária vai se manter elevadíssima e o investimento público vai permanecer em níveis irrisórios
4) O PT fará cagadas que complicarão a governabilidade de Lula. O Guia Genial dirá que não sabia de nada. Como de costume, vários ministros serão afastados. Guido Mantega terá de deixar a Fazenda, o que fará o risco-Brasil despencar. O ministro será substituído por um aluno do terceiro ano de Economia da Unicamp. Ninguém notará a diferença
5) A política externa também manterá sua orientação terceiro-mundista, privilegiando relações com países da América Latina, da África e da Ásia. Suriname, as Guianas e Trinidad Tobago vão ingressar no Mercosul. Enquanto isso, países como o Chile vão assinar o maior número de acordos bilaterais de comércio que puderem, principalmente para obter acesso aos mercados desenvolvidos
6) A disputa eleitoral em 2010 será acirrada. O desempenho da economia não será tão bom para Lula fazer seu sucessor com folga nem tão ruim para a oposição eleger seu candidato com facilidade. Como de costume, todos os candidatos adotarão um discurso de esquerda. O candidato do PSDB fará uma tatuagem no braço com o símbolo de todas as estatais, para evitar qualquer acusação de privatista. Mesmo assim, o candidato apoiado por Lula continuará a dizer que a oposição pretende privatizar tudo, da Petrobras ao Palácio do Planalto, passando pela Granja do Torto e o Banco Central
Enfim, aposto que teremos mais quatro anos de mediocridade. O crescimento será um pouco melhor do que nos últimos anos porque as contas externas estão bem mais sólidas e a inflação vai se estabilizar num nível bem mais baixo, combinação que abre espaço para quedas mais fortes dos juros. As grandes restrições ao crescimento, porém, não vão ser atacadas. A incapacidade de o país discutir e resolver seus problemas mais graves, como o tamanho do Estado, vai impedir que o Grande Paraguai cresça a um ritmo mais forte. Medidas que melhorem o ambiente de negócios, como a redução da burocracia para se abrir uma empresa, não serão adotadas. As incertezas em setores como o de energia elétrica vão continuar, inibindo o investimento privado. Esse cenário de mediocridade benigna - se é que isso existe - pode nem mesmo ser concretizado se houver alguma piora significativa no quadro internacional. Lula pegou quatro anos de calmaria na economia global. Se houver alguma turbulência, o Guia Genial não vai ter a mínima idéia do que fazer


