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novembro 30, 2006
A geopolítica do Copom
novembro 29, 2006
A longa suruba imperial
Isto é legalzinho para os wonks da geopolítica
Isto é legalzinho para os wonks da geopolítica
A arte da desistência II
É impressionante. Olho para mim mesmo e digo: tu não abandonas livros nem autores. E aí a cada blogueiro que cumpre o último meme da parada eu descubro que, sim, eu abandono, e exatamente alguns daqueles autores que eles dizem que abandonaram. O Gabriel, por exemplo, citou o Hobsbawn, que era ótimo para eu citar. Comecei a ler um dos Eras, achei chatíssimo, parei no meio, e nunca mais voltei. O McNasty disse que abandonou o Joyce (esticando o conceito de abandono até quase a ruptura do elástico, já que chegou a ler Finnegans Wake), que eu vergonhosamente abandonei nas primeiras páginas de A Portrait of the Artist as a Young Man (mas com uma intenção ‘me engana que eu gosto’ de retomar um dia). O Rubem Fonseca foi não necessariamente citado, mas mui comentado como quase um emblema do autor que deve se abandonar se não se cuidou de evitar in the first place. Acho que citando o Sidney Sheldon eu provocaria mais revolta (pelo abandono) do que listando o Rubão Letra Grossa no meu meme. E o McNasty ainda mencionou a P. D. James, de quem li um livro e bye-bye - outra boa (má) opção para o meme da qual eu jamais me lembraria por mim mesmo.
O que me resta, pois? Bem, confesso que abandonei o livro que reúne os quatro romances do Campos de Carvalho, depois de ler dois (A Lua vem da Ásia e Vaca de Nariz Sutil). Sei que muita gente qualificada o aprecia, mas não consegui curtir, mesmo fazendo força. Sou meio peculiar no que diz respeito ao non-sense, sempre preferindo o meu mesmo, o que não faz o menor sentido. E tem, do Garcia-Roza, o detetive carioca Spinoza, que gosta de filosofia e é um cara muito humano – um ataque letal à minha capacidade de suspender a incredulidade, do qual até hoje me ressinto.
Bem, para finalizar, um livro ótimo que eu larguei no meio: The Feeling of What Happens, do neurologista luso-americano Antonio Damásio, sobre a consciência. É fascinante, mas a coisa vai enrolando, enrolando, até o ponto em que minha consciência optou pela inconsciência – por enquanto, pelo menos
PS: Em breve passo este meme adiante
É impressionante. Olho para mim mesmo e digo: tu não abandonas livros nem autores. E aí a cada blogueiro que cumpre o último meme da parada eu descubro que, sim, eu abandono, e exatamente alguns daqueles autores que eles dizem que abandonaram. O Gabriel, por exemplo, citou o Hobsbawn, que era ótimo para eu citar. Comecei a ler um dos Eras, achei chatíssimo, parei no meio, e nunca mais voltei. O McNasty disse que abandonou o Joyce (esticando o conceito de abandono até quase a ruptura do elástico, já que chegou a ler Finnegans Wake), que eu vergonhosamente abandonei nas primeiras páginas de A Portrait of the Artist as a Young Man (mas com uma intenção ‘me engana que eu gosto’ de retomar um dia). O Rubem Fonseca foi não necessariamente citado, mas mui comentado como quase um emblema do autor que deve se abandonar se não se cuidou de evitar in the first place. Acho que citando o Sidney Sheldon eu provocaria mais revolta (pelo abandono) do que listando o Rubão Letra Grossa no meu meme. E o McNasty ainda mencionou a P. D. James, de quem li um livro e bye-bye - outra boa (má) opção para o meme da qual eu jamais me lembraria por mim mesmo.
O que me resta, pois? Bem, confesso que abandonei o livro que reúne os quatro romances do Campos de Carvalho, depois de ler dois (A Lua vem da Ásia e Vaca de Nariz Sutil). Sei que muita gente qualificada o aprecia, mas não consegui curtir, mesmo fazendo força. Sou meio peculiar no que diz respeito ao non-sense, sempre preferindo o meu mesmo, o que não faz o menor sentido. E tem, do Garcia-Roza, o detetive carioca Spinoza, que gosta de filosofia e é um cara muito humano – um ataque letal à minha capacidade de suspender a incredulidade, do qual até hoje me ressinto.
Bem, para finalizar, um livro ótimo que eu larguei no meio: The Feeling of What Happens, do neurologista luso-americano Antonio Damásio, sobre a consciência. É fascinante, mas a coisa vai enrolando, enrolando, até o ponto em que minha consciência optou pela inconsciência – por enquanto, pelo menos
PS: Em breve passo este meme adiante
novembro 28, 2006
A poesia da estupidez

"Aê, mongol"*
Manifestações de burrice ou ignorância me irritam bastante, mas há casos em que a estupidez é tamanha que chega a ser poética. Nos últimos dias, inspirado pelo clima de indigência mental do país, eu me lembrei de quatro histórias em que a falta de inteligência ou de informação atingiu um nível admirável. Para que não me acusem de egoísmo, decidi compartilhá-las com vocês:
A primeira ocorreu na Fefeleche, a veneranda Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Um dos poucos bons professores da faculdade entra na sala mal humorado, resmungando e repetindo imprecações em voz baixa. O emputecimento do mestre, sempre tão afável, leva os alunos a perguntarem o motivo da ira. Com o lábio trêmulo e o olho rútilo, o professor conta que, na aula anterior, para outra turma, uma aluna o interrompeu com um pergunta muito perspicaz, enquanto ele discutia a formação da literatura brasileira:
- Professor, quando foi o século 17?
A segunda também ocorreu na USP, numa aula de história da fotografia do curso de Artes Plásticas. Algumas velhinhas assistiam as aulas como ouvintes, por conta de um convênio da USP com não sei qual entidade de apoio à terceira idade. Uma das mais empolgadas era uma senhora de uns 70 anos, que anotava tudo no seu caderninho. Nas três primeiras aulas, ela ouve calada. Na quarta, não resiste:
- Professor, o senhor fala bastante da fotografia no século 19, no começo do século 20. Por que nunca menciona a fotografia da época do descobrimento do Brasil, por exemplo?
Informada de que a fotografia era bem mais recente, a velhinha, incrédula, pergunta:
- Ué, mas e a fotografia de Cristo?
A terceira história me atrai por combinar burrice e ignorância. Numa aula de história no colegial (para os nossos leitores teens, o atual ensino médio, se é que ainda não mudou de nome), o professor diz que tal rei foi decapitado. A aluna, conhecida por seus comentários percucientes, pergunta:
- O que que é isso?
Os próprios coleguinhas se encarregam de explicar que o rei teve a cabeça cortada, o que provocou nova dúvida:
- Mas ele morreu?
A última ocorreu num curso de mercado de capitais para jornalistas. Numa aula sobre fundos de investimento, o diretor de um banco discorre sobre os fundos de 30 dias, hoje extintos. Uma das alunas, que certamente acreditava na balela de que jornalista não deve ter vergonha de perguntar, levanta a mão e dispara:
- Qual é o prazo do fundo de 30 dias?
A pergunta é difícil, mas o professor não hesita:
- 30 dias
Depois não digam que este blog não serve para nada
PS: Eu devo as três primeiras histórias aos relatos de três amigas sempre atentas a qualquer manifestação de estupidez. A elas, o meu mais sincero e profundo agradecimento
* Expressão usada na minha escola quando alguém dizia uma grande bobagem. Hoje, falar algo semelhante provavelmente leva à expulsão

"Aê, mongol"*
Manifestações de burrice ou ignorância me irritam bastante, mas há casos em que a estupidez é tamanha que chega a ser poética. Nos últimos dias, inspirado pelo clima de indigência mental do país, eu me lembrei de quatro histórias em que a falta de inteligência ou de informação atingiu um nível admirável. Para que não me acusem de egoísmo, decidi compartilhá-las com vocês:
A primeira ocorreu na Fefeleche, a veneranda Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Um dos poucos bons professores da faculdade entra na sala mal humorado, resmungando e repetindo imprecações em voz baixa. O emputecimento do mestre, sempre tão afável, leva os alunos a perguntarem o motivo da ira. Com o lábio trêmulo e o olho rútilo, o professor conta que, na aula anterior, para outra turma, uma aluna o interrompeu com um pergunta muito perspicaz, enquanto ele discutia a formação da literatura brasileira:
- Professor, quando foi o século 17?
A segunda também ocorreu na USP, numa aula de história da fotografia do curso de Artes Plásticas. Algumas velhinhas assistiam as aulas como ouvintes, por conta de um convênio da USP com não sei qual entidade de apoio à terceira idade. Uma das mais empolgadas era uma senhora de uns 70 anos, que anotava tudo no seu caderninho. Nas três primeiras aulas, ela ouve calada. Na quarta, não resiste:
- Professor, o senhor fala bastante da fotografia no século 19, no começo do século 20. Por que nunca menciona a fotografia da época do descobrimento do Brasil, por exemplo?
Informada de que a fotografia era bem mais recente, a velhinha, incrédula, pergunta:
- Ué, mas e a fotografia de Cristo?
A terceira história me atrai por combinar burrice e ignorância. Numa aula de história no colegial (para os nossos leitores teens, o atual ensino médio, se é que ainda não mudou de nome), o professor diz que tal rei foi decapitado. A aluna, conhecida por seus comentários percucientes, pergunta:
- O que que é isso?
Os próprios coleguinhas se encarregam de explicar que o rei teve a cabeça cortada, o que provocou nova dúvida:
- Mas ele morreu?
A última ocorreu num curso de mercado de capitais para jornalistas. Numa aula sobre fundos de investimento, o diretor de um banco discorre sobre os fundos de 30 dias, hoje extintos. Uma das alunas, que certamente acreditava na balela de que jornalista não deve ter vergonha de perguntar, levanta a mão e dispara:
- Qual é o prazo do fundo de 30 dias?
A pergunta é difícil, mas o professor não hesita:
- 30 dias
Depois não digam que este blog não serve para nada
PS: Eu devo as três primeiras histórias aos relatos de três amigas sempre atentas a qualquer manifestação de estupidez. A elas, o meu mais sincero e profundo agradecimento
* Expressão usada na minha escola quando alguém dizia uma grande bobagem. Hoje, falar algo semelhante provavelmente leva à expulsão
novembro 26, 2006
A arte da desistência

Ernest Hemingway, overrated writer (1899-1961)
O Rodrigo me passa um meme divertido: citar três escritores que eu desisti de ler. O assunto é importante. Decidir que livros não ler é a sabedoria do verdadeiro leitor, como já disse um homem sábio aqui.
Paul Auster é o primeiro da minha lista. Eu já o desanquei em mais de um post. Li dois de seus livros, A música do acaso e Leviatã. Auster é o falso bom escritor. Superestimado, escreve de um modo pretensamente sedutor. Engana porque sabe narrar. O problema é que, quando você acaba o livro, não sobra nada. Não entro mais na dele
Ernest Hemingway é outro que não me anima, embora seja muito melhor do que Auster. Li O velho e o mar e O sol também se levanta. O primeiro é um livro medíocre. A historinha do pescador é muito chatinha. Não vi nada de transcendente ou minimamente interessante na saga de Santiago. Como sou insistente, tentei depois O sol também se levanta. É um bom livro, com personagens charmosos e inteligentes, mas não o suficiente para me inspirar a ler outras obras do machão americano. Não digo que dessa água não beberei de novo, até porque dizem que ele é bom contista. Mas confesso que ele não está na minha lista de prioridades para os próximos 20 anos
Rubem Fonseca é um nome óbvio, mas não consegui deixá-lo de fora da lista. Alguns contos de Feliz ano novo e O cobrador me pareceram bons quando eu os li, mas ele já encheu. Não tenho paciência para o auto-plágio nem para livros que mostram um mundo de violência e sacanagem de terceira categoria. Os romances são ainda piores. Ele se perde em textos mais longos. Masturbação literária não é comigo.
PS: Ontem, na livraria do Reserva Cultural, li um conto de seu novo livro, Ela e outras mulheres. É o texto que você pode ler aqui, narrado por um pai cujo filho é curado da gagueira pela professora “dedicada”. O sujeito está escrevendo cada vez pior. Parece redação de escola. Confira você mesmo se eu estou exagerando
Feito isso, gostaria de saber que escritores o Arranhaponte, o Gabriel e o Filthy McNasty desistiram de ler

Ernest Hemingway, overrated writer (1899-1961)
O Rodrigo me passa um meme divertido: citar três escritores que eu desisti de ler. O assunto é importante. Decidir que livros não ler é a sabedoria do verdadeiro leitor, como já disse um homem sábio aqui.
Paul Auster é o primeiro da minha lista. Eu já o desanquei em mais de um post. Li dois de seus livros, A música do acaso e Leviatã. Auster é o falso bom escritor. Superestimado, escreve de um modo pretensamente sedutor. Engana porque sabe narrar. O problema é que, quando você acaba o livro, não sobra nada. Não entro mais na dele
Ernest Hemingway é outro que não me anima, embora seja muito melhor do que Auster. Li O velho e o mar e O sol também se levanta. O primeiro é um livro medíocre. A historinha do pescador é muito chatinha. Não vi nada de transcendente ou minimamente interessante na saga de Santiago. Como sou insistente, tentei depois O sol também se levanta. É um bom livro, com personagens charmosos e inteligentes, mas não o suficiente para me inspirar a ler outras obras do machão americano. Não digo que dessa água não beberei de novo, até porque dizem que ele é bom contista. Mas confesso que ele não está na minha lista de prioridades para os próximos 20 anos
Rubem Fonseca é um nome óbvio, mas não consegui deixá-lo de fora da lista. Alguns contos de Feliz ano novo e O cobrador me pareceram bons quando eu os li, mas ele já encheu. Não tenho paciência para o auto-plágio nem para livros que mostram um mundo de violência e sacanagem de terceira categoria. Os romances são ainda piores. Ele se perde em textos mais longos. Masturbação literária não é comigo.
PS: Ontem, na livraria do Reserva Cultural, li um conto de seu novo livro, Ela e outras mulheres. É o texto que você pode ler aqui, narrado por um pai cujo filho é curado da gagueira pela professora “dedicada”. O sujeito está escrevendo cada vez pior. Parece redação de escola. Confira você mesmo se eu estou exagerando
Feito isso, gostaria de saber que escritores o Arranhaponte, o Gabriel e o Filthy McNasty desistiram de ler
novembro 24, 2006
Coxinha, cachaça e cagada

Com brasileiro, não há quem possa
Coxinha, cachaça e cagada. Eis as três coisas em que o Brasil tem vantagens comparativas incontestáveis. O melhor é que a sonoridade das palavras justapostas faz delas um título perfeito para as mais diversas manifestações culturais brasileiras. Coxinha, cachaça e cagada não é um nome talhado para um livro do João Antônio ou para uma música do João Bosco? Também não vejo título mais adequado para um livro do Roberto DaMatta: Coxinha, cachaça e cagada: ensaios e interpretações sobre a alma do brasileiro. E, ainda que coxinha não seja um prato da culinária baiana, acho que ninguém estranharia se o Jorge Amado tivesse escrito um romance com esse título. É mais uma contribuição inestimável do Torre de Marfim para a cultura brasileira. Quem sabe a gente arruma um patrocínio pela Lei Rouanet?
(O Arranhaponte é responsável por 80% das idéias do post)

Com brasileiro, não há quem possa
Coxinha, cachaça e cagada. Eis as três coisas em que o Brasil tem vantagens comparativas incontestáveis. O melhor é que a sonoridade das palavras justapostas faz delas um título perfeito para as mais diversas manifestações culturais brasileiras. Coxinha, cachaça e cagada não é um nome talhado para um livro do João Antônio ou para uma música do João Bosco? Também não vejo título mais adequado para um livro do Roberto DaMatta: Coxinha, cachaça e cagada: ensaios e interpretações sobre a alma do brasileiro. E, ainda que coxinha não seja um prato da culinária baiana, acho que ninguém estranharia se o Jorge Amado tivesse escrito um romance com esse título. É mais uma contribuição inestimável do Torre de Marfim para a cultura brasileira. Quem sabe a gente arruma um patrocínio pela Lei Rouanet?
(O Arranhaponte é responsável por 80% das idéias do post)
novembro 23, 2006
Leitura obrigatória para brasileiros
http://joesharkeyat.blogspot.com/
Foi com um misto de prazer e desconforto que eu li todos os posts recentes do blog do Joe Sharkey, o jornalista americano que estava no Legacy. Nem me perguntem se eu concordo com tudo o que li, porque isto não está em questão. E não tenho saco para realmente me enfronhar nos detalhes técnicos deste caso. O importante é simplesmente entrar em contato com um gringo inteligente e puto falando mal de nós. É bem mais enriquecedor do que ler o Diogo Mainardi ou o falecido Paulo Francis falando mal de nós, quando o que está em questão é tentar entender o que há (ou não há) de efetivamente ruim em nós. Sharkey is the real thing when it comes to Brazil bashing. Deleitem-se
PS: Acabo de postar e vejo que o gringo também recém-postou, com um elogio à imprensa brasileira. Mas isto faz parte das vantagens de ser atacado pelo estrangeiro. Há um certo distanciamento. Nós que odiamos o Brasil aqui de dentro ficamos tão raivosos e obcecados que jamais fazemos estas pequenas e justas concessões
PS2: Particularmente tocante é a forma dele tratar o Waldir Pires
PS3: Esqueci de incluir o Torre de Marfim na lista dos que falam mal do Brasil de forma menos instrutiva do que o Sharkey. É que eu sou modesto
PS4: Gostei particularmente disto:
This just in from down the rabbit hole, home of cracked logic and egregious contradictions that go utterly unchallenged, the land where nobody's responsible for nothing. Warning, this could make your head hurt.
Bela definição do Brasil. Deixem de ser preguiçosos, percorram o blog do Sharkey que vocês acharão outras pérolas igualmente redondinhas
http://joesharkeyat.blogspot.com/
Foi com um misto de prazer e desconforto que eu li todos os posts recentes do blog do Joe Sharkey, o jornalista americano que estava no Legacy. Nem me perguntem se eu concordo com tudo o que li, porque isto não está em questão. E não tenho saco para realmente me enfronhar nos detalhes técnicos deste caso. O importante é simplesmente entrar em contato com um gringo inteligente e puto falando mal de nós. É bem mais enriquecedor do que ler o Diogo Mainardi ou o falecido Paulo Francis falando mal de nós, quando o que está em questão é tentar entender o que há (ou não há) de efetivamente ruim em nós. Sharkey is the real thing when it comes to Brazil bashing. Deleitem-se
PS: Acabo de postar e vejo que o gringo também recém-postou, com um elogio à imprensa brasileira. Mas isto faz parte das vantagens de ser atacado pelo estrangeiro. Há um certo distanciamento. Nós que odiamos o Brasil aqui de dentro ficamos tão raivosos e obcecados que jamais fazemos estas pequenas e justas concessões
PS2: Particularmente tocante é a forma dele tratar o Waldir Pires
PS3: Esqueci de incluir o Torre de Marfim na lista dos que falam mal do Brasil de forma menos instrutiva do que o Sharkey. É que eu sou modesto
PS4: Gostei particularmente disto:
This just in from down the rabbit hole, home of cracked logic and egregious contradictions that go utterly unchallenged, the land where nobody's responsible for nothing. Warning, this could make your head hurt.
Bela definição do Brasil. Deixem de ser preguiçosos, percorram o blog do Sharkey que vocês acharão outras pérolas igualmente redondinhas
novembro 21, 2006
Realidade e delírio
Kenneth Maxwell deu uma entrevista bastante interessante à Folha, publicada ontem. Segundo ele, o Brasil precisaria de “um partido conservador moderno, que fosse honesto ao defender o liberalismo e que assumisse suas crenças. Seria uma grande revolução”. É exatamente o que eu penso. A questão é que poucas coisas parecem tão distantes quanto à concretização dessa idéia.
O primeiro motivo é óbvio: os políticos brasileiros morrem de medo de serem identificados como liberais. O vermelho Geraldo Alckmin, por exemplo, fez questão de dizer nas eleições que não pretendia privatizar ou cortar drasticamente os gastos públicos. José Serra, dizem, pensa em formar um partido de centro-esquerda. Os tucanos não só têm vergonha de serem vistos como liberais como se acham de esquerda.
Já os partidos tradicionalmente associados com a direita, como PFL, PP e PTB, dispensam comentários, a não ser que você ache que sujeitos como Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf e Roberto Jefferson são conservadores modernos. Há quem alimente a esperança de que o PFL possa assumir esse papel, o que, convenhamos, é tão provável quanto o Lula ter lido todos os livros de Machado de Assis. Quando eu tento pensar num político do PFL que me pareça respeitável, o único nome que me vem à cabeça é o de José Carlos Aleluia, e eu sempre fico com a impressão de que o acho respeitável porque não o conheço direito. Em resumo, não consigo ver de onde pode surgir o partido conservador moderno, pelo menos pensando no atual quadro partidário.
Outro problema é que muitos liberais brasileiros estão mais perdidos que o Guia Genial em aula de gramática. Olavo de Carvalho, por exemplo, ainda é levado a sério por muita gente. O sujeito está cada vez mais maluco. Os seus artigos carecem totalmente de sentido. Veja este pequeno trecho de um deles, um delírio que não chega nem a ser engraçado: “Com a reeleição de Lula, o Brasil continuará sendo governado diretamente das assembléias e grupos de trabalho do Foro de São Paulo, sem a mínima necessidade de consultar o Parlamento ou dar satisfações à opinião pública (...)”.
Fica claro que o sujeito é maluco, e maluco de internar. Qualquer um que tenha um mínimo de contato com a realidade sabe que as coisas não funcionam como pensa o filósofo expatriado nos EUA. Não, não há uma revolução comunista em marcha na América Latina. Não, o Foro de São Paulo não come criancinha. Se o objetivo dos liberais é combater a hegemonia cultural e política da esquerda, o primeiro passo é saber diferenciar o delírio da realidade. Olavo de Carvalho não sabe. E quem tem o filósofo como guru também não
Kenneth Maxwell deu uma entrevista bastante interessante à Folha, publicada ontem. Segundo ele, o Brasil precisaria de “um partido conservador moderno, que fosse honesto ao defender o liberalismo e que assumisse suas crenças. Seria uma grande revolução”. É exatamente o que eu penso. A questão é que poucas coisas parecem tão distantes quanto à concretização dessa idéia.
O primeiro motivo é óbvio: os políticos brasileiros morrem de medo de serem identificados como liberais. O vermelho Geraldo Alckmin, por exemplo, fez questão de dizer nas eleições que não pretendia privatizar ou cortar drasticamente os gastos públicos. José Serra, dizem, pensa em formar um partido de centro-esquerda. Os tucanos não só têm vergonha de serem vistos como liberais como se acham de esquerda.
Já os partidos tradicionalmente associados com a direita, como PFL, PP e PTB, dispensam comentários, a não ser que você ache que sujeitos como Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf e Roberto Jefferson são conservadores modernos. Há quem alimente a esperança de que o PFL possa assumir esse papel, o que, convenhamos, é tão provável quanto o Lula ter lido todos os livros de Machado de Assis. Quando eu tento pensar num político do PFL que me pareça respeitável, o único nome que me vem à cabeça é o de José Carlos Aleluia, e eu sempre fico com a impressão de que o acho respeitável porque não o conheço direito. Em resumo, não consigo ver de onde pode surgir o partido conservador moderno, pelo menos pensando no atual quadro partidário.
Outro problema é que muitos liberais brasileiros estão mais perdidos que o Guia Genial em aula de gramática. Olavo de Carvalho, por exemplo, ainda é levado a sério por muita gente. O sujeito está cada vez mais maluco. Os seus artigos carecem totalmente de sentido. Veja este pequeno trecho de um deles, um delírio que não chega nem a ser engraçado: “Com a reeleição de Lula, o Brasil continuará sendo governado diretamente das assembléias e grupos de trabalho do Foro de São Paulo, sem a mínima necessidade de consultar o Parlamento ou dar satisfações à opinião pública (...)”.
Fica claro que o sujeito é maluco, e maluco de internar. Qualquer um que tenha um mínimo de contato com a realidade sabe que as coisas não funcionam como pensa o filósofo expatriado nos EUA. Não, não há uma revolução comunista em marcha na América Latina. Não, o Foro de São Paulo não come criancinha. Se o objetivo dos liberais é combater a hegemonia cultural e política da esquerda, o primeiro passo é saber diferenciar o delírio da realidade. Olavo de Carvalho não sabe. E quem tem o filósofo como guru também não
novembro 20, 2006
O Febeapá da CNBB

Aldo Pagotto, bispo e economista-chefe da CNBB
É tiro e queda. Basta alguém da CNBB abrir a boca para ganhar espaço nobre na imprensa. Na semana passada, d. Aldo Pagotto atacou de especialista em política social, criticando o Bolsa Família por seu caráter assistencialista. O economista-chefe da CNBB fez as declarações na Quarta Semana Social Brasileira. No encontro, a entidade decidiu, entre outras bobagens, apoiar um plebiscito pela anulação da privatização da Vale do Rio Doce.
Criticar o caráter assistencialista do Bolsa Família parece inteligente. Defender um plebiscito para discutir a venda da Vale é uma estupidez. Mas isso não interessa. A opinião da CNBB sobre esses assuntos não tem a menor importância. Os bispos não entendem nada sobre eles. Se acertam de vez em quando é por puro acaso. Quando se metem com economia, a marca registrada dos bispos é fazer coisas ridículas, como o plebiscito sobre o pagamento da dívida externa realizado em 2000.
É claro que a CNBB tem todo o direito de dizer o que quiser. O grotesco é que o país perca tempo discutindo o que os bispos pensam sobre assuntos a respeito dos quais não sabem nada. A CNBB quer ajudar a sociedade? Muito bom. Poderia começar por uma campanha de punição rigorosa a padres pedófilos. O retorno social seria imediato
PS: O Gabriel e o Tambosi fizeram posts bem interessantes sobre o encontro da CNBB. Veja aqui e aqui

Aldo Pagotto, bispo e economista-chefe da CNBB
É tiro e queda. Basta alguém da CNBB abrir a boca para ganhar espaço nobre na imprensa. Na semana passada, d. Aldo Pagotto atacou de especialista em política social, criticando o Bolsa Família por seu caráter assistencialista. O economista-chefe da CNBB fez as declarações na Quarta Semana Social Brasileira. No encontro, a entidade decidiu, entre outras bobagens, apoiar um plebiscito pela anulação da privatização da Vale do Rio Doce.
Criticar o caráter assistencialista do Bolsa Família parece inteligente. Defender um plebiscito para discutir a venda da Vale é uma estupidez. Mas isso não interessa. A opinião da CNBB sobre esses assuntos não tem a menor importância. Os bispos não entendem nada sobre eles. Se acertam de vez em quando é por puro acaso. Quando se metem com economia, a marca registrada dos bispos é fazer coisas ridículas, como o plebiscito sobre o pagamento da dívida externa realizado em 2000.
É claro que a CNBB tem todo o direito de dizer o que quiser. O grotesco é que o país perca tempo discutindo o que os bispos pensam sobre assuntos a respeito dos quais não sabem nada. A CNBB quer ajudar a sociedade? Muito bom. Poderia começar por uma campanha de punição rigorosa a padres pedófilos. O retorno social seria imediato
PS: O Gabriel e o Tambosi fizeram posts bem interessantes sobre o encontro da CNBB. Veja aqui e aqui
novembro 15, 2006
Os remakes dos meus sonhos

Bergman, meu candidato para dirigir a nova versão de Rambo
A onda de remakes continua. Os infiltrados, o Scorsese em cartaz, é a versão de um filme feito em Hong Kong em 2002. Estou louco para assistir, mas esse não é o tipo de refilmagem que eu gostaria de ver.
Há muito tempo penso em como seria a versão de Spielberg para Através das oliveiras, de Kiarostami. Ou no remake de Kiarostami para Matrix - mas com recursos que ele normalmente tem para fazer seus filmes insuportáveis.
Também me seduz pensar num Rambo feito por Bergman - pena que o Max von Sidow esteja meio velhinho para o papel. George Lucas? Por que não encarar uma versão de Meu tio, de Jacques Tati? Acho que o Brasil também poderia entrar na dança, com Neville D'almeida fazendo a refilmagem de Independence Day. E eu tenho certeza de que seria maravilhosa uma versão de Terra em transe feita pelos irmãos Coen. Será que algum estúdio de Hollywood compra essas idéias? Eu vendo baratinho

Bergman, meu candidato para dirigir a nova versão de Rambo
A onda de remakes continua. Os infiltrados, o Scorsese em cartaz, é a versão de um filme feito em Hong Kong em 2002. Estou louco para assistir, mas esse não é o tipo de refilmagem que eu gostaria de ver.
Há muito tempo penso em como seria a versão de Spielberg para Através das oliveiras, de Kiarostami. Ou no remake de Kiarostami para Matrix - mas com recursos que ele normalmente tem para fazer seus filmes insuportáveis.
Também me seduz pensar num Rambo feito por Bergman - pena que o Max von Sidow esteja meio velhinho para o papel. George Lucas? Por que não encarar uma versão de Meu tio, de Jacques Tati? Acho que o Brasil também poderia entrar na dança, com Neville D'almeida fazendo a refilmagem de Independence Day. E eu tenho certeza de que seria maravilhosa uma versão de Terra em transe feita pelos irmãos Coen. Será que algum estúdio de Hollywood compra essas idéias? Eu vendo baratinho
novembro 13, 2006
Nos Bastidores do Torre II (Bicho, Homem do Bicho)

Droga, já está na hora do show
A avalanche de pedidos dos leitores não nos deixou opção. Abrimos mais uma vez a caixa-preta das nossas maquinações intelectuais, em um diálogo no qual, com a habitual nonchalance, percorremos os terrenos díspares mas interligados da ética, cinema, biologia, reprodução, papel do Estado, sistema prisional, conflito de classes e otras cositas más.
Apertem os cintos, porque mais uma alucinante viagem pelo vulcânico interior de duas mentes de exceção (e não só no sentido psiquiátrico) vai começar
Matamoros: Tudo bem? Como foi o fim de semana?
Arranhaponte: Foi bom, fui aos Jardins Botânico e Zoológico e assisti "O Bicho vai pegar". E fiz dever de casa também
Matamamoros: Eu também fui ao Zoológico, acredite ou não. Eu gosto de ir
Arranhaponte: ... (silêncio constrangido)
Matamoros: Algum problema pelo fato de eu ter ido zoológico sem ter filhos? Eu também vi o filme do Almodóvar, isso me ajuda?
Arranhaponte: Qual filme?
Matamoros: "Volver", muito bom, e nada infantil. Mas eu gosto do zoológico há muito tempo, que hei de fazer?
Arranhaponte: Nada. Se eu não fosse teu amigo, diria que paulista no fim-de-semana vai ao Zoológico quando o aeroporto está sem teto. Mas como sou seu amigo não farei o comentário
Matamoros: É o velho truque de fazer o comentário dizendo que não vai fazê-lo. Mas vá ver o Almodóvar. Não é tão bom quanto ver o tigre, mas chega perto

Droga, já está na hora do show
A avalanche de pedidos dos leitores não nos deixou opção. Abrimos mais uma vez a caixa-preta das nossas maquinações intelectuais, em um diálogo no qual, com a habitual nonchalance, percorremos os terrenos díspares mas interligados da ética, cinema, biologia, reprodução, papel do Estado, sistema prisional, conflito de classes e otras cositas más.
Apertem os cintos, porque mais uma alucinante viagem pelo vulcânico interior de duas mentes de exceção (e não só no sentido psiquiátrico) vai começar
Matamoros: Tudo bem? Como foi o fim de semana?
Arranhaponte: Foi bom, fui aos Jardins Botânico e Zoológico e assisti "O Bicho vai pegar". E fiz dever de casa também
Matamamoros: Eu também fui ao Zoológico, acredite ou não. Eu gosto de ir
Arranhaponte: ... (silêncio constrangido)
Matamoros: Algum problema pelo fato de eu ter ido zoológico sem ter filhos? Eu também vi o filme do Almodóvar, isso me ajuda?
Arranhaponte: Qual filme?
Matamoros: "Volver", muito bom, e nada infantil. Mas eu gosto do zoológico há muito tempo, que hei de fazer?
Arranhaponte: Nada. Se eu não fosse teu amigo, diria que paulista no fim-de-semana vai ao Zoológico quando o aeroporto está sem teto. Mas como sou seu amigo não farei o comentário
Matamoros: É o velho truque de fazer o comentário dizendo que não vai fazê-lo. Mas vá ver o Almodóvar. Não é tão bom quanto ver o tigre, mas chega perto
Arranhaponte: Que horas você foi ao zoológico? Estou desenvolvendo uma tese sobre horários de visitação ao zoológico
Matamoros: Das 12h às 16h, mais ou menos. Por quê?
Arranhaponte: 4 horas de zoológico? Sem comentários.
Matamoros: O zoológico de São Paulo é grande. Você não deve deixar que suas filhas vejam mais do que dois bichos, coitadas
Arranhaponte: Bem, mas os animais estavam sonolentos? A minha teoria é a seguinte: um ser humano cosmopolita dorme em média à 1 hora da manhã. Um pacato cidadão do interior às 10. Um camponês analfabeto às 7. Um ser tribal perdido no meio do nada às 4. E os animais diurnos à 1 da tarde mais ou menos. Quer dizer, você chega no zoológico e todos os animais já foram dormir. Uma teoria alternativa é que eles apenas estejam fazendo a sesta. Mas é a teoria fácil, que geralmente está errada. No zoológico do Rio, os animais dormem da forma mais despudorada o tempo todo. Exceto os macacos, que têm aquela inquietação e desperdício de energia típicos dos humanos - eu jamais botaria minhas fichas neste ramo da criação há 7 milhões de anos. E em São Paulo, o zoológico também se resume a um dormitório de animais?
Matamoros: Eles dormem bastante, especialmente os felinos, que são os meus bichos preferidos (eu já antevejo sua expressão de ironia ao saber que tenho bichos preferidos). Mas há um passeio rápido pelo antigo Simba Safári em que se vê de perto tigres e leões, que estão parados, mas não dormindo. Você acha que ir ao zoológico é a mais ultrajante experiência a que um adulto pode ser submetido?
Arranhaponte: Confesso até que foi muito menos programa de índio do que imaginei. Mas me irrita um pouco essa imobilidade de esfinge daqueles que são sustentados no bem-bom com o dinheiro dos nossos impostos para supostamente nos divertir. Acho que há algo de fundamentalmente errado em financiar parasitas que são incapazes de mover uma palha (e muito menos seus corpos) para trazer um pouco de alegria às nossas crianças. E aos adultos também, como noto com este diálogo
Matamoros: Eu sou favorável a um zoológico de resultados. Por exemplo, só alimentar os animais no horário de visitação, depois de muitas horas sem comer nada. De preferência, dando presas vivas aos carnívoros. Outra coisa: seria importante que, pelo menos no horário de visitação, os animais não pudessem ficar escondidos atrás de moitas e plantas. Deveriam ser obrigados a no mínimo ficar visíveis. Se se aproximassem de lugares escondidos, poderiam tomar uns choquinhos. Alguém poderá dizer que isso estressaria os animais, mas convenhamos: o que há de mais estressante do que viver na selva, quando a qualquer quebrada na floresta - supondo que floresta tenha quebrada - pode haver um predador interessado em comê-lo? No zoológico, o bicho não faz nada e tem quem o alimente o tempo todo
Arranhaponte: No Zoológico do Rio tem uma passarela suspensa sobre um terreno relativamente grande, meio que uma savaninha de araque, com diversos animais soltos: veados, avestruzes, capivaras, lhamas, etc. É claro que não tem carnívoro. Mas se tivesse, a carnificina seria com certeza um grande sucesso de público. A Prefeitura poderia cobrar ingressos, colocar o preço lá nas alturas, e usar o dinheiro arrecadado para uma campanha pela Pazzzzz.
Matamoros: Mas há uma coisa que de fato me irrita quando vou ao zoológico: é ver o comportamento dos sujeitos de baixa renda, que não param de alimentar os animais e ficam putos com a falta de interatividade dos bichos. É muito comum o sujeito começar a gritar: Leão, ô, leão, acorda, leão, deixa de ser vagabundo, leão!
Arranhaponte: Confesso que tive ímpetos de fazer o mesmo, mesmo sendo milionário. Dinheiro sem pedigree não serve para nada
novembro 10, 2006
Paulicéia desvairada

Um lugar para quem não tem medo de cara feia
De folga na sexta-feira, eu vou ao centro de São Paulo. Faço minha tradicional rota por alguns sebos e aproveito para ver uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil. Mas isso é secundário. O mais importante é o contato direto como o povo, essa abstração. No centro, o povo é bem concreto, como fica claro nestas breves notas sobre o meu périplo:
- A primeira coisa que me espanta, ainda que eu vá para lá com alguma freqüência, é a quantidade de gente feia. Pobre é feio – muito feio. Um economista ou cientista social corajoso ainda fará um estudo sério sobre a correlação entre pobreza e feiúra. Os resultados serão impressionantes. Quando veio ao Brasil pela primeira vez, Gore Vidal observou que o brasileiro era feio, o que fez muita gente torcer o nariz para ele. Basta uma caminhada no centro de São Paulo para ver que Vidal estava certo
- Na Praça João Mendes, um homem e uma mulher discutem. Na verdade, não é bem uma discussão. Ela o xinga em altos brados, e ele apenas resmunga. “Quem mandou não me ouvir? É corno! Corno”, diz a mulher. O sujeito pode não ser corno, mas é manso. Ele segue impassível, alguns passos atrás da mulher, que não pára de xingá-lo – de corno
- Na Praça da Sé, tapumes atrapalham a circulação dos populares. Num tapume, uma pichação sábia: “Vote nulo. Viva Raul”. Antes que alguém comece a cantar Gitâ, saio dali rapidinho
- Você acha R$ 1 muito pouco? Não é, pelo menos no centro de São Paulo. Com R$ 1, você pode comprar um sanduíche de churrasquinho grego, que vem com suco grátis. Se sobreviver e tiver mais R$ 1, ainda come sete paçocas de sobremesa. Isso mesmo – sete
- Além de feio, pobre não sabe andar de ônibus, ainda que o faça todos os dias. O sujeito pode morar perto do ponto final, mas, mal entra no veículo, corre para a porta, atrapalhando todo mundo que vai descer uns 30 quilômetros antes dele. E não adianta fazer cara feia

Um lugar para quem não tem medo de cara feia
De folga na sexta-feira, eu vou ao centro de São Paulo. Faço minha tradicional rota por alguns sebos e aproveito para ver uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil. Mas isso é secundário. O mais importante é o contato direto como o povo, essa abstração. No centro, o povo é bem concreto, como fica claro nestas breves notas sobre o meu périplo:
- A primeira coisa que me espanta, ainda que eu vá para lá com alguma freqüência, é a quantidade de gente feia. Pobre é feio – muito feio. Um economista ou cientista social corajoso ainda fará um estudo sério sobre a correlação entre pobreza e feiúra. Os resultados serão impressionantes. Quando veio ao Brasil pela primeira vez, Gore Vidal observou que o brasileiro era feio, o que fez muita gente torcer o nariz para ele. Basta uma caminhada no centro de São Paulo para ver que Vidal estava certo
- Na Praça João Mendes, um homem e uma mulher discutem. Na verdade, não é bem uma discussão. Ela o xinga em altos brados, e ele apenas resmunga. “Quem mandou não me ouvir? É corno! Corno”, diz a mulher. O sujeito pode não ser corno, mas é manso. Ele segue impassível, alguns passos atrás da mulher, que não pára de xingá-lo – de corno
- Na Praça da Sé, tapumes atrapalham a circulação dos populares. Num tapume, uma pichação sábia: “Vote nulo. Viva Raul”. Antes que alguém comece a cantar Gitâ, saio dali rapidinho
- Você acha R$ 1 muito pouco? Não é, pelo menos no centro de São Paulo. Com R$ 1, você pode comprar um sanduíche de churrasquinho grego, que vem com suco grátis. Se sobreviver e tiver mais R$ 1, ainda come sete paçocas de sobremesa. Isso mesmo – sete
- Além de feio, pobre não sabe andar de ônibus, ainda que o faça todos os dias. O sujeito pode morar perto do ponto final, mas, mal entra no veículo, corre para a porta, atrapalhando todo mundo que vai descer uns 30 quilômetros antes dele. E não adianta fazer cara feia
novembro 08, 2006
O homem pusilânime
Não há adjetivo mais bonito que pusilânime - a começar pela sonoridade. A etimologia também me seduz – em latim, significa alma pequenina. É uma pena que a palavra tenha caído em desuso. Eu mesmo, que sou fã incondicional do termo, o emprego muito pouco.
O pusilânime me parece um covarde mais dramático, mais angustiado. Eu diria que todo pusilânime é covarde, mas que nem todo covarde é pusilânime. O Aurélio tem definições interessantes para a palavra: “fraco de ânimo, falto de energia”, “falto de firmeza, de decisão”.
Talvez a pusilanimidade seja a essência do caráter do brasileiro, ainda que a palavra pareça muito sofisticada para definir um povo tão pouco sofisticado. Mas é isso: em vez de cordial, o brasileiro é na verdade o homem pusilânime. Ou “fraco de ânimo, falto de energia” não é a descrição perfeita deste povo malemolente e bunda mole?
Não há adjetivo mais bonito que pusilânime - a começar pela sonoridade. A etimologia também me seduz – em latim, significa alma pequenina. É uma pena que a palavra tenha caído em desuso. Eu mesmo, que sou fã incondicional do termo, o emprego muito pouco.
O pusilânime me parece um covarde mais dramático, mais angustiado. Eu diria que todo pusilânime é covarde, mas que nem todo covarde é pusilânime. O Aurélio tem definições interessantes para a palavra: “fraco de ânimo, falto de energia”, “falto de firmeza, de decisão”.
Talvez a pusilanimidade seja a essência do caráter do brasileiro, ainda que a palavra pareça muito sofisticada para definir um povo tão pouco sofisticado. Mas é isso: em vez de cordial, o brasileiro é na verdade o homem pusilânime. Ou “fraco de ânimo, falto de energia” não é a descrição perfeita deste povo malemolente e bunda mole?
Chega! II

Nêmesis do capitalismo global
Eu tinha publicado o que se segue como comentário, em resposta às ponderações do Alexandre sobre o post anterior. Ele lembrou que o PP também é de esquerda, já que a sua grande estrela, o Maluf, se definiu certa vez como de centro-esquerda.
Diante da insistência de milhares de fãs, resolvi promover meu comentário a post. Segue abaixo:
Caro Alexandre, você abre toda uma seara de siglas de esquerda que eu ia quase incluindo no meu post anterior, e que apenas por um certo pudor ficaram de fora. Senão, vejamos:
PFL - defende aumentos reais gigantescos do salário mínimo e das aposentadorias. Tudo gasto público. Esquerda quase radical
PL - Vice-presidência do governo esquerdista. E o VP defende volumosas transferências de recursos do Estado para as grandes empresas, além de intervenção no câmbio, juros tabelados, etc. Cepalista intervencionista. Esquerda nacionalista invocada
Prona - Nacional-socialismo moreno e ex-barbado. Esquerda totalitária
Deve ter mais. O post anterior já demonstrou de forma cabal que minha memória é fraca para siglas partidárias.
Aliás, tenho a tese de que o único parlamentar de direita ao longo de toda a história do Brasil foi o Roberto Campos. E ele ainda fundou o BNDES e ajudou a lançar a Sudene. Que país, cacete!
Ah, e esqueci de mencionar o perigoso radical pefelista Cláudio Lembo e sua guerrilha ideológica (me admira que ainda não tenha pego em armas) contra a burguesia branca paulistana.
O PFL às vezes me faz pensar que o perigo vermelho pós-queda do Muro de Berlim talvez não seja, no final das contas, apenas uma paranóia dos direitistas mais exaltados

Nêmesis do capitalismo global
Eu tinha publicado o que se segue como comentário, em resposta às ponderações do Alexandre sobre o post anterior. Ele lembrou que o PP também é de esquerda, já que a sua grande estrela, o Maluf, se definiu certa vez como de centro-esquerda.
Diante da insistência de milhares de fãs, resolvi promover meu comentário a post. Segue abaixo:
Caro Alexandre, você abre toda uma seara de siglas de esquerda que eu ia quase incluindo no meu post anterior, e que apenas por um certo pudor ficaram de fora. Senão, vejamos:
PFL - defende aumentos reais gigantescos do salário mínimo e das aposentadorias. Tudo gasto público. Esquerda quase radical
PL - Vice-presidência do governo esquerdista. E o VP defende volumosas transferências de recursos do Estado para as grandes empresas, além de intervenção no câmbio, juros tabelados, etc. Cepalista intervencionista. Esquerda nacionalista invocada
Prona - Nacional-socialismo moreno e ex-barbado. Esquerda totalitária
Deve ter mais. O post anterior já demonstrou de forma cabal que minha memória é fraca para siglas partidárias.
Aliás, tenho a tese de que o único parlamentar de direita ao longo de toda a história do Brasil foi o Roberto Campos. E ele ainda fundou o BNDES e ajudou a lançar a Sudene. Que país, cacete!
Ah, e esqueci de mencionar o perigoso radical pefelista Cláudio Lembo e sua guerrilha ideológica (me admira que ainda não tenha pego em armas) contra a burguesia branca paulistana.
O PFL às vezes me faz pensar que o perigo vermelho pós-queda do Muro de Berlim talvez não seja, no final das contas, apenas uma paranóia dos direitistas mais exaltados
novembro 06, 2006
Chega!
O Serra, parece, está querendo montar mais um partido de centro-esquerda. Carajo, quem é que agüenta mais um partido de esquerda? Pelas minhas contas, já há uns 12 partidos de esquerda no Brasil: PT, PSDB, PPS, PMDB, PSB, PDT, PCO, PSTU, PV, PTB, PCC e PQP, se é que não falta mais algum que eu tenha esquecido.
Já me conformei em viver num País sem direita, mas bem que a esquerda poderia parar de crescer e se multiplicar
O Serra, parece, está querendo montar mais um partido de centro-esquerda. Carajo, quem é que agüenta mais um partido de esquerda? Pelas minhas contas, já há uns 12 partidos de esquerda no Brasil: PT, PSDB, PPS, PMDB, PSB, PDT, PCO, PSTU, PV, PTB, PCC e PQP, se é que não falta mais algum que eu tenha esquecido.
Já me conformei em viver num País sem direita, mas bem que a esquerda poderia parar de crescer e se multiplicar
novembro 05, 2006
Eu, hein? Nem pensar

Deu pra ti
Desde sexta-feira eu tenho uma dívida de gratidão com Amaury Jr. Graças ao seu programa, eu descobri que o sujeito que eu sempre pensei que fosse o Kleiton é o Kledir, e o sujeito que eu tinha certeza de que fosse o Kledir é o Kleiton. Na sexta-feira, Amaury Jr. entrevistou os dois irmãos, que formam uma das duplas mais injustiçadas da história da nossa música. Em mesa de bar, eu já vi inúmeras discussões sobre quem é o pior nome da MPB, e as conversas em geral se limitam a Guilherme Arantes, Oswaldo Montenegro e Gonzaguinha. E Kleiton e Kledir? Acho que a dupla tem cacife para entrar na briga.
O programa do Amaury Jr. e uma rápida visita ao site da dupla me ensinaram várias coisas sobre os irmãos mais talentosos de Pelotas:
- Quanto mais velho fica, mais Kleiton se parece com Guilherme Arantes
- Kledir escreve. É cronista de jornais como o Zero Hora. Ele acaba de lançar um livro que se chama O pai invisível, obra que, segundo o site, “conta com muito humor a relação entre pais e filhos adolescentes”. Kledir explicou na entrevista que, depois de começar a escrever crônicas, "se descobriu como escritor"
- Os três filhos de Kleiton têm nomes que começam com K: Kamila, Karina e Kaio. “É para continuar a tradição da família”, explicou o irmão de Kledir ao Amaury Jr.
-- O site informa que até Mercedes Sosa já gravou músicas da dupla. Provavelmente foi uma encomenda para a trilha sonora do inferno
- Os dois gostam de compartilhar o que sabem. Idealizaram um workshop de letra e música, cujo objetivo é “estimular a formação de novos compositores e autores”
- Eles não são modestos. Sabem que fizeram uma contribuição fundamental à MPB e não têm vergonha de dizer, como fica claro neste texto do site: “Kleiton e Kledir trouxeram definitivamente para a cultura popular brasileira a nova música gaúcha. Eternizaram um sotaque diferente e uma outra maneira de falar e cantar, com termos até então desconhecidos, como ‘deu pra ti’, ‘tri legal’, etc. Esse jeito diferente de ser e fazer as coisas transformou Kleiton e Kledir numa referência fundamental para quem quer entender a música brasileira do nosso tempo”. Eu não vou discordar. Afinal, merece respeito quem compôs versos como “Coisas de magia, sei lá”, um exemplo sempre lembrado pelo mestre Ruy Goiaba como uma boa medida da fina ourivesaria poética de que são capazes os irmãos de Pelotas. Deu pra mim

Deu pra ti
Desde sexta-feira eu tenho uma dívida de gratidão com Amaury Jr. Graças ao seu programa, eu descobri que o sujeito que eu sempre pensei que fosse o Kleiton é o Kledir, e o sujeito que eu tinha certeza de que fosse o Kledir é o Kleiton. Na sexta-feira, Amaury Jr. entrevistou os dois irmãos, que formam uma das duplas mais injustiçadas da história da nossa música. Em mesa de bar, eu já vi inúmeras discussões sobre quem é o pior nome da MPB, e as conversas em geral se limitam a Guilherme Arantes, Oswaldo Montenegro e Gonzaguinha. E Kleiton e Kledir? Acho que a dupla tem cacife para entrar na briga.
O programa do Amaury Jr. e uma rápida visita ao site da dupla me ensinaram várias coisas sobre os irmãos mais talentosos de Pelotas:
- Quanto mais velho fica, mais Kleiton se parece com Guilherme Arantes
- Kledir escreve. É cronista de jornais como o Zero Hora. Ele acaba de lançar um livro que se chama O pai invisível, obra que, segundo o site, “conta com muito humor a relação entre pais e filhos adolescentes”. Kledir explicou na entrevista que, depois de começar a escrever crônicas, "se descobriu como escritor"
- Os três filhos de Kleiton têm nomes que começam com K: Kamila, Karina e Kaio. “É para continuar a tradição da família”, explicou o irmão de Kledir ao Amaury Jr.
-- O site informa que até Mercedes Sosa já gravou músicas da dupla. Provavelmente foi uma encomenda para a trilha sonora do inferno
- Os dois gostam de compartilhar o que sabem. Idealizaram um workshop de letra e música, cujo objetivo é “estimular a formação de novos compositores e autores”
- Eles não são modestos. Sabem que fizeram uma contribuição fundamental à MPB e não têm vergonha de dizer, como fica claro neste texto do site: “Kleiton e Kledir trouxeram definitivamente para a cultura popular brasileira a nova música gaúcha. Eternizaram um sotaque diferente e uma outra maneira de falar e cantar, com termos até então desconhecidos, como ‘deu pra ti’, ‘tri legal’, etc. Esse jeito diferente de ser e fazer as coisas transformou Kleiton e Kledir numa referência fundamental para quem quer entender a música brasileira do nosso tempo”. Eu não vou discordar. Afinal, merece respeito quem compôs versos como “Coisas de magia, sei lá”, um exemplo sempre lembrado pelo mestre Ruy Goiaba como uma boa medida da fina ourivesaria poética de que são capazes os irmãos de Pelotas. Deu pra mim
novembro 02, 2006
Um mártir desnecessário

Emir Sader fazendo uma boquinha na hora do recreio
Emir Sader é uma besta. Pouca gente escreve tanta bobagem quanto ele. Seus artigos sobre Cuba são ridículos, ou melhor, todos os artigos de Sader são ridículos. O seu blog é uma das coisas mais constrangedoras que eu já li. Sader acaba de ser condenado por injúria em processo movido pelo senador Jorge Bornhausen, por tê-lo chamado de racista. O juiz sentenciou o fã de Fidel Castro a um ano de prisão, em regime aberto, o que me parece correto, e à perda do cargo de professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o que me parece um exagero. Como não sou advogado, eu sei que minha opinião não tem embasamento jurídico. Acho apenas que a decisão vai transformar Sader num mártir da esquerda – aliás, isso já está ocorrendo. Sader tem um incentivo extra para seu discurso esquerdista delirante e grotesco. Eu sei que em Cuba, paraíso saderiano, opositores são presos e assassinados sem direito de defesa. É algo bem diferente do que está ocorrendo com ele, que pode recorrer da decisão. O ponto é que a besta hoje inofensiva vai posar de vítima do sistema. Vai dizer que o capitalismo quer calar um de seus maiores críticos. Por tudo isso, o melhor seria condená-lo a prisão em regime aberto, sem excessos que só vão servir para glamourizar alguém que merece ser apenas ridicularizado

Emir Sader fazendo uma boquinha na hora do recreio
Emir Sader é uma besta. Pouca gente escreve tanta bobagem quanto ele. Seus artigos sobre Cuba são ridículos, ou melhor, todos os artigos de Sader são ridículos. O seu blog é uma das coisas mais constrangedoras que eu já li. Sader acaba de ser condenado por injúria em processo movido pelo senador Jorge Bornhausen, por tê-lo chamado de racista. O juiz sentenciou o fã de Fidel Castro a um ano de prisão, em regime aberto, o que me parece correto, e à perda do cargo de professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o que me parece um exagero. Como não sou advogado, eu sei que minha opinião não tem embasamento jurídico. Acho apenas que a decisão vai transformar Sader num mártir da esquerda – aliás, isso já está ocorrendo. Sader tem um incentivo extra para seu discurso esquerdista delirante e grotesco. Eu sei que em Cuba, paraíso saderiano, opositores são presos e assassinados sem direito de defesa. É algo bem diferente do que está ocorrendo com ele, que pode recorrer da decisão. O ponto é que a besta hoje inofensiva vai posar de vítima do sistema. Vai dizer que o capitalismo quer calar um de seus maiores críticos. Por tudo isso, o melhor seria condená-lo a prisão em regime aberto, sem excessos que só vão servir para glamourizar alguém que merece ser apenas ridicularizado
novembro 01, 2006
Ei moço, me dá uma refinariazinha aí pra me ajudar

Quem dá aos pobres, empresta a Deus
No Estadão:
'Se fosse o Lula, daria refinarias de presente à Bolívia', diz Evo
Para o presidente da Bolívia, unidades da Petrobrás - que insiste em ser indenizada - 'não são nada para o Brasil'
Agnaldo Brito
O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou ontem que, se fosse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, daria à Bolívia as duas refinarias, hoje controladas pela Petrobrás. 'Se fosse o Brasil, presentearia as refinarias (para a Bolívia), se estamos pensando em como nos ajudar para reduzir as desigualdades sociais.'
Por outro lado...

Quem mandou ostentar em meio a tanta pobreza
Também no Estadão:
Evo preparou tropas para tomar refinarias
Áreas seriam ocupadas caso a Petrobrás se recusasse a assinar contratos
O presidente boliviano, Evo Morales, admitiu ontem, em La Paz, que preparou tropas para invadir os megacampos de petróleo e gás da Petrobrás caso a companhia não aceitasse os termos da nacionalização dos hidrocarbonetos.
Tô achando o Morales mais divertido que o Lula

Quem dá aos pobres, empresta a Deus
No Estadão:
'Se fosse o Lula, daria refinarias de presente à Bolívia', diz Evo
Para o presidente da Bolívia, unidades da Petrobrás - que insiste em ser indenizada - 'não são nada para o Brasil'
Agnaldo Brito
O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou ontem que, se fosse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, daria à Bolívia as duas refinarias, hoje controladas pela Petrobrás. 'Se fosse o Brasil, presentearia as refinarias (para a Bolívia), se estamos pensando em como nos ajudar para reduzir as desigualdades sociais.'
Por outro lado...

Quem mandou ostentar em meio a tanta pobreza
Também no Estadão:
Evo preparou tropas para tomar refinarias
Áreas seriam ocupadas caso a Petrobrás se recusasse a assinar contratos
O presidente boliviano, Evo Morales, admitiu ontem, em La Paz, que preparou tropas para invadir os megacampos de petróleo e gás da Petrobrás caso a companhia não aceitasse os termos da nacionalização dos hidrocarbonetos.
Tô achando o Morales mais divertido que o Lula
Deixa o homem trabalhar

Fui eleito, logo implemento
Abro os jornais, e leio matérias em que economistas são entrevistados sobre o que Lula fará no segundo mandato. Atenção, leitor. Releia a frase inicial. Sobre o que Lula vai fazer, e não sobre o que eles acham das coisas que o Lula vai fazer. Você acha normal? Eu não.
(pausa para o escriba expressar fisionomicamente um profundo cansaço mental - d'après Astérix)
Ora bolas (ou pqp, se preferirem), um sujeito que acaba de ser eleito supostamente vai fazer coisas que deveriam ser conhecidas. Não houve dois meses de campanha? Não houve um mandato anterior? Será possível que ainda assim a gente não saiba o que Lula vai fazer? Eu seria capaz de abrir mão de todas as minhas posições, de jogar na lata do lixo tudo o que remotamente cheire a convicção ou opinião pessoal, em troca de um punhadinho de espírito cartesiano no Bananão.
Estou louco para que o próximo petista me aborde e me pergunte o que eu acho das primeiras notícias econômicas sobre o novo governo Lula (isso rola comigo de vez em quando). Já tenho a resposta na ponta da língua:
"Espero que cada brasileiro cumpra o seu dever e que o Lula implemente o programa e as idéias do PT".
E que não me encham mais o saco
PS: Não estou dizendo que seria diferente com o Alckmin

Fui eleito, logo implemento
Abro os jornais, e leio matérias em que economistas são entrevistados sobre o que Lula fará no segundo mandato. Atenção, leitor. Releia a frase inicial. Sobre o que Lula vai fazer, e não sobre o que eles acham das coisas que o Lula vai fazer. Você acha normal? Eu não.
(pausa para o escriba expressar fisionomicamente um profundo cansaço mental - d'après Astérix)
Ora bolas (ou pqp, se preferirem), um sujeito que acaba de ser eleito supostamente vai fazer coisas que deveriam ser conhecidas. Não houve dois meses de campanha? Não houve um mandato anterior? Será possível que ainda assim a gente não saiba o que Lula vai fazer? Eu seria capaz de abrir mão de todas as minhas posições, de jogar na lata do lixo tudo o que remotamente cheire a convicção ou opinião pessoal, em troca de um punhadinho de espírito cartesiano no Bananão.
Estou louco para que o próximo petista me aborde e me pergunte o que eu acho das primeiras notícias econômicas sobre o novo governo Lula (isso rola comigo de vez em quando). Já tenho a resposta na ponta da língua:
"Espero que cada brasileiro cumpra o seu dever e que o Lula implemente o programa e as idéias do PT".
E que não me encham mais o saco
PS: Não estou dizendo que seria diferente com o Alckmin



Paulo Skaf, líder geopolítico
Os pronunciamentos de Paulo Skaf são sempre brilhantes, mas ontem o líder empresarial que não tem empresa se superou. Ao comentar a decisão do Copom, Skaf mais uma vez desceu o sarrafo nos diretores do Banco Central. Mas aí não tem notícia. Skaf sempre faz isso. A novidade é que dessa vez ele inovou na análise, mostrando que conhece política monetária como poucos. Segundo Skaf, faltou “visão histórica e geopolítica” ao Copom. Muito bom. O BC poderia começar a levar em conta indicadores geopolíticos na hora de projetar a inflação. Não entendo também por que pouca gente fala do paper Geopolitical impact on monetary policy, escrito pelo Milton Friedman pouco depois de ele ganhar o Nobel. Skaf certamente leu.
Eu imagino Skaf e a diretoria da Fiesp discutindo geopolítica em reuniões intermináveis. Não duvido que eles utilizem um mapa do War, avaliando longamente o impacto do que se passa em Dudinka, Omsk e Vladivostok sobre a economia brasileira
PS: O texto da Fiesp é impiedoso não apenas com o BC. Ele também não perdoa a inculta e bela. Veja este trecho – exatamente aquele em que Skaf menciona a falta de visão geopolítica do BC: "'Isto inviabiliza a retomada do crescimento sustentado da economia já no início de 2007, como anseiam os brasileiros', pondera Skaf, salientando estar faltando visão histórica e geopolítica, inclusive de curto prazo, aos membros do Copom e ao governo." "Salientando estar faltando" é uma das construções mais bonitas que eu já vi