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Eu, hein? Nem pensar

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Deu pra ti

Desde sexta-feira eu tenho uma dívida de gratidão com Amaury Jr. Graças ao seu programa, eu descobri que o sujeito que eu sempre pensei que fosse o Kleiton é o Kledir, e o sujeito que eu tinha certeza de que fosse o Kledir é o Kleiton. Na sexta-feira, Amaury Jr. entrevistou os dois irmãos, que formam uma das duplas mais injustiçadas da história da nossa música. Em mesa de bar, eu já vi inúmeras discussões sobre quem é o pior nome da MPB, e as conversas em geral se limitam a Guilherme Arantes, Oswaldo Montenegro e Gonzaguinha. E Kleiton e Kledir? Acho que a dupla tem cacife para entrar na briga.

O programa do Amaury Jr. e uma rápida visita ao site da dupla me ensinaram várias coisas sobre os irmãos mais talentosos de Pelotas:

- Quanto mais velho fica, mais Kleiton se parece com Guilherme Arantes

- Kledir escreve. É cronista de jornais como o Zero Hora. Ele acaba de lançar um livro que se chama O pai invisível, obra que, segundo o site, “conta com muito humor a relação entre pais e filhos adolescentes”. Kledir explicou na entrevista que, depois de começar a escrever crônicas, "se descobriu como escritor"

- Os três filhos de Kleiton têm nomes que começam com K: Kamila, Karina e Kaio. “É para continuar a tradição da família”, explicou o irmão de Kledir ao Amaury Jr.

-- O site informa que até Mercedes Sosa já gravou músicas da dupla. Provavelmente foi uma encomenda para a trilha sonora do inferno

- Os dois gostam de compartilhar o que sabem. Idealizaram um workshop de letra e música, cujo objetivo é “estimular a formação de novos compositores e autores”

- Eles não são modestos. Sabem que fizeram uma contribuição fundamental à MPB e não têm vergonha de dizer, como fica claro neste texto do site: “Kleiton e Kledir trouxeram definitivamente para a cultura popular brasileira a nova música gaúcha. Eternizaram um sotaque diferente e uma outra maneira de falar e cantar, com termos até então desconhecidos, como ‘deu pra ti’, ‘tri legal’, etc. Esse jeito diferente de ser e fazer as coisas transformou Kleiton e Kledir numa referência fundamental para quem quer entender a música brasileira do nosso tempo”. Eu não vou discordar. Afinal, merece respeito quem compôs versos como “Coisas de magia, sei lá”, um exemplo sempre lembrado pelo mestre Ruy Goiaba como uma boa medida da fina ourivesaria poética de que são capazes os irmãos de Pelotas. Deu pra mim




Marcos Matamoros at 07:48 PM | Comentários (7)

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* Marcos Matamoros
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