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Paulicéia desvairada

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Um lugar para quem não tem medo de cara feia

De folga na sexta-feira, eu vou ao centro de São Paulo. Faço minha tradicional rota por alguns sebos e aproveito para ver uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil. Mas isso é secundário. O mais importante é o contato direto como o povo, essa abstração. No centro, o povo é bem concreto, como fica claro nestas breves notas sobre o meu périplo:

- A primeira coisa que me espanta, ainda que eu vá para lá com alguma freqüência, é a quantidade de gente feia. Pobre é feio – muito feio. Um economista ou cientista social corajoso ainda fará um estudo sério sobre a correlação entre pobreza e feiúra. Os resultados serão impressionantes. Quando veio ao Brasil pela primeira vez, Gore Vidal observou que o brasileiro era feio, o que fez muita gente torcer o nariz para ele. Basta uma caminhada no centro de São Paulo para ver que Vidal estava certo

- Na Praça João Mendes, um homem e uma mulher discutem. Na verdade, não é bem uma discussão. Ela o xinga em altos brados, e ele apenas resmunga. “Quem mandou não me ouvir? É corno! Corno”, diz a mulher. O sujeito pode não ser corno, mas é manso. Ele segue impassível, alguns passos atrás da mulher, que não pára de xingá-lo – de corno

- Na Praça da Sé, tapumes atrapalham a circulação dos populares. Num tapume, uma pichação sábia: “Vote nulo. Viva Raul”. Antes que alguém comece a cantar Gitâ, saio dali rapidinho

- Você acha R$ 1 muito pouco? Não é, pelo menos no centro de São Paulo. Com R$ 1, você pode comprar um sanduíche de churrasquinho grego, que vem com suco grátis. Se sobreviver e tiver mais R$ 1, ainda come sete paçocas de sobremesa. Isso mesmo – sete

- Além de feio, pobre não sabe andar de ônibus, ainda que o faça todos os dias. O sujeito pode morar perto do ponto final, mas, mal entra no veículo, corre para a porta, atrapalhando todo mundo que vai descer uns 30 quilômetros antes dele. E não adianta fazer cara feia



Marcos Matamoros at 09:12 PM | Comentários (8)

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* Marcos Matamoros
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