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Kenneth Maxwell deu uma entrevista bastante interessante à Folha, publicada ontem. Segundo ele, o Brasil precisaria de “um partido conservador moderno, que fosse honesto ao defender o liberalismo e que assumisse suas crenças. Seria uma grande revolução”. É exatamente o que eu penso. A questão é que poucas coisas parecem tão distantes quanto à concretização dessa idéia.
O primeiro motivo é óbvio: os políticos brasileiros morrem de medo de serem identificados como liberais. O vermelho Geraldo Alckmin, por exemplo, fez questão de dizer nas eleições que não pretendia privatizar ou cortar drasticamente os gastos públicos. José Serra, dizem, pensa em formar um partido de centro-esquerda. Os tucanos não só têm vergonha de serem vistos como liberais como se acham de esquerda.
Já os partidos tradicionalmente associados com a direita, como PFL, PP e PTB, dispensam comentários, a não ser que você ache que sujeitos como Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf e Roberto Jefferson são conservadores modernos. Há quem alimente a esperança de que o PFL possa assumir esse papel, o que, convenhamos, é tão provável quanto o Lula ter lido todos os livros de Machado de Assis. Quando eu tento pensar num político do PFL que me pareça respeitável, o único nome que me vem à cabeça é o de José Carlos Aleluia, e eu sempre fico com a impressão de que o acho respeitável porque não o conheço direito. Em resumo, não consigo ver de onde pode surgir o partido conservador moderno, pelo menos pensando no atual quadro partidário.
Outro problema é que muitos liberais brasileiros estão mais perdidos que o Guia Genial em aula de gramática. Olavo de Carvalho, por exemplo, ainda é levado a sério por muita gente. O sujeito está cada vez mais maluco. Os seus artigos carecem totalmente de sentido. Veja este pequeno trecho de um deles, um delírio que não chega nem a ser engraçado: “Com a reeleição de Lula, o Brasil continuará sendo governado diretamente das assembléias e grupos de trabalho do Foro de São Paulo, sem a mínima necessidade de consultar o Parlamento ou dar satisfações à opinião pública (...)”.
Fica claro que o sujeito é maluco, e maluco de internar. Qualquer um que tenha um mínimo de contato com a realidade sabe que as coisas não funcionam como pensa o filósofo expatriado nos EUA. Não, não há uma revolução comunista em marcha na América Latina. Não, o Foro de São Paulo não come criancinha. Se o objetivo dos liberais é combater a hegemonia cultural e política da esquerda, o primeiro passo é saber diferenciar o delírio da realidade. Olavo de Carvalho não sabe. E quem tem o filósofo como guru também não


