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Me compra aí, vai, é baratinho
O grande corrupto é uma figura banal. Não é dificil entender a motivação de um sujeito que se vende por milhões. O que me fascina é quem o faz por migalhas. Waldomiro Diniz é um deles. Foi flagrado pedindo uma comissão de 1% para o bicheiro Carlinhos Cachoeira, com quem negociava contribuições de R$ 150 mil para as candidaturas de Benedita da Silva e Rosinha Garotinho. Eu nunca tinha ouvido falar de comissão de 1%. É muito pé-de-chinelo.
Leio uma transcrição da conversa e fica claro que até Cachoeira se espanta com a exigência do amigo de José Dirceu. Deve ter pensado: por que o sujeito se arrisca por uma comissão de 1%?
Outro caso de nanocorrupção foi descoberto nesta semana. A Polícia Federal divulgou gravações de conversas do repórter José Messias Xavier, da TV Globo, com integrantes da quadrilha de Fernando Ignácio, um dos chefes da máfia dos caça-níqueis no Rio. Messias recebia R$ 1 mil por mês em troca de informações. Por menos de três salários mínimos, jogou a carreira no lixo.
O mais óbvio é recorrer ao lugar comum de que todo homem tem seu preço, e concluir que sujeitos como Waldomiro e Messias foram comprados na xepa da corrupção. Não deixa de ser verdade. A questão é que continua um mistério o que leva alguém a arriscar a reputação por tão pouco, sem nem mesmo ter a desculpa do desespero. Afinal, nenhum dos dois estava na pindaíba. A burrice de colocar em risco o pescoço por um trocado me deixa perplexo. Mas talvez eu esteja buscando uma dimensão shakespeareana onde existe apenas mediocridade.
Eu confesso que não sabia como terminar o post, até que me lembrei de algo que Machado de Assis escreveu sobre a pequena corrupção. Deixar um link para o conto Suje-se gordo! é sem dúvida o modo mais elegante de concluí-lo. Divirtam-se
PS: Os Apostos voltamos com as apostas. O tema deste mês é cambalacho


