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O espírito de Natal III

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Os bancos brasileiros o fariam corar


Eu sei que alguns dos nossos leitores são economistas de gabarito, e é para eles que eu lanço a seguinte singela dúvida. Como se explica que a taxa de juros do cheque especial (que eu não uso nunca) do meu banco seja de 11% ao mês, ou 250% ao ano? Quando a taxa de juros básica estava em 40%, a inflação tinha surtos de recaída e eventualmente batia 30% anualizada em algum trimestre maluco, o país era mais instável do que o meu humor, etc, etc, vá lá. Vá lá não, para ser rigoroso. 250% ao ano não se justificava nem em plena turbulência de 2002. Mas façamos esta concessão: vá lá. Agora, porém, com juros básicos de 13,25%, inflação de 3%, estabilidade granítica nas contas externas, e coisa e tal, a taxa de juros do cheque especial continua em 250% ao ano por quê? Hoje eu recebi o meu extratinho pelo correio e fiquei extremamente irritado de ver lá: "Suas Taxas de Juros Contratadadas/Taxa a.m./Cheque Especial ---- 10,99%". Já não basta este 'ponto de compra' ridículo de qualquer coisa ",99", que é intragável em produtos no comércio em geral e francamente nauseabundo quando utilizado em taxas de juros extorsivas. O mais irritante, porém, é a desfaçatez com que estes caras sapecam na tua cara uma taxa de juros de 250% ao ano como se fosse a coisa mais normal do mundo. É o equivalente ao supermercado no qual eu faço compras me enviar um folheto pelo correio no qual esteja escrito "Seu preço para comprar bananas - R$ 500 a dúzia". Ok, eu não tenho a menor obrigação de comprar bananas por R$ 500 nem de usar o cheque especial com taxa de 250% ao ano. Mas a simples publicação de preços tão absurdos, ainda mais em uma correspondência enviada para a minha casa, já é ofensa grave. Estou com vontade de entrar na agência e tacar uma pedra na cabeça do gerente, coitado, que não deveria ser objeto da fúria que mais acertadamente dirigir-se-ia ao acionista. Tá bom, fico quieto no meu lugar. Mas vai segurar este espírito natalino que me contagia...



F. Arranhaponte at 03:09 PM | Comentários (2)

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* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


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