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O inimigo público número 1
Quem anda por São Paulo percebe que o número de motoboys não pára de crescer. A proliferação foi muito além dos limites do razoável. Os motoboys estão em guerra aberta com os carros e em disputa velada com os pedestres. Alguma providência tem que ser tomada antes que se atinja o grande colapso final. Em mais um dia de ócio pela cidade, tive uma idéia que pode solucionar o problema, ou pelo menos torná-lo mais suportável.
O caos se intalou no trânsito de São Paulo porque os predadores naturais dos motoboys – os automóveis – não têm liberdade total de ação. A combinação de uma legislação excessivamente humanista com a demanda crescente pelo serviço dos motoqueiros provocou o desequilíbrio. Para resolver o problema, é indispensável que os motoristas dos carros e os pedestres possam agir livremente, pelo menos em parte do ano. Por que não estabelecer uma temporada de caça aos motoboys? Não proponho nada muito drástico. Em abril e outubro, por exemplo, os motoristas e pedestres teriam autorização para investir contra os motoqueiros. Talvez seja pouco, mas é um começo.
Além de reduzir o número de motoboys, a proposta tem outras vantagens claras. Uma delas é permitir que motoristas estressados canalizem suas neuroses. Dar vazão à agressividade inata do ser humano pode ser mais eficaz do que anos de terapia.
Os próprios motoboys seriam beneficiados. É verdade que a profissão se tornaria um pouco mais arriscada, mas os salários dos sobreviventes tenderiam a subir. A oferta excessiva de motoqueiros derruba o rendimento da categoria. Com menos motoboys em circulação, as empresas disputariam os que restassem a tapas.
A solução está aí. Com um pouco de vontade política, pode ser implementada sem grandes problemas


