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Um brasileiro sofisticado
Falar mal de brasileiros consagrados é quase irresistível. Oscar Niemeyer? Arquiteto kitsch e stalinista despudorado. Rubem Fonseca? Mau escritor, repetitivo e masturbatório. Caetano Veloso? Baiano verborrágico que perdeu o rumo no começo dos anos 90. Mas é claro que há exceções entre os brazucas famosos no mundo da cultura. Tom Jobim é certamente uma delas. No sábado passado, fui ao All of jazz, onde vi um show do grupo de Mário Aphonso III, com repertório baseado em Wave e Tide e uma ou outra coisa de Stone Flower.
Foi a quinta ou sexta vez a que assisti ao show, que tem como ponto alto músicas desconhecidas como Mojave, Antigua ou Sue Ann. Entendo pouco do assunto, mas quando ouço qualquer disco de Tom Jobim fica claro por que os músicos de jazz costumam idolatrá-lo. O homem era realmente sofisticado – de quantos brasileiros se pode dizer o mesmo? Gosto de quase tudo dele, das mais óbvias como Chega de saudade, Garota de Ipanema, Samba de uma nota só e Desafinado até as pouco conhecidas como Mojave, por exemplo.
É verdade que ele poderia ter evitado os corinhos femininos meio Quarteto em Cy que aparecem em músicas como Gabriela, mas nem isso diminui minha admiração. Tom Jobim e Machado de Assis são dois dos poucos brasileiros que merecem toda a fama que têm


