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janeiro 29, 2007
Evo Morales, homme à femmes
janeiro 23, 2007
O Estado vai continuar grande (Post chato)

As entranhas do Estado brasileiro
Por incrível que pareça, o amadorismo do governo Lula ainda me surpreende. Logo após as eleições, o Guia Genial decidiu que o país precisaria crescer 5% ao ano. Como foi reeleito sem programa de governo, mandou a equipe econômica elaborar de uma hora para outra um plano para atingir o objetivo. No começo, alguns coitados propuseram medidas corretas, embora tímidas, para controlar o crescimento dos gastos correntes. Houve quem sugerisse em reuniões com Lula que se mudassem algumas regras da Previdência. O presidente logo rechaçou as propostas, porque, segundo ele, faltava ousadia. Insatisfeito, deu mais algumas semanas aos ministros, que optaram pelo caminho mais fácil: aumentar o investimento público à custa da redução da economia para pagar juros, e não por meio de um corte de gastos.
O mais ridículo foi dizer que o programa prevê R$ 503,9 bilhões em investimentos em quatro anos. Boa parte dos recursos se refere ao que estatais como a Petrobras já tinham programado investir, e uma outra parte significativa virá do setor privado, se vier, é claro. O Globo informa que, dos R$ 503,9 bilhões anunciados, os recursos novos são apenas R$ 81,2 bilhões, ou 16,1% do total.
Também é constrangedor o governo decidir que o país vai crescer 4,5% neste ano e 5% a partir de 2008. A expansão média de 1991 para cá ficou na casa de 2,5% ao ano. É possível que o crescimento potencial do país tenha aumentado nos últimos anos, devido à melhora das contas externas e à queda dos juros para níveis mais baixos, mas daí a acreditar que o país pode crescer o dobro do que vinha crescendo é, na melhor das hipóteses, wishful thinking. O mais provável é que seja coisa de picareta mesmo.
Como o governo não vai cortar os gastos, a carga tributária não poderá cair, o que obviamente inibe o investimento privado. O Estado vai continuar enorme e o crescimento vai seguir pífio. Mas tudo bem. Se der errado, o governo e muitos analistas vão culpar os juros altos e o câmbio valorizado, como sempre

As entranhas do Estado brasileiro
Por incrível que pareça, o amadorismo do governo Lula ainda me surpreende. Logo após as eleições, o Guia Genial decidiu que o país precisaria crescer 5% ao ano. Como foi reeleito sem programa de governo, mandou a equipe econômica elaborar de uma hora para outra um plano para atingir o objetivo. No começo, alguns coitados propuseram medidas corretas, embora tímidas, para controlar o crescimento dos gastos correntes. Houve quem sugerisse em reuniões com Lula que se mudassem algumas regras da Previdência. O presidente logo rechaçou as propostas, porque, segundo ele, faltava ousadia. Insatisfeito, deu mais algumas semanas aos ministros, que optaram pelo caminho mais fácil: aumentar o investimento público à custa da redução da economia para pagar juros, e não por meio de um corte de gastos.
O mais ridículo foi dizer que o programa prevê R$ 503,9 bilhões em investimentos em quatro anos. Boa parte dos recursos se refere ao que estatais como a Petrobras já tinham programado investir, e uma outra parte significativa virá do setor privado, se vier, é claro. O Globo informa que, dos R$ 503,9 bilhões anunciados, os recursos novos são apenas R$ 81,2 bilhões, ou 16,1% do total.
Também é constrangedor o governo decidir que o país vai crescer 4,5% neste ano e 5% a partir de 2008. A expansão média de 1991 para cá ficou na casa de 2,5% ao ano. É possível que o crescimento potencial do país tenha aumentado nos últimos anos, devido à melhora das contas externas e à queda dos juros para níveis mais baixos, mas daí a acreditar que o país pode crescer o dobro do que vinha crescendo é, na melhor das hipóteses, wishful thinking. O mais provável é que seja coisa de picareta mesmo.
Como o governo não vai cortar os gastos, a carga tributária não poderá cair, o que obviamente inibe o investimento privado. O Estado vai continuar enorme e o crescimento vai seguir pífio. Mas tudo bem. Se der errado, o governo e muitos analistas vão culpar os juros altos e o câmbio valorizado, como sempre
janeiro 22, 2007
PAC: primeiras impressões
- A qualidade dos slides apresentados pelo Guido Mantega é muito ruim. Se o governo não consegue nem fazer transparências que prestem, é óbvio que o PAC não fará o país crescer 5% a partir de 2008
- O destino do país está nas mãos de gente como Guido Mantega e Dilma Rousseff. Não há a menor possibilidade de dar certo
- Que porra a dona Marisa fazia entre os ministros no momento da divulgação do plano? Por acaso ela ajudou na elaboração das medidas? Vai esquentar a barriga no fogão, dona Marisa!
- Não adianta. Por mais solene que seja a ocasião, Lula mantém a cara de gaiato. Ele tem toda a pinta de que, depois de umas pingas, acha que até a Dilma é gostosa
- A qualidade dos slides apresentados pelo Guido Mantega é muito ruim. Se o governo não consegue nem fazer transparências que prestem, é óbvio que o PAC não fará o país crescer 5% a partir de 2008
- O destino do país está nas mãos de gente como Guido Mantega e Dilma Rousseff. Não há a menor possibilidade de dar certo
- Que porra a dona Marisa fazia entre os ministros no momento da divulgação do plano? Por acaso ela ajudou na elaboração das medidas? Vai esquentar a barriga no fogão, dona Marisa!
- Não adianta. Por mais solene que seja a ocasião, Lula mantém a cara de gaiato. Ele tem toda a pinta de que, depois de umas pingas, acha que até a Dilma é gostosa
janeiro 15, 2007
Vida, definitivamente superior à arte
O nome do vice do presidente do Equador, Rafael Correa (mais um sub-Chávez) é Lenin Moreno
O nome do vice do presidente do Equador, Rafael Correa (mais um sub-Chávez) é Lenin Moreno
A favor da ficção*

E o sexo entre as antas nada mais é do que o reflexo do...
Livros de não-ficção têm este problema. Ao fim e ao cabo é um sujeito (ou uma sujeita) querendo convencer você de alguma coisa, ou de uma profusão de coisas**. É alguém cheio de idéias, procurando divulgá-las. E as idéias tendem a ser chatas, quando confusas, e irritantes quando claras (nada mais sufocante do que a sensação de tudo explicadinho). Livros de ficção são cheios de idéias também, é claro, mas o autor tem pelo menos o pudor de disfarçá-las e diluí-las, atribuindo-as a diferentes personagens - e por mais que a gente saiba que este ou aquele são alter-egos do autor, papagaiando as suas verdades, sempre há um grau de incerteza, um esfumaçado ideológico, de dentro do qual surge a vida dos personagens, o que realmente interessa - e quanto mais vivinhos da silva, mais somos capturados por suas peripécias, e menos atenção damos ao que o autor pensa ou não pensa sobre isto ou aquilo. Na ficção, as idéias nos penetram, sem dúvida, mas de uma forma furtiva, mais inconsciente, e aí não rola aquela sensação de chatice de quando alguém tenta convencê-lo (a) de coisas obscuras e confusas, ou aquela sensação meio canina e bocó de admiração por alguém que supostamente consegue explicar de forma clara e detalhada (haja saco) algum aspecto do caos reinante. Sempre que eu leio não-ficção, e especialmente quando eu gosto, sinto que estou me tornando um cara mais chato, capaz de sentar numa mesa de bar e tentar explicar coisas interessantes para as pessoas em volta. E tentem pensar nos chatos mais notórios do seu convívio: aposto que uma boa parte é de ávidos leitores de não-ficção, que adoram explicar coisas interessantes
Pensando bem, talvez a boa não-ficção - um bom ensaio, por exemplo - seja aquela na qual o autor narra, divaga, deixa suas idéias brotarem, mas não o agarra pela gola perguntando se você entendeu direitinho e concorda com ele. Pensando melhor, é bom quando quase parece ficção
* Este post é mais uma tentativa de um chato de convencê-lo (a) de alguma coisa
** Depois que eu escrevi me ocorreu que livros de história, biografias, etc, não se encaixam tão bem na definição de alguém tentando convencê-lo (a) de alguma coisa. Aí pensei em reescrever, manobrando e sofismando para demonstrar que, sim, se encaixam sim. Mas faltou saco

E o sexo entre as antas nada mais é do que o reflexo do...
Livros de não-ficção têm este problema. Ao fim e ao cabo é um sujeito (ou uma sujeita) querendo convencer você de alguma coisa, ou de uma profusão de coisas**. É alguém cheio de idéias, procurando divulgá-las. E as idéias tendem a ser chatas, quando confusas, e irritantes quando claras (nada mais sufocante do que a sensação de tudo explicadinho). Livros de ficção são cheios de idéias também, é claro, mas o autor tem pelo menos o pudor de disfarçá-las e diluí-las, atribuindo-as a diferentes personagens - e por mais que a gente saiba que este ou aquele são alter-egos do autor, papagaiando as suas verdades, sempre há um grau de incerteza, um esfumaçado ideológico, de dentro do qual surge a vida dos personagens, o que realmente interessa - e quanto mais vivinhos da silva, mais somos capturados por suas peripécias, e menos atenção damos ao que o autor pensa ou não pensa sobre isto ou aquilo. Na ficção, as idéias nos penetram, sem dúvida, mas de uma forma furtiva, mais inconsciente, e aí não rola aquela sensação de chatice de quando alguém tenta convencê-lo (a) de coisas obscuras e confusas, ou aquela sensação meio canina e bocó de admiração por alguém que supostamente consegue explicar de forma clara e detalhada (haja saco) algum aspecto do caos reinante. Sempre que eu leio não-ficção, e especialmente quando eu gosto, sinto que estou me tornando um cara mais chato, capaz de sentar numa mesa de bar e tentar explicar coisas interessantes para as pessoas em volta. E tentem pensar nos chatos mais notórios do seu convívio: aposto que uma boa parte é de ávidos leitores de não-ficção, que adoram explicar coisas interessantes
Pensando bem, talvez a boa não-ficção - um bom ensaio, por exemplo - seja aquela na qual o autor narra, divaga, deixa suas idéias brotarem, mas não o agarra pela gola perguntando se você entendeu direitinho e concorda com ele. Pensando melhor, é bom quando quase parece ficção
* Este post é mais uma tentativa de um chato de convencê-lo (a) de alguma coisa
** Depois que eu escrevi me ocorreu que livros de história, biografias, etc, não se encaixam tão bem na definição de alguém tentando convencê-lo (a) de alguma coisa. Aí pensei em reescrever, manobrando e sofismando para demonstrar que, sim, se encaixam sim. Mas faltou saco
janeiro 13, 2007
Os livros que Lula não leu

O poeta preferido de dona Marisa
"É do pior gosto, e do pior efeito, desculpar-se um chefe com o 'erro dum empregado'. Não há erros de empregados. Todo o erro dum empregado é apenas o erro de ter empregados que fazem erros." (Fernando Pessoa, em A economia em Pessoa - verbetes contemporâneos, organização, prefácio e notas de Gustavo Franco)

O poeta preferido de dona Marisa
"É do pior gosto, e do pior efeito, desculpar-se um chefe com o 'erro dum empregado'. Não há erros de empregados. Todo o erro dum empregado é apenas o erro de ter empregados que fazem erros." (Fernando Pessoa, em A economia em Pessoa - verbetes contemporâneos, organização, prefácio e notas de Gustavo Franco)
janeiro 12, 2007
Lições de jornalismo
Sem a fonte, o leitor e o chefe, o jornalismo seria a profissão perfeita
Sem a fonte, o leitor e o chefe, o jornalismo seria a profissão perfeita
Da intimidade II

Gabriel García Márquez. Para os íntimos, Gabo
Eu já reclamei de quem chama Shakespeare de bardo de Stratford-upon-Avon e Machado de Assis de bruxo do Cosme Velho, mas esqueci de outro clichê abominável do jornalismo cultural no tratamento de escritores, músicos e artistas em geral: a pseudo-intimidade. Neste texto, Sylvia Colombo fala mal de Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez. Como não li o livro, não sei se ela está certa ou não. O problema é que ela chama García Márquez de Gabo quase o tempo todo. Que intimidade é essa? Parece que ela é amiga de infância do sujeito. Ou quem sabe freqüentou a cama de Gabo?
Outra praga: críticos de música descolados que chamam Caetano Veloso de Caê. A não ser que você tenha dado para Caetano – ou tenha comido o filho mais delicado de Dona Canô -, chamá-lo de Caê é imperdoável.
Pecado menos grave é chamar Woody Allen de Woody, mas também me parece excesso de frescura. Um pouquinho menos de viadagem não faria mal a ninguém

Gabriel García Márquez. Para os íntimos, Gabo
Eu já reclamei de quem chama Shakespeare de bardo de Stratford-upon-Avon e Machado de Assis de bruxo do Cosme Velho, mas esqueci de outro clichê abominável do jornalismo cultural no tratamento de escritores, músicos e artistas em geral: a pseudo-intimidade. Neste texto, Sylvia Colombo fala mal de Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez. Como não li o livro, não sei se ela está certa ou não. O problema é que ela chama García Márquez de Gabo quase o tempo todo. Que intimidade é essa? Parece que ela é amiga de infância do sujeito. Ou quem sabe freqüentou a cama de Gabo?
Outra praga: críticos de música descolados que chamam Caetano Veloso de Caê. A não ser que você tenha dado para Caetano – ou tenha comido o filho mais delicado de Dona Canô -, chamá-lo de Caê é imperdoável.
Pecado menos grave é chamar Woody Allen de Woody, mas também me parece excesso de frescura. Um pouquinho menos de viadagem não faria mal a ninguém
janeiro 10, 2007
Contra o frevo

Estão rindo de quê?
Eu não suporto desfile de escola de samba, acho o fim da picada a disputa entre o Caprichoso e o Garantido e abomino festa junina, mas não há nada mais ridículo entre as manifestações populares do que a dança do frevo. Como é que as pessoas não se sentem constrangidas em fazer aquela coreografia? O sujeito se abaixa como um cossaco, joga o braço com a sombrinha para cima, o outro para o lado e fica o tempo todo com aquele sorriso de professor de aeróbica no rosto. Tudo isso ao som de uma musiquinha insuportável. Eu fico com vergonha. Alguém além de mim também fica horrorizado com isso?

Estão rindo de quê?
Eu não suporto desfile de escola de samba, acho o fim da picada a disputa entre o Caprichoso e o Garantido e abomino festa junina, mas não há nada mais ridículo entre as manifestações populares do que a dança do frevo. Como é que as pessoas não se sentem constrangidas em fazer aquela coreografia? O sujeito se abaixa como um cossaco, joga o braço com a sombrinha para cima, o outro para o lado e fica o tempo todo com aquele sorriso de professor de aeróbica no rosto. Tudo isso ao som de uma musiquinha insuportável. Eu fico com vergonha. Alguém além de mim também fica horrorizado com isso?
janeiro 09, 2007
Crise de blogueiro

O verão no Rio está bombando
Assuntos sobre os quais nada tenho a dizer:
1) Cicarelli versus YouTube
2) Milícias no Rio de Janeiro
3) Execução do Saddam
4) Eleição na Câmara*
5) Novos governos estaduais
6) Pacote pró-crescimento do Lula
7) Nacionalização das indústrias venezuelanas
8) James Bond**
A situação é grave. O espírito de porco tomou conta de mim. A última lembrança de prazer não fisiológico que eu tenho é a de ver as chuvas detonarem o revéillon e o início da temporada de verão de milhares de turistas no Rio de Janeiro. Foi bom, muito bom, andar de galochas e guarda-chuva pelo calçadão de Ipanema, examinando a cara infeliz de alemães, italianos, paulistas, tijucanos etc. Bem feito, quem mandou não ir para o Caribe ou pro Nordeste
* existe uma coisa assim acontecendo
** bem, neste caso, ainda não assisti; quem sabe não me anima um pouco

O verão no Rio está bombando
Assuntos sobre os quais nada tenho a dizer:
1) Cicarelli versus YouTube
2) Milícias no Rio de Janeiro
3) Execução do Saddam
4) Eleição na Câmara*
5) Novos governos estaduais
6) Pacote pró-crescimento do Lula
7) Nacionalização das indústrias venezuelanas
8) James Bond**
A situação é grave. O espírito de porco tomou conta de mim. A última lembrança de prazer não fisiológico que eu tenho é a de ver as chuvas detonarem o revéillon e o início da temporada de verão de milhares de turistas no Rio de Janeiro. Foi bom, muito bom, andar de galochas e guarda-chuva pelo calçadão de Ipanema, examinando a cara infeliz de alemães, italianos, paulistas, tijucanos etc. Bem feito, quem mandou não ir para o Caribe ou pro Nordeste
* existe uma coisa assim acontecendo
** bem, neste caso, ainda não assisti; quem sabe não me anima um pouco
janeiro 05, 2007
Da intimidade
Num restaurante, Walther Moreira Salles encontra um sujeito que mal conhece. O homem o cumprimenta efusivamente. Bate em seu ombro e diz:
- Embaixador, há quanto tempo! Me diga o que há de novo.
Sem perder a classe, o embaixador responde:
-De novo, só essa nossa súbita intimidade
(A história talvez seja apócrifa, but who cares?)
Num restaurante, Walther Moreira Salles encontra um sujeito que mal conhece. O homem o cumprimenta efusivamente. Bate em seu ombro e diz:
- Embaixador, há quanto tempo! Me diga o que há de novo.
Sem perder a classe, o embaixador responde:
-De novo, só essa nossa súbita intimidade
(A história talvez seja apócrifa, but who cares?)
janeiro 03, 2007
Mais do mesmo

Governar dá uma preguiça danada
O segundo governo Lula mal começou, e já começou mal. O Guia Genial é reeleito com uma votação consagradora, consegue o apoio de 363 partidos e... não faz nada. Em vez de nomear um ministério de peso, assume com a equipe antiga. Se o ministro não sabe se vai continuar no governo, é óbvio que um clima de paralisia toma conta da pasta. Isso só não ocorreria se o país tivesse uma burocracia estável, bem preparada e permanente, o que não é verdade na esmagadoria maioria do setor público brasileiro. A indefinição deve se arrastar até fevereiro, e nada indica que as coisas vão melhorar depois. Gênios como Guido Mantega e Dilma Rousseff deverão continuar nos seus postos, e partidos que têm quadros ultrapreparados como o PMDB vão indicar vários ministros medíocres - ou nem isso. Lula gosta mesmo é de ser candidato, não de governar o país.
O acordo para elevar o salário mínimo de R$ 350 para R$ 380, que terá um impacto forte sobre as contas da Previdência, também é um péssimo sinal. Lula não está disposto a controlar gastos nem mesmo no primeiro ano de governo, quando, pelo menos em tese, o presidente tem capital político para tomar medidas impopulares. Mas o Guia Genial já mostrou que não quer confusão. Reforma da Previdência, por exemplo, nem pensar. Em resumo, Lula começou a abrir as pernas na área fiscal. Para aumentar investimentos em infra-estrutura, ele não vai cortar gastos, mas sim reduzir o superávit primário. Para coroar tudo isso, o pacote econômico terá um nome ridículo - Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
Mas é possível que nada disso afete a popularidade de Lula. O homem tem muita sorte. O cenário externo continua lindo, e é provável que o país cresça um pouco mais de 3% neste ano, com aumento de renda. É a combinação perfeita para o Guia Genial continuar apostando na mediocridade de sempre

Governar dá uma preguiça danada
O segundo governo Lula mal começou, e já começou mal. O Guia Genial é reeleito com uma votação consagradora, consegue o apoio de 363 partidos e... não faz nada. Em vez de nomear um ministério de peso, assume com a equipe antiga. Se o ministro não sabe se vai continuar no governo, é óbvio que um clima de paralisia toma conta da pasta. Isso só não ocorreria se o país tivesse uma burocracia estável, bem preparada e permanente, o que não é verdade na esmagadoria maioria do setor público brasileiro. A indefinição deve se arrastar até fevereiro, e nada indica que as coisas vão melhorar depois. Gênios como Guido Mantega e Dilma Rousseff deverão continuar nos seus postos, e partidos que têm quadros ultrapreparados como o PMDB vão indicar vários ministros medíocres - ou nem isso. Lula gosta mesmo é de ser candidato, não de governar o país.
O acordo para elevar o salário mínimo de R$ 350 para R$ 380, que terá um impacto forte sobre as contas da Previdência, também é um péssimo sinal. Lula não está disposto a controlar gastos nem mesmo no primeiro ano de governo, quando, pelo menos em tese, o presidente tem capital político para tomar medidas impopulares. Mas o Guia Genial já mostrou que não quer confusão. Reforma da Previdência, por exemplo, nem pensar. Em resumo, Lula começou a abrir as pernas na área fiscal. Para aumentar investimentos em infra-estrutura, ele não vai cortar gastos, mas sim reduzir o superávit primário. Para coroar tudo isso, o pacote econômico terá um nome ridículo - Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
Mas é possível que nada disso afete a popularidade de Lula. O homem tem muita sorte. O cenário externo continua lindo, e é provável que o país cresça um pouco mais de 3% neste ano, com aumento de renda. É a combinação perfeita para o Guia Genial continuar apostando na mediocridade de sempre
janeiro 02, 2007
Boemia explosiva
O homem de seu tempo é testemunha ocular da história. É o meu caso. Em julho, eu estava no Genésio quando queimaram um ônibus quase ao lado do bar, na Vila Madalena. Na semana passada, eu estava no Bar Lagoa quando um policial foi assassinado ali perto. O resultado é que já tem amigo meu pensando duas vezes antes de me convidar para um chope
O homem de seu tempo é testemunha ocular da história. É o meu caso. Em julho, eu estava no Genésio quando queimaram um ônibus quase ao lado do bar, na Vila Madalena. Na semana passada, eu estava no Bar Lagoa quando um policial foi assassinado ali perto. O resultado é que já tem amigo meu pensando duas vezes antes de me convidar para um chope



O galã boliviano
A América Latina não cansa de surpreender. Leio na Folha que Evo Morales é comedor. Segundo uma biografia do sósia do Zacarias, ele "sabe utilizar seu sexapil’ [sic] presidencial e suas exóticas feições de indígena rústico para enlouquecer as mulheres -que desabam, indefesas, contra seu peito poderoso". Um ex-assessor de Morales conta que “muitas mulheres o consideram simpático e admiram seu porte viril de homem dos altiplanos, acham que ele tem pernas de Ronaldinho e largos ombros de amante do Primeiro Mundo".
Se Evo Morales é galã, como é que deve ser o homem boliviano médio? O negócio é grave, mas mostra que tudo é realmente uma questão de parâmetros.
O episódio me lembrou de uma piada de extremo bom gosto que ouvi há alguns anos. Por conta de uma desilusão amorosa, um sujeito decide entrar na legião estrangeira. Depois de alguns meses, ele não agüenta mais a abstinência. Pergunta a um amigo se há algum bordel por perto, ou algum outro lugar em que possa encontrar mulheres. “Aqui, no meio do deserto? Mulher não tem. Quando a coisa aperta, a saída são as camelas”.
Indignado, ele diz que com camela não vai transar. Mais alguns meses se passam, porém, e o sujeito começa a mudar de opinião. Conhecer biblicamente as camelas não lhe parece uma idéia tão ruim. Decidido, pede ao amigo mais informações sobre as camelas. “A gente vai encontrá-las hoje, depois dos exercícios da manhã”. “Contem comigo”, diz o sujeito. Os exercícios mal terminam e todo mundo sai correndo para o lugar onde estão as camelas. “Mas por que está todo mundo correndo?”, pergunta ele. Sem perder o pique, o amigo responde: “Tem que correr mesmo. Ou você quer ficar com as feias?”
Sei que este post pode ferir suscetibilidades, mas eu não quis ser grosseiro. Espero que as camelas não se ofendam com a comparação com os bolivianos
PS: Este post se chamava O garanhão boliviano. Eu mudei o título quando percebi que ele ficara quase idêntico ao deste post do Tambosi sobre o assunto, escrito ontem. Aliás, aproveite e dê uma boa olhada no blog do Tambosi. Você não vai se arrepender