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Governar dá uma preguiça danada
O segundo governo Lula mal começou, e já começou mal. O Guia Genial é reeleito com uma votação consagradora, consegue o apoio de 363 partidos e... não faz nada. Em vez de nomear um ministério de peso, assume com a equipe antiga. Se o ministro não sabe se vai continuar no governo, é óbvio que um clima de paralisia toma conta da pasta. Isso só não ocorreria se o país tivesse uma burocracia estável, bem preparada e permanente, o que não é verdade na esmagadoria maioria do setor público brasileiro. A indefinição deve se arrastar até fevereiro, e nada indica que as coisas vão melhorar depois. Gênios como Guido Mantega e Dilma Rousseff deverão continuar nos seus postos, e partidos que têm quadros ultrapreparados como o PMDB vão indicar vários ministros medíocres - ou nem isso. Lula gosta mesmo é de ser candidato, não de governar o país.
O acordo para elevar o salário mínimo de R$ 350 para R$ 380, que terá um impacto forte sobre as contas da Previdência, também é um péssimo sinal. Lula não está disposto a controlar gastos nem mesmo no primeiro ano de governo, quando, pelo menos em tese, o presidente tem capital político para tomar medidas impopulares. Mas o Guia Genial já mostrou que não quer confusão. Reforma da Previdência, por exemplo, nem pensar. Em resumo, Lula começou a abrir as pernas na área fiscal. Para aumentar investimentos em infra-estrutura, ele não vai cortar gastos, mas sim reduzir o superávit primário. Para coroar tudo isso, o pacote econômico terá um nome ridículo - Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
Mas é possível que nada disso afete a popularidade de Lula. O homem tem muita sorte. O cenário externo continua lindo, e é provável que o país cresça um pouco mais de 3% neste ano, com aumento de renda. É a combinação perfeita para o Guia Genial continuar apostando na mediocridade de sempre


