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A política monetária assassina

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André Araújo: estúpido ou mal intencionado?

Eu não pretendia escrever sobre a morte do garoto João Hélio Fernandes Vieites, mas uma mensagem enviada por André Araújo a Luís Nassif me fez mudar de idéia. Cito de cara os dois primeiros parágrafos, para deixar claro o nível de estupidez (ou de má fé?) a que se pode chegar quando se discute a violência no Brasil: “A TV Globo está dando cobertura detalhista sobre o caso do menino arrastado por assaltantes no Rio. Lateralmente, o usual discurso de estupor e condenação do trágico evento (que é trágico mesmo). Mas no mesmo dia e na mesma hora, no outro canal do grupo, a Globonews, a Miriam Leitão entrevista José Julio Senna (pela segunda vez esta semana no mesmo programa) e Luis Fernando Figueiredo, que aprovam com louvor e sem meias palavras a política monetária do BC.

Os dois acontecimentos estão ligados para quem vê o mundo como um todo. A política monetária elogiada pela Globonews é a mesma que produz a total ausência de perspectiva para a juventude carioca e brasileira de classe baixa e encaminha parte dela para o crime.”

É isso mesmo. Eu não inventei nada, podem conferir aqui. Para Araújo, o Banco Central, o mordomo da economia brasileira, acaba de cometer mais um crime: é responsável também pela barbárie cometida por um bando de celerados contra um menino de seis anos. O assassinato de João não teve nada a ver com a impunidade ou com a crueldade dos assassinos. Eu não duvido que, na cabeça de Araújo, o crime não teria ocorrido se os juros estivessem em 6% ao ano, e não em 13%.

O raciocínio de Araújo é de uma sofisticação invejável. Primeiro, atribui exclusivamente ao BC a culpa pelo baixo crescimento do país. Depois, diz que é a ausência de perspectiva para a juventude que a leva ao crime. E continua: “Em um milhão de jovens, 950 mil podem passar fome mas não irão matar para roubar. Mas 50 mil podem seguir esse caminho sem volta. Se houvesse mais empregos parte desses futuros assaltantes poderiam não ir para o crime. Mas a Globonews não liga as duas coisas e dobra a aposta na defesa de uma política suicida cujo custo mais alto é a impossibilidade de haver sequer esperança para um futuro emprego de dois milhões de jovens brasileiros que a cada ano ingressam no mercado de trabalho.”

Antes de ler a mensagem de Araújo, eu tinha certeza de que a medida mais importante para reduzir a criminalidade era o fim da impunidade, com processos mais rápidos – é óbvio que com amplo direito de defesa -, que resultassem em penas duras e cumpridas integralmente em regime fechado para culpados de crimes hediondos. Mas percebo que a carta de Araújo embute uma saída mais simples: reduzir mais rapidamente os juros. Com uma Selic mais baixa, a juventude terá todas as oportunidades para fugir do crime. É bem possível que não haja mais assassinatos, estupros ou seqüestros. Eu não ficaria espantado se o Marcola se regenerasse.

Como muita gente pensa como Araújo, o Brasil não só não vai crescer mais rápido como também não vai resolver o problema da criminalidade. O Grande Paraguai é isso aí. Não tem a menor possibilidade de dar certo



Marcos Matamoros at 02:28 AM | Comentários (3)

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