« Considerações sobre a morte do menino João | Main | Vendo a Mangueira entrar »

Faço greve, vou pra rua, digo não à opressão
A mentalidade esquerdinha realmente dita as regras no Brasil. Acabo de descobrir que tem até escola de samba engajada. A Tom Maior vai para o sambódromo cantando a opressão ao trabalhador pelo capitalismo e a luta da classe operária por seus direitos. É o sindicalismo na avenida, como deixa claro a letra do samba composta por Maradona, Didi, Turko e Diego Poesia (que, reconheço, é um apelido interessante; se eu fosse malandro ou cafetão, não seria má idéia ser conhecido como Marcos Poesia):
Numa era industrial
A ambição gerou ganância e cobiça
Máquinas devoram o trabalhador
Uma escravidão...Onde o capital é o que importa
Se o tempo é dinheiro a ganhar
A vida é só trabalhar
Pra sobreviver, não basta!
Surgem movimentos pelo mundo
Irmanados por um ideal
Pra nossa dignidade
“1º de Maio”, conquista universal
Quero ter o meu direito, chega de exploração
Com licença, eu vou à luta (BIS)
Faço greve, vou pra rua
Digo não à opressão
É muito lirismo, não?
A Tom Maior não se furta a comentar a realidade brasileira. Na sinopse do enredo, o carnavalesco Marco Aurélio Rufininn diz que “a força dos trabalhadores do complexo industrial automobilístico do ABC teve grande importância, construíram espaços de luta, conquistaram legitimidade, se rebelaram e mostraram que o sindicato tem de ser independente do Estado, livre, pois é a voz do trabalhador.”
Tudo muito bonito, tudo muito engajado – e tudo muito patrocinado. No site da Tom Maior, há uma lista de parceiros da escola. Sabe quem está nela? A CUT de São Paulo. É isso mesmo, meus amigos. Os companheiros aparelharam até escola de samba.
Mas eu confesso que a descoberta do samba-enredo da Tom Maior me deixou contente. Eu odeio carnaval, e todo ano torço para que todas as escolas percam, o que infelizmente não é possível. Neste ano, eu já decidi: vou concentrar meus esforços em secar a Tom Maior


