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É brega, é de mau gosto e é de bandido
Acho o carnaval um lixo. A música é de uma pobreza inacreditável, as alegorias são o cúmulo do brega e os enredos são ridículos. Mas até aí é questão de gosto. Como o povo é chegado mesmo em pão com merda, e de preferência com pouco pão, não é surpreendente que a festa faça um grande sucesso.
Não é a questão estética que me deixa exasperado. O ponto é outro. Como até o asfalto da Marquês de Sapucaí sabe, as escolas de samba são comandadas por bicheiros, mas isso não impede que recebam milhões de dinheiro público todos os anos. Boa parte sai dos cofres da Prefeitura do Rio. Além disso, as escolas conseguem captar recursos por mecanismos fiscais de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet, aquela que permite às empresas “aplicarem” parte do imposto devido em projetos culturais. Treze escolas do Rio conseguiram autorização para arrecadar R$ 33,324 milhões isentos de tributos neste ano.
Quando saiu o resultado, Aniz Abrahão David, bicheiro e presidente da Beija Flor, deu entrevista na televisão normalmente, como se não fosse bandido. Nos dias de desfile, o presidente da Liesa, Capitão Guimarães, também apareceu algumas vezes na Globo, falando com a maior desenvoltura, como se fosse um sujeito respeitável. Para quem não sabe, além de ser bicheiro e ter cabelo tingido, ele foi torturador nos anos da ditadura militar. É esse tipo de gente que recebe milhões dos cofres públicos. Todo carnaval eu lembro desses detalhes, mas a maior parte das pessoas não dá a menor bola para essa chatice. O negócio mesmo é discutir se a Mangueira deve ou não pedir desculpas públicas a Beth Carvalho (se bem que pelo menos é uma polêmica divertida)
PS: Antes que eu me esqueça: pau no cu do Galo da Madrugada, o maior bloco de carnaval do mundo. Grande merda. E foda-se o Bacalhau do Batata


