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A fantasia de árabe é uma velha tradição do Carnaval carioca
Foi ao atravessar o Cordão da Bola Preta, tradicional bloco carnavalesco do Centro do Rio, que eu pela primeira vez tive um insight da mente do homem-bomba. Mas isto é assunto para outro post. O que interessa aqui é expressar minha alegria. Porque hoje é Carnaval. O centro do Rio está tomado. Panças pardas tremulam disformes, carrancas femininas de variados formatos balouçam gentilmente em gorduchos tocos de tronco. As gostosas são cercadas por machos peludos e suarentos, arrastando a voz naquela engrolada fala de hiena, típica do adorável carioquês. Mija-se com uma liberdade nunca antes atingida pelas atividades penianas, nem mesmo nos festivais de rock'n'roll e amor livre dos anos 60. A urina espalha-se como um manto fétido sobre as calçadas e o asfalto, penetrando nas muitas saliências e formando um intricado mosaico de poças brilhantes. A música está em toda a parte. Tum tum, urrhhhrrhhhh, tum tum, urhhh uurhh, tum tum. As crianças com expressão chorosa fitam os pais, desconsoladas. Elas querem ver televisão, brincar no playground, comprar bugigangas chinesas - que saco esse negócio de bloco (mas tem um consolo: cobrir o maior número de pessoas possível com aquela espuma nojenta, que se amalgama ao suor e dá esta peculiar sensação de melado profundo que todo folião conhece tão bem). E agora me dá licença que eu vou brincar por aí


