« fevereiro 2007 | Main | abril 2007 »

março 30, 2007

Rebeldia e destemor III

mussum01.jpg
Mussum, herói de nossa gêntis

Essa história de Democratis me lembrou de uma antiga idéia minha: o serviço secreto brasileiro deveria se chamar Mossadis, ou melhor, Moçadis, em homemagem ao homem que talvez melhor tenha traduzido o que é ser brasileiro. É claro que o Moçadis seria de uma incompetência atroz, mas isso não mudaria o padrão grão-paraguaio de qualidade. E pelo menos haveria espaço para diversãozis: ou alguém duvida que a senha secreta para participar das reuniões do Moçadis seria algo como Cacildis?



março 29, 2007

Rebeldia e destemor II

Não tem algo mussúmico neste novo nome, aquela visão naïf de que acrescentar um 's' é sempre um item de sofisticação?
"Eu sou democratas". "O democratas acha isto ou aquilo". "Como democratas, tenho certeza de que a melhor postura é..."
É só levar a coisa um pouquinho adiante e teremos o Democratis, um nome que é um meta-poema da direita brasileira.
Eu confesso que preferiria Partidis Democratis, mas é que sou muito conservador



Rebeldia e destemor

PFL3.jpg
Rodrigo Maia e ACM Neto: fatores motivacionais de chacota

Depois de ameaçar se transformar no Partido Democrata (PD), o PFL virou Democratas. O nome novo é ainda mais ridículo que a primeira opção. A sigla, DEM, é uma das mais ridículas no mercado. Talvez apenas PSOL chegue perto. O nome Democratas, aliás, tornou ridícula qualquer referência ao partido. Ou não é ridícula uma frase como “venha para o Democratas”?

O mais impressionante é haver esperança de que o Democratas seja um partido decente. Vejamos as lideranças do DEM. O presidente é Rodrigo Maia, filho de César Maia. Levar a sério qualquer um dos dois é tarefa para poucos. Eu também não resisto em citar mais uma vez meu democrata preferido: Jorge Bornhausen, o homem que nasceu e cresceu policamente na ditadura e foi ministro da Educação de Sarney e ministro de Governo de Collor. Vai ter credencial democrática assim lá no inferno.

Há também figuras menores, como o deputado ACM Neto. O pequeno baiano disse uma frase brilhante no Jornal Globo de ontem, ao ser entrevistado sobre a mudança de nome: “A ausência do nome ‘partido’ pode ser um fator motivacional para diversas forças vivas da sociedade se engajarem e participarem ativamente da formação do Democratas.”

É verdade. Não é difícil imaginar a cena. O sujeito está em casa, alienado, vendo televisão e babando na gravata, sem nenhum interesse em política. De repente, ele descobre o Democratas. Num insight, tudo muda em sua vida: “Peraí, isso é um fator motivacional para que eu, uma força viva da sociedade, me engaje na formação do partido cujo grande atrativo é não ter a palavra partido no nome”. Eu não vou me espantar se o Democratas tiver 10 milhões de filiados em algumas semanas.

Mas talvez nada se compare a uma frase que aparece no site do partido, depois de um resumo da história do PFL: “Resumindo, O PFL NASCEU DA REBELDIA E DO DESTEMOR”, assim mesmo, em letras maiúsculas. Quem há de discordar?



Black is beautiful II

BlackPanthersPIC1.jpg
Se pedir pra sambar a gente te arrebenta


Se você me permite, caro Matamoros, eu exercerei uma rara oportunidade não de discordar mas de, digamos, ehrrr, pentelhar, isto é, tecer comentários pretensamente neutros ao seu post que, na prática, procuram de forma tortuosa e subliminar colocar em questão (horrível isto, não?) os seus pontos de vista. Para começar, eu daria um apoio qualificado e sarcástico à ministra da Negritude por ter incitado a rebelião racial no Brasil. O fato de ser sarcástico, contudo, não significa uma ironia do tipo 0/1, isto é, que o que eu quero dizer é o exato contrário do que eu disser. O meu apoio seria:

1) à atitude de desagradar os defensores da tese de que as raças são todas amiguinhas no Brasil. Não vou fundamentar esta minha postura. É pura birra mesmo com a idéia de brasileirinhos alegremente cantando 'somos todos irmãos' pelas ruas. Tenho uma certa queda por bílis, especialmente em momentos de excesso de trabalho. Me agrada mais a idéia de combates sangrentos entre panteras negras e skinheads do que o Ali Kamel entregando o troféu "negro mais amiguinho do ano" no auditório do Projac

2) ao direito que todos temos de não conviver com quem não queremos conviver. Na minha leitura, a ministra do Baticumbum disse que, se um negro tem bronca de branco, ele pode legitimamente evitar o convívio com os azedinhos. É claro que, implícito no seu raciocínio, está a anti-contrapartida (matematicamente poderia virar partida, e daí dar um pulinho para parti-pris) de que os brancos não têm o mesmo direito. Isto enfraquece a tese da ministra, evidentemente. Mas já é meio caminho andado na direção de reconhecermos a antipática verdade de que a liberdade de rejeitar é um dos pilares da civilização

Paro por aqui, que nem mais eu estou me agüentando



março 27, 2007

Black is beautiful

Matilderibeiro3.jpg
Matilde Ribeiro: racismo de negro pode

A ministra da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, já decidiu: negro pode discriminar branco. Segundo ela, “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”. Em entrevista à BBC, Matilde foi mais longe: "A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”.

A ministra que deve promover a igualdade racial acha normal que brancos sejam discriminados. Eu achava que a igualdade racial valia para todo mundo. Branco não poderia discriminar negro, e negro não poderia discriminar branco. Mas a ministra mostrou que não é bem assim.

A declaração é motivo mais do que suficiente para demissão. A ministra considera normal que os negros sejam racistas. É claro que não vai ocorrer nada. Imagine a gritaria que o movimento negro não faria se Matilde fosse demitida?

Pela lógica de Matilde, os negros também deveriam discriminar os negros, ou pelo menos parte dos negros africanos. Afinal, africanos vendiam os escravos para os europeus. Mas dizer isso pega mal. A moda é pedir desculpas pela escravidão, como fez Lula na África e como tem ocorrido na Inglaterra, nas comemorações dos 200 anos da abolição do tráfico de escravos. Como disse o historiador Manolo Florentino à Folha, a escravidão é uma tragédia da humanidade. "Quero ver é os africanos pedirem desculpas por também terem vendido escravos aos ingleses", afirmou ele. Nessa questão, todo mundo tem culpa no cartório



março 23, 2007

Arte?

Bialessa3.jpg
Bia Lessa, picareta profissional

Picaretagem e artes plásticas andam de mãos dadas. Muitas vezes o picareta é o próprio artista plástico, como Nuno Ramos. Há casos, porém, em que o artista plástico é vítima de picaretagem da corja que organiza exposições. Um exemplo disso? A mostra no Instituto Itaú Cultural de pintura brasileira contemporânea. Bia Lessa teve uma idéia brilhante: colocou 22 quadros no chão de uma sala. Muitos dos artistas ficaram putos, como mostra a coluna de Mônica Bergamo de ontem (a nota está no continue reading).

“Coloquei as obras no chão porque isso permite todas as possibilidades de visualização”, disse a picareta. É claro que isso não é verdade. Bia Lessa não colocou as obras no chão porque isso permite todas as possibilidades de visualização. Ela colocou as obras no chão para criar polêmica. Foi xingada pelos artistas, e tenho certeza de que ficou feliz. Era exatamente o que ela queria.

Veja acima a foto que saiu na coluna da Mônica Bergamo. Se ela fosse séria, não posaria desse jeito. Daniel Senise, uma das vítimas da picaretagem de Bia Lessa, disse tudo: “A gente faz a obra, coloca um ponto de fuga na tela na altura dos olhos da pessoa, calcula tudo isso. Ela coloca o quadro no chão e daí fode tudo, pô!” Qualquer um que se interessa minimamente por arte sabe que é ridículo colocar um quadro no chão.

Bia Lessa é uma versão feminina de Gerald Thomas. Vai aparecer em muitas reportagens e, é óbvio, vai organizar muitas outras exposições – sempre polêmicas

PS: A idéia de colocar quadros no chão me lembrou os suportes de pinturas inventados por Lina Bo Bardi para o Masp. Para quem não lembra, o quadro ficava num negócio de vidro, com o nome do autor e da obra atrás da pintura. O espectador era obrigado a dar a volta para saber essas informações pouco importantes. Se eu não estou enganado, a idéia de Lina Bo Bardi era que, desse modo, o espectador não fosse influenciado por nenhuma outra informação que não a visualização do quadro. Um conceito autoritário, que fazia todo mundo de palhaço. Ah, é claro: muita gente adorava

"Desta vez a gente não escapa, Bia!", dizia o curador Teixeira Coelho à cenógrafa Bia Lessa no meio da abertura da exposição "Itaú Contemporâneo -1981-2006", anteontem, na avenida Paulista. A decisão de Bia de colocar 22 telas de vários artistas no chão de uma sala enlouqueceu os autores das obras -que souberam da "novidade" ao chegar ao evento.


"E "tô" puto! Meu quadro não foi feito para ficar no chão. É uma violentação moral!", exaltava-se Antonio Manuel. "Pra mim, é falta de conhecimento dela [Bia Lessa]", responde o artista plástico Paulo Pasta. "O que está em jogo, pra ela, é a cenografia, o espetáculo, e não a obra". Manuel ergue a voz. "É uma infeliz, uma burra, isso sim! Essa menina fez uma piada com o trabalho da gente. Trabalho de 40 anos! Não admito isso!".

As pessoas iam chegando, e o espanto só aumentava. Rodinhas tensas se formavam na entrada da sala. Carlos Vergara diz a Bia: "Sua arrogância é inversamente proporcional ao seu tamanho". O carioca Daniel Senise, numa roda com Fábio Miguez, engrossa o coro: "A gente faz a obra, coloca um ponto de fuga na tela na altura dos olhos da pessoa, calcula tudo isso. Ela coloca o quadro no chão e daí f... tudo, pô!"

Bia Lessa tenta explicar: "Coloquei as obras no chão porque isso permite todas as possibilidades de visualização". Aponta para o espelho no teto da sala -razão pela qual o andar logo foi apelidado pelos artistas de "motel"- e mostra a passarela ao lado das obras. "Elas podem ser vistas em 360º. Deslocá-las significa valorizá-las. Ouvi de um deles: "Bia, tudo tem limite!". E eu acho exatamente o contrário." Siron Franco apóia a cenógrafa: "Relaxa, moçada. Depois tudo volta pra parede".



março 20, 2007

Em nome da Pátria

Brasken.jpg
Você é o ganhador, mas esqueça o dinheiro*

Eu acho curiosa a simbologia patriótica empregada pelas empresas brasileiras para anunciar que fecharam grandes negócios. Sempre me pergunto o que eu ganho com isto.

Just in case, deixo aqui minhas referências bancárias caso Petrobrás/Ultra/Brasken resolvam sair da retórica para a prática e façam algo um pouco mais concreto pelo povo brasileiro

F. Arranhaponte
Liechenstein First National Bank
ag.001
c/c 00000-171

* Esta é a imagem no anúncio da compra da Ipiranga pelas três instituições filantrópicas mencionadas acima



março 19, 2007

Carnívoros do mundo todo, uni-vos II

noe.jpg
Não era pra gente ter entrado, segundo os vegans


O vegetarianismo é um desumanismo. Pelos menos, e literalmente, o de um líder vegan do qual uma vez li uma entrevista num jornal inglês. O sujeito defendia a idéia de que a humanidade deveria ser reduzida a 400 milhões de pessoas para dar lugar na Gaia a mais plantinhas e animais. Ele não adiantou o seu projeto de adequação da população humana, mas eu acho que as intenções não poderiam ter ficado mais claras. Também daria um bom enredo de ficção científica os vegan chegando ao poder depois da Terceira Guerra Mundial, na qual os carnívoros seriam derrotados pela Grande Coalizão Vegetariana.

Pensando bem, se for pra passar a vida ruminando graminha, não faço muita questão de estar entre os 400 milhões que sobrarem não



Carnívoros do mundo todo, uni-vos

Rembrandt3.jpg
Rembrandt não era vegetariano

É apenas uma questão de tempo. Com toda essa conversa sobre aquecimento global, o cerco contra os carnívoros inevitavelmente começará a se fechar. O problema é que os gases produzidos pelos estômagos dos ruminantes são um dos principais causadores do efeito estufa. Em breve, os ecomalas não vão dar trégua a quem, como eu, não vive sem comer carne.

Em 7 de março, a Peta enviou uma carta para Al Gore conclamando-o a se tornar vegetariano, porque esse seria o melhor caminho para combater o aquecimento global. Segundo a Peta, um estudo da ONU mostrou que a criação de animais para fins alimentares gera mais gases causadores do efeito estufa do que todos os carros e caminhões do mundo juntos. Haja peido. Não tenho como discutir se o estudo está certo ou errado, mas posso garantir uma coisa: não vou parar de comer carne por causa disso. Aliás, vou ver se aumento a proporção de carne vermelha em minha dieta diária, só para provocar a Peta.

Toda essa história me deu a idéia de escrever a primeira distopia em tempos de aquecimento global. Uma obra visionária, antecipando a perseguição implacável que os carnívoros sofrerão nos próximos anos.

Tudo começa com manifestações aparentemente inocentes em frente de açougues e frigoríficos. Depois, surgem atentados a churrascarias, em que sujeitos com a cara do Moby, fantasiados de brócolis, se explodem entre peças de picanha e de cupim. Aos poucos, o consumo de carne começa a ser racionado pelos governos. Alguns anos depois, ser carnívoro vira crime. A polícia secreta invade casas e mata sem apelação uns coitados que, escondidos, devoram porções ínfimas de patinho e acém como se estivessem saboreando pedaços da mais nobre carne argentina.

O fim do livro deixa entrever um pouco de esperança: o protagonista foge com um grupo de amigos, levando três touros e três vacas, em busca de em lugar onde possam começar a criação de um rebanho que garanta o consumo de um pedaço de filé mignon pelo menos uma vez por mês. No encalço dos heróis, um bando de policiais vegetarianos, com aquela aparência de quem tem hepatite permanente. O livro já tem nome: Fahrenheit 348



março 16, 2007

Isto é o Islã II

180px-Ron_Jeremy.jpg
Ron Jeremy, sósia do Khalid

A civilização muçulmana tem essa coisa curiosa: os neguinhos saem alegremente comemorando explosão de homem-bomba, decapitação de jornalista e derrubada de edifícios em Nova York em que morrem quase 3 mil pessoas. Os protestos de autoridades religiosas islâmicas contra esse tipo de animalidade costumam ser muito tímidos ou inexistentes. É um modo bonito de respeitar o outro.

Por tudo isso, eu nunca perco de vista a superioridade da decadente civilização ocidental em relação à impoluta civilização muçulmana. Ah, mas tem Abu Ghraib. Ah, mas tem Guantánamo. É verdade. São dois absurdos e duas excrescências. A questão é que a liberdade de expressão vigente na sociedade ocidental – essa praga? essa chaga? –permite que Abu Ghraib e Guantánamo sejam abertamente condenadas por grande parte da opinião pública dos próprios países ocidentais, incluindo a dos EUA. Em muitos países muçulmanos, a tortura é disseminada, a mulher é tratada como lixo e não há liberdade de expressão. Deve ser muito divertido viver numa ditadura teocrática

PS: Como notou um amigo meu, o Khalid parece o Ron Jeremy, o famoso ator pornô americano. A diferença é que a maior perversão de Ron Jeremy é praticar a auto-felação, algo que me parece repulsivo, mas é bem mais inofensivo do que decapitar pessoas ou inventar ataques terroristas




Isso é Islã*

mohammed_khalid_shaikh.jpg
Paladino da Justiça de Alá


..."Com minha abençoada mão direita, decapitei o judeu americano"

(Khalid Sheikh Mohammed)


* Tem blogueiro que acha que o mais relevante nesta notícia é que o cara provavelmente foi torturado para confessar o que confessou.
Eu tendo a concordar com o John Sifton, especialista em terrorismo do Human Rights Watch, que criticou a custódia militar justamente por que "tem suspeito de terrorismo alegremente assumindo o status de combatente inimigo e se esbaldando (nesse papel)".
O que importa é isto: mesmo que não tenha sido o Khalid quem cortou cabeça do Pearl com faquinha de sobremesa (conheço pessoas que degustaram a cena na Internet), ele gostaria de ter sido. Tem orgulho deste tipo de coisa.
Silêncio, por favor. Estou tentando ouvir algum clérigo mulçumano dizendo que isto é uma abominação, que um animal destes jamais poderia ser considerado um homem religioso




março 15, 2007

Esquerda e direita II

Um blogueiro sem tempo para escrever é uma coisa triste. Eu queria elaborar um puta texto sobre a questão direita x esquerda, mas não dá. Então vamos na base do vapt vupt

- Me lembro de quando namorei uma sueca em Paris e, ao visitarmos uma amigo mais velho dela (erámos jovencitos os dois), não sei por que cargas d’água ela me apresentou como um cara “de centro”. Resposta do suecão gorducho e desencantado: “De centro? Que saco! Se ainda fosse de extrema esquerda ou de extrema direita...”

- Ao contrário do Matamoros, não me importo de ser chamado de direita. E acho que isto está diretamente ligado ao fato de que quase todo mundo tem vergonha de não ser de esquerda no Brasil. No meu afã pouco original de ser original, acho que posar de direitista é mais charmoso

- Quanto a posições, sou a favor marromenos do Consenso de Washington, e isto é insuficiente para que eu me considere um liberal. Tenho aspectos poucos liberais. Por exemplo, prefiro as regras holandesas de quase nenhum sigilo bancário do que as suíças. Dinheiro para mim é algo socialmente construído, e o Estado tem direito de saber quanto cada um tem. O problema é que tem que confiar no Estado, o que não é o caso por aqui. E aí eu fico na dúvida

- Mas detesto a idéia do Estado grandiloqüente, planejando futuros grandiosos, e tratando-nos como pecinhas de uma engrenagem claustrofóbica. Aí eu viro um liberal quase à la Unabomber, recolhido na minha cabana em North Dakota e pronto a disparar o arcabuz contra qualquer um que se atreva a invadir os limites da minha propriedade

- Acho que a divisão de tudo e de todos em direita e esquerda é mais atual do que nunca, o que não quer dizer que seja clara (talvez nunca tenha sido). O meu critério é o seguinte. Você é o rótulo que lhe pespegam. É o contrário do critério do IBGE para aferir a raça no Censo, que é auto-declaratório. Em termos de direita e esquerda, vale tudo menos o que você acha de si mesmo. Assim, me acham em média de direita. Então sou de direita

- É claro que isto pode variar dependendo de onde você vive. Morei dois anos na Inglaterra e teria votado nos trabalhistas de Tony Blair caso pudesse. Você pode dizer que o Blair é de direita, mas lá ele está à esquerda dos Conservadores. E eu sou um grande apreciador dos regimes social-democratas escandinavos, aquelas sociedades inteligentemente horizontais, gentis, cultivadas

Bem, é isso. Relevem erros gramaticais e impropriedades estilísticas. Infelizmente, tenho que voltar ao trabalho

PS: Sou moderadmente contra a pena de morte, potencialmente favorável à descriminalização das drogas, a favor da legalização do aborto (mas antipático em relação ao aborto propriamente dito), de acordo com a união civil homossexual e acho que o Foro de São Paulo é repulsivo com suas Farcs e quejandos, mas não tem nenhuma importância transcendental. Bem, quanto ao filósofo no exílio, eu diria que, assim como o Saturnino Braga foi o homem que desmoralizou a honradez, o Olavo de Carvalho é o homem que esculhambou a erudição



março 13, 2007

Os Sem-Camisa Pretos

traficante carioca.jpg
Traficante carioca, sob a bandeira do Comando Negro


Tem intelectual discutindo a sério se os assassinos do garoto no Rio devem ser comparados aos nazistas. Eu proponho aprofundar o debate, abordando os seguintes temas (neste momento estou vendendo a idéia de um seminário em torno da quéstion janinienne para a Casa do Saber)

- Elementos wagnerianos no funk: O Liebestod das cachorras
- Mitologia nórdica e cultura do morro: a história trágica de My Thor
- A ideologia do “sangue bom”: a linguagem do racismo na periferia

O meu pacote para a Casa do Saber inclui cursos fusion de capoeira e passo do ganso ministrados por skinheads baianos



março 12, 2007

Esquerda e direita

Uma das polêmicas mais chatas do mundo é discutir o que faz alguém ser de esquerda ou de direita. Mesmo assim, eu decidi escrever um post sobre o assunto. Acho que a maior parte dos nossos 3,5 leitores não hesita em classificar o Torre de Marfim como um blog de direita, provavelmente porque muitas vezes nós descemos o sarrafo na esquerda. Neste post, por exemplo, o Idelber se referiu ao Torre como de direita, linkando uma análise do Arranhaponte sobre o artigo do defensor número um do mata e esfola no Brasil, o professor de filosofia e motorista de táxi Renato Janine Ribeiro.

A verdade é que, por mais coisa de viado que isso possa parecer, ser classificado como direitista me incomoda um pouco. Se defender a redução do tamanho do Estado, a responsabilidade fiscal e a interferência mínima do governo na economia e na vida das pessoas é ser de direita, eu não vejo problemas em ser visto como direitista.

A questão é que eu sou radicalmente contra a pena de morte, sou favorável à descriminalização das drogas, à legalização do aborto e à união civil homossexual e não acredito que o Foro de São Paulo seja uma ameaça comunista à América Latina. Com essa agenda, eu obviamente seria expulso a pontapés de muitos círculos da direita. Olavo de Carvalho me chamaria de comunista e pediria minha excomunhão.

Por tudo isso, prefiro ser visto como liberal. E em relação à dicotomia direita e esquerda? Se eu for obrigado a me definir nesses termos, eu diria que sou centrista. Eu sei, eu sei. Autodefinir-se como centrista é ridículo. Além disso, não há nada que tenha menos sex appeal do que se declarar de centro. Acho que ninguém nunca comeu uma mulher se dizendo centrista. Heidegger com certeza não teria traçado Hannah Arendt se fosse de centro

PS: Os Apostos estamos com problemas nas caixas de comentários. Se alguém quiser entrar em contato, pode enviar um e-mail para o endereço marcosmatamoros@gmail.com




março 09, 2007

Dublinenses

james_joyce.jpg
riverrun, past Eve and Adam's, from swerve of shore to bend if bay

Ruas de Dublin, no domingo passado. A cúpula do Torre de Marfim caminha animadamente pela cidade, discutindo se vale a pena abrir uma filial do blog por aquelas bandas, para aproveitar o low tax model irlandês. De repente, nosso périplo bloomiano nos coloca de frente à estátua de James Joyce, essa aí de cima. Eu e o Arranhaponte, joyceanos capazes de citar trechos e trechos de Finnegans Wake de cabeça, travamos então um diálogo de rara profundidade, ainda inebrados pela visão de nosso ídolo:

Arranhaponte: Ih, olha os caras. Resolveram copiar a estátua do Drummond lá de Copacabana.
Matamoros: É verdade, mas pelos menos aqui eles não picham nem quebram a estátua



Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


Links

* Alexandre Soares Silva
* Chá das Cinco
* Diacrônico
* Filthy McNasty
* FYI
* JP Coutinho
* Manobra, 1979
* Número 12
* puragoiaba
* Roma Dewey


Posts Anteriores

Rebeldia e destemor III
Rebeldia e destemor II
Rebeldia e destemor
Black is beautiful II
Black is beautiful
Arte?
Em nome da Pátria
Carnívoros do mundo todo, uni-vos II
Carnívoros do mundo todo, uni-vos
Isto é o Islã II


Arquivos

junho 2008
maio 2008
abril 2008
março 2008
fevereiro 2008
janeiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
Abril 2006
Março 2006
Fevereiro 2006
Janeiro 2006
Dezembro 2005
Novembro 2005
Outubro 2005
Setembro 2005


Syndicate this site (XML)

Busca





Powered by