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Rembrandt não era vegetariano
É apenas uma questão de tempo. Com toda essa conversa sobre aquecimento global, o cerco contra os carnívoros inevitavelmente começará a se fechar. O problema é que os gases produzidos pelos estômagos dos ruminantes são um dos principais causadores do efeito estufa. Em breve, os ecomalas não vão dar trégua a quem, como eu, não vive sem comer carne.
Em 7 de março, a Peta enviou uma carta para Al Gore conclamando-o a se tornar vegetariano, porque esse seria o melhor caminho para combater o aquecimento global. Segundo a Peta, um estudo da ONU mostrou que a criação de animais para fins alimentares gera mais gases causadores do efeito estufa do que todos os carros e caminhões do mundo juntos. Haja peido. Não tenho como discutir se o estudo está certo ou errado, mas posso garantir uma coisa: não vou parar de comer carne por causa disso. Aliás, vou ver se aumento a proporção de carne vermelha em minha dieta diária, só para provocar a Peta.
Toda essa história me deu a idéia de escrever a primeira distopia em tempos de aquecimento global. Uma obra visionária, antecipando a perseguição implacável que os carnívoros sofrerão nos próximos anos.
Tudo começa com manifestações aparentemente inocentes em frente de açougues e frigoríficos. Depois, surgem atentados a churrascarias, em que sujeitos com a cara do Moby, fantasiados de brócolis, se explodem entre peças de picanha e de cupim. Aos poucos, o consumo de carne começa a ser racionado pelos governos. Alguns anos depois, ser carnívoro vira crime. A polícia secreta invade casas e mata sem apelação uns coitados que, escondidos, devoram porções ínfimas de patinho e acém como se estivessem saboreando pedaços da mais nobre carne argentina.
O fim do livro deixa entrever um pouco de esperança: o protagonista foge com um grupo de amigos, levando três touros e três vacas, em busca de em lugar onde possam começar a criação de um rebanho que garanta o consumo de um pedaço de filé mignon pelo menos uma vez por mês. No encalço dos heróis, um bando de policiais vegetarianos, com aquela aparência de quem tem hepatite permanente. O livro já tem nome: Fahrenheit 348


